
Capítulo 189
Me tornei a filha adotiva do protagonista masculino.
Ferio não era diferente.
“Precisamos nos mover.”
Ele não ficou surpreso com a transformação da filha. Pelo contrário, sentia orgulho e admiração.
Seu filho estava gradualmente ficando cada vez mais parecido com ele — uma fera totalmente crescida. Como não poderia ficar encantado?
Uma mão grande passou suavemente pela cabeça da criança.
A expressão de Leonia suavizou-se notavelmente.
“Todo mundo já chegou.”
Os olhos negros de Ferio estreitaram-se, brilhando de maneira fria e azulina.
Era uma caçada que vinha sendo planejada há cinco anos.
Ferio tinha fingido ignorância, agindo como um tolo para manter a caça.
Enquanto isso, a presa tinha ficado rebelde, achando que podia fazer o que bem entendesse. Tolos, eles estavam apenas cavando a própria sepultura.
A Fera Negra começou a se mover.
Pouco a pouco.
O Norte, conhecido por seu terreno acidentado, era sempre coberto de neve. A Fera Negra avançava sem deixar rastro, esperando até que a neve estivesse acumulada suficiente para escondê-la completamente.
O tempo de espera tinha sido cansativo.
Mas agora, finalmente, era hora de acabar.
“Leo.”
Ferio falou.
“Vou te fazer uma última pergunta.”
Você realmente aceita isso?
O olhar dele para a criança tinha mudado novamente. Agora, era gentil e cálido.
Muito diferente do sentimento escuro e fervoroso que ele demonstrava para Varia.
“Pai, estou um pouco decepcionada.”
Leonia torceu o canto da boca.
“Sou uma Voreoti.”
A cria do monstro mostrou uma confiança firme.
“Nunca retiro minhas palavras.”
“Você deveria reconsiderar suas provocações sexuais, no entanto.”
“...Eu tava só criando clima!”
Por que você teve que estragar tudo?
Leonia deu um leve soco em Ferio, que mais uma vez procurava briga sem motivo.
“Ugh, ficamos tão incríveis agora há pouco!”
Mesmo ela tinha que admitir que pareciam incrivelmente impressionantes. Ela fez bico, cada vez mais indignada ao pensar nisso.
Ferio deu uma risadinha.
“Nossa família é sempre incrível.”
“Obviamente!”
Voreoti era a mais forte do mundo.
Leonia tinha gravado essa ideia em seu coração com força.
“Por isso, fiquei impressionada com você, e por isso estou fazendo mais uma pergunta.”
Ferio ainda ponderava sobre a “tática de caça” que Leonia tinha sugerido.
Claro, ele concordava que a estratégia daria um golpe forte nos Cisnes Vermelhos e na Família Imperial.
Por isso, tinha dado o doce do Marquês Ortio, ⊛ Nоvеlιght ⊛ (Leia a história completa).
Mesmo assim, Ferio não conseguia tirar de sua cabeça o desconforto com o plano.
Parecia que ele estaria vendendo a própria filha.
“Pai, meu pai.”
Leonia tocou o nariz de Ferio com o dedo. Era um gesto de carinho que ele costumava fazer com ela.
“Sabe por que criei esse método?”
“Não faço ideia.”
“Porque ele não me machuca nem um pouquinho.”
Os olhos de Ferio se arregalaram.
“Sou filha de Ferio Voreoti.”
Aquela simples verdade era a pedra angular que fazia de Leonia quem ela era hoje.
“Claro que agora também sou filha de Varia Voreoti.”
Ela não deixou de mencionar sua mãe.
“E também sou filha da Regina.”
“......”
“Não esqueci minha mãe biológica.”
Mesmo sem sentimentos, mesmo sem se lembrar bem dela.
Leonia claramente se lembrava da graça de Regina, que havia dado à luz a esse “corpo”.
Por causa disso, ela às vezes reservava um tempo para visitar o túmulo da mãe com o Conde Urmariti.
“Essa é minha forma de ser filial.”
“Filial...?”
Ferio repetiu a palavra de cabeça baixa. Curiosamente, o termo não parecia caber em Leonia.
Mas ele poderia entender bem o que ela queria dizer com isso.
“Então, não há ‘sim’ ou ‘não’ nesta questão.”
“......”
“Tenho a melhor arma em mãos agora, e você está dizendo que não devo usá-la?”
Leonia não tinha intenção de fazer algo tão louco.
“Minha filha inteligente.”
Um sorriso claro se espalhou pelos lábios de Ferio.
“Honestamente, não sei de quem você herdou tanta grandiosidade.”
Ao ouvir isso, Leonia sorriu também.
“Obviamente, é você!”
Era uma verdade eterna e imutável.
***
O Barão Onokenta veio ao Norte com uma determinação inabalável.
Estava certo de que, se conseguisse essa missão, chamaria a atenção do imperador e ascenderia ao topo, assim como os Olors.
Ele até tinha confiança. A tarefa parecia simples: atravessar as Montanhas do Norte e descobrir o que havia lá.
O barão comemorou por finalmente ter sua própria oportunidade.
Porém, no final, não conseguiu nada.
Antes de aprender algo significativo, foi surpreendido pelo rugido de um monstro e rolou ladeira abaixo. A queda quebrou seus membros, deixando-o de cama pelo resto da viagem.
Seus nervos ficaram à flor da pele. Sua relação com a amante adúltera, a administradora, tornou-se constrangedora.
“Droga!”
O Barão Onokenta apertou a mão intacta com tanta força que fez barulho.
Uma oportunidade vinda do céu tinha escapado tão pateticamente.
Ele queria bater no chão e gritar. Mas o rugido do monstro ainda ecoava em seus ouvidos.
Até o menor pensamento malicioso fazia o monstro rosnar para ele.
“Acabou...”
Ele nem tinha cumprido corretamente a ordem secreta do imperador, e agora o Norte exigia uma compensação do Tribunal Imperial.
A acusação? Que o barão enganou seu cavaleiro de escolta, entrou sorrateiramente nas montanhas, ignorou avisos de descida e provocou uma revolta de um monstro.
O barão Onokenta estava à beira de um ataque de nervos.
Nem tinha certeza se o Tribunal Imperial o protegeria por causa de uma cagada dessas.
Sempre quis o poder que a Família Imperial detinha.
Mas nunca confiou de verdade neles.
Sua suposta lealdade, mascarada por elogios constantes ao imperador, sempre foi vazia.
E, surpreendentemente—
O Tribunal Imperial não o abandonou.
No último dia da expedição, o tribunal enviou uma carruagem para buscar os três oficiais enviados.
“Estava bem fresquinho aqui em cima.”
“Na capital, vai estar um calor de matar, né?”
“Com certeza.”
Enquanto Onokenta ficava deitado imóvel, Les e o outro administrador que explorou a região se aproximaram mais.
Passaram toda a viagem de volta juntos, dando costas, trocando piadas em sussurros.
O barão amaldiçoou-os internamente.
“...Tsc. De que adianta.”
Ele já não se importava mais com aquela mulher.
O importante era que o Tribunal Imperial tinha protegido-o, o que significava que ainda tinha uma chance.
O barão Onokenta reacendeu suas esperanças.
Até que, de repente, tudo virou cinzas.
“......”
Depois de uma viagem longa, foi imediatamente convocado ao Palácio Imperial.
Assim que viu o rosto do assistente enviado para chamá-lo, o coração do barão afundou.
Como esperado—
O humor do imperador parecia pior do que nunca.
“Nada sai certo.`
O rosto bonito estava distorcido de descontentamento. O imperador, que parecia mais jovem do que sua idade, de repente, parecia muito mais velho.
“Vossa Majestade, está muito aborrecido?”
Ao lado dele estava a Concubina Usia.
“Por que tanta preocupação?”
Ela olhava para ele com preocupação.
“Deveria pelo menos ter alguma coisa para mostrar.”
Então, o jovem herdeiro do Marquês Pardus, que estava ao lado do imperador como um secretário, sussurrou em voz baixa, só para o barão ouvir.
O barão olhou para ele, atônito.
“Os oficiais enviados para cada região estão todos mexendo o coração de Sua Majestade de forma desagradável.”
Os olhos do barão se arregalaram, chocados.
Notícias ruins vinham de todas as regiões.
Os administradores enviados ao Oeste tinham sido atacados por bandidos e sofrido perdas graves.
Se os Cavaleiros Revoo não tivessem chegado um pouco antes, teriam sido massacrados.
“Ao menos o Oeste foi melhor do que o Oriente.”
Ao ouvir as palavras do herdeiro, o imperador soltou um suspiro.
“Todos morreram.”
“...Desculpe?”
O barão repetiu, sozinho, de forma boba.
O herdeiro, gentilmente, explicou novamente—dessa vez com mais detalhes.
“Todos os administradores enviados ao Leste foram mortos.”
“N-Nossa...!”
O barão se levantou de repente, só paracolapsar de volta na cadeira. Seus ossos ainda não estavam completamente recuperados.
Choramingando de dor, pensou em um dos administradores do leste com quem já tinha bebido antes.
“Aquele ali morreu?”
Ele ficou chocado.
Não por tristeza, mas por um medo gelado de que uma má sorte estivesse cada vez mais se aproximando dele.
“...Será que o Marquês Ortio fez alguma coisa?”
O barão rapidamente conjecturou.
Mas o herdeiro do Pardus balançou a cabeça.
“Tem um testemunho ocular claro.”
Uma caravana de mercadores que viajava logo atrás do carro dos administradores testemunhou a queda em detalhes vívidos.
Até mesmo o sul, que achavam que ficaria silencioso, não tinha sido tranquilo.
“Dizem que o sul estava assombrado.”
Os administradores, calmamente inspecionando a área, alegaram ter visto um fantasma perto de um penhasco e saltado no mar.
Os moradores locais sussurraram que o fantasma do farol tinha ficado enfurecido.
Em vez de evitar acidentes, o fantasma tinha tentado levar as pessoas à morte, alimentando suspeitas sobre os oficiais.
Como resultado, os administradores falharam na tarefa.
E isso deixou o humor do Imperador Subiteo terrivelmente ruim.
O barão Onokenta desesperou-se.
Ele não era diferente dos outros oficiais fracassados.
“Barão, você...”
Então o Imperador Subiteo perguntou,
“Você descobriu alguma coisa?”
O barão engoliu em seco, fazendo barulho ao passar a garganta, ecoando alto na grande sala de recepção.
‘Se eu estragar aqui...’
O barão Onokenta percebeu.
Se falhasse em dar a resposta que o imperador desejava agora, toda esperança de promoção—ou até de sobreviver—seria perdida.
“I-isso... Este humilde servo...!”
Então, ele se apressou em incrementar as experiências insignificantes que tinha.
Desde a chegada ao Norte até a entrada nas montanhas, ele inventou uma história longa e exagerada.
Observando-o, o herdeiro do Pardus teve a impressão de assistir a uma tragédia clássica constrangedora.
“......”
Mas a expressão do imperador não mudou.
Subiteo percebeu que o barão Onokenta era igual aos outros. Sua longa história não continha nenhuma informação útil.
Os olhos dourados do imperador escureceram.
A fala do barão ficou mais frenética.
‘Tsc.’
O jovem herdeiro, que vinha observando com um leve sorriso de divertimento, balançou a cabeça silenciosamente.
Nesse ritmo, não seria surpresa se alguém desaparecesse naquela noite. E essa pessoa, claro, seria o próprio barão Onokenta.
‘Tanto faz pra mim.’
Mesmo assim, achando que era hora de intervir, o herdeiro abriu a boca—
“Oh, que coisa maravilhosa!”
A Concubina Usia bateu palmas, admirada.