Me tornei a filha adotiva do protagonista masculino.

Capítulo 196

Me tornei a filha adotiva do protagonista masculino.


A matéria do jornal listava apenas os crimes cometidos pela facção do Imperador.


Evasão fiscal e fundos ilegais liderados pelos nobres imperialistas, além dos detalhes repugnantes e mesquinhos da vida pessoal de cada um deles — a cada nova notícia de ~Noiv𝕚ght~.


E, agora, os crimes adicionais cometidos pelos artistas presos por fabricação de drogas.


No final, tudo indicava o Imperador Subiteo.


A reportagem nunca citou explicitamente o nome do Imperador.


No entanto, todas as provas apontavam para ele.


Quem estivesse lendo podia facilmente deduzir que a base de patrocínio aos artistas, o motivo de sua criação e a direção do fluxo de lucros — tudo levava direto ao bolso do Imperador.


“Pardus! Onde está Pardus?!”


Sem conseguir pensar em uma solução para essa crise, o Imperador, por instinto, chamou pelo Marquês de Pardus.


Mas Pardus não estava na capital.


“Para cumprir o comando de Vossa Majestade, o Marquês de Pardus partiu para o Norte há alguns dias.”


“Então, chame-o de volta imediatamente para a capital!”


“E-e, isso vai levar algum tempo...”


O portão do Norte não podia ser usado. Mesmo com uma viagem rápida, levaria pelo menos uma semana.


Porém, o atendente não conseguiu dizer mais nada.


O Imperador Subiteo, incapaz de conter sua fúria, bateu tudo da mesa com o braço.


Estouro!


A porcelana quebrou com um estrondo, e alguns cacos voadores atingiram sua perna.


“Porra...!”


Gotas de sangue escorreram da mão do Imperador, donde um caco tinha cortado, enquanto ele de cabeça baixa segurava os cabelos, frustrado.


Ele também havia doado grandes somas à fundação de patrocínio aos artistas, em seu próprio nome.


Ou seja, esse próprio grupo era seu gesto simbólico de nobreza generosa — agora manchado como foco de crimes.


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Devo dizer que não sabia de nada?


O Imperador estava dilacerado.


Ele precisava emitir uma declaração pública, afastando-se rapidamente do escândalo.


Porém, não podia.


Se não protegesse os nobres agora, seus fundos ilegais e crimes ocultos seriam revelados. Abandonar a facção imperialista seria um suicídio político.


Perder sua base de poder o deixaria um mero rei fantoche.


Além disso, colocaria em risco o grande projeto de construção da estrada imperial, que ele estava promovendo.


O artigo até colocava em dúvida a sinceridade daquele projeto.


“Chame-os para o palácio imediatamente!”


O Imperador Subiteo não teve escolha além de convocar os nobres de sua facção.


“S-sim, Majestade!”


O atendente fez uma reverência apressada. Precisava sair daquela sala antes de se machucar.


Ele correu até a porta —


“......Suspiro!”


Quase saiu do ambiente para respirar quando encontrou alguém inesperadamente.


Era a imperatriz Tigria.


“S-Sua Majestade, a Imperatriz...!”


O atendente rapidamente se curvou.


“......”


Porém, a Imperatriz Tigria mal lhe dirigiu a palavra.


Seu olhar permaneceu fixo na porta, de onde ainda se ouvia os gritos furiosos do Imperador.


Que pena.


Ela virou abruptamente.


“Não mencione que estive aqui.”


Ela não queria piorar ainda mais o humor já caótico do Imperador.


O atendente concordou com entusiasmo. Para ele, esse era também o melhor resultado.


A Imperatriz virou-se e foi embora. Seus acompanhantes e damas de companhia seguiram silenciosamente atrás.


Por fim... tudo começava.


Apenas ao sair do local, um sorriso silencioso se abriu nos lábios da Imperatriz Tigria.


Já era quase hora.


Ela percebeu que o momento pelo qual esperou tanto tempo finalmente estava ao seu alcance.


Ela se sentiu tão leve que quase começou a dar pequenos pulos.

Não precisaria ficar nesse lugar nojento por muito mais tempo. A Imperatriz silenciosamente se elogiou por aguentar tudo isso com dignidade.


O que resta agora é...


Pensou nos dois filhos que haviam partido em uma jornada.


“Coloque a mãe em primeiro lugar.”


“Vamos ficar bem.”


Ela se emocionou ao ver que os dois, que provavelmente sofreram por causa dela, ainda pensavam assim.


Ela só suportou a vida no palácio graças à excessiva gentileza deles.


Agora, tudo o que ela queria era que eles assumissem seus papéis.


Seu objetivo final se esclareceu nitidamente.


O primeiro, como Imperador.


O segundo, a oeste.


Quando tudo estivesse concluído, ela deixaria o palácio sem arrependimentos.


Depois de estrangular aquele bastardinho desprezível.


“Que susto!”


Nesse momento—


“Sua Majestade, a Imperatriz!”


Uma voz doce e brincalhona parou a Imperatriz Tigria em suas ações.


Ela virou-se e viu uma cabeça de cabelo verde brilhante a); voando.


“Consorte.”


“Vossa Majestade também veio visitar Seu Majestade?”


Vestida à perfeição, a Consorte Usia sorriu inocentemente.


Ela ainda parecia incrivelmente jovem e maravilhosa.

“Era minha intenção.”


A Imperatriz olhou para trás na direção de onde veio.


“Mas Seu Majestade não está de bom humor hoje. Talvez seja melhor não encontrá-lo agora.”


“Ah, que pena...”

Usia Consorte fez bico.


“Eu queria tomar chá com o Seu Majestade...”


Ela parecia decepcionada, mas rapidamente assentiu como se tivesse entendido e começou a se virar.


“Então, por que você não toma chá comigo ao invés disso?”


“Com Vossa Majestade?”


“Você não quer?”


“Não! Eu adoraria!”


Usia Consorte se iluminou de alegria e entrelaçou o braço no da Imperatriz.


Era um gesto infantil que surpreendeu um pouco a Imperatriz, mas ela não recusou.


E assim, as duas seguiram rumo ao palácio da Imperatriz.


“Se estivesse um pouco mais quente, poderíamos ter tomado chá no jardim.”


A Imperatriz olhou para a janela com ar nostálgico.


O ar de outono, fresco e cortante, ficava ainda mais frio, e o jardim que ela cuidava com tanto carinho já não tinha a vitalidade do verão.


No entanto, as muitas flores de outono em flor ainda davam ao local um charme especial.


“Eu também gosto dessa salas.”


Usia Consorte sorriu.


“Sou mesmo uma sortuda hoje.”


“É mesmo?”


“Sim! Estou me sentindo muito bem, de qualquer forma!”


“Fico feliz em ouvir isso.”


“Você também parece estar de bom humor, Vossa Majestade.”


“É o chá. Está delicioso.”


Os olhares se encontraram, e elas trocaram sorrisos.


“Mas, a propósito...”


A imperatriz colocou sua xícara de chá na mesa.


“Você ia sair?”


O traje de Usia Consorte era tão luxuoso que parecia que ela planejava um passeio.


“Na verdade, eu deveria visitar o pavilhão de exposições com Seu Majestade hoje.”


Ela reclamou, parecendo só agora perceber o quão exagerada estava, mexendo na sua roupa elegante.


“Eles estão exibindo obras de artistas patrocinados pela nobreza, então pensei em dar uma olhada e aproveitar um bom almoço...”


“Ah...”


A imperatriz respondeu de maneira vaga e tomou mais um gole de chá.


Por isso ele estava tão estressado.


Não é de se espantar que o Imperador estivesse tão sensível — parecia que ele planejava visitar justamente os artistas citados na reportagem de hoje.


Se fosse pessoalmente, devia ser uma visita oficial...


Que tempestade perfeita.


A imperatriz deu mais um gole, controlando cuidadosamente o desejo de rir.


“Para falar a verdade...”


Usia Consorte hesitou.


“Fui eu quem pediu para encontrá-los hoje.”


“Você fez o pedido?”


A mão da imperatriz, segurando a xícara, tremeu um pouco.


“Faz tempo que não saía, né?”


Ela suspirou e apoiou a bochecha na mão, visivelmente frustrada com o plano que havia caído por terra.


“Acho que a família do Visconde deve estar em completo caos agora.”


“Provavelmente. Será que vão tentar me procurar?”


“Não entendo nada de política. Só me dá dor de cabeça!”


Ela falou alegremente, dizendo que ignoraria qualquer mensagem que recebesse.


“Mas não tenho visto o príncipe nem a princesa por aí ultimamente.”


“Chris e Scan foram para o Oeste.”


A imperatriz colocou a xícara novamente na mesa.


Ela já não sentia vontade de beber mais.


“Seu Majestade vem planejando um casamento para Skan, e, talvez por causa disso, os dois pediram para viajar. Então, enviei-os para a propredade da minha família.”


“Devem ser muito próximos!”


Usia Consorte sorriu radiamente.


“Mas ‘Skan’ é um apelido bastante juvenil para a princesa.”


“Ela é bem frágil.”


Por isso, a Imperatriz explicou que deu a ela um nome forte de propósito.


“E, além disso, hoje em dia, nomes não precisam mais combinar com o gênero de quem os usa.”


Ela falou casualmente.

“É mesmo. Como a filha do Duque de Voreoti.”


“Leo, não foi?”


O apelido de Leonia parece menos relacionar-se ao gênero e mais ao fato de ela ser bem Voreoti.


“No começo, achei que ela era um menino!”

Usia Consorte riu alegremente.


O chá delas durou mais do que o esperado, em uma atmosfera surpreendentemente agradável e confortável.


Eram duas pessoas que, por acaso, não deveriam facilmente se tornar próximas. Mas conversaram sem nenhuma tensão embaraçosa.


“Venha me visitar no Oeste algum dia.”


A Imperatriz disse com gentileza.


“O Oeste tem as temporadas mais lindas de todas. Adoro o verão lá, mas o outono é igualmente encantador e cheio de charme.”


“Eu também gosto do outono!”


Usia Consorte sorriu brilhantemente.


“Especialmente as folhas caídas.”

Vermelhas e amarelas.


“Quando vejo elas no chão...”

Como se as folhas estivessem caindo bem na sua frente, seu olhar se perdeu suavemente para baixo.


“Tenho vontade de pisar nelas.”

Ela murmurou suavemente, com os olhos fixos no piso sob a mesa.


“Esse som de crunchy... como é gostoso de ouvir e me enche de alegria.”


“Realmente é.”


A Imperatriz sorriu.

“Eu também sinto o mesmo.”


Então, ela se recostou suavemente na cadeira.


“Vamos tomar chá assim de novo algum dia.”


A Imperatriz Tigria sorriu, surpresa com a fluidez natural da conversa — e sugeriu um novo encontro.


***


Leonia, que saíra para comprar o presente de aniversário, fez biquinho como patinho triste.


“Não esperava te encontrar aqui.”


Num comércio cheio de coisas, de ursinhos de pelúcia fofinhos a bonecas de porcelana assustadoras, que pareciam meio sinistras no escuro —


ela encontrou alguém que jamais imaginaria ver ali.


“Marquês Avô...”


O filhote de besta, cheio de alegria há instantes, murchou imediatamente.


“Gran— quero dizer, Marquês, o que você está fazendo aqui?”


Leonia quase o chamou de “Vovô”, como de costume, mas rapidamente se corrigiu.


Eram em público. A conexão secreta entre Voreoti e Pardus tinha que ser mantida em sigilo.


O Marquês de Pardus olhou com carinho para ela.

“Vim comprar um presente de aniversário para meu neto.”


Ele rapidamente abafou a verdade com um sorriso diplomático falso.

“Certifique-se de comprar algo bonito, Marquês. Esse neto será meu futuro secretário.”


“Não é certo dizer isso. Meu neto mal precisa de alguma coisa.”

Leonia bufou de leve.


“Mas seu filho mais novo não vendeu seu próprio filho ainda por causa do casamento?”

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