Me tornei a filha adotiva do protagonista masculino.

Capítulo 181

Me tornei a filha adotiva do protagonista masculino.


Primeiro, aquelas duas pessoas de cabelo preto ali se grudavam tanto que Kara já as conhecia bem.


“Pai! Não tem neve no Norte!”


“Não tem no verão.”


“Mas eu tenho certeza de que tinha antes de a gente partir.”


“Talvez você tenha comido tudo, Leo.”


“Pai, você está respondendo de bobeira porque está irritado agora?”


“Você é quem faz perguntas estranhas.”


Aqueles dois, trocando piadinhas inúteis e discutindo daquele jeito, eram os mestres daquela terra do norte, retornando depois de vários meses de ausência.


“Meu Deus, isso é realmente verão?”


E aquele cabelo rosa escuro entre eles pertencia a uma desconhecida que Kara nunca tinha visto antes.


“O clima na capital e no Sul parece uma mentira.”


“Né, Unni? Tá frio? Devo te emprestar minha capa?”


“Alguém traga algo para envolvê-la.”


Quando a estranha moveu os braços, o pai e a filha, que mais pareciam bestas, fizeram um escândalo. No final, a mulher desconhecida acabou sendo embrulhada em duas mantas.


“O que está acontecendo aqui?”


Mono se aproximou de Kara, que ainda não tinha voltado ao normal.


Ele também olhava surpreso para aquela relação estranha entre aquelas três pessoas.


Na verdade, não eram apenas eles — todos os empregados que tinham vindo receber o retorno daquele casal bestial pensaram a mesma coisa.


Quem era aquela pessoa, para que os mestres estivessem tão grudados nela assim?


Quão incrível ela devia ser para ter domado aqueles dois bestas?


“Senhor Ricoss!”


“Kyah! Ele desmaiou!”


“Por favor, fiquem conosco!”


Até mesmo Lupe, ao ver a cena, murmurou “Isto é um sonho” e desmaiou no ato.


Era um choque tão grande que ninguém conseguiu falar nada.


Os dois de cabelo preto eram seres orgulhosos que ninguém conseguia controlar.


O menor era um pouco mais suave, mas o maior era perigoso o suficiente para que um simples olhar pudesse significar a morte.


No entanto, aqueles dois estavam sentados calmamente ao lado de uma estranha como cachorros domesticados, desesperados por não poder cuidar dela direito.


Todos estavam boquiabertos, sem conseguir palavras.


O desmaio de Lupe era perfeitamente compreensível.


“Capitão-chefe! Capitão-chefe!”


N nesse momento, Mia, que tinha chegado com eles, correu até lá.


“Onde fica o quarto que o mestre pediu para prepararmos?”


“......Huh? Quarto?”


Kara, que nunca cometia erros, perguntou de cabeça caída, meio atordoada.


Porém, conseguindo organizar os pensamentos, indicou a direção do quarto que tinha limpado e mobiliado há poucos dias.


Agora, sabendo onde ficava, Mia repassou a mensagem aos outros empregados.


Logo, eles carregaram as malas do carro até a mansão.


Só então Kara percebeu — o quarto que ela tinha limpado ficava bem ao lado do quarto de Ferio.


‘Não pode ser...!’


Por fim, uma forte suspeita passou pela cabeça de Kara.


“Vó Kara!”


Leonia pulou sobre a Kara congelada.


“Você está bem? Senti sua falta, vó!”


“Fico muito feliz por você ter voltado com segurança.”


Graças ao abraço cada vez mais apertado, Kara finalmente voltou a si.


Quando se recomposed, a empregada recuperou sua postura habitual. Kara saudou o retorno seguro de seus mestres.


“Mas, moça...”


“Que?”


“Com licença, mas quem é aquela......”


Finalmente, Kara perguntou sobre a estrangeira.


Leonia seguiu o olhar de Kara, depois deu um sorriso maroto, como se tivesse entendido.


“Pai! Unni!”


Logo, Ferio e Varia se aproximaram.


Leonia saiu de perto de Kara e entrelaçou os braços com Varia.

“Vó, ela é a pessoa preciosa que vai virar minha mãe.”

“Vamos corrigir essa expressão.”

Ferio, que estava do outro lado, deu uma leve mordida na língua.

“Ela vai se tornar minha esposa.”

“Traz ela pra cá, então ela já é minha mãe!”

Leonia gritou, puxando Varia para si.

“Para isso, ela precisa casar comigo.”

Ferio simplesmente colocou o braço ao redor das costas de Varia e puxou-a para o lado dele.

“Então, você pode abrir mão da guarda e a unni pode me adotar!”

“E ao mesmo tempo, você vai abrir mão da herança Voreoti...”

“......Pai.”

Leonia fez uma cara de desprezo.

“Vai continuar me ameaçando com dinheiro mesmo?”

Como se essa jogada fosse funcionar pra sempre — ela virou a cabeça bruscamente.

“Vó, ela é a pessoa preciosa que vai virar a esposa do nosso pai.”

E depois disso, ela será minha mãe.

A filha dedicada se corrigiu com fatos, sem se importar com dinheiro.

“......E a minha opinião?”

Varia, presa entre aqueles dois bestas barulhentos, comentou em voz baixa.

De tanto o vai e volta na confusão, a cara dela ficou vermelha de vergonha e quase explodindo.

“.......”

Kara olhou para Varia por um instante, depois voltou-se para Ferio.

Nos olhos do velho e experiente mordomo, ali cheio de idade e experiência, havia uma confusão clara.

“Hmm?”

Leonia inclinou a cabeça.

De algum jeito, aquela situação não lhe parecia estranha.

Logo, ela percebeu — era exatamente como há cinco anos, quando chegou pela primeira vez na propriedade Voreoti.

Naque então, Ferio também a trouxe nos braços.

E agora, ele tinha trazido Varia e de repente declarou que ela era sua pessoa preciosa.

“Hehe.”

Leonia não conseguiu evitar um sorriso.

“......Prazer em conhece-la.”


Logo, Kara cumprimentou Varia de forma cortês.

Se Ferio e Leonia disseram que era ela, não havia outro procedimento para uma empregada:

“Sou Kara, a governanta da Casa Voreoti.”

Para servir de coração àquela que será a nova senhorita da Voreoti.

“Por favor, sinta-se à vontade para me chamar de Kara.”


“Obrigada por me receberem.”


Varia respondeu timidamente.


Só então Kara realmente olhou para Varia.

Com seu cabelo rosa rosado, ela tinha uma impressão delicada e suave.

A atmosfera que transmitia era completamente diferente do olhar severo do pai e da filha Voreoti.

Talvez fosse um pensamento inadequado, mas Kara não pôde deixar de imaginar se seus mestres tinham sequestrado essa jovem inocente e tímida.

“Nossa, é realmente enorme...”

“Nossa casa parece uma cena de crime prestes a acontecer, né?”

“Verdade? Se tiver uma masmorra, aposto que uma dúzia de pessoas morreu lá dentro.”

“Tem mesmo uma masmorra.”

“Sério? Que incrível!”

Por algum motivo, as três conversando juntas pareciam perfeitamente harmoniosas, como água misturando com água.

“Unni, vou te mostrar a casa, °• N v l i g h t •°!”

“Então leva a Kara com você.”

“Eu consigo fazer sozinha!”

“A Kara conhece melhor que você.”

Ferio fez um sinal com os olhos para Kara.

Ele queria dizer: cuide bem da Varia, e se aquelas duas precisarem de alguma coisa, providencie imediatamente.

Kara deu um aceno discreto e guiou Varia até a mansão.

“Primeiro, quero te mostrar o quarto onde você vai ficar, senhorita Varia.”

“Mas acabei de chegar...?”

“Aposto que o pai já entrou em contato com eles para preparar seu quarto com antecedência.”

“A senhora está certa.”

Ferio observava calmamente as três mulheres subindo as escadas.

“M-Meu Lorde.”

Mono se aproximou dele naquele momento, visivelmente nervoso.

“O que foi?”

O olhar de Ferio finalmente se mudou, após ver Varia e Leonia desaparecerem pelo corredor.

“Posso perguntar algo diretamente?”

“Dependendo do que for, talvez não.”

“Gostaria de saber se pretende se casar com ela.”

“Isso, pode perguntar.”

Com permissão de Ferio, Mono foi direto ao ponto.

“Vai casar com essa moça?”

“Se ela aceitar.”

Todos na casa — até mesmo Mono — ficaram petrificados de choque.

Alguns até uniram as mãos e rezaram. Era um cavaleiro veterano que treinou Ferio na juventude.

“Por que você é sempre tão de repente, Meu Lorde......”

“O que é tão repentino?”

“Por que sempre faz coisas tão grandiosas do nada?”

Há cinco anos, ele trouxe Leonia e declarou que ela era sua filha. Agora, trouxe Varia e jogou uma proposta de casamento surpreendente.

“Então, você é contra?”

“Contra? Contra o quê?”

Leonia já havia sido reconhecida há muito tempo como sucessora.

Ninguém podia desafiar isso.

Porém, a ideia de uma duquesa para a Casa Voreoti era uma questão totalmente diferente.


Como Ferio tinha se concentrado tanto na paternidade e mostrado completo desinteresse por romance, a maioria — inclusive Mono — tinha concluído que não haveria uma duquesa nesta geração de Voreoti.


Então apareceu Varia.


E Ferio olhava para ela como quem não era só aficionado — mas completamente apaixonado.


Era claramente diferente do olhar caloroso de um pai ao olhar para Leonia.


“Finalmente... uma madame...”


Mono ficou emocionado.


“Parabéns, Meu Lorde.”


“Já voltou a se meter na conversa.”

Ferio sorriu para Mono, que tinha feito uma reverência sincera.

“Gente do capital vai vir.”

Porém, logo o sorriso desapareceu. Ferio sussurrou baixinho para Mono.

“O que devemos fazer?”

Mono perguntou. Mas essas palavras significavam: devemos matá-los silenciosamente e jogá-los nas montanhas do Norte?

Ferio balançou a cabeça.

“Vamos mandar um mapa do terreno do Norte ao Tribunal Imperial. O imperador enviará seus homens para verificar a precisão.”

“Então não seria melhor resolver isso com antecedência......?”

“Não pretendo sujar as mãos dos meus cavaleiros de sangue.”

Ferio continuou.

“Só escolha dois que sejam pacientes e ágeis com antecedência.”

Mesmo assim, ele estava disposto a oferecer escolta, pelo menos.

***

Varia corria pelo vasto estate do Norte como uma cachorrinha.

Ela ficava de olhos arregalados admirando as pinturas famosas penduradas pelos corredores e olhando maravilhada para as estátuas e vasos de flores bonitos colocados em cada canto.

“Unni! Você vai se machucar se correr!”

Leonia, que vinha atrás, avisou.

“Senhorita, aqui é o Norte......!”

Mas Varia não mostrava sinais de se acalmar.

Quando chegou ao mansionato antes, ela estava tão nervosa que não pôde aproveitar nada adequadamente. Mas, ao explorar a propriedade, uma sensação de realidade começou a retornar.

Ela tinha vindo para o Norte.

Para o Norte que desejava tanto.

Por causa disso, tinha dificuldades em se acalmar.

“Ugh, unni, sério mesmo.”

Leonia agarrou a mão de Varia para tentar tranquilizá-la.

Assistindo às duas, Kara lutava para segurar o riso.

Uma menina de doze anos cuidando de uma de vinte e cinco — era demais pra rir.

“É tão bonito e grandioso.”

“Verdade? Nossa casa é incrível, né?”

Agora também é sua casa, acrescentou Leonia com um sorriso radiante.


“O exterior já parecia impressionante com aquele estilo arquitetônico do Norte, mas o interior é igualmente impressionante. Aquela cobertura pontiaguda que vimos antes, e os padrões únicos nela...”

Varia elogiou a mansão, referenciando estilos arquitetônicos que ela conhecia.

Kara achava que Varia tinha bom gosto.

Ninguém que realmente entendesse do esplendor da mansão da Casa Voreoti poderia ser ignorante.

‘Uma pessoa maravilhosa chegou.’

Como alguém que será a nova senhorita de Voreoti, não havia nada de errado nela.

“Mas por que o quarto da unni fica bem ao lado do quarto do pai?”

Leonia comentou com uma expressão de reprovação zombeteira, como se o motivo fosse óbvio.

Por dentro, ela comemorava com o punho cerrado.

Finalmente, aquele pai parecia pronto para romper sua imagem parecida com uma criança pura demais e mostrar força de verdade.

“Mhm, pai, seu pervertido!”

Os lábios do bebê besta se contorceram em uma expressão travessa.

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