Me tornei a filha adotiva do protagonista masculino.

Capítulo 194

Me tornei a filha adotiva do protagonista masculino.


— Você se parecen comigo, então não deve ter problemas na região inferior do corpo...»


Visconde Olor conhecia bem o quão vigoroso era seu filho.


— Você até pode ter filhos fora do casamento, então realmente não há com o que se preocupar.


— Lota vai ficar magoada.


Remus falou com preocupação.


— Ela é responsável por não se cuidar como deveria.


Visconde Olor respondeu com frieza.


— Mesmo assim, controle-se um pouco por enquanto.


Depois, deu um alerta.


— Vá com moderação na diversão ao ar livre também.


— Eu vou tomar cuidado.


— Entre todas as pessoas, a filha mais velha daquela família teve que se casar com Voreoti...*


Um forte estalo de língua foi ouvido.


De qualquer maneira, a família Erbanu tinha se ligado à maior linhagem do Império.


Era improvável que Voreoti se preocupasse ou ajudasse Erbanu de propósito.


Porém, era bem sabido que o duque tinha um amor profundo pela filha mais velha daquela família.


Por isso, ainda era cedo demais para desistir de Erbanu. Num instante, as coisas poderiam mudar na vida.


— Agora que penso nisso...


Visconde Olor lembrou-se de alguém.


— Você tinha alguém, não tinha?


— Se estiver falando de alguém...


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— Daquela assassina que se apaixonou por você.


— Ah, você quer dizer a Saura.


Remus concordou, como se tivesse acabado de lembrar.


Então falou num tom de arrependimento.


— Já faz alguns anos que perdi contato com ela.


— Como foi isso?


— Provavelmente, a identidade dela foi descoberta.


— ...Foi isso mesmo?


Tráfico ilegal de monstros?


Ao questionar, Remus assente silenciosamente.


— Coincidiu com o momento em que ela deixou de enviar relatórios. O senhor do lugar onde ela estava também perdeu o título.


O rosto do Visconde Olor se contorceu de repente.


— Alguma pista da Saura?


— Eu queimei tudo.


Ao ouvir essas palavras, o Visconde Olor soltou um suspiro de alívio e sorriu.


— Você realmente se parece comigo.


Ele se sentia orgulho de seu filho mais velho, tão meticuloso e decisivo quanto ele próprio.


***


— ......


O príncipe Alis observava a carruagem lentamente se afastar.


Logo, alguém apareceu atrás dele.


Era o cavaleiro de escolta do príncipe, que tinha seguido a carruagem em silêncio anteriormente.


— Jovem senhor.


Entretanto, o cavaleiro usou um termo desrespeitoso, chamando Alis não de “Vossa Alteza”, mas simplesmente de “jovem senhor”.


— Sim.


Contudo, o príncipe Alis nem demonstrou uma leve irritação.


Ao contrário, parecia totalmente calmo. Um contraste agudo com a figura irritadiça e sensível que tinha dentro da carruagem.


— A jovem está esperando.


— Certo, estamos um pouco atrasados.


Ele falou que tinham sido retardados por uma perturbação inesperada e acelerou o passo.


— O que faremos com o restante da programação do dia?


— Vou agir como os rumores indicam.


Enviar o caos, agir com violência.


Exatamente como diziam os rumores de que ele era um tirano à imagem do imperador — assim, o príncipe Alis falou com um sorriso vazio.


O cavaleiro assenti silenciosamente.


Pouco depois, os dois alugaram uma carruagem.


Ela era mais antiga e menos confortável do que a que o Visconde Olor tinha se gabado, e chegaram a um penhasco à beira-mar.


No seu topo, erguia-se um farol envelhecido.

— Segure-se bem, qualquer que seja seu motivo, tem que tomar cuidado.


O cocheiro, que acabara de receber um pagamento generoso, deu um conselho não solicitado.


— Tem história recente de fantasmas do guarda do farol por aqui.


— É mesmo?


O cavaleiro respondeu no lugar dele.


— Recentemente, enviaram alguém ao palácio imperial, mas ele supostamente caiu no mar após ser possuído pelo fantasma.


O cocheiro olhou ao redor de modo cauteloso enquanto falava.


— Dizem que o espírito do guardião do farol, que protegia as pessoas, ficou furioso.


— Que espírito bom esse, hein?


Alis sorriu levemente.


E assim, o cocheiro finalizou sua ladainha indo embora apressadamente.


— Um espírito de guarda do farol que faz mal às pessoas...


— Jovem senhor.


— Essa é a história mais gentil que escuto há tempos.


Que mais faça mal a muita gente, melhor.


Com um murmúrio, o príncipe olhou para o farol intitulado #No Velho Luz#.


— Ali!


De repente, uma voz familiar chamou do alto. Uma pessoa de cabelo azul aquamarina, solto ao vento, acenava com as mãos exageradamente.


— Espere aí! Eu vou descer!


— Vá devagar.

Ele ia dizer “você vai se machucar se correr”, mas alguém abriu a porta do farol e apareceu.


Depois, ela correu direto nos braços do príncipe Alis.


— Ali!


— Lus.


O príncipe Alis abraçou a garota que tinha se jogado nele.


— Haah.


Foi só então que um suspiro de alívio escapou dos lábios do príncipe.


Os dois se olharam, se cumprimentaram e trocaram palavras.

— Ali, você está bem? Deve estar difícil aí, né?


— E você?


— Estou bem, com a vovó.


— Desde que você esteja bem, já está ótimo.


— Ah, você também devia estar bem!


A garota repreendeu, sacudindo a cabeça de cabelo aquamarina.


— Ainda assim, que bom te ver assim!


Um sorriso fresco surgiu nos lábios dela.


O encontro dela com uma risada vibrante era como folhagem bem viçosa — intensa e luxuriante.


***


Ferio chamou os dois convidados na tarde passada.


— Qual é realmente o motivo de virem ao Norte?


O copo de uísque na mão dele traçava uma curva suave.


A líquido âmbar sob o gelo grande girava suavemente.


— Nosso duque até bebe com estilo.


Príncipe Crisetos sorriu suavemente.


— Mas antes de tudo...


O príncipe trouxe à tona sua própria curiosidade primeiro.


— Por que vocês perguntaram sobre a Imperatriz Consorte?


Ele tinha ficado incomodado desde que Leonia fez essa pergunta.


— Leonia disse que você parecia não saber de nada?


Ferio não tinha obtido respostas concretas, então sua reação foi bastante morna.


— Isso mesmo, não sabemos muito.


O príncipe virou-se para a princesa ao lado dele para confirmar. A princesa Scandia assentiu com concordância.


— O que é essa história toda de Usia?


— Ela é só uma pessoa que não tem um pingo de inteligência.


Os dois irmãos não conseguiam compreender bem as suspeitas de Ferio.


Para eles, que tinham tido contato com ela no palácio, a consorte Usia era como uma criança.


De bom na maneira, ela era inocente. De ruim, era totalmente ingênua. Não conseguia entender as situações e agia como criança sempre que queria algo.


Mesmo assim, o imperador a adorava e protegida.

— Na verdade, o que pesa mais é que o Visconde Olor é quem tem mais motivos para ser suspeito.


A consorte Usia fora oferecida ao imperador quase como uma tributo pelo Visconde Olor, que chamou a atenção de Subiteo, subindo à sua posição atual.


— Não há rumores ou algo assim?


— Nada além do que o duque já saberia.


Ferio comentou enquanto passava a mão no queixo.

— Saber que ela é filha ilegítima do Visconde Olor já é de conhecimento comum. Que ela viveu sozinha no Sul por um bom tempo, seduzindo muitos homens e levando uma vida promícua...


Os rumores sobre a consorte Usia eram obscenos e desagradáveis.


Em grande parte, por ela ter sido concubina do imperador desde os tempos em que era príncipe herdeiro.

‘Filha ilegítima...’


Ferio segurou essa palavra chocante.


— Então, a Consorte também é um bastardo.


— Bem, Olor é bem...',


O príncipe fez um gesto para baixo com os dedos.

— Letárgico, travesso, pode-se dizer.


— Tem bastante gente no Sul que diz ser filho de Olor.


A princesa Scandia acrescentou.

— E, por isso, quase não há escândalos.


Ferio achou aquilo estranho.

— Não há provas.


— Ele apenas espalha sua descendência e não assume a responsabilidade.


O príncipe Crisetos cruzou os braços e imitou um pássaro com os polegares.

— Então, as mulheres abandonadas têm que criar os filhos sozinhas.


— Além disso, cabelo ruivo é bem comum.


A princesa brincou com os fios de cabelo dela mesma.

— Linhagens com cores distintas como Voreoti são extremamente raras.


— Mesmo nós, temos diferenças evidentes.

Embora tivessem pais diferentes, compartilhavam a mesma mãe. A diferença era clara.


— Então, e a Imperatriz Consorte?


Ferio perguntou.

— O cabelo da consorte Usia é verde — uma cor complementar evidente ao vermelho característico de Olor.

De jeito nenhum Olor a teria aceitado como filha tão facilmente.


— Dizem que havia algum tipo de prova...

O príncipe Crisetos compartilhou um dos rumores que ouviu.

— A família do Olor era originalmente uma casa de comerciantes, certo? Então, aparentemente, cada criança tinha um token, e a mãe biológica da Consorte Usia...


— ...Tinha esse token?


Ferio soltou uma risada seca.


O relato ficava cada vez mais interessante.


— Por acaso, esse token tinha forma de cisne?


— Eu não saberia dizer...


Porém, o príncipe concordou facilmente, como se confirmasse.


— Olor é um nobre que surgiu recentemente, então é obcecado por símbolos familiares.


Os carruagens deles, a mansão na capital — não havia lugar sem uma gravura de um cisne.


— Entendi.


Soltando um suspiro curto, Ferio se inclinou na mesa.


— ...Então, vamos passar para seu assunto.


Ferio voltou a tratar dos irmãos.

— O que os trouxe aqui?


— Viemos pedir um favor ao duque.


— Um favor?


O olhar de Ferio se fixou na princesa Scandia.


‘... Pensei nisso também alguns instantes atrás.’


Ela, que na infância parecia exatamente com a Imperatriz Tigria, agora tinha traços marcantes de Ibeck.


— Ah.


Ferio lembrou-se de algo.

— Vocês estão planejando sair do palácio.


A princesa Scandia confirmou com a cabeça.

— Quero ir para o Oeste.


— Ultimamente, o imperador tem planejado casamentos forçados com ela.

O príncipe Crisetos falou, visivelmente disgustado.

— E todas as combinações que ele pensa são absolutamente repulsivas.


— Também ouvi boatos.

Ferio começou a listar os pretendentes rumores de princesa Scandia.

— Uma terceira imperatriz de uma nação aliada, a esposa legítima de um bajulador lascivo...


Era tudo casamento político, que nenhum pai decente escolheria para sua filha.


Tudo extremamente nojento, totalmente voltado a interesses políticos.

O imperador Subiteo trata a filha como uma ferramenta.

— Bom, nem ao menos é mesmo filha dele...


Ela nem foi concebida por ele no começo.


Mesmo assim, a situação era absurda.

— Que pai faz uma coisa dessas?

Ferio soltou uma risada vazia ao próprio comentário.

— Ele realmente não se importa com você, de jeito nenhum.


— Ora, não somos só nós.

O príncipe Crisetos falou com franqueza.

— O prioridade máxima do imperador é ele mesmo. Não é a esposa, não são os filhos, nem mesmo a amada consorte que ele adora.

— Para ele, somos apenas ferramentas, ligados a ele por sangue.

A princesse Scandia acrescentou.

Ferio ficou em silêncio, observando os irmãos.

— ... Dá medo.


Depois, falou seus pensamentos em voz alta.

— Um pai que abandona seu filho.

E algo ainda mais aterrorizante — Ferio percebeu há poucos instantes, nas palavras dos irmãos.

— Mas o inverso é tão assustador quanto.

As longas mãos de Ferio repousaram na borda do copo de uísque.

— Uma criança que abandona o pai.

Quando filhos dão as costas, perdendo toda esperança nos pais —

— Isso é verdadeiramente cruel.

Seus dedos lentamente contornaram a borda do copo, uma gota de licor grudando na ponta de seus dedos.

Se...

Ferio imaginou.

Se Leonia...

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