
Capítulo 188
Me tornei a filha adotiva do protagonista masculino.
‘Casamento é uma ilusão.’
Isso foi o que a condessa Bosgruni comentou durante uma aula de etiqueta.
‘Uma espécie de ostentação, na verdade.’
Na época, Leonia, de nove anos, ficava observando um desenho floral indefinido, lutando para memorizar os significados das flores.
Entre a frustração da memorização mecânica, as palavras da condessa chamaram sua atenção.
‘O casamento de um nobre revela tudo sobre a riqueza, as conexões e a situação atual da família dele.’
‘Não me importa.’
No fim das contas, nada tinha a ver com os Voreoti.
O nome Voreoti, por si só, já era prestigiado e perfeito.
‘Vou fazer o meu o mais extravagante possível.’
A pequena fera, que começara a apreciar a alegria de gastar dinheiro, imaginava vagamente seu próprio casamento.
No Império, casamentos geralmente eram realizados em jardins privados ou templos, mas Leonia uma vez brincou que faria o dela nas Montanhas do Norte, que eram infestadas de monstros.
Mas era só uma brincadeira.
Para Leonia, casar-se ainda parecia uma coisa distante e irrelevante.
‘Acho que depende da pessoa, né?’
Agora que pensava nisso, nem todos os nobres eram iguais. Por mais raros que fossem, alguns não gostavam de eventos grandiosos e ostentatórios.
E isso incluía os Voreoti.
‘... Talvez nem devêssemos fazer um casamento.’
Leonia estremeceu só de pensar nisso.
Imaginar os preparativos para a cerimônia dava até dor de cabeça.
‘Mas por que ela falou isso do nada?’
‘Hoje é meu aniversário de casamento.’
‘Ah...’
‘Além disso, é o dia em que aquele bastardo do Ardea saiu de casa.’
Naquele dia, Leonia permaneceu concentrada na sua lição, observando quietamente a condessa Bosgruni pelo resto da aula.
“......”
Hmm.
Ao relembrar essa lembrança da infância, Leonia soltou um longo suspiro.
“O que foi?”
Meleis, que pressionava firmemente suas costas, perguntou.
“Está se sentindo mal?”
“Não. Pode apertar mais.”
“Então vou aumentar a pressão.”
Meleis colocou mais força nos braços dela.
Leonia, de pernas abertas e tronco inclinado para frente, ficou ainda mais achatada sob a pressão.
Sua flexibilidade era a melhor entre toda a ordem dos cavaleiros.
Desde que voltou ao Norte, Leonia vinha treinando com afinco, fortalecendo o corpo e aprendendo esgrima.
Ela treinava todos os dias na capital também, mas sentia que era mais fácil focar e progredir melhor na região norte.
Depois de terminar seu aquecimento em tentáculos, Leonia pegou uma espada de madeira.
“Unnie Meleis, você vai se casar?”
Ela arremessou a espada com força ao fazer a pergunta.
Meleis desviou facilmente o golpe e avançou até encostar no rosto de Leonia, revidando.
“Se você estiver perguntando sobre o momento, acho que está na hora.”
Enquanto trocavam golpes com as espadas de madeira, Meleis continuou.
“Mas na verdade, não estou pensando nisso.”
“Ninguém na ordem acha que é hora?”
“Só me diga para não me casar.”
A espada de madeira de Meleis desceu com força.
Leonia conseguiu bloquear de relance e rapidamente recuou, sacudindo as mãos que estavam arder por causa do impacto.
“Aquele golpe doeu bastante.”
“Eu poderia tomar banho com esses caras, sem problema algum.”
“Rio...”
“E eles pensam o mesmo de mim.”
Para ela, os cavaleiros eram camaradas que tinham visto e suportado tudo junto.
Meleis não queria estragar o vínculo com eles e, na verdade, nunca sentiu nenhum risco de romance entre ela e os companheiros.
“Ainda assim, Paavo era bem popular.”
Ela apontou para Paavo, que estava lutando com outro cavaleiro.
“Ele parece um pervertido de primeira.”
“Bem, na verdade, ele sabe de seus limites, surpreendentemente.”
Apesar da aparência, Meleis riu.
Elas continuaram treinando até a hora da pausa.
“Então por que perguntou?”
“Porque meus pais disseram que não vão fazer casamento.”
Leonia enxugou o suor do rosto com uma toalha. Sua respiração, antes ofegante, começava a se acalmar.
“Não vão?”
Meleis perguntou, visivelmente chocada.
“Mas é o Voreoti.”
Isso não fazia sentido.
O Norte tem medo dos Voreoti, mas também os respeita profundamente.
As notícias sobre Varia já se espalharam pela região. As pessoas estavam curiosas para conhecer a mulher destinada a se tornar a próxima duquesa.
O que tornava a cerimônia de casamento altamente aguardada.
Um casamento feito por alguém como a Voreoti não era só um espetáculo.
Era uma celebração regional—quase um feriado.
“Meu irmão mais novo vai ficar muito decepcionado.”
Meleis suspirou.
“Então por que eles não fazem?”
“Disseram que é uma chatice.”
“Ah...”
Era uma razão absurda, mas Meleis compreendeu na hora.
Se fosse o Ferio, que odiava multidões e ostentação, fazia todo sentido.
“Foi a Senhora quem ficou chateada?”
“A mãe odiou a ideia ainda mais.”
“Ah...”
Dessa vez, Meleis suspirou com um outro tipo de compreensão. Que casal perfeito.
“Foi o pai quem sugeriu isso.”
Mesmo se for uma dor de cabeça, não deveria fazer sentido?
Leonia apagou o suor do queixo com o dorso da mão, ecoando as palavras de Ferio.
Mais uma vez, Meleis reconheceu o quão extraordinária essa nova integrante da Casa Voreoti realmente era.
***
Para ser honesta, até Leonia ficou surpresa ao ouvir falar de casamento.
Ferio foi mais proativo do que ela esperava, e Varia, mais relutante.
“Por que você não quer?”
No final, Leonia perguntou durante uma aula. Varia, que vinha lendo em voz alta de um livro estranho chamado “Quanto mais elegante for o discurso, mais forte as palavras”, de repente levantou o olhar.
“...O que você quer dizer?”
“Sobre o casamento.”
“Bom, estamos no meio da aula agora.”
Varia a corrigiu suavemente.
“Isso aqui não é aula, é hora de leitura.”
Leonia segurava o mesmo livro que Varia.
Elas faziam suas aulas diárias de cultura, de trinta minutos, que tinham combinado na capital.
“Mas fazemos isso todos os dias.”
Querendo dizer que, para ela, era realmente uma aula, Varia sorriu—a sorriso de quem venceu.
“Subestimei você, mamãe.”
Leonia resmungou, como quem reconhece uma derrota.
Ela achava que essa aula de cultura seria fácil.
Já tinha bastante de etiqueta e refinamento graças à condessa Bosgruni.
Mas Varia era implacável.
Talvez por ter enfrentado a morte uma vez, sua paciência e perseverança eram incomparáveis.
Ela sempre encontrava Leonia quando ela tentava pular a aula e nunca desistia, nem mesmo quando Leonia tentava convencê-la com ilustrações cada vez mais ousadas de músculos.
Mesmo na viagem da capital para o Norte, as lições continuaram.
A pequena fera se comportava, mas a mãe, como um animal grandioso, voava acima dela como se nada estivesse acontecendo.
No final, Leonia aceitou a derrota e passou a estudar diligentemente com Varia todos os dias.
“Então por que não há casamento?”
Leonia perguntou de novo.
Varia olhou para a ampulheta na escrivaninha. A areia quase havia acabado de cair.
A aula estava quase no fim.
“...Sem uma razão de verdade.”
Varia fechou o livro. A aula de hoje terminou por sua própria vontade.
Leonia também fechou o dela rapidamente.
“Queria muito te ver com um vestido bonito.”
“Já tenho muitos vestidos bonitos.”
Ferio tinha dado tantos que caberiam duas salas.
Varia, honestamente, achava que nunca iria conseguir usar todos eles na vida.
“Mas seria diferente se fosse para um casamento.”
Leonia parecia de verdade desapontada.
“Se fosse algo bem luxuoso, daria pra arrasar com o orgulho de algumas pessoas.”
“Algumas pessoas?”
“Bem...”
Leonia hesitou por um momento.
Depois lançou um olhar sutil para Varia.
“Tipo... a sua família.”
Ela se recusou a dizer ‘avô’ ou ‘tia’, mas agora que Varia era sua mãe, esses parentes eram, tecnicamente, seus familiares.
“...Eu também.”
Varia sorriu de forma amarga.
A verdade era que sua hesitação em relação ao casamento tinha tudo a ver com sua família.
Casamentos nobres eram uniões entre famílias, e seus parentes ainda estavam vivos, o que significava que precisavam ser convidados.
“São pessoas horríveis.”
Ela não odiava casamentos, mas tinha medo de que sua família trouxesse vergonha ou dano para os Voreoti.
“Hum...”
Leonia não perguntou mais, apenas ouviu.
“Na verdade, a aula foi até divertida.”
Ela expressou sua opinião sincera.
“Sério?”
Varia ficou radiante.
Aquela pequena fera tinha escolhido o momento perfeito para mudar de assunto.
“Aprendi muita coisa com você.”
“Fico feliz.”
“Estava bem limitada mesmo.”
“De jeito nenhum.”
“Sim, eu estava.”
Leonia balançou a cabeça.
“Percebi que, ao ameaçar alguém, é melhor fazer isso de forma gentil e elegante.”
Mesmo que a refinamento fosse irritante, tinha seu valor em aprender.
Ela havia, à sua maneira, tirado algo dessas aulas.
“......”
Porém, isso não era exatamente o que Varia tinha planejado.
***
Naquela noite.
Enquanto Varia tomava banho, Leonia perguntou a Ferio sobre o casamento.
Ela também contou a ele o raciocínio de Varia. Mas, na honestidade, não tinha necessidade—Ferio já tinha entendido tudo há bastante tempo.
Contudo, ouvir isso de Leonia ainda dava um certo amargor.
“Ei, pai.”
Nesse momento, Leonia fez uma sugestão.
“Que tal cortarmos as cabeças deles e colocar nos pillows?”
Assim, eles não diriam nenhuma besteira para a Varia, e todos pudessem aproveitar um casamento e lua de mel em paz.
“Uma proposta astuta.”
Ferio elogiou a filha por sua perspicácia.
Só de pensar, ele já havia desejado várias vezes cortar a cabeça dos Erbanus e Olors.
Principalmente ao lembrar das histórias da infância de Varia—quase dava vontade de abandonar tudo e agir por impulso.
Mas não fez isso.
“Varia odiaria isso.”
Ferio passou a entender o quanto Varia nutria ressentimento pela família dela.
Mas isso não significava que ela quisesse que eles morressem.
“Casamentos devem ser feitos em paz.”
Se Varia fosse se opor até o final, ele estaria pronto para cancelar a cerimônia completamente.
Ele também detestava eventos lotados.
Mesmo assim, ele queria mostrar a todos—especialmente à ingênua família Erbanus—
Que a mulher que eles subestimaram, desprezaram e zombaram era radiante, linda e profundamente amada.
Que a Casa Voreoti agora se daria por ela.
“...Uma declaração de guerra?”
Leonia, que vinha ouvindo de forma vazia, explodiu em risadas.
“A maioria dos sogros se ajoelha ao sogro e pede permissão!”
“Tenho vontade de cortar a cabeça deles e terminar o assunto.”
“Hahaha—pffft!”
Leonia não conseguiu conter a risada e se entregou às gargalhadas.
Ferio olhou para a filha, confuso. Ele realmente não entendia o que tinha de tão engraçado.
As crianças hoje em dia eram estranhas, mas nenhuma era mais esquisita que sua filha.
“Para de rir.”
Vai acabar se aguentando preciso, senão vai fazer mal à garganta.
Ferio observava sua filha com um leve cuidado enquanto sua risada ficava ofegante.
Por sorte, ela parou antes que sua barriga começasse a doer.
“...Então.”
Ainda ofegante, Leonia perguntou baixinho:
“O que você vai fazer agora?”
A menina, de doze anos, cheia de energia, tinha desaparecido. Seus olhos pretos frios olhavam além da janela escura.
Ela, apoiada profundamente no sofá, colocava suas longas pernas de forma descarada na mesa.
Ela era a alma de um animal arrogante.