Me tornei a filha adotiva do protagonista masculino.

Capítulo 214

Me tornei a filha adotiva do protagonista masculino.


Contador Urmariti não desejava nada mais do que invadir a plataforma.


‘Aquele bastardo! Aquele sujeito imundo...!’


Aquele mesmo homem que tinha empurrado sua inocente jovem filha até a morte estava bem diante de seus olhos.


Estava a poucos passos — perto o suficiente para envolver as mãos em volta do pescoço desse cara e sufocá-lo.


Mas o Conde precisava engolir sua fúria vermelho-escura e reprimir o impulso.


Aquele bastardo cisne não poderia ser morto tão facilmente. Ele tinha que se contorcer de agonia.


Era preciso torturá-lo até que implorasse para morrer, até que o próprio inferno recuasse de horror diante do sofrimento que tinha de suportar.


E a que criava essa oportunidade... era a neta deixada para trás pela filha morta dele.


“Para acabar manchando a memória da minha filha morta com uma vergonha dessas!”


A raiva dele contra Remus era totalmente real.


“Não ofenda minha filha!”


Sua voz, carregada de furor, e os olhos que brilhavam como uma lâmina, ecoaram pelo templo.


“É melhor você fechar a boca antes que eu arranque ela! Não ouse pronunciar o nome da minha filha morta com essa língua imunda!”


A ameaça do Conde Urmariti foi tão fria que arrepios percorreram a espinha de todos os presentes. Mas os nobres entenderam perfeitamente sua abordagem.


“Falar assim de uma menina morta... e de uma Voreoti, ainda por cima...”


“Ainda bem que o Conde não o matou na hora.”


“Consegue imaginar a dor de todos esses rumores?”


“Então por que ele não falou nada antes?”


Ao ouvir a pergunta, o Marquês de Hesperi, que tivera apenas observado silenciosamente, soltou uma risada debochada.


“Tem coragem de dizer isso vindo da boca de pessoas que, até há pouco, acreditavam que o bastardo do Olor era o verdadeiro pai?”


Seu tom zombeteiro fez os nobres tossirem constrangidos, envergonhados.


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“Não interpretem minhas palavras ao pé da letra. Apenas quero dizer que devemos compreender a perspectiva do Conde.”


No final, se Casa Voreoti ou o Conde Urmariti tivessem negado publicamente os rumores sobre Regina, isso só teria alimentado as fofocas — alimentando especulações e manchando ainda mais a reputação da morta.


As pessoas sedentas por fofocas escandalosas nunca seriam convencidas por um apelo razoável.


A frase afiada do Marquês calou todas as bocas anteriormente barulhentas.


Alguns ficaram envergonhados de culpa, outros abaixaram o olhar em sinal de remorso.


A verdade era que quase todos aqui tinham contribuído para manchar a honra de Regina, tratando-a como uma fofoca suculenta.


Somente alguns poucos poderiam alegar que tinham direito de oferecer algum consolo ao Conde Urmariti.


“Obrigado, Marquês.”


Mais tranquilo, o Conde Urmariti agradeceu.


O Marquês fez um breve gesto de cabeça, como quem quis dizer que não era nada, também achando que não tinha direito de oferecer consolo tão facilmente.


Ele também não era um pai perfeito.


De qualquer forma, o momentum agora tinha se virado completamente para o lado de Casa Voreoti.


Olhares carregados de desprezo e nojo voltaram-se para Remus. Era a primeira vez na vida que ele enfrentava uma desonra tão profunda, e aquilo o abalou profundamente.


Este momento — quando ninguém acreditava em uma palavra que ele dizia — parecia um pesadelo vivo.


‘Isso é um sonho?’


Mas o som da ameaça ensurdecedora do Conde Urmariti ainda ecoava vívido em seus ouvidos.


“Não vou deixar passar em branco!”


Declarou o Conde Urmariti.


“Vou fazer Olor pagar pelo insulto à minha filha morta!”


“E o Voreoti também.”


Ferio se juntou à voz dele.


Antes de Regina ser filha do Conde Urmariti, ela tinha sido uma legítima membro de Casa Voreoti, portadora das Presas da Besta.


Ferio tinha total direito de aplicar aquela punição.


“Vou te ensinar pessoalmente o peso que tem tocar no nome Voreoti.”


O Bicho do Norte torceu os lábios em um sorriso sombrio.

Remus respirou fundo, nervoso.

Ele praticamente colocou sua cabeça na guilhotina. Os olhares de desprezo dos nobres eram lâminas prontas a despedaçá-lo, e Ferio era o carrasco prestes a cortá-las.

Pela primeira vez na vida, Remus sentiu algo parecido com o medo de morrer.

“-N-Não!”

Ele recuou com violência.

“Regina realmente dormiu comigo! Aquela garota que você adotou do orfanato — ela é minha filha! Ela tem meu sangue!”

Mas não importava o quanto Remus gritasse, ninguém acreditava nele.

Ao contrário, todos olhavam-no com puro nojo.

A simples cena de ele descaradamente exibir suas ilusões e reivindicar outra menina do orfanato como sua própria filha era suficiente para enojar qualquer um.

Incapaz de assistir mais, Lota saiu correndo da plataforma.

Mas, mesmo descendo, ela não tinha para onde ir. Quase correu em direção ao pai, Conde Erbanu, mas travou como um cachorrinho nervoso no meio do passo.

‘Ele não vai ajudar...’

Lota tinha certeza disso. Quando viu a expressão de Erbanu, ela sentiu como se o chão tivesse desaparecido sob seus pés novamente.

Aquele homem só se importava com ela quando ela era “útil”. Ela não podia confiar nele.

E, na verdade, o Conde Erbanu não deu bola para Lota. Ele estava mais preocupado em entrar em pânico, temendo que as chamas se espalhassem para ele.

Depois de tudo, foi ele quem arranjou o noivado de sua filha menor com aquele pedófilo.

‘Tenho que ficar do lado de Varia...!’

Por isso, ele estava ocupado elaborando estratégias para parecer favorável a Varia.

“... Mas espera aí.”

Ferio, que não parecia impressionado com tudo aquilo, de repente murmurou.

“Como exatamente você conhece Regina?”

Aquele comentário casual fez Remus se lançar à frente imediatamente.

“Porque eu a vi com meus próprios olhos!”

“Como assim?”

Ferio perguntou.

“Regina morou a vida inteira no Norte, e você sempre esteve na capital e no Sul.”

“É porque eu estava no Norte!”

De trás, Leonia sorriu sorrateiramente.

‘Pegou!’

Ela cerrava o punho silenciosamente, comemorando a vitória.


“No Norte?”

Por que você estaria lá?

Ferio inclinou a cabeça, realmente sem conseguir entender.

Remus, vendo nisso sua única chance de provar sua história, acendeu-se.

As veias do pescoço dele pulsaram.

“Regina me ensinou tanta coisa! Ela confiava em mim, me amava, e me ensinou várias coisas! Eu posso provar agora, neste momento!”

“Filho do Visconde Olor!”

Então, o Imperador Subiteo interveio, com a voz carregada de raiva.

“Que exibicionismo vergonhoso!”

Seu rosto mostrava claramente choque.

“Você insulta os mortos e mostra a maior falta de remorso. Você sequer sabe o que é vergonha?!”

Pela primeira vez, o Imperador falava com uma aparência decente.

A sobrancelha de Ferio levantou-se quase imperceptivelmente. Ele nunca imaginara ouvir tamanha retidão vindo daquela boca.

Ele lutou para não rir. De jeito nenhum iria perder aquela cena maravilhosa por uma distração de sua compostura.

“Isso é verdadeiramente nojento.”

O Imperador repreendeu Remus, cheio de decepção.

“Você, que perdeu a honra, não tem mais direito de falar.”

Ser abandonado pelo Imperador encheu Remus de uma traição intensa.

Um ranger sinistro ecoou entre seus dentes cerrados.

“Por autoridade do Imperador, esta Cerimônia de Honra está oficialmente—”

O Imperador tentou rapidamente declarar o fim da cerimônia, mas Remus o interrompeu.

“A Família Imperial me enviou ao Norte!”

Uma nova alegação apareceu.

“Durante anos, a Família Imperial cobiçou Voreoti! Eu era cavaleiro da Ordem Imperial na época. Por ordem do falecido Imperador, infiltrei-me no Norte! Foi assim que conheci Regina!”

O templo voltou a explodir com aquela história, que era totalmente nova — e ainda mais chocante.

“N-Que absurdo...!”

O Imperador, claramente nervoso, gaguejou.

“Como você pode provar isso?”

Ferio perguntou.

Remus sorriu.

“Deve haver registros na Ordem. Eu era oficialmente membro dos Cavaleiros Imperiais.”

“Seu filho da p!@#!”

Apesar da ira do Imperador, Remus não parou.

“Eles me mandaram procurar as fraquezas dos Voreoti!”

Começou a despejar segredos sobre Voreoti em público, em alta voz.

Sua garganta estava tão apertada que sua voz soava metálica, e saliva saltava de sua boca na sua loucura.

“O diamante negro suprime as Presas da Besta! Se um Voreoti ingerir pó de diamante negro, vai morrer!”

Leonia fez uma careta.

‘Ele está completamente tarado.’

Era um espanto que ele tivesse conseguido esconder sua natureza aberrante todo esse tempo.

Para Leonia, Remus parecia um monstro em fúria — finalmente revelando sua verdadeira forma.

Ele era um freak distorcido que só sentia satisfação ao controlar toda situação na palma da mão.

Esse momento era a prova disso.

Na primeira vez que as coisas não saíram como ele queria, ele virou isso.

Leonia não esperava que ele desmoronasse tão facilmente, mas parecia que Ferio e Varia já esperavam por isso.

“Remus sempre foi tão fraco assim.”

Varia explicou calmamente ao seu lado.

Os olhos que observavam os gritos de Remus estavam frios como gelo.

“Quanto mais fraca uma pessoa, mais fácil ela desmorona quando algo inesperado acontece.”

Por isso, ele tentava tanto controlar tudo — porque era patético demais para lidar com qualquer coisa por conta própria.

“... Mas isso não é fraqueza, é loucura mesmo.”

Leonia fez bico.

“Isso nem é divertido mais.”

Todas as falas maneiras já tinha sido usadas pelo pai, e o filhote de besta estava irritado.

Ela só tinha arranhado o dedo e derramado umas gotas de sangue.

Até Varia havia dado um golpe forte em Remus; ela mesma não tinha feito isso.

‘Devo chorar?’

Talvez fosse melhor chorar como fazia antigamente, liberar de vez as Presas da Besta.

Ela agora sabia controlá-las — podia direcioná-las exatamente para Remus e para o Imperador, sem problemas.

“Então vai, diz alguma coisa.”

Varia sorriu de forma brincalhona. Leonia arregalou os olhos.

“Sério?”

“Só grite, ‘Parem de inventar besteiras!’ com uma voz bem convincente.”

“Mas e se eu acabar estragando o momento legal do papai?”

“Esse evento já tá uma bagunça mesmo.”

Com as palavras de Varia, Leonia sorriu maliciosamente.

“Mãe, você é tão inteligente.”

“Então quer dizer que eu também sou legal?”

“Você foi legal desde a primeira vez que te vi!”

“E a Leonia também foi legal desde o começo.”

As duas se abraçaram forte.

Depois, Leonia correu para o lado de Ferio. Ele olhou para ela, a filha que tinha aparecido do nada ao seu lado, com uma expressão indecifrável.

Mas então ele olhou para Varia atrás dela e soltou uma risada suave, dando um passo para o lado.

“Que idiota completo.”

Leonia olhou para Remus com uma expressão de desprezo.

“Então, se um Voreoti come diamante negro, ele enfraquece, e os Voreoti grávidos também enfraquecem suas Presas da Besta?”

Ela zombou, repetindo a besteira de Remus palavra por palavra.

“Seu lunático patético.”

Ferio e Varia acertaram cada um uma porrada nele.

“E todos que apoiaram esse louco...”

Aquela frase causou uma tosse constrangida na sala inteira. Leonia sorriu maliciosamente, com um sorriso perverso nos lábios.

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