Me tornei a filha adotiva do protagonista masculino.

Capítulo 200

Me tornei a filha adotiva do protagonista masculino.


O relatório do homem careca sobre o estado atual do Império foi de cortar o coração.


"Logo após navegarmos, estourou um grande escândalo de corrupção."


"Corrupção?"


"Uma organização artística patrocinada por nobres imperialistas."


Ao que parece, descobriram que a organização estava produzindo drogas e cometendo crimes graves.


Além disso, as doações feitas pelos nobres imperialistas eram usadas para sonegar impostos e formar fundos clandestinos.


"Que idade sem Deus vivemos!"


O homem de barba bufou e cuspiu uma maldição.


"Rico depravado é sempre o pior!"


Ele ficou profundamente abalado com a notícia. Antes de embarcar na embarcação comercial, ele tinha apoiado veementemente o projeto de construção de estradas imperiais promovido pela família real.


Nunca imaginou que ao retornar ao Império fosse ser recebido por uma traição dessa magnitude.


"E o que aconteceu com o projeto?"


"Ele simplesmente foi para o banco dos réus."


O homem careca contou o que tinha lido nos jornais.


"Os líderes regionais terminaram de consertar suas próprias estradas com o dinheiro deles. Mas, pelo que parece, eles sempre fizeram isso de qualquer jeito."


"Então, que droga..."


O homem de barba comentou de forma vazia.


"Será que o projeto de estrada foi uma perda de dinheiro desde o começo?"


"Nem sequer começou na capital."


"O que você quer dizer?"


"Aquele escândalo da organização artística que mencionei antes."


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O homem careca abaixou a voz ainda mais, agora sussurrando de verdade.


"Sobre para onde foi esse dinheiro..."


Parece que foi direto para o imperador.


O homem de barba largou seu garfo abruptamente.


"Então, nem deu para começar. Descobri que o dinheiro alocado para a família imperial nunca incluía fundos para o projeto. Parece que eles planejaram usar as doações da organização como substituto."


"Pelas bênçãos de Deus...!"


O homem de barba ficou zonzo.


No pouco tempo que esteve no mar, a autoridade da família imperial caiu a tal ponto — ele nunca teria imaginado.


"O falecido imperador sairia do túmulo se ouvisse isso."


O homem careca concordou solemnemente com a amarga murmuração de seu companheiro.


"Mas como você descobriu isso?"


"Eu? Pisei em terra, peguei um jornal e comecei a perguntar por aí. O quê, você acha que só fico olhando palavras cruzadas?"


O homem careca deu uma risada forte.


***


"...Oh, Leo."


Varia chamou suavemente Leônia, que tinha adormecido com a cabeça no colo de Varia.


"Já estamos chegando. Hora de acordar."


"Uuhng...!"


Ainda meio grogue, Leônia resmungou e virou a cabeça rapidamente — enterrando o rosto na barriga de Varia.


A criança se enfiou ainda mais no abraço da mãe.

"Ai, meu Deus, que fofura."


Varia se assustou por um momento, depois sorriu calorosamente enquanto acariciava o cabelo da filha.


"Minha pequena mimada."


"Não sou mimada — sou pervertida."


Ela estava definitivamente acordada.


Sentada na frente delas, Ferio olhava com olhos desconfiados para trás de sua cabeça preta pequena. E, como esperado, o ombro de Leônia estremeceu.


"Levanta, seu pervertido."


"...Leo não é pervertido."


Leônia se agarrou à cintura de Varia, reclamando.


"Leo só... ama mamãe demais."


"Diga isso direitinho ou vai ficar sem herança."


"Eu, a moça, reverencio minha mãe."


A voz melada e arrastada dela se transformou instantaneamente em aço.


Foi só então que Leônia, com preguiça, se levantou devagar. Varia riu suavemente, passando a mão nos olhinhos sonolentos da criança.


Agora ela podia conversar com Leônia de forma natural, como se sempre tivesse sido assim.

"Papai foi demais, né? Podia ter deixado eu dormir um pouco mais."


A voz gentil da mãe fazia a pequena besta se sentir quentinha por dentro.


Então, com uma expressão maliciosa, ela virou-se para Ferio.

"Pois é! Que há de tão errado ou pervertido em uma filha se aconchegando na mãe?"


"Minha pequena pervertida."


Ferio tinha certeza de que tinha visto ela sorrindo de canto no colo de Varia mais cedo.


"Mas, de verdade, estamos de volta, né?"


Os olhos bem abertos de Leônia olhavam pela janela do carruagem.


A fazenda Voreoti, familiar, na capital, estava bem na sua frente. Leônia abriu a janelas e colocou a cabeça para fora.


"Cheguei~!"


Sua voz alta de filhote de besta chegou até os portões do casarão, onde Tra, esperando lá fora, fez uma reverência cumprimentando-os.


Quando a carruagem entrou na ◈ Nоvеlіgһт ◈ (continue lendo) —


"Rrgh!"


Leônia foi a primeira a saltar e se alongar, com o corpo todo tenso por ter dormido encolhida.


"Ai, minhas juntas doendo..."


"Pensem que você parece uma senil."


Por que uma criança parecia tão envelhecida? Ferio bateu levemente na cabeça dela.


"Papai, estou cansada. Traz mamãe nas costas!"


"Não dá mais."


"Por quê?"


"Você pesa mil libras."


Respondeu com frieza Ferio.


"Upsy-daisy!"


Mas Leônia ignorou completamente e pulou nas costas dele sozinha.


O pulo repentino fez Ferio cambalear para frente.

"Hff! A costas de um homem não devia ser tão fraca assim!"


De suas costas, Leônia reclamava ajustando-se na posição mais estável.

"Leo, vou te repreender."


"Vai lá, então, e me repreende~"


A pequena bicho, que só tinha medo de perder a herança, estufou a língua e provocou.


"Mamãe, eu também posso te dar uma injeção de fortaleza nas costas!"


De lado, Varia fez biquinhas de inveja.


"Tenho treinado bastante. Olha! Ganhei músculos!"


Ela fez uma flexão de braço com orgulho.


“......”


“......”


O pai e a filha, com caras de melancolia, olharam para ela.


"Será que a mamãe é naturalmente magra?"


"Não mostra muito."


"Mas olha aqui. Os bíceps da mamãe são como fadas nascidas em pétalas de flor."


Decepcionada, Varia parecia visivelmente desanimada.

"Quer dizer que elas nem existem..."


Embora treinando duro com Ferio e Leônia no Norte, seu sonho de músculos fortes continuava inalcançável.


"Mamãe, agora tem duas barrigas visíveis!"


Leônia tentou consolá-la.

"E tudo isso em pouco tempo! Muito impressionante!"


"Vamos treinar mais... à noite..."


"Por que está dizendo isso com uma criança nas costas?!"


Leônia puxou o cabelo de Ferio, zangada.

"Seja bem-vindo de volta."


Tra, que assistia com diversão, entrou de mansinho.


Já faziam cinco meses largos desde que a família besta voltara pra capital — e estavam mais barulhentos do que nunca.


"Tra!"


Leônia sorriu para ele.

"Voltamos!"


Sua mão ainda agarrada firmemente ao cabelo de Ferio.


***


Uma semana após a chegada na capital —


"O esternocleidomastoide é lindo."


Leônia falou de forma totalmente inadequada no café da manhã, porque havia linguiças na mesa.


"Você não disse que gostava do serrátil anterior na última vez?"


Ferio, engolindo a comida, perguntou:


"Quando foi que mudou de novo?"


"Papai, músculos são sempre bonitos."


Leônia fechou os olhos de felicidade, elogiando a beleza dos músculos.


"Na noite passada, discutimos apaixonadamente sobre isso."


Varia, cortando uma linguiça bem grelhada, colocou na boca de Leônia.


Leônia abriu a boca como um passarinho e mastigou feliz, o sabor salgado aguçando sua hambre.


"Depois de conversar com a mamãe, a região logo abaixo da clavícula parecia ainda mais charmosa."


"A mamãe elogiou bastante, sabia?"


"É sua favorita, mamãe?"


"Bem, pra ser sincera, a área da clavícula do papai é linda."


Varia, corando, confessou que tinha se apaixonado completamente por ela.


"Viu? A mamãe tem altos padrões. E os músculos do papai são incríveis!"


"Não exagere e enche o saco."

Ferio finjeu preocupação com as duas.


E sentiu uma pontinha de vazio.

Está tudo bem...?

Até Ferio, cujos padrões não eram nada comuns, achou a conversa do café da manhã um pouco estranha.

Se alguém ouvisse só o conteúdo, pareceria que estavam objetos aos músculos dele.

...Tanto faz.

Mas ele não se sentia mal. Então, deixou passar.

Nesse ponto, ele tinha atingido um nível em que podia aceitar com calma as críticas aos seus músculos feitas por Varia e Leônia.

Na verdade, ao tentar seduzir Varia à noite, às vezes sugeria que ela estudasse seus músculos primeiro.

Após o café da manhã, os três seguiram suas rotinas.

Ferio ficou preso na fazenda lidando com papelada acumulada durante sua ausência.

Enquanto isso, Leônia e Varia se preparavam para uma festa do chá ao qual tinham sido convidadas.

Antes de partir, Ferio foi vê-las partir.

"Faça questão de memorizar os nomes de quem te der problema."

"Sei bem."

"Sem esquecer de ninguém."

"Já disse que sei!"

Leônia ficou visivelmente irritada com a bronca longa.

"Então, eu tenho que memorizar o nome de toda pessoa chata e te reportar, né? Entendi, beleza?!"

"Não é brincadeira, isso é sério."

Ferio franziu os olhos.

"Sabe exatamente em que tipo de lugar você vai entrar."

"Leo, ouça seu pai."

Varia concordou, embora também não estivesse totalmente tranquila.

"...Tá bom."

Leônia finalmente acenou com a cabeça, sua energia um pouco esgotada.

"Vou tomar cuidado, então não se preocupe tanto."

"Confio que você vai dar conta."

Ferio deu um abraço apertado em Leônia. Ela retribuiu envolvendo seus braços nas costas dele.

"Vou ficar de olho também."

"Conto com você."

"Vamos, Leo."

"Mmm..."

Leônia estendeu a mão e pegou a de Varia.

No pulso dela, havia uma pulseira dourada — delicada e fina, enrolada duas vezes. Um pequeno pendente de cisne oscilava, uma peça charmosa e delicada.


***


O chá-da-late organizado pela Imperatriz Tigria na primavera passada tinha sido morno — longe de ser a força verdadeira do “Círculo Social da Capital” do império.


Com a própria Imperatriz presente, todos mantinham a boca fechada por educação.


Porém, o verdadeiro círculo social da capital não era nada tão pacífico assim.

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