Me tornei a filha adotiva do protagonista masculino.

Capítulo 199

Me tornei a filha adotiva do protagonista masculino.


“Por que eles têm que partir hoje, justamente hoje? Poderiam ficar até amanhã e partir no dia seguinte.”


Leonia resmungou, sem conseguir esconder sua decepção.


“Na verdade, já ficamos bem mais tempo do que o previsto, acredite se quiser.”


Príncipe Chrisetos parecia um pouco constrangido.


“Desculpe não podermos estar aqui para comemorar seu aniversário adequadamente.”


“Eu não estava esperando nada mesmo.”


“Leonia.”


Varia, que as acompanhava até a porta, gentilmente repreendeu a amiga. Leonia fez biquinho de novo com os lábios.


“Por favor, viagem segura.”


Varia despediu-se das duas com uma despedida sincera.


“Vou guardar na memória toda a gentileza e hospitalidade que vocês me ofereceram, Madam Voreoti.”


O príncipe, com respeito, segurou a mão de Varia e fez uma reverência.


Ele não a beijou, todavia — por causa da pressão intensa que sentia vindo de Ferio e das olhadas ameaçadoras de Leonia por trás dele.


“Cuide-se também, Senhor.”


Varia, ainda sem saber quem ela realmente era, tratou a jovem como se fosse a cavaleira acompanhante do príncipe.


“Obrigada por tudo.”


A princesa Scandia fez uma reverência.


“Se cuidado!”


Leonia acenou, animada.


As duas figuras reais entraram na carruagem preparada para elas.


Era uma carruagem emprestada por Ferio, destinada a levá-las até perto do portão oeste, próximo à propriedade Voreoti.



“Não vão entrar também?”


Príncipe Chrisetos, já sentado, olhou para a irmã que ainda permanecia de pé do lado de fora.


“...Irmão, só um momento.”


Após refletir por um instante, Princesa Scandia virou-se e voltou em direção à mansão.


Ao ver a pessoa que deveria embarcar retornar, a família Voreoti trocou olhares intrigados.

“Jovem Senhora Voreoti.”


De pé diante de Leonia, Princesa Scandia levou a mão ao pescoço.


“Achei que era melhor cumprir minha promessa.”

“Promessa?”


“De um presente de aniversário.”


Ela então pegou na mão de Leonia.

“......!”


Os olhos de Ferio se arregalaram mais do que nunca. Varia cobre a boca com as mãos e deu um leve suspiro de admiração.


Então, algo foi colocado na mão de Leonia.


“Este pingente foi dado a mim pela minha mãe.”


Olhos de Leonia arregalaram-se de surpresa.

“I-isso é da Imperatriz—!”


Ela quase gritou “imperatriz”, mas se segurou e rapidamente cobriu a boca.

Varia ainda não sabia a verdadeira identidade dela. Isso ainda era um segredo.


“Eu prometi que te entregaria antes de partir, lembra?”


A princesa Scandia fez um gesto indiferente, dando de ombros.

“Não foi uma compra direta — ela escolheu quando eu era pequena, achando que ficaria bonito em mim.”


Quando ainda podia se vestir de menina, a Imperatriz Tigria tinha escolhido acessórios para seu filho. Este pingente era um deles.


“Tenho guardado isso por hábito desde então, sem peso na consciência.”

“É um peso mesmo!”


“Não chega ao valor de uma propriedade inteira.”


“Ainda é demais!”


Leonia ficou inquieta, segurando o pingente de forma desajeitada.


‘Mesmo não sendo tão caro...’


Se a Imperatriz o escolheu pessoalmente, isso significava que era um item raro, feito para a Família Imperial.


Sem poder devolvê-lo agora, colocou-o cuidadosamente no bolso e começou a tirar o relógio de pulso que usava.


“... Então, aceite isso.”

Ela colocou seu relógio no pulso da princesa.

“Leonia, você—!”


“Ferio!”


Ferio tentou impedi-la, furioso, mas Varia rapidamente segurou seu braço e o segurou no lugar.


Graças a isso, Leonia conseguiu ajustar o relógio com calma.

“É um item raro que ainda não foi lançado no mercado.”


“Quem devolve um presente de aniversário?”

A princesa Scandia murmurou, sem acreditar.

No entanto, seu olhar fixava na elegante relógio preto, com seus delicados ponteiros brancos marcando o tempo dentro do estojo.


“Não é uma devolução. Também estou te dando de presente de aniversário.”

“De aniversário?!”

“Ouvi dizer que o seu é no inverno?”

O meu é no final do outono, o seu é bem no inverno — na sua época mais fria.


Leonia apontou para si mesma e depois para a princesa.

“A não ser que você não queira, aí devolva.”

Mas a princesa não respondeu nada, então Leonia estendeu a mão.

“Não dá pra simplesmente pegar de volta.”

Observando o relógio no pulso com satisfação, a princesa sorriu suavemente.

Depois, como se temesse que Leonia fosse tentar tirar de volta, discretamente enfiou o pulso atrás das costas.

“Vou guardar com carinho.”

“É melhor mesmo, ou então...”

Leonia fingiu torcer o pulso de alguém para fazer sua brincadeira.

“Vai lá, tenta torcer!”

A princesa riu e segurou a mão de Leonia.

“Nos vemos novamente algum dia.”

“E você—Senhor, cuide-se—”

Justo quando Leonia começava a se despedir de novo—


Smooch.

A princesa Scandia beijou as costas da mão de Leonia.

“Que maluquice—!”

“Ferio! Você não pode matar ninguém!”

Ferio, finalmente descontrolado, soltou uma maldição, e Varia teve que segurá-lo novamente para impedir que avançasse.


“Então é melhor eu ir agora, antes que o Duque realmente me mate.”

Com uma velocidade irritante, a princesa Scandia pulou na carruagem, que partiu do estate como se estivesse fugindo de uma fera selvagem.


“......”

Leonia ficou ali, atônita, vendo a carruagem desaparecer de vista.


“Leonia!”


Ferio chamou com firmeza.

“Lave as mãos agora mesmo. E jogue esse lixo fora!”


“É um presente de aniversário!”

Varia puxou Leonia para trás, protegendo-a, e protestou.

“Isso não é presente! É uma pervertida querendo se aproveitar da nossa filha!”


“Tenha um pouco de decência. E cuidado com as palavras.”

Varia fez bico e olhou com os olhos amendoados, avisando que palavras duras a deixariam triste.

“...Você viu como aquela pilantra tentou flertar com a nossa Leo?”


Ferio recuou um pouco diante da severidade da esposa.


Mas sua opinião não mudou.


“Não importa se ele é algum bonitão de uma linhagem real — nunca vou aprovar.”


“Você está exagerando.”


“Depois do que ele fez agora?”


“Você conhece nossa Leo?”


Varia falou com firmeza, cheia de orgulho.

“Ela pode brincar com alguém, mas nunca será brincada.”


“Certo, Leo?”

Ela envolveu um braço ao redor dos ombros de Leonia e perguntou com carinho.


Foi só então que Leonia virou-se para encarar seus pais.

“Aquela pestinha...”

Ela olhou para a mão que tinha sido beijada e murmurou,

“...Devo devorá-lo quando crescer?”

“Escutaram isso?!”

Varia ergueu o queixo com orgulho.

“Nossa filha nasceu para mandar em todos os homens deste mundo.”

“Ela não está errada, e é assim que deve ser...”

Mesmo assim, Ferio sentia uma ponta de desconforto.

“Ah, pai, dá um tempo.”

Leonia, que tinha ficado quieta escutando, finalmente falou.

“Você nem ofereceu um lenço para a mamãe quando ela chorou pela primeira vez na mansão...”

“I-isso foi...”

Ferio parecia visivelmente atordoado.

“Aquela cavaleira foi muito melhor! Certo, mãe?”

“Agora que você fala, sim. Ainda me dói um pouco.”

Varia entrou na conversa.

Ferio sentiu um calafrio na espinha.

“Varia, essa não era minha intenção...”

“Leo, você pode me contar mais sobre aquela cavaleira depois?”

“Claro! Só por você, mamãe!”

A mãe e a filha entrelaçaram os dedinhos por um pacto silencioso.

“Varia, na minha época—”

“Tudo bem. Não precisa mais se justificar agora.”

“Não é uma justificativa. Sou só... um pouco tímida. Tenho um coração delicado.”

“...Você acha que a gente acredita nisso, né?”

Leonia observava com interesse a primeira discussão verdadeira entre os pais.

‘O pai vai perder!’

Ver Ferio sendo dominado na discussão ajudou bastante a criança.

Graças a isso, Leonia escapou da reclamação do pai e foi direto para seu quarto.

Mesmo na porta, a voz de Ferio ainda ecoava em seus ouvidos:

Leonia ainda tem doze anos!
Ela é muito jovem para romance!

‘Bem... ele não está errado.’

Depois de fechar a porta por precaução, Leonia foi até a escrivaninha ao lado da cama.

Ali, estavam seus tesouros: um pote de vidro com doces de morango e leite, um pelúcia de leão preto, a capa que Ferio usava quando era criança.

Amanhã, outro pelúcia de leão, presente da Varia, entraria na coleção do seu aniversário.

Ela pegou o pingente e colocou-o cuidadosamente na antiga caixa de relógio que ficava rolando pela sala, entre seus demais objetos de valor.


“Linda.”


Sorriso suave surgiu no rosto de Leonia ao olhar para o presente.

O sentimento quente e enlevado no peito não era nada ruim.

‘Quando será a próxima?’

Sentada na cama, admirando sua coleção, Leonia começou a entrelaçar os dedos.

“Próximo, então... próximo...”

Amanhã seria seu aniversário.

Depois, seria o primeiro aniversário de Rupi — filho de Lupe e Inseréa.

Após esses aniversários consecutivos, o inverno oficialmente se instalaria no Norte.

Então chegaria a grande neve, e com ela, as caçadas aos monstros nas Montanhas do Norte.

Depois das caçadas, viria uma pilha de assuntos de Estado atrasados, acumulados pelos contratempos.

E, assim que tudo estivesse resolvido, eles precisariam voltar à capital.

Por causa da próxima caçada.

Pensando nisso, sua agenda estava cheia de tarefas apertadas e frustrantes. Talvez demorasse um bom tempo até vê-la novamente com a Princesa Scandia.

Isso a deixou um pouco triste.

Mesmo assim...

Colocando o queixo na mão, Leonia sorriu de leve.

“... Finalmente posso ver o fim.”

***

“Sejam bem-vindos!”


Com uma recepção calorosa, dois clientes entraram no restaurante.

Um com barba desgrenhada, o outro com um couro cabeludo brilhante, como se tivesse sido raspado com uma lâmina—ambos bronzeados pelo sol e com a pele escura pela maresia.

“Faz tempo que não víamos o Império.”

“E ainda tem bastante marinheiro.”

“É primavera — muitas embarcações voltando ao mar!”

O restaurante ficava perto de um grande porto comercial, por isso a maior parte dos clientes eram marinheiros musculosos, marcados pelo esforço do trabalho.

Os dois se sentaram e fizeram pedidos, logo uma montanha de comida chegou.

“Ei, você ouviu?”

Enquanto comiam, o de barba desgrenhada foi o primeiro a falar.

“A Guilda Urbespe voltou a fazer sucesso.”

“Quer dizer aquela confusão no porto?”

O homem careca bufou, nariz empinado.

“Aqueles que desembarcaram do navio estavam tão convencidos, dando de ombros e sorrindo satisfeito que tive vontade de espancar os caras.”

“Pois é. As coisas que eles exportaram ficaram loucas lá fora.”

“Claro. Foi aquele novo relógio de pulso da Jovem Senhora Voreoti.”

O careca bebeu a cerveja e soltou um arroto retumbante.

O de barba franziu a testa, fazendo um gesto de desgosto.

“...A Guilda Rinne deve estar p*** da vida.”

Ele engoliu o enjoo por pouco, continuando:

“A Urbespe tem tido lucros ultimamente.”

“Acho que a Rinne também fechou negócio com a Voreoti pelos relógios…”

“Mas os direitos de exportação ficaram com a Urbespe primeiro. A Rinne entra depois.”

“Ainda assim, é um lucro enorme…”


“De qualquer forma, quem saiu ganhando foi a Casa Voreoti.”

Por mais que a Urbespe e a Rinne lucrassem, o verdadeiro vencedor era a Casa Voreoti.

“Mas, olha só...”


O careca olhou ao redor e abaixou a voz.

“Diz a boca pequena que a Família Imperial não está em boa fase esses dias.”

“Como assim? Por quê?”

O homem com barba ficou surpreso.

“Eles estavam bem até sairmos. Não estavam começando aquela grande obra rodoviária de alcance imperial?”

O careca bufou outra vez, de novo com desprezo.

“Esse é o problema.”

Todo aquele projeto?

“Foi um fracasso completo.”

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