Me tornei a filha adotiva do protagonista masculino.

Capítulo 229

Me tornei a filha adotiva do protagonista masculino.

“Tem alguma moda nova na capital que eu ainda não saiba?”


Era uma tarde de sol escaldante, com o céu completamente azulado.


Leonia, ao sair do palacete, bebeu um gole de uma bebida gelada sob o toldo instalado na grande porta de entrada.


Deitada numa cadeira baixa e comprida, mais adequada para uma villa de verão, usando óculos escuros com lentes coloridas, ela parecia exatamente uma turista em férias na praia.


Mas não se engane—Leonia estava no meio de receber uma visita.


“Que tipo de lixo insiste em aparecer na nossa casa?”


Ela ajustou os óculos redondos um pouco mais para cima e olhou além do portão.


Lá estava, completamente exposto sob o sol implacável, o Conde Erbanu.


O cabelo rosa, antes tão vangloriado dele, agora quase branco, e seu rosto marcado por profundas rugas.


Comparado ao breve encontro na festa do ano passado, ele envelheceu absurdamente.

“Desde pequeno, sempre tinha idiotas que não reconheciam seus limites e tentavam provocar a Casa Voreoti, como se estivessem implorando para serem mortos.”


Leonia colocou sua bebida na mesinha ao lado e lentamente se sentou.

“Nosso querido Conde também é um deles.”


Então, ela deu um passo até a borda da sombra do toldo.

“Você veio aqui querendo morrer? Deve estar querendo fazer aquela velha maneira de suicídio de novo, hein? Quem foi que te contou? Tabanus? Mereoqa? Glis?”


As famílias que ela citou haviam sido completamente exterminadas por Ferio há seis anos.


O Conde Erbanu ficou pálido. Na verdade, ele tinha demonstrado interesse na época em investir no tráfico ilegal de monstros.


Sabia exatamente o que as famílias que ela mencionou tinham feito — e como haviam desaparecido.


Esses nomes, agora apagados do mundo, apertavam a goela do Conde como uma mão fria.


“Senhora Voreoti, por favor,” ele conseguiu implorar com uma voz tensa.


“Só uma vez—por favor, me deixe encontrar minha filha...”


“Aqui não há filha sua.”


Leonia cortou friamente a súplica.

“Preciso explicar pessoalmente o registro de nossa casa? Esta residência tem três pessoas: meus pais e eu. Além dos cavaleiros e funcionários.”


De todas essas pessoas, ela zombou, nenhuma era alguém que ele pudesse encontrar.


Era uma forma de dizer para ele ficar quieto e ir embora.

Mas o Conde não desistiu.


“Varia está aqui, não está?!”


“Quem te deu o direito de falar o nome da Duquesa assim, à vontade? Com essa moda nova de suicídio, toda a população do Império pode desaparecer nesta velocidade.”


O pequeno animal que sonhava em se tornar o próximo mestre de minas de braços de ferro já estava entediado.

Brincar com as pessoas pode ser seu passatempo, mas isso depende de quem está do outro lado.


‘Como a nossa querida princesa, por exemplo.’


Enquanto a beleza de cabelo prateado, que um dia iria irradiar músculo puro, tinha sido enviada para o oeste, Leonia tinha que gastar seu tempo lidando com esse velho parasita insistente.


E para piorar, a carruagem em que o Conde chegou tinha uma imagem de um coelho rosa pintada nela.

‘ Cisnes, coelhos... O que esses animais fizeram para merecerem isso?’


Leonia lamentou o fato de animais inocentes serem arrastados para tamanha vergonha.


“...Isso é completamente absurdo!”


Segurando a cerca de ferro, o Conde Erbanu gritou, agitanto os braços.


‘Devo apenas convocar as Presas?’


Agora realmente irritada, Leonia o encarou com olhos opacos.


Ele não fazia tanto escândalo quando outros o afastavam. Só quando uma pessoa jovem como ela aparecia é que provocava uma cena.


“Por mais que uma casa ducal seja nobre, não se corta o vínculo entre pai e filho de forma tão leviana!”


“...”


“Varia é minha filha! Eu tenho direito a—!”


“...Direito?”


Nojo subiu por ela.


Ela jogou os óculos ao chão, e sua mão atravessou as grades de ferro.


Num instante, ela segurou o Conde pelo colarinho.

Ele se asfixiou e ofegou.

“Nem pense em falar esse tipo de besteira.”


Sua voz ficou baixa, e os olhos do Conde tremeram fracamente.

“Pais têm o dever de criar seus filhos com cuidado. Não têm o direito de exigir coisas deles. Você ainda não entendeu isso?”

Ela o empurrou de volta pela gola. O Conde cambaleou vários passos para trás.

“E-ela é minha filha...!”

Mesmo sem estar em sã consciência, o Conde insistia em seus direitos de pai.

“Varia é minha filha! Ela nasceu neste mundo por minha causa—!”

“Você?!

Leonia não aguentou mais e gritou.

“...Você consegue realmente se chamar pai dela? Pai?”

Respirando fundo, Leonia falou com um tom deliberado.

Achava que já tinha melhorado no controle das emoções, mas tudo envolvendo seus pais ainda era difícil.

Especialmente quando se tratava de alguém que quase tirou a vida de sua mãe.

Para ela, o Conde Erbanu era tão vil quanto o Remus.

“Se você é tão reto, então me diga algo sobre sua filha.”

Qualquer coisa, disse Leonia, cruzando os braços.

“Nossa Varia—!”

O Conde Erbanu aproveitou a deixa.

“...”

Porém, nada saiu.

Ele tinha prestes a recitar orgulhosamente a data de nascimento dela, contando o quanto tinha sido feliz no dia em que ela nasceu.

Mas tudo o que conseguiu lembrar foi a voz do mordomo anunciando o nascimento da criança.

Nem se lembrava de como estava o clima naquele dia.

“E o aniversário da sua outra filha, Lota?”

Leonia, atônita, deu mais uma chance a ele.


Porém, o Conde nem se lembrava do aniversário de Lota — a filha que ele sempre preferiu.

Sua expressão, imóvel com a boca semiaberta, parecia mais idiota e mais patética do que qualquer pessoa que Leonia já tinha visto.

“Que cores ela gostava?”

“...”

“Que livros Varia adorava?”

“...”

“Qual comida Lota apreciava?”

Sem nenhuma resposta.

Ele não sabia. De fato, não sabia de absolutamente nada.

Obviamente, a expressão de Leonia se contorceu de nojo.

“Você está brincando comigo agora?”

As perguntas que fez não eram difíceis. Qualquer pai decente deveria saber as respostas.

Se fosse o Ferio, ele responderia todas antes mesmo de terminar as perguntas. Enumeraria até hábitos e manias que Leonia nem conhecia.

Esse homem não sabia sequer um detalhe sobre suas filhas. Era patético.

“Minha esposa cuidou de tudo isso...”

O Conde tentou justificar, dizendo que era responsabilidade da esposa, que ele estava ocupado demais com os deveres familiares para criar os filhos.

Naquele momento, Leonia passou a enxergá-lo exatamente pelo que era.

“Você está mesmo se chamando de pai?”

Para ele, crianças não passavam de algo insignificante.

“Eu os vesti, os alimentei! Isso basta para cumprir meu papel de pai—!”

“Isso é o mínimo, alguma coisa que qualquer pai deveria fazer!”

Leonia rosnou, não suportando sua impudência.

E então—

“...Papai?”

Leonia se virou.

Um brilho dourado piscou em seus olhos negros.

Ao ouvir a palavra “Papai”, o Conde Erbanu entrou em pânico, achando que Ferio tinha vindo, e se apressou a entrar na carruagem para fugir.

Mas Leonia nem sequer olhou na direção dele.

‘Foi o Pai quem acabou soltando as Presas?’

E do cômodo onde está a mãe?

As palavras ‘Você está louco?!’ quase escaparam, mas ela percebeu algo estranho.

‘...Ele realmente as chamou, não foi?’

Ela tinha claramente sentido as Presas da Fera. Mas foi apenas por um momento — como uma gota de sangue caindo em um lago vasto. Passageiro e difuso.

“Huh?”

Leonia inclinado a cabeça, sem entender bem o que acabou de perceber.

Foi a primeira vez que as Presas do pai desapareceram tão silenciosamente.


***


À frente, a Imperatriz Tigria tinha retomado o governo.

Sua primeira medida foi reforçar a segurança no Sul — tomando providências contra áreas perigosas como falésias costeiras e trilhas nas florestas.

Era um esforço conjunto entre o Palácio Imperial Central, o Marquês Meridio do Sul e a Casa Voreoti do Norte.

Os editoriais do jornal elogiavam que a verdadeira líder do Sul finalmente tinha retornado.

Com o apoio da Casa Voreoti, era visto como um passo para aliviar as tensões regionais entre Norte e Sul.

E, mais importante, a coragem da Imperatriz foi amplamente elogiada.

Apesar de ainda lamentar pelo desaparecimento da filha, ela priorizou seu papel de mãe do país, conquistando a admiração e o respeito do povo.

A Imperatriz Tigria tinha reafirmado sua presença.

Ao mesmo tempo, a presença do Imperador Subiteo {N•o•v•e•l•i•g•h•t} ia lentamente desaparecendo.

Ele não fazia aparições públicas há algum tempo, e o Príncipe Herdeiro Chrisetos assumira a maior parte dos assuntos de estado.

Havia rumores de que a Imperatriz tinha retornado mais cedo devido à ausência do Imperador.

Mas ninguém o criticava. Estranhamente, o silêncio era absoluto.

Ninguém o pressionava a retomar suas funções nem perguntava por que ele não trabalhava.

Parecia que todos tinham, de alguma forma, esquecido sua existência.

As únicas murmurações esporádicas eram comentários depreciativos — questionando se o Imperador tinha feito alguma coisa certa algum dia.

Ignorado dessa forma, o próprio Imperador se entregava ao álcool diariamente.

Como tudo chegou a esse ponto…?

Subiteo refletia.

Em que momento tudo saiu do controle?

Reviver o passado era difícil. Todos tinham dificuldades, mas o próprio Imperador achava sua história especialmente vergonhosa e humilhante.

Por isso, dependia do álcool. Constantemente.

E, quando as memórias surgiam na névoa alcoólica, eram ainda mais sombrias.

Uma esposa mais forte e capaz do que ele mesmo.

Simpatizantes apenas por interesses próprios.

Nobres que o achavam patético.

E um antecessor que nunca o viu como suficiente.

Mas eu tentei… Eu fiz o meu melhor.

O Imperador consolava-se com a crença de que havia se esforçado, quase alcançando o poder dos “Fangos da Fera”, desejado por todos os imperadores.

Se ao menos eu pudesse obter esse poder…!

Ele poderia transformar seu passado miserável em pó e construir um futuro de admiração e reverência.

Mas, no fim, perdeu tudo.

Por causa da Voreoti.

“Droga...”

Ele franziu a testa enquanto levantava uma garrafa à boca, frustrado.

“Droga...”

A garrafa estava vazia. Todas as outras ao redor também estavam — espalhadas pelo chão.

“Droga...!”

Aquela última irritação quebrou algo dentro dele. O Imperador arremessou a garrafa contra o chão.

O vidro se estilhaçou, juntando-se aos cacos das garrafas quebradas na noite anterior.

“Haa... haa... uff!”

Segurando a cabeça, o Imperador desabou no chão. Um dos pedaços feriu sua panturrilha.

O sangue se espalhou pela calça, mas a dor de cabeça era maior do que a dor da ferida.

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