
Capítulo 225
Me tornei a filha adotiva do protagonista masculino.
Seus lábios estão caindo! Caindo!
Leonia bateu os pés no chão e fez um drama dramático.
“Foi tanta coisa que te dei?”
Ferio, fingindo não notar suas artimanhas, virou-se para perguntar a Varia.
“Não! Pelo contrário, foi pouco pra mim.”
Varia negou, abraçando Leonia, que segurava os lábios e farejava.
“Por favor, me dêem mais tarefas.”
Na verdade, Varia realmente esperava que ele confiasse mais nela e lhe atribuísse responsabilidades adicionais.
“Ainda assim, sou a Duquesa de Voreoti. Só de comer e descansar já me faço sentir culpada.”
“A função da Duquesa de Voreoti é comer e descansar.”
“......”
“......Peço desculpas.”
Era uma brincadeira.
Diante do olhar gelado de Varia, Ferio rapidamente pediu desculpas. Sabia muito bem o quão absurda havia sido aquela piada.
“Posso então ser duque em vez de duquesa?”
Leonia perguntou se era possível passar o título para um genro.
Ferio nem se deu ao trabalho de responder. Achava que não valia a pena. Agora ele entendia a frustração de Varia mais cedo.
“De qualquer forma, é melhor você sossegar um pouco.”
Ferio deu tapinhas em Leonia, que insistia cutucando-o com insistência nos lados, tentando chamar sua atenção.
“Tem acontecido muita coisa ultimamente.”
“Você também não descansa, Ferio.”
“Eu sou o Duque.”
“Eu sou a Duquesa.”
“Você até bocejou de cansaço agora há pouco.”
“Isso foi só porque estou cansada ultimamente. O trabalho não é o problema...”
Enquanto ela contrapunha ponto por ponto, Varia de repente pareceu confusa.
“Como você soube que eu bocejei?”
“Eu vi.”
“Meu Deus! Desde quando você está espionando minha vida?!”
Varia bufou de indignação.
‘Ai, eles estão brigando, estão brigando!’
Leonia vibrava de empolgação enquanto assistia ansiosamente seus pais discutirem.
“Então você me viu bostear com a boca aberta! Que vergonha!”
Seus ombros, que balançavam com entusiasmo, rapidamente murcharam. Ela até engasgou um pouco.
“Foi tão fofo que não consegui tirar os olhos.”
Uma onda de afeição açucarada tomou conta do rosto do pai, que normalmente tinha uma expressão severa — uma cena que não combinava nada com ele.
“Mentira. Qual parte disso é bonitinha...?”
“Não expliquei de forma suficiente na cama?”
“Não, não era isso que eu quis dizer...!”
Varia ficou vermelha de vergonha.
‘Ah, vamos...’
Leonia ficou totalmente desapontada com a demonstração repentina de afeto dos pais.
Era como vingar um pedaço de tomate bem apimentado só para descobrir que era coberto de geléia de morango.
Estava bom —mas a decepção era imensa.
‘Matem-se uns aos outros e brigando, sério mesmo.’
Leonia inclinou a cabeça, lamentando a falta de uma briga de verdade entre os pais.
‘A mamãe também é meio estranha.’
Por que ela pediria por trabalho? Leonia não conseguia entender.
Agora que pensava nisso, Ferio era igual. Talvez ser sobrecarregado de tarefas fosse apenas uma característica do protagonista.
‘Se fosse eu, estaria sacudindo pandeiros e fazendo festa sem parar.’
Leonia, com nostalgia ✪ Noviligth ✪ (versão oficial), recordou seus dias de bebê — dias em que podia ficar louca por músculos e ainda ser perdoada.
“...Huh?”
Algo chamou a atenção de Leonia.
“O que é isso?”
“E-esse...!”
Varia entrou em pânico e tentou impedir, mas era impossível parar Leonia, que havia ficado forte o suficiente para duelar com Ferio.
“Um convite?”
Pegando rapidamente com uma mão irritantemente ágil, Leonia examinou o convite.
Seus olhos se arregalaram ao ver o selo de cera verde impresso nele.
***
O Império entrara no verão.
Cigarras grudavam nas árvores e cantavam incessantemente. Os raios implacáveis do sol aqueciam a terra, fazendo o calor subir em ondas cintilantes e drenando a força de todos.
O calor era tão sufocante que cada respiração parecia esmagar os pulmões.
“......”
“......”
Assim como os nobres presentes no conselho aristocrático.
“Por que vocês todos estão assim?”
Entre eles, apenas Ferio estava sentado de braços cruzados, totalmente à vontade.
‘Esse louco...’
Até seu velho amigo Carnis só conseguia esboçar um sorriso constrangido.
‘Quem diabos consegue ficar relaxado assim numa situação dessas?’
Carnis apertou os punhos sob a mesa.
Se fosse por ele, teria gritado na cara de Ferio ali mesmo. Mas fazer isso poderia custar-lhe a vida.
O marquês Ortio do Leste já tinha desviado o olhar, visivelmente desconfortável.
O único que mantinha expressão serena era o filho mais velho do Marquês de Pardus — mas até ele parecia mais tenso que o normal.
“Se não há mais nada—”
Ferio varreu o olhar pelos demais nobres. Ele claramente não se importava com o que estavam pensando. Na verdade, ele mesmo não se importava.
“Vou continuar.”
E assim, retomou a fala que havia pausado anteriormente.
Os nobres pareciam à beira da morte.
“Como mencionei anteriormente, quando recomeçamos a investigar o ataque ao laboratório da Professora Ardea Bosgruni, várias irregularidades surgiram.”
Então Ferio trouxe tudo à tona.
Para caso algum tentasse negar — ele já havia previsto os movimentos e estava preparado.
“A atitude morna das autoridades investigativas, e a falha em proteger a vítima.”
Mostrou recortes de jornal da época e testemunhos escritos dos funcionários da Academia para apoiá-los.
“Cartas de ameaça guardadas pela Professora Bosgruni e um diário registrando esses eventos.”
Pacotes de papéis e um caderno surrado estavam empilhados entre as provas.
“O criminoso exigiu toda a pesquisa da Professora Bosgruni sobre as lendas do Norte.”
Isso batia exatamente com o que Remus alegara durante o Rito de Honra, e servia como prova de que a Família Imperial realmente acreditava nas lendas do Norte e se envolveu nelas de forma instintiva.
“Vossa Alteza.”
Ferio olhou em direção ao assento ao lado do trono, normalmente ocupado pelo Imperador.
“Por favor, dê uma olhada.”
Sentado ali em lugar do Imperador, estava o Príncipe Chrisetos.
“C-certo.”
O príncipe Chrisetos assentiu, e o atendente atrás dele trouxe os documentos, entregando-os diretamente a ele.
“Então, o duque Voreoti está dizendo...”
O príncipe examinou as provas uma por uma, com seus olhos dourados percorrendo cuidadosamente, sem parar por um instante.
“Que a Família Imperial esteve envolvida em tudo isso?”
“Apenas especulação.”
“Mas você parece bastante convencido...”
O príncipe bateu a Bíblia com força, fechando-a com um estrondo. Um sorriso preocupado surgiu em seu rosto.
“Entendo suas intenções, duque Voreoti.”
O príncipe olhou ao redor da sala e falou em tom suave.
“Acredito que todos nós entendemos.”
E como para confirmar isso, os nobres assentiram em uníssono. Seu tom calmo e suave naturalmente conquistou o acordo.
Um truque sutil — mas uma ferramenta crucial.
Mantendo esse mesmo tom, Chrisetos prosseguiu.
“Tecnicamente, a casa Voreoti foi atingida por um raio numa cena clara. E todos no Império sabem o quanto o Duque e a Duquesa prezam Lady Voreoti.”
Por isso, disse tristemente, sua dor era compreensível.
“Eu também...”
Ele parou por um instante, esboçando um sorriso tímido e estranho. Referia-se à Princesa Scandia, que atualmente está desaparecida.
“Duque Voreoti...”
Enquanto Ferio bufava diante da sinceridade descarada do príncipe, ele levantou os olhos.
“Você tinha razão em se preocupar. Claramente, indivíduos desrespeitosos estavam causando problemas no Norte.”
Todos sabiam, sem precisar ser dito, que esses “indivíduos” eram Olor. Naturalmente, todos os olhares se voltaram na direção dele.
Ali estava o Visconde Olor. Sua presença era, sem dúvida,... ousada.
Especialmente porque a pauta de hoje incluía uma moção para privar Olor de seu título.
Ele também devia saber disso — sua postura habitual havia desaparecido por completo.
“Ele receberá a punição que merece.”
O príncipe declarou com firmeza.
O Visconde Olor hesitou um pouco — mas não demonstrou mais reação.
Por outro lado, a facção imperialista que o apoiava parecia realmente abalada.
Eles temiam que a queda de Olor também os arrastasse.
‘Ele confia demais...’
Ferio franziu o cenho levemente ao observá-lo.
‘Porque ele está segurando algo contra o Imperador?’
O Visconde Olor foi aquele que vendeu sua filha ilegítima para ganhar um título. Ele provavelmente sabia que Remus e o Imperador tentaram matar o marido dela.
‘...Ah.’
Ferio teve um momento de clareza.
‘Agora faz sentido.’
O Imperador não protegeu Olor por amor à Concubina Usia.
Ele estava assustado com a possibilidade de seu passado ser revelado.
Claro, o homem — jovem herdeiro da Casa Aust — na verdade não havia morrido. Mas o Imperador não sabia disso, assim como Olor, então nenhum podia se desprender do outro.
‘Patético...’
Um Imperador egoísta, que pensava só nele mesmo — e um idiota como Olor, que acreditava estar manipulando esse homem.
Era absurdo como eles acabaram se envolvendo.
“Porém...”
O Príncipe Chrisetos falou com firmeza.
“A alegação de que a Família Imperial estaria envolvida parece... equivocada.”
“Mesmo com as provas tão claras?”