
Capítulo 195
Me tornei a filha adotiva do protagonista masculino.
Se Leonia sofresse uma ferida profunda por causa dele e se voltasse contra ele—
Se algum dia chegasse um momento em que ela cortasse todos os laços familiares e abandonasse todas as expectativas—
Ferio tinha certeza de que seria ele quem ficaria profundamente ferido.
“...Bem, acho que o Imperador certamente não tem o direito de se sentir injustiçado.”
Liberto daquele pensamento horrível, Ferio falou com indiferença.
Para falar a verdade, o Imperador Subiteo nem merecia pena. Ele apenas colheria o que tinha semeado.
“Então, o que exatamente você quer que eu faça?”
“Ouvi dizer que o Duque coleciona ferramentas mágicas como hobby?”
Foi a princesa Scandia quem respondeu.
“E que entre elas você tem remédios.”
“De onde você ouviu isso?”
Ferio estreitou os olhos.
“Eu te falei, não foi?”
O príncipe Chrisetos entendeu a deixa e sorriu de canto. Sentia-se imensamente satisfeito por ter irritado Ferio, mesmo que só um pouco.
“Nós viajamos.”
O Norte era apenas o destino final deles. Os irmãos imperiais já haviam percorrido o Leste e o Sul.
“Apenas nos empreste uma dose do remédio.”
“E como vocês planejam pagar por ele?”
Ferio foi o primeiro a emitir um aviso, lembrando que sua coleção era bastante valiosa.
Ele estava disposto a ajudar.
Mas isso não significava que ele facilitaria as coisas.
“Você pode simplesmente me entregar depois de ouvir o que tenho a dizer.”
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No entanto, o rosto do príncipe ainda mantinha um sorriso.
“É algo que o Leste está produzindo agora mesmo.”
Chrisetos piscou alegremente duas vezes.
“Embora eu não saiba exatamente o que é...”
Isso porque, no momento em que a palavra “Leste” saiu de sua boca, a expressão de Ferio se torceu para uma coisa sombria.
Na verdade, era um olhar assustador que ele não via há muito tempo. Chrisetos quase gritou feito uma criança, mas conseguiu segurar e se recostou no sofá.
“Ajudamos um pouco com isso.”
***
“Hoje estou com uma super energia, moooood!”
“Super animada?”
Leonia caminhava atrás de Connie, que carregava uma cesta de roupas.
“Você está numa vibe ótima hoje.”
Connie sorriu ao perguntar.
Leonia havia ficado mais bonita e mais elegante com os anos, mas hoje ela estava especialmente fofa—como um filhotinho.
“É por isso que estou com a melhor vibe! Porque estou me sentindo bem!”
“E por que você está tão animada?”
“Porque!”
Apesar de estar usando um vestido rebuscado — que ela não usava há um tempo — Leonia agarrou a ponta da saia com as duas mãos e girou no lugar.
A barra rendada tremulava como uma flor.
“Porque mais tarde vou escolher meu presente de aniversário com meus pais!”
Connie sorriu radiante, como se fosse ela quem estivesse comemorando.
“Que ótimo! Outra rodada de compras de presentes?”
“Meus pais me amam tanto que já estão comprando presentes antes mesmo do meu aniversário chegar!”
“Nossa, se continuar assim, o quarto que preparamos com antecedência vai encher rapidinho.”
Connie sorriu de forma constrangedora.
Na mansão Voreoti, vários quartos haviam sido liberados um mês antes do aniversário de Leonia.
Eram conhecidos como os “quartos de guardar presentes”.
Semanas antes, presentes de todas as partes do império chegavam para celebrar a jovem senhora da Casa Voreoti.
O problema era que tantos presentes acumulavam-se a ponto de dificultar a circulação na mansão.
Um ano, a pilha de presentes chegou a colapsar, quase ferindo alguém.
Depois disso, Ferio reservou alguns quartos permanentemente para os presentes.
E, na data exata do aniversário, apenas os presentes que passassem pela inspeção de segurança seriam entregues pessoalmente a Leonia para ela abrir.
“É um recorde a cada ano.”
Connie olhou com orgulho e satisfação.
“Ainda faltam uma semana e quatro dias para o seu aniversário, e já enchemos todos os quartos.”
“Obviamente!”
Leonia se encheu de orgulho. Naturalmente!
Cheia daquele ‘super bom humor’, Leonia se despediu de Connie.
‘Aniversários são os melhores.’
Percorrendo a mansão, ela se deleitou com a agitação que cercava seu próximo aniversário e se entregou à atmosfera de alegria.
“Jovem Senhora Voreoti!”
E até o príncipe e a princesa, que ainda estavam no Norte, vieram para cumprimentá-la.
Leonia olhou com indiferença enquanto os irmãos de cabelos dourado e prateado se aproximavam.
Eles realmente iam ficar até o aniversário dela?
“Seu aniversário está chegando, não é?”
“Isso mesmo. Tem um presente?”
A menina gulosa estendeu a mão.
“De jeito nenhum!”
Prince Chrisetos sorriu brilhantemente.
“Ugh.”
Leonia cutucou a testa convencida dele com o dedo.
“Aí!”
O príncipe imediatamente fez uma cara de dor, segurando seu nariz ardente.
“Que tipo de pessoa você acha que sou, Jovem Senhora?! Sou uma preciosidade, sabia!”
“Talvez na corte imperial, mas aqui você é só um convidado.”
Leonia olhou para o príncipe agachado e coçou o nariz antes de fazê-lo bufar um pouco.
“É assim que a Casa Voreoti trata convidados?”
Chrisetos, um pouco irritado, perguntou.
“Sim.”
A resposta rápida doía como uma nevasca.
“...Entendo.”
Por mais que ele tentasse controlar o humor, o príncipe encolheu os ombros.
“Achava que ia ganhar uns pontos com o futuro imperador?”
Leonia bufou, desdenhosa.
“Futuro imperador?”
Chrisetos se animou com o que ouviu.
“Você acha que vou ser imperador?”
“Vai fazer eu deixar alguém do sangue Olor sentar-se acima de mim?”
Leonia cruzou os braços e bufou, como se a ideia fosse nojenta até o fundo dela.
“Skan, você ouviu! A filha do Duque me apoia!”
“Que ótimo, irmão.”
A princesa Scandia sorriu docemente.
“Quem sabe? Talvez a Jovem Senhora e eu tenhamos uma relação próxima como o ex-imperador e o duque anterior!”
Leonia soltou uma risada seca.
“Isso seria terrível...”
Parece que Chrisetos não fazia ideia do que seu avô tinha feito. Leonia ficou aliviada por isso.
‘As intenções dele são tão óbvias.’
Quanto ao Imperador Subiteo—
‘Ele quer tudo para si mesmo.’
Que bastardo ganancioso.
Para Leonia, o Imperador Subiteo era como uma criança mimada, imatura e imbecil.
Claro, ele era velho demais e repulsivo para ser chamado de criança.
Mas aos olhos de Leonia, ele não passava de uma criança patética.
No entanto, o ex-imperador tinha confiado o império ao Subiteo.
“Mas, Jovem Senhora,”
Scandia olhou curiosa para a aparência arrumada de Leonia.
“Você vai sair assim?”
“Vou sair com meus pais.”
Leonia colocou as mãos na cintura com orgulho. Era exatamente a menina de doze anos.
“Que ótimo.”
Scandia sorriu gentilmente.
“Nossa, que rapaz bonito.”
Leonia a estudou fascinado.
“Esse cavaleiro poderia ficar aqui mais um pouco. Tenho esperança grande no futuro dele.”
Chrisetos fez cara feia e murmurou amargurado:
“Você não tem curiosidade por mim?”
“Como já disse, eu odeio tudo que envolve a família imperial.”
“Tenho que admitir, ele é bem bonito também.”
Infelizmente, ele parecia exatamente com o imperador.
Enquanto se gabava, Chrisetos suspirou tristemente.
“...Sei lá.”
Leonia, sentindo uma rara pontada de compaixão, ofereceu algum consolo.
“Se você ficar mais musculoso, eu talvez considere ser boazinha com você.”
“Engrossar?”
“Gosto de músculos. Veja meu pai. Não é incrível?”
Leonia juntou as mãos e elogiou o poder dos músculos.
“Músculos são o auge do afeto humano! Nunca traem você. Eles crescem grande e bonito conforme seu esforço. Especialmente o suor que escorre pelas vales entre eles...!”
Haha!
Leonia levantou o polegar e gritou: “Joia!”
“‘Joia’?”
Chrisetos virou a cabeça, confuso.
“Parece uma palavra do Norte, de origem local.”
A princesa Scandia ofereceu com cautela.
“Ah, provavelmente um dialeto.”
“Dada a postura guerreira da região, deve ser algo forte.”
“Parece mesmo...”
O príncipe concordou.
Toda vez que Leonia gritava “Joia,” parecia que o mundo tremia.
Depois de experimentar uma verdadeira fã de músculos, os irmãos a encararam com admiração.
“Especialmente quando você torce a cintura!”
Leonia torceu a cintura e apontou para o lado.
“Do jeito que os músculos oblíquos externos saltam perto do quadril—é o que há de mais lindo na jointura de um anjo celestial, abençoado lá de cima...!”
“Irmã.”
Chrisetos falou bem baixinho, quase sussurrando.
“Eu entendi o que você está dizendo.”
Ela não é uma pervertida comum.
“Te disse.”
Scandia assentiu, de forma complacente.
Os dois irmãos pareceram realmente assustados enquanto Leonia gritava sobre músculos, com olhos inflamados de paixão.
Quando ela começou a moldar o ar com as mãos, eles até recuaram com um encolher de ombros.
“Skan, cuida-se.”
Chrisetos falou preocupado.
Scandia já tinha músculos bem desenvolvidos.
Até Chrisetos via que ela ia crescer e se transformar num corpo grande e bonito no futuro.
“Músculos são o melhor!”
Muahaha!
Leonia gargalhou com um sorriso malvado e sombrio.
“Ela é pior que um demônio.”
Que desastre de mundo.
O príncipe rangeu os dentes, olhos cheios de medo.
Finalmente entendeu por que a família imperial nunca conseguiu conquistar o Norte.
***
“Que-que é isso...?!”
BANG!
“O que de fato está acontecendo?!”
O Imperador Subiteo bateu com força na mesa.
As xícaras tremeram e espalharam o chá. Algumas gotas até respingaram nele.
Mas ninguém teve tempo de se importar com isso.
“Por que isso tinha que acontecer agora?!”
Cheio de raiva, o Imperador jogou o jornal na mão.
Rouco, seu rosto ficou vermelho de fúria.
Como uma folha de outono caída no jardim imperial.
O papel, molhado pelo chá derramado, começou a escurecer e a enrugar.
Na primeira página, uma manchete deixou o imperador em frenesi.
‘Artistas emergentes famosos presos por fabricação de drogas’
Relatava que jovens artistas apoiados por uma fundação patrocinada por nobres—uma dirigida por nobres imperialistas—haviam sido flagrados fabricando drogas.
E isso não era nem o pior.
Os crimes desses artistas recém-populares arrastaram sua apoiadora para os holofotes.
Os nobres ligados ao grupo, as somas altíssimas que doavam...
Sinais de evasão fiscal. Criação de fundos de cofres secretos.
Era como se o repórter soubesse de tudo.
Inclusive, focaram bastante nas Casas Olor e Erbanu.
Não só eram os maiores doadores da fundação, como também figuras-chave entre a facção leal ao Imperador.
E, ao final, foi revelado que apoiavam o Primeiro Príncipe—filho da Consorte Usia.
“Majestade, por favor, acalme-se...”
Um dos funcionários que trouxe o jornal falou com a voz trêmula.
“Você parece calmo pra valer?”
O imperador explodiu.
“Ainda não pegaram o palerma que escreveu isso?!”
“Me desculpe...”
O funcionário recuou, como se a culpa fosse dele.
“Já enviamos pessoas para rastreá-lo.”
“Que diabos estão fazendo?!”
O jornalista tinha desaparecido sem deixar rastro.
Até a própria redação alegou que não fazia ideia de onde ele tinha ido, e que o artigo nem mesmo estava previsto para abrir a primeira página hoje.
Ou seja, o jornalista planejou isso desde o começo.
E isso ainda não era tudo...