
Capítulo 187
Me tornei a filha adotiva do protagonista masculino.
Varia, surpreendentemente, era tímida e conservadora quando o assunto era romance. Se fosse provocada, provavelmente ficaria vermelha e se tornaria toda meiga de novo.
‘...Hmm.’
Foi o que Leonia pensou — até que de repente ela parou.
‘Talvez não seja tão conservadora assim.’
Ela se corrigiu.
Nenhuma mulher conservadora faria exercícios na cama por cinco dias seguidos.
“Tudo culpa do papai.”
No final, a pequena fera apontou o alvo mais fácil — o pai dela.
“Desconfiada, depois de tudo que fiz para criá-la.”
Ferio mais uma vez percebeu que crianças não eram absolutamente nenhuma ajuda neste mundo.
***
Depois de terminar seu relatório, Les voltou para a estalagem.
“Varia, estou realmente feliz por termos nos tornado amigas!”
Até o momento em que saiu, Les segurou a mão de Varia e falou incessantemente.
“Quer dizer, você vai ser a Duquesa de Voreoti! Com certeza, apostei na escolha certa!”
“Se continuar segurando esse cavalo, o papai pode até cortar sua mão, sabia?”
Leonia avisou de antemão.
“......”
Exatamente como ela disse, Ferio encarava fixamente Les, que ainda segurava a mão de Varia.
“Vou te escrever uma carta!”
Les soltou rapidamente e saiu correndo da mansão.
“Papai fica assustador quando fica com ciúmes!”
Leonia provocou com alegria.
Ferio, sem palavras para negar, puxou um fio de cabelo dela em retaliação.
Depois disso, a mansão ficou tranquila.
Bem, na verdade, não exatamente — estava bem animada.
Aqueles cinco dias ⊛ Noite de Romance ⊛ (Leia a história completa) de “compartilhamento de quartos” trouxeram mudanças profundas.
A partir daquele dia, a equipe de empregados passou a tratar Varia como "Senhora." Todos estavam convencidos de que ela se tornaria a próxima duquesa.
Kara até explicou a história da Casa Voreoti para Varia, incluindo como as duquesas anteriores viviam e administravam os assuntos dentro da mansão.
“Mas, Senhora,”
VariaMapé, enquanto ouvia atentamente, piscou surpresa.
“Sim?”
“Primeiro, você não deveria usar honoríficos ao falar comigo.”
“Ah... понимаю...”
Varia percebeu seu erro.
Até recentemente, ela ainda se considerava uma convidada e não ousava falar de forma informal.
Mas agora, Varia aceitava que fazia parte de Voreoti.
“Eu- Eu vou tomar cuidado.”
Kara sorriu suavemente ao ver seu esforço.
Para a dona de Voreoti usar honoríficos com uma serva — isso era inaceitável.
“Mas a jovem senhora ainda usa com você.”
“Nossa jovem senhora sempre é a exceção.”
Kara respondeu calmamente.
Leonia nunca tratou Kara como uma empregada.
Para ela, Kara era mais como uma avó. Ela foi babá de Ferio uma vez, e Ferio mesmo a respeitava profundamente.
Leonia, rápida a observar mesmo na criança, sempre foi cortês apenas com Kara entre os empregados.
“Além disso, ela não é mais a jovem senhora — ela é sua filha.”
Kara educadamente apontou que era estranho uma mãe falar formalmente assim com sua filha.
“Então... posso chamá-la de Leo?”
“Ela vai ficar exatamente radiante.”
Kara virou para olhar Leonia, que fingia ler um livro no sofá.
“......”
Mesmo claramente ouvindo, Leonia virou discretamente as costas, fingindo não ouvir.
Porém, seus olhos ficavam continuamente direcionados para Varia, e suas orelhas redondas reviravam levemente.
Ela claramente estava esperando.
“Le, Leonia...”
A voz de Varia, embora tivesse começado firme, logo diminuiu.
Últila sílaba praticamente evaporou no ar — abafada.
Leonia, que aguardava ansiosamente, ficou visivelmente desapontada.
“Papai também me chama de ‘senhorita’...”
A supostamente absorvida criança murmurou por trás do livro.
“Então você planeja me abandonar, junto com o papai, hein?”
Esses dias, os jovens...
Ela ficou um tempo resmungando sobre como era por isso que tinha que ter cuidado com casamentos por interesse.
“...Isso é verdade?”
Kara olhou de forma desconfiada para Varia.
“N- não, de jeito nenhum!”
Varia respondeu, nervosa.
“Só que chamei ele de ‘Duque’ e ela de ‘senhorita’ por mais tempo, foi só isso.”
“Como se fosse mil anos ou algo assim.”
Leonia bufou, mantendo os olhos fixos no livro.
Era o volume três da série favorita dela, Vida é Só Uma Grande Piada, publicado após cinco anos pelo autor de Vida é Tudo Inútil.
“Ai, vida é assim mesmo...”
Leonia fechou o livro e se levantou.
“Eu te chamo de Mamãe, mas você me trata como estranha...”
Ela fez biquinho, como um bico de pato, e encarou o chão com um olhar torto.
“Você não me ama.”
“N- não! Não é isso!”
“E ainda fala formal.”
“Não vou mais!”
Varia rapidamente mudou seu tom.
Foi só então que o bico de Leonia desapareceu.
Porém, seus olhos ainda tinham uma centelha de rebeldia.
“E meu nome?”
“Leonia.”
“......”
“L-Leo...?”
Finalmente, Varia conseguiu dizer o apelido de Leonia.
Foi hesitante e desajeitado, mas suficiente para fazer Leonia sorrir amplamente, com uma expressão boba.
“Mamãe!”
Ela se jogou diretamente nos braços de Varia.
Os olhos de Varia se encheram de calor.
Tudo que ela fez foi chamá-la por um apelido, e Leonia ficou tão feliz.
Isso a deixou envergonhada por sua própria hesitação.
‘Vou falar mais vezes a partir de agora.’
Se fosse algo estranho, ela apenas diria até ficar familiar.
“Léo, Léo.”
Varia repetiu o nome várias vezes, cheia de alegria.
Leonia, envolta por trás dela, apertou ainda mais o abraço.
Varia sentiu como se o coração fosse derreter com o calor daquele pequeno corpo.
Naquele momento —
“...O que vocês duas estão fazendo?”
Ferio olhou curioso para a mãe e a filha.
“Um abraço com mamãe!”
Leonia acenou para ele com uma mão.
“Adivinha só? Mamãe me chamou pelo nome!”
“Isso já faz tempo.”
Ferio se gabou.
“Bobagem, papai.”
Leonia bufou, bufando com graça.
“Ela usou meu apelido.”
Um apelido carregado de afeto era algo diferente de um nome comum.
Ferio entendia essa diferença melhor que ninguém.
Ele sempre chamava Leonia pelo apelido — só usava o nome completo na hora de repreendê-la.
“É só um nome.”
Leonia zombou de modo travesso.
“......”
Ferio lançou um olhar irritado para a filha.
“Eu sempre uso afeto ao me dirigir a vocês dois.”
Varia tentou intervir, mas essa era uma guerra contínua entre pai e filha.
“Papai nem tem um apelido.”
“Eu tenho.”
“Qual é? Qual é?”
“Quando você chama ‘Papai’.”
“Você perdeu a cabeça.”
Leonia olhou para ele com um olhar sério. Ferio, como se percebesse o quão absurdo era, coçou o queixo e fingiu não entender.
“Isso é só um título...”
Achava que chamá-lo de “Papai” contava como apelido?
Leonia prestes a retrucar novamente — mas parou.
De repente, sentiu pena de Ferio.
Pensando bem, sua vida sempre fora seca e solitária. Como líder do Norte, fazia o melhor por dever.
Mas ninguém jamais lhe dera afeto sem limites ou o abraçara sem condição.
Então apareceu Leonia.
E agora, Varia também.
“Hmm...”
Leonia parou de provocá-lo, cruzou os braços e ficou pensativa.
“Que tal ‘Rio’?”
Ela decidiu dar um apelido ao pai.
“Sou Leonia, e o papai pode ser o Rio.”
“Rio, hein? Que fofo. Gostei.”
Varia sorriu com aprovação.
Por outro lado, Ferio achava muito estranho ser chamado pelo apelido.
Fazia com que se sentisse um criança boba, e ouvir a mãe e a filha falando assim deixava seu peito coçando de constrangimento.
“Soa infantil.”
“Era pra ser assim mesmo, os apelidos.”
Leonia sorriu de orelha a orelha.
“Verdade, vovó Kara?”
“Na face do amor, todos somos crianças.”
Kara assentiu solenemente, e Leonia se encheu de orgulho.
“Você também tinha um apelido, mamãe?”
Leonia perguntou para Varia, mesmo sem esperar muito. Ela conhecia o passado de Varia melhor que ninguém.
Mas Varia assentiu.
“Minha avó falecida sempre me chamou assim.”
Sua expressão suavizou com a saudade ao relembrar a memória rara e preciosa.
‘Disse que ia parar de usar linguagem formal...’
Leonia a observou de relance, embora não se sentisse muito irritada.
Isso também viria com o tempo.
“Riri, Ria. Era frequente, mas adorei como ela dizia.”
“Então somos todas iguais!”
Leo, Rio, Ria.
A pequena fera sentiu-se extremamente feliz.
“Fomos feitos para ser uma família!”
Ela agarrou as mãos dos dois pais e as levantou triunfante.
Impreparados, as mãos de Ferio e Varia se ergueram, e ambos caíram na risada.
“......”
Kara, observando silenciosamente de trás, tirou os óculos. A ponta do lenço em sua mão estava encharcada de lágrimas.
“Então, quando vocês vão se casar?”
Leonia balançou as mãos deles para frente e para trás, perguntando ansiosa.
“Quero ser a dama de honra!”
Ela já se imaginava com um vestido bonito, espalhando pétalas pelo corredor.
“Ah...”
Ferio soltou um som bobo, incomum.
Aquele tom sinistro fez Leonia e Kara olharem rapidamente para ele.
Não, com certeza não, com certeza não...
Sob seus olhares penetrantes, Ferio se virou rapidamente para Varia.
“Seria... possível adiar um pouco mais a cerimônia?”
“De jeito nenhum!”
“O que é que vocês estão dizendo?!”
Leonia e Kara gritaram juntas.
Diante de sua ira, Ferio fez careta e se escondeu atrás de Varia, abraçando-a com força na cintura.
“Varia.”
Ele babou no topo da cabeça dela, com a boca trêmula.
“Ela me provoca.”
A boca de Leonia se abriu de surpresa.
A doçura do pai era assustadora.
Mas funcionou maravilhas com a mãe.
“N- Você não deveria provocá-lo!”
Varia repreendeu Leonia, com a face toda corada.
“Olha só, ele está triste.”
“Estou muito triste mesmo.”
“Não fique triste... já avisei ela...”
A mamãe fera era impotente diante do pai fera que se grudava nela como uma criança, reclamando de seu irmão mais novo.
“...Ugh.”
Leonia pigarreou, enojada.
E daí se eles eram os protagonistas de um romance? Que se eram amantes lindos e maravilhosos?
Para uma criança, demonstrações públicas de afeto dos pais eram veneno puro.