
Capítulo 182
Me tornei a filha adotiva do protagonista masculino.
"Um, senhorita."
Varia, que já tinha se acalmado um pouco, chamou Leonia.
"Se não for incômodo... posso lhe pedir um favor?"
"Quer trocar de quarto? Aqui perto do meu?"
"Se algo estiver te deixando desconfortável, Lady Varia, eu posso..."
Kara olhou preocupada, mas Varia rapidamente balançou a cabeça.
"É só... sua mãe biológica..."
Varia falou com cuidado.
Seu tom de voz estava mais suave e lento do que nunca, mas Leonia entendeu tudo.
Assim como Kara.
Ela conhece o segredo da jovem...!
Kara ficou realmente chocada.
A origem de Leonia era o segredo mais guardado da Casa Voreoti.
Sabendo disso, significava que o Duque e Leonia tinham contado para ela juntos.
Isso também mostrava que eles confiavam profundamente nela.
"Gostaria de conhecê-la. Só uma vez."
Varia falou.
"Por quê?"
"Se... se eu acabar ficando com Sua Graça..."
Varia parou de falar.
Ela estava tão envergonhada que não conseguia dizer palavras como "casamento" ou "esposa" em voz alta.
Ela ainda não tinha respondido à confissão de Ferio.
Mas Varia já sabia.
Essa resposta viria em breve, e ela se casaria com Ferio.
"Seria ousadia da minha parte querer ser sua mãe, afinal."
Ela queria visitar a mãe biológica de Leonia, para reafirmar sua determinação.
"...Ah, é?"
O peito de Leonia apertou com a sinceridade de Varia.
"É raro encontrar alguém tão gentil assim."
A criança estendeu a mão e acariciou delicadamente a face de Varia.
Isso significava que ela estava grata e feliz — só por aquele coração.
Perto dali, Kara fungou e retirou os óculos. O mordomo silenciosamente enxugou os olhos com um lenço.
"Vou ser uma boa filha pra você, mana."
"Não precisa..."
As duas se abraçaram calorosamente.
"...Mas você não está fazendo isso pelo Seu Grace?"
"Faço o suficiente pelo papai."
Leonia sorriu de brincadeira, dizendo que sua provocação já era uma forma de filialidade.
***
Depois de chegar ao Norte, Varia esteve cheia de alegria por um tempo.
E a Fera e sua filha ficavam ainda mais contentes.
"Você... você realmente não precisava fazer tudo isso..."
Varia murmurou, cercada por pilhas de roupas, sapatos e acessórios presentes do pai e da filha feras.
No começo, ela se sentia culpada por receber tanta coisa, mas agora só podia admirar o senso distorcido deles para dinheiro.
"Mana, você gosta de dinheiro?"
"Quer que a gente te dê dinheiro, então?"
O duo de feras voltou à sua lógica estranha de dinheiro.
"...Não, obrigada."
Varia recusou de cara.
Dinheiro parecia ainda mais pesado que as coisas. E esses dois podiam, literalmente, encher uma sala inteira de dinheiro se quisessem.
Se fizessem isso, ela provavelmente desmaiaria, soterrada sob montanhas de dinheiro.
Os presentes logo foram arrumados pelas cozinheiras — empregadas que Ferio tinha designado pessoalmente para cuidar de Varia.
"Minha senhora, posso colocar isto aqui?"
"N-nenhuma senhora ainda..."
"Então, podemos chamá-la de 'futura senhora'?"
"‘Futura senhora’ ainda é um pouco..."
As empregadas atenderam Varia com extremo cuidado.
Por outro lado, ela achou a empolgação delas um pouco demais.
"Mana, assim você vai acabar se casando antes mesmo de começar a namorar o papai."
Leonia finalmente falou.
"Se você namorar com ele, pode segurar na mão e beijar."
Ela até detalhou com as mãos, de forma vívida.
Graças a lembrar do original, Leonia sabia exatamente como os beijos de Ferio podiam ser intensos.
Faziam a perna tremer e a visão ficar turva.
"Adultos fazem tudo isso mesmo sem namorar."
Ferio interveio.
"Papai, isso é..."
Leonia ia corrigir ele por falar isso na frente de uma mulher que gostava — mas parou na hora.
"...Huh?"
Seus olhos escuros tremeram.
Ela olhou de um para o outro, entre Ferio e Varia, incredula.
Ferio olhava para Varia com orgulho. Varia tinha abaixado a cabeça novamente.
"N-não posso acreditar..."
Quem sabe ela simplesmente não conseguiu mentir — seu corpo inteiro entregava isso.
"Isso não pode estar acontecendo..."
Leonia recuou cambaleando, então saiu correndo.
"Todo mundo nesta casa!"
Ela correu pelos cantos gritando as chocantes novidades.
"Papai e mana se beijaram! E também se seguraram na mão!"
"Senhora!"
Varia, nervosa, tentou impedi-la — mas Ferio a segurou de leve.
"Deixe ela."
"M-Mas..."
"Não é errado."
Ferio falou com indiferença, porque logo isso iria se tornar público de qualquer forma.
"Papai!"
Leonia voltou correndo, com os sapatos rangendo ao parar de repente.
"Quando vocês se beijaram?!"
"Na vilinha do sul."
"Que horas?!"
"Enquanto você dormia."
"Foi só um beijo?"
"Seu pai sabe como manter a linha da «N.o.v.e.l.i.g.h.t»."
"Aww..."
Desapontada, Leonia saiu novamente, gritando para todos:
"Papai e mana se beijaram na vilinha do sul, enquanto eu tava dormindo!"
Ao ouvir essa novidade, Ferio sorriu satisfeito.
"Agora finalmente estou em paz."
"Ugh..."
"Você não gosta?"
"Sua Graça, sério...!"
Varia escondia o rosto queimando de vergonha com as mãos. Ferio a observava, como se aquilo fosse algo adorável.
Então, Leonia gritou de novo—
"Mas eles não cruzaram a linha! Será que o papai é impotente!"
Com isso, Ferio pulou de pé.
"U-uh..."
Varia olhou rapidamente entre Ferio e a porta.
Depois se conteve para não deixar os olhos escorregarem mais para baixo.
"...Você não é, né?"
Porém, ela não conseguiu evitar perguntar.
"Você vai descobrir em breve."
"Não precisa me contar!"
Varia ficou ainda mais vermelha de vergonha.
"Vai gostar quando souber."
"Talvez seja verdade, mas..."
Antes que pudesse protestar mais, Ferio já tinha se aproximado.
"Então, estamos namorando oficialmente agora?"
Varia hesitou, mas assentiu.
"Gostaria que você dissesse em voz alta."
Ferio, pela primeira vez, pressionou ela.
"Que injusto..."
Varia achou baixo essa hora de ser encurralada assim.
"Você já sabe."
Do lado de fora, Leonia cantava que os dois tinham se beijado.
Realmente cantava.
E Ferio parecia que ia devorá-la ali mesmo.
Com os braços abertos, bloqueava qualquer saída.
"Mas você ainda não respondeu à minha confissão."
"Agora entendi por que sua filha é tão descarada!"
"Bem, ela é minha filha..."
Justo quando Ferio ia se gabar, —
Smoch.
Algo macio e úmido silenciou ele.
"Agora ela também vai ser minha filha."
Não só sua, mais, Varia murmurou com o rosto tingido de vermelho.
"N-Não sou do tipo de garota que beija alguém que nem estou namorando..."
"..."
"Então, eu vou me embora agora."
Varia se curvou educadamente, depois se agachou para sair debaixo dos braços de Ferio.
"Kyah!"
Mas ela não foi longe.
Ferio a pegou como um saco e a jogou por cima do ombro.
Seus braços, embora fortes, eram cuidadosos e firmes.
De repente, levantada no alto, Varia automaticamente enlaçou os braços ao redor do pescoço dele.
"Sua Graça!"
Ela implorou para ser libertada.
O pessoal que estava por perto, distraído com seus afazeres, parou com a boca aberta.
Neste dia de verão tranquilo...
Eles ficaram surpresos ao ver seu mestre caminhando com a futura senhora jogada por cima do ombro.
Algumas das empregadas ficaram coradas, como se ela fosse Varia.
"Leo!"
Pouco antes de entrarem na sala, Ferio falou alto.
Leonia, que estava por perto, fazia uma dança estranha para seus cavaleiros acompanhantes enquanto falava sobre beijos.
"Que—que diabos!"
Seus olhos se arregalaram em choque.
Os cavaleiros atrás dela também estavam. Manus cambaleou no lugar, e Probo resmungou ao ajudá-lo a ficar de pé.
"Pai, o que está acontecendo?!"
"O papai vai ficar ocupado agora."
"Por-por quê?!"
Leonia gaguejou.
"Aqui."
Em vez de responder, Ferio jogou alguma coisa para ela do bolso.
"O chaveiro do escritório."
Exatamente como ele disse, era a chave do escritório dele.
"Agora você fica como duque por um tempo."
"Huh?"
"Para qualquer coisa urgente, pede para Lua."
"P-Papai, espera!"
Leonia olhou de um para o outro, entre a chave, Ferio e Varia, e exigiu uma explicação.
"Por que está carregando a mana assim?"
"Mana, minha perna..."
Ferio respondeu rapidamente.
"Chame ela de mãe de agora em diante."
Os cavaleiros ficaram boquiabertos.
Leonia também.
Na verdade, quem ficou mais surpresa foi a própria pequena fera.
"M-Mana! Varia!"
Ela chamou. Varia estava pálida, como gelatina.
Só por precaução, Leonia colocou a mão sob o nariz dela.
Graças a Deus, ela ainda respirava.
"Mana, o que aconteceu?"
"Bem..."
Uma voz fraca conseguiu escapar.
Leonia franziu a testa.
"Você concordou com isso? É o que você quer? O papai não te pegou sem pedir, né?"
Essa pergunta quase quebrou a razão de Ferio.
"Varia, vamos resolver isso agora."
Finalmente, Ferio falou.
Leonia o olhou com desdém.
Claramente, ele nem pediu permissão antes de arrastar ela pra cá.
Mas a criança logo percebeu que não era hora de intervir.
"Se você não quiser isso, eu te coloco no chão e peço desculpas sinceramente."
Mas, se ela aceitasse...
"...Então, prepare-se."
Ao ouvir isso, Varia enterrou o rosto no costas de Ferio.
Sua camisa de verão era fina, e ela podia sentir o músculo do ombro dele bem de perto, contra sua bochecha.
Todos ficaram na ponta dos pés, esperando sua resposta.
"Você não precisa se desculpar..."
Varia disse.
"Você disse que iria provar que não é impotente, certo?"
Sua voz chorosa se calou ali.
Porque Ferio, rangendo os dentes, saiu apressado.
"..."
Leonia observou imóvel enquanto os dois desapareciam da vista, e só então gritou atrasada:
"É a noite de casamento!"