
Capítulo 215
Me tornei a filha adotiva do protagonista masculino.
“Parece que todo mundo aqui está bastante enganado.”
A voz enérgica da garota atingiu os ouvidos de todos no templo com clareza.
“Voreoti não é um deus.”
Leonia declarou com tom retumbante.
No Império, o nome Voreoti era zombeteiramente—mas também com respeito—referido como a “Fera Negra”.
Aquele nome, entrelaçado com admiração, reverência, medo e temor, carregava uma pesadíssima ilusão.
“Claro, somos ridiculamente bonitos, absurdamente talentosos e temos stamina suficiente para treinar na cama cinco dias seguidos, então entendo a inveja.”
Leonia balançou a cabeça como se não pudesse evitar. A expressão dela, como se estivesse incomodada com sua perfeição, era simplesmente irritante.
“Aquela peste...”
Ferio estreitou os olhos.
“De quem ela deveria mesmo puxar as características...”
“Você está falando sério?”
Varia perguntou, surpreso. Ferio não respondeu.
De qualquer forma, a filha deles comandava todas as atenções na sala, exibindo uma postura confiante.
“Mas Voreoti é humano.”
‘Voreoti é humano, afinal.’
Leonia repetiu as palavras que Remus havia dito quando tinha vindo à mansão Voreoti.
Remus, percebendo a que ela se referia, estremecera. Mas seus lábios ficaram cerrados, como se estivessem colados.
“Diamante negro ou seja lá o que for—se você comer uma joia, vai ter dor de barriga e morrer. E, quando estiver grávida, claro, seu corpo fica mais fraco do que o normal, então até Voreoti não consegue usar as Presas corretamente.”
E daí?
“Não é o mesmo para todo mundo, não?”
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Leonia deu de ombros e olhou para a multidão abaixo do palanque.
“Alguém aqui já comeu uma joia e ficou 100% bem? Alguém ficou mais forte enquanto estava grávida?”
Com o rosnado do jovem animal, ninguém respondeu.
Parte do peso desconhecido sobre eles os intimidava, mas mais do que isso—não havia nada de errado no que ela dizia.
As “fraquezas” que Remus citara não eram nada estranho. Eram apenas coisas que enfraquecem qualquer ser humano.
“Mantenha suas ilusões sob controle.”
Embora tivesse tentado manter um tom polido—bem, outros ainda sentiam a pressão—Leonia agora não se esforçava mais em esconder seu desprezo aberto.
“Lixo.”
Seu olhar corrosivo momentaneamente se fixou no Imperador.
Ele involuntariamente franziu a testa ao encontrarem os olhos, e rapidamente virou a cabeça. Mas Leonia não se importou e seguiu em frente.
“Saiba o seu lugar.”
A criançabestia parecia pronta para cravar suas presas no pescoço de Remus.
Quem assistia até comentou que ela poderia realmente matá-lo.
Mas Ferio e Varia não impediram. Mesmo que Leonia matasse Remus ali mesmo, eles estavam prontos para assumir a responsabilidade.
“Como ousa um verme como você—”
O jovem, outrora orgulhoso Cisne Vermelho, só conseguiu murmurar desconexa e sem sentido.
Agora, diante de uma ameaça de morte de alguém muito mais jovem—suficientemente jovem para ser sua filha—Remus parecia patético.
Um cisne que vira de costas, se debater helplessly debaixo d’água, não é bonito. As patadas feias de suas pernas sob a superfície estavam agora completamente expostas.
“Você ousou tocar Voreoti.”
Os olhos negros de Leonia queimaram com uma intenção assassina.
“Você ousou pronunciar o nome Regina!”
Sua raiva explodiu, sua voz retumbou por todo o templo.
Aquela que matou Regina.
A assassina de Varia.
‘A vadia que me jogou no inferno.’
Sem aviso, Leonia deflagrou um chute forte na canela de Remus. Ele cambaleou e caiu do golpe inesperado.
Leonia puxou um punhado de cabelo vermelho enquanto ele caía e torceu sua cabeça para trás.
Remus soltou um gemido de dor e foi forçado a olhar para ela.
Seu rosto estava distorcido de vergonha e desespero.
“Pedófilo.”
Leonia cuspiu a palavra, com expressão de nojo. Apenas respirar o mesmo ar que esse ser era nojento.
“Você está acabado.”
A criançabestia, no limite da paciência, sussurrou algo que só ele pudesse ouvir.
“Vamos acabar com seu precioso esperma com apenas meu corpo, que acha?”
Neste instante, os olhos vermelhos de Remus tremeram.
Por mais que Leonia dissesse algo, ele não conseguiu responder com uma palavra.
Seus olhos fixaram o rosto dela, que se afastava lentamente, completamente atordoado.
A expressão dela—destemida, convencida de que nada tinha a temer neste mundo—era exatamente como a de Ferio Voreoti.
E a filha do Duque virou-se e foi embora.
Mas o verdadeiro momento começava agora.
“Essas besteiras de pedófilo só estão me incomodando.”
Leonia foi direto até Ferio para “relatar”, sua expressão praticamente radiante com toda a autoconfiança que acabara de mostrar.
Ferio olhou para a filha com uma expressãocomplexa: orgulhoso, mas também aflito.
Tan pequena, mas já se exibindo como uma adulta experiente... Mas, por outro lado, ela era uma Voreoti. Se alguém tinha direito de se exibir, era ela.
“Pai, como é que aquele namorado sabe da Tia Regina?”
“Ela nunca saiu do Norte. É o que nos disseram.”
Varia entrou na conversa de forma natural.
“E mesmo assim, aquele ogro—quer dizer, o filho do Visconde Olor—diz que a conhece...”
“Mãe, jure de verdade.”
Dizer algo terrível e fingir que não foi nada deixava tudo confuso. Leonia coçou o nariz com o mindinho. Era um elogio, claro.
“Exatamente.”
Ferio concordou com a cabeça.
Neste momento, Regina já estava claramente posicionada como uma garota trágica que viveu toda a sua curta vida no Norte.
O que fazia uma conversa dessas ser impossível: Remus não podia saber tantos detalhes sobre ela.
Porém, ele sabia, como se a tivesse encontrado pessoalmente.
“... Então, talvez ele realmente tenha se infiltrado no Norte.”
Ferio olhou para Remus, quase desmaiado no chão.
A postura dele, murmurando sobre sua inocência, curvado como uma caixa de música quebrada, fez Ferio querer expulsá-lo imediatamente.
“Vossa Majestade...”
Virando-se de costas para Remus, Ferio dirigiu-se ao Imperador.
“A Casa Voreoti foi profundamente insultada na Cerimônia de Honra de hoje. Minha filha foi gravemente prejudicada por essas falsas acusações—”
“A Leonia está tão triste...”
Leonia soluçou ajoelhada nos braços de Varia. Varia a aconchegou com cuidado, as omoplatas tremendo enquanto tentava segurar a risada.
Seus lábios estavam bem fechados, bochechas inchadas e prestes a explodir.
“...tão machucada.”
Ferio olhou para as duas com uma expressão estranha, então prosseguiu.
“Minha prima—que descanse em paz—foi profanada de forma indescritível.”
“Realmente uma tragédia.”
O Imperador ofereceu palavras de condolência.
“Mas isso não basta.”
Ferio respondeu. Palavras não iam resolver.
“... Então, o que vocês querem?”
A voz do Imperador estremeceu. O que Ferio ia dizer já começava a apertar o laço ao redor do seu pescoço.
“O filho do Visconde Olor perdeu a honra perante todos os nobres. Ele não pode mais voltar à vida que tinha.”
Um pedido de clemência.
Ferio sorriu de forma fria e indiferente.
“Ele se ferrou sozinho.”
Por que as vítimas deveriam perdoar? perguntou Ferio.
“Somos nós que fomos prejudicados. Por que deveríamos sentir pena ou perdoar? Isso não resolve nada.”
“Tenha misericórdia.”
O Imperador tentou com gentileza que ele fosse generoso e deixasse passar.
“...Esse idiota...”
Leonia estremeceram.
Ela achou que tinha deixado escapar seus pensamentos internos—mas não, tinha vindo dos lábios cerrados de Varia. Mais uma vez, Leonia ficara profundamente tocada por sua mãe.
“...Suspiro.”
Ferio soltou uma respiração longa e impressionada. O ar dentro do templo ficou congelado.
“Vossa Majestade...”
Ferio falou com uma clareza deliberada, como quem repreende uma criança.
“Se mostrarmos misericórdia aqui, não é perdão.”
É autoagressão.
Com isso, Ferio silenciou-se. Não queria continuar aquela conversa idiota. Só queria voltar para casa e descansar com a família.
Virando-se para sair com seus acompanhantes, Ferio deixou uma última declaração.
“Em breve, enviarei duas faturas °• N 𝑜 v 𝑒 l i g h t •°.”
Uma seria para a Casa Olor—os instigadores daquele escândalo indecente. Exigiria uma compensação enorme e responsabilidade legal.
A outra... seria para a Família Imperial.
“O conhecimento de Remus Olor sobre minha prima é suspeito. Regina nunca saiu do Norte.”
O que indicava que havia peso real na acusação de que a Família Imperial o tinha enviado para espionar.
Ferio exigiu uma investigação oficial.
“Duque Voreoti! Você está acusando a Família Imperial?!”
O Imperador bateu com força na plataforma, rugindo.
“...Remus Olor parece ter conhecido Regina enquanto ela ainda estava viva. Na época, ele era membro dos Cavaleiros Imperiais.”
Ferio torceu os lábios em um sorriso sarcástico.
“Não seria melhor a parte imperial investigar e revelar a verdade?”
Já se tornou quase certo que Remus se infiltrou no Norte. O fato dele ter sido Cavaleiro Imperial uma vez também é de conhecimento comum.
Ele ostentava isso o tempo todo.
Se a Família Imperial não fazia ideia de que ele estava no Norte, então Remus desobedeceu ordens diretas—traição.
Se eles soubessem, então teriam cometido uma ofensa enorme contra o Norte.
De qualquer maneira, a imagem da Família Imperial ficaria ruim.
“... Então, daremos o fora.”
Com o Imperador sem palavras, Ferio fez uma reverência com elegância contida.
A família Voreoti saiu do templo com passos orgulhosos. Os nobres, como se estivessem hipnotizados, os observaram por um longo tempo.
O som dos saltos tocando a pedra ecoou como pontas de espadas batendo no piso.
Mesmo após sua saída glaciale, o templo permanecia em silêncio, congelado.
“... Acabou.”
Alguém murmurou.
Ninguém se atreveu a definir exatamente o que tinha acabado.
Mas uma coisa era certa:
A Cerimônia de Honra... finalmente havia acabado.