Me tornei a filha adotiva do protagonista masculino.

Capítulo 219

Me tornei a filha adotiva do protagonista masculino.

Lota olhava fixamente para a Conselheira Usia, como se tivesse duvidando do que tinha ouvido — não, como se a conselheira diante dela fosse uma alucinação.


“Você só pensa em si mesma.”


Usia pegou os fios desgrenhados e levemente cacheados de cabelo rosa de Lota com força e sorriu de forma gentil e revigorada.


“Você nunca reflete sobre suas ações.”


Nesse momento, uma fita tinha caído no chão. Usia pegou a fita e amarraram os cabelos de Lota com ela.


Ela olhou para o resultado com satisfação.


O cabelo preso de forma baixa combinava surpreendentemente com a pele pálida de Lota.


“E, além disso, você é burra.”


A cabeça de Lota girava. Havia algo perturbador e gelado no tom da conselheira. Mas Lota não estava em um estado racional para perceber isso.


No entanto, ela ainda podia sentir claramente uma coisa: a conselheira a olhava com desprezo.


Usia nunca tinha sorriido para ela sequer uma vez.


“Por que está me olhando assim?”


A voz de Lota estava afiada ao questioná-la.


“Por que você acha?”


Em contrapartida, a conselheira respondeu — e até abandonou a fala formal.


“Porque você é simplesmente tão burra.”


“Não sou burra.”


“Sério?”


Você está falando sério? Usia arregalou os olhos e cobriu a boca com a mão.


A expressão ingênua só a deixava mais enigmática — frustrante e assustadora.

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“Nossa querida cunhada não sabe o seu lugar.”


Usia explicou gentilmente.


“Seu valor não é tão alto, mas você age de forma arrogante e prepotente. Você intimida as pessoas quando estão vulneráveis, e quando está assustadas, finge doçura e finge ser santa.”


“......”


“Mas, bem, isso não é necessariamente uma coisa má.”


“......”


“Ainda assim, é ingênuo afastar a mão de alguém que tenta te ajudar. Especialmente quando você tormentou essa pessoa bastante.”


Enquanto explicava calmamente, a conselheira se afastou de Lota. Agora ela estava fora do alcance, mesmo que Lota esticasse o braço.


“......Você —”


Lota gaguejou.


“Você encontrou minha irmã?”


“A duquesa de Voreoti?”


A conselheira balançou a cabeça.


“Não a conheço pessoalmente, mas sei dela por, por, por outras pessoas.”


Ela repetiu “por” três vezes. Com isso, sorriu de forma muito mais suave do que antes — totalmente diferente de como tinha olhado para Lota.


“Aquela garota é tão inteligente. Gosto de pessoas inteligentes. Ah, que pena que não conseguimos nos tornar amigas.”


Ela riu alegremente e, imediatamente, limpou a expressão do rosto.


“Então, só desta vez, vou te ajudar.”


Depois ela virou as costas com um movimento rápido.


“Mas não agora — porque você é burra demais e não tem clareza para pensar.”


Ela começou a dobrar os dedos um a um, como se estivesse calculando algo.


Lota a observava, atordoada. Era como se estivesse hipnotizada.


O choque mental que ela sentia era muito pior do que quando Remus tinha batido nela. A mente dela sofria uma colisão incessante.


“Pense bem antes de nos encontrarmos novamente.”


“......”


“Então, até mais, cunhada!”


Usia sorriu com brilhantismo, como se nada tivesse acontecido.


Seu sorriso fresco combinava com seu cabelo verde, fazendo-a parecer uma árvore viva.


Depois de deixar o palácio, a conselheira entrou na carruagem. Quando a carruagem começou a se mover, parece que Visconde Olor saiu correndo do castelo, mas ela não parou e seguiu em frente.


“Humm, humm, humm.”


Olhando pela janela para a paisagem que mudava, Usia assobiava uma música. A melodia lenta e suave parecia uma canção de ninar.


“Finalmente...”, ela murmurou, recostando-se confortavelmente,

“...posso finalmente ver o fim.”


* * *


Depois da visita do Príncipe Chrisetos e da Princesa Scandia ao palácio—


E antes que a conselheira Usia passasse na família Olor para dar à Lota uma oportunidade, no mínimo, duvidosa—


Leonia entrou em contato com uma “conhecida.”


A resposta chegou duas horas depois, e naquela noite, a garota foi até um antigo prédio em ruínas junto com dois cavaleiros de escolta.


“Será que esse lugar sequer existia na capital?”


Probo, um dos cavaleiros, inspecionou o ambiente assustador.


O ponto de encontro que Leonia tinha indicado era numa viela nos fundos do distrito comercial. Era tão escondida que nem ratos poderiam ser vistos.


“Não me diga que veio aqui sozinha na última vez?”

Perplexa, Meleis perguntou. Pelo que parecia, essa não era a primeira vez que Leonia se encontrava com aquela tal de desconhecida.


Se ela tivesse vindo aqui sozinha na última vez, sem guarda, Ferio teria ficado enfurecido e a repreendido severamente.

“Na outra vez, nos encontramos em um café na praça durante o dia.”


Respondeu Leonia, tirando o capuz do sobretudo.

“Desde que eu ameaçei o Probo oppa quando era criança e saí montada num cavalo pra encontrar um stalker, tenho sido bem cuidadosa. Por isso, trouxe vocês e a vovó desta vez.”


“Aquela foi mesmo...”, tremulou Leonia ao relembrar o dia — quando a Besta Negra do Inferno veio pessoalmente buscar sua filha.


“Mas com quem vamos nos encontrar?”


“É uma mulher. O resto é segredo.”


“Ela não é perigosa, né?”


“Se for pra falar de perigo, eu sou mais perigosa.”


Leonia deu uma risada maliciosa ao comentário de Probo, e ele concordou vigorosamente com a cabeça.


“Chega disso.”


Meleis cutucou-o ao lado, sinalizando para ele parar de balançar a cabeça.


“Onde vamos esperar?”


Meleis perguntou a Leonia.


“Ela quer sigilo, então espere lá fora nesta porta.”


“Mas parece que a contato dela trouxe um cavaleiro próprio.”


Meleis observou um cavalo próximo. Uma luva, normalmente usada por cavaleiros que manuseiam espadas, pendurava na sela. Os cavaleiros de escolta ficaram alertas.


“Ela quer sigilo. É melhor esperar aqui mesmo.”


Leonia não mudou de ideia.


“Se acontecer algo, eu mato eles.”


Deixando os cavaleiros na porta, Leonia entrou no prédio.


Logo uma cheiro úmido e rançoso passou pelo seu nariz. Cada passo rangia no velho assoalho de madeira.


“...Huu.”


Leonia soltou um suspiro comprido, frustrada.


“Ah, sério mesmo.”


Reclamou no instante em que viu a pessoa que esperava lá dentro.


“Detesto ser manipulada assim.”


Arrastou uma cadeira velha e se jogou nela com um sorriso de desdém.


“Salus Aust.”


Ela quase praguejou o nome da sucessora do Sul entre os dentes.


“O que essas coisas assustadoras, que parecem doces, fazem aqui comigo?”


Salus respondeu com um sorriso radiante e brilhante.


Com seus cabelos de jade, parecia uma floresta de verão exuberante.

Isso deixou Leonia ainda mais irritada. Ela rangeu os dentes e enfiou as mãos nos bolsos, profundamente.


“Sobre aquele doce que você me deu antes.”


“A caixa redonda com os doces dentro?”


“Olhei com cuidado.”


“Fez diferença?”

Salus perguntou.

‘Vai ser útil algum dia.’


No dia em que visitou a propriedade Aust e conheceu Duke Aust e Salus, Leonia encontrou uma notinha dentro daquela caixinha de doces redonda.


Ela continha um único contato escrito nela.

“......Funcionou.”


Embora com dificuldade, Leonia falou enquanto juntava o polegar e o indicador.


Salus soltou uma gargalhada com aquele gesto de orgulho.

“Mas eu não gostei.”


“Por quê?”

“Porque parecia que eu tava dançando na sua mão.”

O bichozinho do ◈ novelight ◈ (Continuar lendo) ficou ofendido.


Antes, agora e para sempre, as únicas pessoas que podiam estar na frente dela eram o pai e a mãe. Era assim que tinha que ser.


Mas agora, não só ela, como também seus pais pareciam estar sendo manipulados.


“Eu não estava brincando com você.”


Salus sorriu de forma amarga. Achava essa garota arrogante irresistivelmente adorável.


“Não consigo sair do Sul facilmente. Minha avó não está bem.”


“Então, não sei quem estou olhando agora.”


O olhar afiado de Leonia brilhava sem o menor sinal de sorriso.


“Você esteve na Rito de Honra.”


“Você me viu?”


“Você acha que eu me atento pelo nariz?”


“Leo, você é muito engraçada!”


Salus riu da metáfora ridícula. Mas Leonia, que não tinha intenção de achar graça, fez uma careta.


Esse riso parecia mais uma zombaria — era frustrante.


Só depois de rir bastante, Salus se recompôs e explicou.


“Minha avó está bem por enquanto. Foi por isso que vim.”


“Você é mais ardilosa do que imaginei. Surpreendente.”


“Obrigada pelo elogio.”


“Isso nem foi elogio.”


“Mas, Leo, você acha que está sendo um pouco arrogante demais?”


“Posso ser arrogante sim.”


Porque sou perfeita, disse Leonia com uma expressão neutra, sem mudar a postura.


Era uma confiança narcisista assustadora.


Porém, não havia nada que pudesse ser contradito.


“...Chega de besteiras.”


De saco cheio, Leonia interrompeu a conversa.


“Vim aqui para exigir uma compensação pelo trauma mental que você me causou.”


“Parece que você vai tentar me extorquir.”


Salus ainda ficou impressionada com a ousadia das palavras de Leonia.


“Fiquei realmente traumatizada.”

Leonia disse com gravidade, levando a mão à testa.

Salus sorriu levemente, claramente sem entender a importância daquilo. Leonia queria fazer a boca sorridente daquela garota engolir suas palavras.


‘Será que é assim que o papai se sente?’

Ele alguma vez quis me dar uma palmada quando eu era atrevida? Ela honestamente estaria disposta a apanhar, se isso aliviasse seu sentimento de raiva agora.


“...Eu te pedi claramente ajuda.”

Leonia olhou feio para Salus, tentando manter a calma interior.


“Então por que o Príncipe First apareceu?”


Salus encolheu os ombros.

“Por que você acha?”


“Chega de jogos de palavras.”

Leonia rosnou, já não tentando esconder sua irritação.


Senti a tensão no ar, o cavaleiro de Salus instintivamente alcançou sua espada. Mas Salus levantou a mão para impedir.


“Mas sabe o que é realmente engraçado?”

“O quê?”

“Depois que eu vi o Príncipe First, percebi uma coisa.”

Uma figura inesperada apareceu na reunião.


“Vocês dois se parecem.”


Leonia afastou os cabelos da testa com a mão.

Uma lembrança do verão passado, pouco antes de ela deixar a propriedade Aust do Sul, surgiu em sua mente — algo que Salus tinha dito.

‘Se você o encontrar mais tarde, diga que estou bem.’

Na época, Leonia não sabia para quem passar essa mensagem.

A família Aust não participava muito da sociedade em comparação com os Voreotis, então ela não conseguiu adivinhar quem eram seus aliados próximos.

Mas agora, ela sabia.

E, honestamente, ficou chocada.

“Unni, você é próxima do Príncipe First, né?”

O choque foi tão grande quanto a revelação do próprio nascimento dela.

“Você também é filha da Conselheira Usia.”

Era uma revelação que mudava completamente a compreensão de seu próprio papel na história original.

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