
Capítulo 201
Me tornei a filha adotiva do protagonista masculino.
‘Ooh, Mamãe!’
Leonia sorriu radiantemente.
O bebê besta ficou admirado com a cutucada verbal afiada da mãe besta.
A baronesa Kapher, que fora duramente atingida no momento em que entrou, parecia verdadeiramente desconcertada.
Seus olhos refletiam claramente o constrangimento. Parecia que ela não esperava ser atingida tão diretamente pela Varia de aparência tranquila, e o impacto do susto a abalou bastante.
“…Claro que sim.”
No entanto, a baronesa era alguém com uma compostura considerável. Ela rapidamente se recompôs e offerceu um sorriso agradável.
No entanto, o olhar em seus olhos havia mudado.
Antes ela subestimava Varia, mas agora a baronesa Kapher mostrava-se cautelosa.
“Então vamos entrar.”
Ela tomou a dianteira, dizendo que todos estavam esperando.
“Leo.”
Varia estendeu a mão. Leonia a segurou e sussurrou,
“Mamãe, você foi incrível.”
“Só imitei um pouco você.”
Varia respondeu com um sorriso tímido.
“Oh, Mamãe.”
O bebê besta bateu as asas de alegria.
Chegaram a um salão decorado com flores esplêndidas e ornamentos elegantes.
“Todos, a Duquesa de Voreoti e sua filha chegaram.”
Com o anúncio da baronesa Kapher, as damas nobres que haviam chegado antes se levantaram.
Leonia rapidamente examinou seus rostos.
‘...Perfeito.’
Um leve sorriso surgiu nos cantos dos lábios de Leonia.
Todos os elementos estavam no lugar adequado.
“A duquesa e sua filha, por aqui.”
A baronesa Kapher guiou Varia e Leonia até seus assentos.
Uma vez sentadas, Varia virou a xícara de chá na direção dela e uma criada atrás dela a encheu. A xícara de Leonia também foi preenchida por sua vez.
“A chegada da primavera já se faz sentir,”
disse a baronesa Kapher, anfitriã do chá.
“Realmente, já é primavera.”
Varia respondeu enquanto levantava a xícara.
“...No entanto.”
Quando parecia que ia beber o chá, Varia abaixou a xícara e colocou uma expressão de preocupação moderada.
“Estou preocupada com a frente fria.”
Depois de tudo, era preciso passar pelo frio cortante antes que a primavera pudesse de fato chegar.
“Mamãe, acha que muitas pétalas vão cair?”
Leonia arregalou os olhos redondos ao perguntar.
“Talvez. Pétalas caídas são tão...”
Varia, fazendo contato visual com a filha, lentamente virou seu olhar.
“...lástimas.”
Seu olhar repousou na esposa do filho do visconde Olor — sua irmã mais nova, Lota.
A face de Lota ficou pálida ao se encontrarem os olhos. Sob a mesa, suas mãos cerradas tremiam de nervosismo.
As damas nobres ao lado de Lota também não pareciam estar muito melhores.
“O aroma do chá é maravilhoso.”
Varia deu a primeira golada.
“Realmente é.”
Leonia seguiu o exemplo, bebendo seu chá.
A ornamentação de cisne escondida sob sua manga agora parecia menos incômoda.
***
Quando Leonia recebeu o convite da família Kapher—
‘Conheço esse lugar!’
Ela fez escândalo.
Porque na história original, a jovem dama da família Kapher tinha sido uma vilã.
Ela adorava Ferio e tinha uma inveja feroz de Varia, que era secretária dele.
Ela se aliou à irmã mais nova de Varia, Lota, e a assediava com intenção.
Mas a história original foi completamente reescrita com a aparição de Leonia.
Leonia nunca tinha enfrentado a família Kapher. Nem mesmo na festa de chá do ano passado.
Na verdade, ela tinha se esquecido da jovem dama Kapher por anos.
“Nossa filha voltou do Oriente recentemente.”
Naquele momento, a baronesa Kapher apresentou a jovem mulher sentada ao lado dela.
A jovem dama Kapher, de cabelo escuro cortado curto, sorriu com confiança. Leonia olhou para ela por um momento, inclinou-se e sussurrou no ouvido de Varia.
“A cor do cabelo dela parece basalto.”
“Leo.”
Varia repreendeu suavemente, segurando uma risada.
“Ela treinou na Torre Mágica do Oriente.”
“Nossa, que impressionante.”
“O talento mágico é raro, não é?”
“Ela deve ter trabalhado muito duro.”
Todas as damas nobres a elogiavam com admiração. A jovem dama Kapher ergueu os ombros com orgulho.
Como na história original — ela adorava elogios direcionados a si mesma.
“De fato, são admiráveis.”
Varia também ofereceu um elogio sincero.
Um dos traços essenciais de um mago era mana, um dom considerado inato.
Mesmo querendo ser mago, muitas vezes era impossível sem nascer com mana.
‘Será que era assim na história original?’
Leonia tentou recordar os detalhes agora um pouco nebulosos.
‘Acho que não...’
Até onde se lembrava, a jovem dama Kapher não tinha nada a ver com magia.
Ela teria que revisar os detalhes do cenário e notas que escreveu na infância para lembrar melhor.
“Por que você não foi mais cedo?”
perguntou a condessa de Neophelli, do Oriente — filha do marquês de Pardus.
“Normalmente, se alguém tem mana, ela é descoberta ainda jovem...”
“Fui teimosa.”
A jovem dama Kapher deu um sorriso tenso.
Depois, olhou brevemente para Leonia. Leonia inclinou a cabeça, escondendo seu desconforto.
“...Pode ser embaraçoso, mas houve um grande ponto de virada há alguns anos.”
Foi esse ponto que a fez decidir entrar na Torre Mágica do Oriente.
“Insisti que ficaria na capital. Mas agora me sinto uma tola por não ter saído antes.”
“Meu Deus, foi uma razão triste?”
“Na época, sim.”
Mas não mais.
“Acho que cresci bastante por causa disso.”
Na Torre Mágica do Oriente, a jovem Kapher aprendeu e percebeu muitas coisas.
Que se agarrar à atenção de um homem era desperdício de vida — e que sua visão de mundo era demasiado estreita.
“Fui verdadeiramente feliz lá.”
Ela sorriu com alegria genuína.
“...”
Leonia ficou estupefata.
‘Eu a transformei...!’
A menina sentiu um calafrio percorrer sua espinha.
O “ponto de virada” que ela tinha acabado de mencionar — era Leonia.
Seis anos atrás, Ferio adotou uma criança de origem desconhecida e a tornou herdeira.
Essa ação partiu o coração de muitas mulheres — entre elas, a jovem dama Kapher.
Ela, que tinha sido devastada, fugiu para a torre em busca de consolo.
Mas agora, a jovem dama Kapher se tornara uma pessoa completamente diferente da do original.
‘Você é uma mudança radical.’
‘Tanto mudou já.’
Ela se lembrou da profecia.
A profecia que o duque Aust compartilhou — tinha sido assustadoramente precisa.
E agora ela se provava verdadeira — ensinando Leonia a testemunhar o futuro que ela mesma tinha alterado.
“Como estão as coisas recentemente no Oriente?”
Perguntou uma dama nobre do Sul. Seu olhar passou brevemente sobre a mãe e a filha Voreoti.
Ela claramente perguntou sabendo que, recentemente, a relação entre o Norte e o Oriente havia ficado tensa.
Como esperado, a jovem dama Kapher deu um sorriso levemente constrangido.
“Eu só estive na torre...”
Ela se desculpou, dando a entender que não sabia muito sobre os acontecimentos atuais do Oriente.
Mas, escondido em suas palavras, havia um sentido que todos perceberam — as coisas não estão boas, exatamente como você suspeita.
Naturalmente, os olhares de todos se voltaram para Leonia.
“Oh, meu Deus.”
Leonia ofereceu um sorriso calmo.
“Sabe, o clima no cume de uma montanha nunca é fácil de prever.”
Como se dissesse — que aspiroides como vocês sabem alguma coisa sobre as relações entre lideranças regionais?
Na reação ao ataque do bebê besta, todos tossiram constrangidos e beberam seu chá. A jovem dama Kapher observava Leonia com grande interesse.
“Por mais difícil que seja o tempo, a cordilheira sempre permanece ereta.”
Varia acrescentou com facilidade.
Independente da relação entre as duas regiões, o prestígio do Norte permanecia intocado.
As mulheres Voreoti estavam inabalavelmente compostas. Sua confiança — a beirar a arrogância — fazia com que todos os outros se retraíssem em silêncio.
“...É verdade.”
“As circunstâncias sempre mudam.”
“Sempre há atritos em cada região.”
“Mas…”
Enquanto todos evitavam tocar na autoridade de Voreoti, uma voz ousada se levantou para desafiar.
“Se o vento sopra forte demais, o terreno não acaba sendo erodido?”
Era Lota Olor.
‘Legal, tia!’
Leonia sorriu por trás de sua xícara, tendo entrado na conversa na hora certa.
“Mas…”
Leonia pôs a xícara na mesa e murmurou com um tom preocupado.
“Um vento tão forte talvez até possa fazer o mar transbordar, você não acha?”
Ela quis dizer tsunamis que impressionam a costa — uma metáfora para a queda dos nobres emergentes do Sul, especialmente aqueles centrados em Olor.
“As montanhas ainda ficam firmes, mas e o mar?”
“Oh, Leo. O mar continua igual, não é?”
Varia corrigiu gentilmente.
“E um mar transbordando... talvez nem seja uma coisa tão ruim.”
“Por quê, Mamãe?”
Leonia inclinou o queixo como se estivesse confusa.
Naquele momento, a manga dela escorregou discretamente para baixo.
“Porque as ondas levam embora o lixo na praia.”
“Ah, entendi! O mar, assim como as montanhas, está sempre no seu lugar.”
As montanhas eram Voreoti.
O mar — Merídio e Aust.
A jovem dama Varia acabara de deixar claro: os verdadeiros mestres do Sul eram as duas casas nobres que lá permaneciam há mais tempo.
E Olor? Apenas detritos a serem varridos pela maré.
Ao perceber isso, o rosto de Lota ficou vermelho.
“V-Você está falando de mim, não é...?!”
“Minha Nossa Senhora!”
A condessa de Neophelli inalou ofegante por trás do leque.
“O que eu acabei de ouvir?”
Ela ficou chocada.
“Por mais que sejam próximas, chamá-la de ‘nona’... assim não se faz.”
“Há regras de etiqueta na hora do chá.”
“Ela é jovem, mas ainda...”
“Você acha que se deve tratar a Duquesa de Voreoti com desprezo?”
“Que falta de respeito...”
Na única falha de Lota, as damas nobres alinhadas com a Casa Voreoti atacaram de imediato.
“A esposa do visconde acabou de cometer um deslize.”
Atônitas, as damas do Sul correram para defender Lota.
“Foi só um hábito — são irmãs, afinal de contas.”
“São família, sabe?”
Lota chorou ao abaixar a cabeça.
“S-Sinto muito...”
Ela confessou que havia sido um erro, algo feito sem pensar.
“Só que... o que a duquesa disse foi tão triste...”
“Madame.”
Leonia olhou para Lota com olhos de piedade.
“Você não deveria dizer ‘o que ela disse’ — deveria dizer ‘o que Sua Graça falou’.”
“...”
“Um erro a gente chama de acidente, sim.”
Sua voz era eternamente gentil, como uma irmã mais velha repreendendo uma irmã mais nova e ingênua.
“Mas duas vezes? Isso é um problema.”
Ou você é burra — ou faz de propósito.
“Por favor, mostre respeito à minha mãe.”
Não ouse falar com ela daquele jeito outra vez.
Leonia deu um aviso frio.