
Capítulo 222
Me tornei a filha adotiva do protagonista masculino.
Os olhos confusos do imperador estavam incômodos e turvos, como caramelos derretidos.
"Vamos dormir e descansar juntos."
Com a sugestão gentil da imperatriz, o imperador lentamente assentiu. Ela sorriu suavemente e o guiou até o pequeno quarto localizado atrás do escritório.
Logo, o imperador foi deitado na cama.
"Agora, por favor, me abrace."
Um travesseiro de tamanho humano foi pressionado contra os braços do imperador.
"Vamos fazer um amor cheio de paixão, depois tirar uma soneca rápida. Assim, sua cabeça vai ficar mais clara e toda cansaço vai embora."
Com esse sussurro, a Concubina Usia foi lentamente recuando e saiu para o escritório, encerrando a porta do dormitório atrás de si.
Momentos depois, um som estranho ecoou de além do quarto.
Parecia o grito ofegante de uma fera enlouquecida, mas a imperatriz não deu atenção e se sentou na mesa do imperador.
"Vamos ver..."
Remexendo nas pilhas de documentos, logo sorriu amplamente.
"Aqui está!"
O que ela encontrou foi um relatório relacionado à futura viagem ao exterior da Princesa Scandia.
O conteúdo continha uma petição ousada de um súdito leal sugerindo que o encontro da princesa com um rei estrangeiro, antes do casamento, fosse adiado.
"Devo me lembrar do nome dessa pessoa?"
Sentindo-se muito melhor, a imperatriz começou a cantarolar.
Entre sua cantoria animada, podia ouvir-se o respirar ofegante do imperador, fraco e quase imperceptível.
Porém, a Concubina Usia, agora ⊛ NoVelιght ⊛ (Leia a história completa), acostumada com isso, não deu atenção.
"Ainda assim... a reação foi um pouco lenta, não foi?"
Recordando a resposta anterior do imperador, ela inclinou a cabeça.
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"Será que ele desenvolveu tolerância ao Alucina...?"
Murmuros de que precisaria aumentar a dose da hipnose, ela não demonstrava nem um pingo de preocupação no rosto.
Tolerância ou efeitos colaterais—nada disso importava para ela.
"Bem, então, Sua Alteza, Princesa..."
O papel foi rasgado ao meio.
"Adeus."
***
Por fim, a decisão sobre o casamento da Princesa Scandia foi tomada.
Seu pretendente era o rei de um reino que mantinha relações amistosas de longa data com o Império Bellius.
Embora sua idade não fosse oficialmente conhecida, o fato de ele ter um príncipe herdeiro mais velho que a própria princesa já dizia tudo.
Naturalmente, as pessoas estavam insatisfeitas.
"O que nosso império está faltando que precisamos enviar Sua Alteza para algum velhaco?"
"Alguém se lembra do caso com o filho de Olor?"
"Que pena pela Sua Alteza..."
"Ouvi dizer que ela nem está bem de saúde."
"O imperador só está vendendo a filha por política."
"Ele não é diferente do Olor. Nada diferente mesmo."
"Um é pedófilo, o outro é mercador de vender filha..."
Enquanto a praça se enchia de críticas e desprezo, uma carruagem vinda do palácio se aproximava lentamente.
O objetivo da viagem da princesa era encontrar seu pretendente antes do casamento e criar afinidade.
Mas o que aconteceria lá—ninguém podia prever.
“Ai, meu Deus...”
"Ela é tão bonita e delicada..."
"É muita pena...”
Vendo pela janela da carruagem, que se moves lentamente, a Princesa Scandia parecia melancólica, mas também elegantemente bela.
As pessoas achavam que a princesa partindo parecia um cordeiro sendo levado ao abate.
Com uma despedida cheia de piedade e simpatia, a carruagem passou pelo Portão e seguiu para o sul.
A princesa deveria transferir-se para um navio em um porto do sul. A pequena procissão de carruagens entrou na floresta.
Embora isso significasse um desvio maior, foi escolhido para evitar os olhos do público.
“Tá quente...”
Um dos cavaleiros à frente murmurou, afrouxando a gola da camisa.
"Por que diabos estamos sofrendo assim num dia tão quente?"
Outro cavaleiro reclamou.
"Que pena pela princesa. Ainda é criança e já vai se casar."
"E com um velho, pra piorar."
"Bem, pelo menos ela vai herdar toda a riqueza dele se ele morrer."
O tom de conversa deles, embora cheio de sarcasmo, soava mais como zombaria do que compaixão. Apesar de terem pena da situação da princesa, pareciam não se preocupar de verdade.
Para eles, era só mais um assunto para passar o tempo numa viagem longa.
“Cuidado com a língua.”
O cavaleiro líder deu um aviso leve. Ele era o capitão da escolta.
Mas, mesmo assim, seu aviso não foi levado a sério, e ele não insistiu. Assim, a disciplina dos cavaleiros imperiais se soltou ainda mais.
Depois, um jovem cavaleiro se aproximou do capitão.
“A Alteza quer descansar um pouco.”
"Tsc. Ainda temos um bom trecho pela frente..."
Reclamando abertamente, o cavaleiro virou-se e foi em direção à carruagem. Mesmo com as cortinas nos janelas, podia-se ver uma silhueta vaga da princesa.
“Deve dar pra parar a carruagem, Sua Alteza?”
A sombra da princesa assentiu.
“Todos, parem!”
A procissão de carruagens parou no meio da floresta.
Os cavaleiros desmontaram e se sentaram à sombra das árvores, bebendo água para se refrescar.
Os cavalos amarrados às árvores próximas pastavam ou bebiam da água dos cavaleiros.
Enquanto isso, os cocheiros inspecionavam as carruagens—uma tarefa que deveriam fazer logo após passar pelo Portão.
Mas, como os cavaleiros insistiram em seguir sem descanso, só agora estavam checando isso.
A princesa descansava dentro de uma tenda montada perto da sua carruagem por sua criada.
“Pois bem...”
Um cavaleiro, encarando a tenda com curiosidade, murmurou:
“Dizem que a princesa é realmente bonita.”
“Ela parece com a imperatriz.”
Alguém respondeu com voz sonolenta, com a boca cheia de carne-seca.
“Aquele velho rei é bem sortudo antes de morrer.”
“Acha?”
“Eu vi a imperatriz de longe uma vez. O cabelo dela brilhava como prata, ela era tão linda que você esquecia a idade dela. Sinceramente, se eu fosse o imperador, só de tê-la já estaria satisfeito...”
“Que vagabundo patético.”
Outro cavaleiro zombou.
"O imperador poderia ter uma mulher tão bonita dessas e ainda assim manter outras. Isso que é ser imperador."
"Então essa garota na carruagem também deve ser uma beleza de outro mundo?"
Que surpresa deliciosa.
Alguém riu com uma voz zombeteira e distorcida.
“......”
“......”
A nuca dos cavaleiros ficou fria.
“Kyaaah!”
Naquele momento, a criada dentro da tenda soltou um grito assustado.
Só então, os cavaleiros pegaram suas espadas—mas foram derrotados pelas costas e cambalearam ao cair.
"Quem—quem é você...?!"
"Ugh!"
"Você já viu bandido anunciar quem é antes?!"
Os cavaleiros rendidos rapidamente foram amarrados. Deixando alguns para guardá-los, o resto dos bandidos atacou a carruagem.
Todos os bandidos tinham os rostos cobertos. Moviam-se com coordenação perfeita, sem perder tempo.
Conseguiram subjugar todos—cavaleiros, funcionários, até os cavalos—tapando seus olhos e acalmando-os.
Os cavaleiros, surpresos com a rapidez de tudo acontecer, não puderam fazer nada. Alguns tentaram resistir de última hora, mas nada adiantou.
"Tá aqui a garota!"
Alguém gritou de além da tenda, seguido de um grito agudo.
Os cavaleiros tentaram se levantar, mas foram pisoteados pelos bandidos que os observavam.
"Vão se danar! O que vocês acham que estão fazendo?"
"Vocês sabem quem ela é?!"
"Claro que sabemos."
Um dos bandidos, com o rosto enfaixado, exceto pelos olhos, falou zombando.
"Foram vocês que não paravam de falar da princesa."
"Como vocês se atreve...!"
"E o que vocês vão fazer a esse respeito?"
O bandido sorriu e deu uma lição sobre o valor do silêncio.
"Um cavaleiro nunca deve tagarelar à toa durante uma missão."
Depois, fazendo-se de prestativo, ele pessoalmente cobriu a boca e o nariz deles com um pano embebido em sedativo. Em pouco tempo, os cavaleiros perderam a consciência.
"Retirada!"
"Levem os suprimentos e a princesa!"
"Yeehaw! Hoje foi nossa vitória!"
"Que banda de bandidos gritando desse jeito?"
"Pai, por que você tá brigando de novo?!"
Com aquele embate bizarro pai e filha, os bandidos sumiram.
Restaram só uma carruagem derrubada, uma tenda rasgada, e os cavaleiros, criadas e cocheiros inconscientes amarrados às árvores...
...e o vestido descartado da princesa.
***
Os bandidos saíram sorrateiramente da floresta.
Ao chegarem na estrada costeira, montaram os cavalos e carruagens preparados. Suas máscaras e bandagens foram escondidas sob as roupas.
Logo, surgiu na estrada costeira uma carruagem com o brasão de uma família de comerciantes ricos.
"...Vamos entrar no território de Rinne daqui."
O Marquês de Hesperi olhava pela janela enquanto falava.
O sol de verão brilhava claro acima, e o mar reluzia com ondas quebrando, mais vibrante em cor do que o céu.
"Lá, vamos trocar de carruagem novamente."
"Para uma da Guilda Urbespe."
"Leo, dá uma recuada."
Ferio apertou com firmeza a testa da filha, mas Leonia estufou o peito e se manteve firme.
"Sou eu quem a sequestrou! Então, tenho que assumir a responsabilidade!"
"E por que você iria se responsabilizar?"
Ferio olhou-a com firmeza.
"Você só ajudou um homem que se fantasia de mulher. Não se enrole com algum pervertido aleatório."
"Duque, tá chamando meu neto de pervertido que usa a roupa de mulher...?"
O Marquês de Hesperi perguntou, incrédulo.
"Não me importo com isso."
A princesa Scandia, agora marcada como pervertida de roupa de mulher, sorriu levemente.
"Senhora Voreoti."
A princesa, agora só com uma camisa e calças, nem usava sapatos.
"Obrigada pela ajuda."
"Ah, que nada."
Leonia acenou de forma displicente.
"Obrigada também pelo antídoto contra o efeito colateral."
Por causa disso, ela disse que, mesmo com o feitiço tendo passado, não tinha febre nem dores.
"...Antídoto contra efeito colateral?"
Ferio piscou, confuso.
"Peguei emprestado um tempo atrás."
"De onde? De quem?"
"...De você."
Leonia desviou o olhar.
"...Criei uma ladra."
"Peguei emprestado! Não sou ladra!"
"Se você pegou sem pedir, isso é roubo."
"Eu só não falei alto, então é empréstimo!"
Leonia disse que depois iria pedir ao Marquês de Ortio para fazer outro antídoto para ela.
"Mas, na verdade, foi um pouco frustrante."
Ignorando o olhar severo do pai, que parecia perfurar sua testa, Leonia olhou para a princesa.
A princesa e o Marquês de Hesperi pareciam um pouco atordoados, tendo acabado de presenciar aquela discussão selvagem entre pai e filha minutos atrás.
Apenas Leonia permanecia perfeitamente calma.
"Para ser honesta, eu acho que queria muito ver isso."
Quando ela abriu a porta da carruagem mais cedo, secretamente esperava ver a princesa com seu vestido.
Não ver aquilo fez a pequena fera fazer bico e empurrar os lábios para fora.
"Por isso eu vim até aqui, mesmo ocupada."
"Não foi uma cena lá muito agradável."
A princesa Scandia balançou a cabeça. Mas Leonia, claramente ainda desapontada, fixou o olhar na cara dela.
Mesmo depois que o feitiço passou, a maquiagem de quando ela virou mulher ainda permanecia—a Princesa Scandia realmente parecia linda.
"... Talvez homens que se vestem de mulher sejam meu tipo."
Clique. Uma trava quebrou dentro do coração doente da infância de Leonia. Um mundo novo havia se aberto, finalmente.
"Seu pervertido..."
Ferio falou, enojado.
"Pai, que linguagem é essa?"
"Tô errado?"
"Você devia dizer 'meu pequeno pervertido' ou 'nosso pequeno pervertido'! Cadê a forma possessiva?!"