
Capítulo 183
Me tornei a filha adotiva do protagonista masculino.
De acordo com a decisão do nobre conselho, os chefes de cada região entregaram os mapas mais recentes à Corte Imperial.
A Região Leste também forneceu dados adicionais de pesquisa sobre Portais.
Com essas informações, a Corte Imperial anunciou um plano para construir uma nova rede de estradas imperiais para facilitar o transporte e revitalizar a economia.
Antes de iniciar o projeto, especialistas foram enviados a cada região.
Sua missão era verificar a precisão dos mapas e começar as preparações concretas.
“Então, essa é a região Norte, hein...”
Alguém desceu de uma carruagem que acabara de passar pelo Portal.
Ele era tão corpulento que a carruagem praticamente inclinou um pouco ao ele desembarcar.
“Barão Onokenta.”
Uma pessoa que o acompanhava chamou por ele.
“Nunca sabemos quando ou onde podem aparecer monstros.”
Ao ouvir suas palavras, o barão Onokenta, que curiosamente observava a floresta de pinheiros, correu de volta para a carruagem.
“De qualquer forma, não vejo nenhuma vila por perto.”
Envergonhado, o barão falou sem motivo aparente.
Eles tinham viajado pela Região Oeste para chegar ao Norte, e ao lado deles se estendia uma densa floresta de pinheiros.
A região Norte era tão fresca que mal parecia verão. Ainda assim, o tom verde dos pinheiros transmitia uma leve sensação de estação.
Seguindo o caminho ladeado por pinheiros, a cadeia de montanhas do Norte—coberta de neve eterna—erguia-se majestosa ao longe.
“Claro que não há residências perto do Portal.”
A última pessoa a descer da carruagem lançou um olhar de desprezo para os outros dois.
Na verdade, ela parecia não querer nada com eles. Nem se aproximou, apenas inspecionou a carruagem que acabara de passar pelo Portal.
Era muito mais eficiente verificar a carruagem do que ficar ali com eles.
“Não está claramente regulado por lei que uma certa área ao redor do Portal não deve ser usada para moradia, para evitar acidentes?”
Les olhou para eles com uma expressão de pena.
“Mesmo sendo funcionários do Ministério da Terra...”
Os dois do Ministério da Terra ficaram ruborizados de vergonha e ficaram irritados.
“As pessoas podem não saber de tudo, sabia?”
“Você é um funcionário do Ministério da Terra.”
Les rebateu, insinuando que isso era uma questão básica de conhecimento.
“Você realmente precisa melhorar sua atitude!”
O funcionário que se agarrava ao barão Onokenta respondeu sem vergonha.
“Se vamos viajar juntos, que sejamos amigáveis. Por que ficar criticando e discutindo o tempo todo? O que há de errado com vocês?”
“Não estamos em uma viagem.”
Les sentia uma dor de cabeça se aproximando.
“Isto é uma viagem de negócios. As despesas disso não são desculpa para manter um caso.”
“Um... caso?!”
A face do funcionário do Ministério da Terra ficou vermelha de vergonha ao ouvir aquilo.
O barão Onokenta apenas esclareceu a garganta.
“Hum! Deve ser porque vocês são do Norte.”
“Pois é, não admira que você esteja tão irritada.”
“As pessoas precisam aprender a relaxar.”
“Tão selvagem e cheios de si — típico Nortista.”
Relativamente ao que aqueles dois incômodos estavam murmurando, Les deixou passar pelo ouvido sem se importar.
“Pensando bem...”
Porque Les tinha uma arma secreta para se livrar desses insetos.
“Será que a Varia está bem?”
Com efeito.
No momento em que Les mencionou Varia, os rostos de barão Onokenta e seu acompanhante viralharam. Ficaram pálidos.
Suas conversas incessantes finalmente cessaram.
Principalmente o barão Onokenta — ele já tinha experimentado na pele uma boa porrada de Varia.
Essa lembrança deve ter vindo à tona, porque ele fechou as mãos grossas sobre a boca.
Parecia uma criança prestes a chorar depois de perder um dente.
Claro que não era fofura.
“Ouvi dizer que Sua Graça cuida dela muito bem.”
Les aproveitava toda oportunidade para mencionar a ligação de Varia com o Duque, criando uma atmosfera ‘pacífica’ nesta viagem de negócios.
Pacífica só para Les, é claro.
Graças a isso, ela podia fingir que não via o caso deles.
Neste momento, alguém apareceu cavalgando na direção deles, vindo do lado oposto.
Dois homens vestindo uniformes pretos cavalgaram grandes cavalos.
“Finalmente chegaram.”
Ao verem os cavaleiros se aproximando, Les apertou o punho em comemoração.
“Vieram do castelo?”
“Fomos enviados pelo Duque.”
Ao notar a postura disciplinada dos cavaleiros, o funcionário do Ministério que estava tendo um caso com o barão corou.
Seus uniformes elegantes e rostos bastante atraentes eram mais do que suficientes para fazer o coração da maioria das mulheres bater mais forte.
Barão Onokenta empurrou o funcionário de lado.
“Prazer em conhecê-los. Sou Les, administradora.”
Ela os cumprimentou primeiro e estendeu a mão.
Os cavaleiros apertaram as mãos em retorno.
Porém, com o barão Onokenta e o funcionário do Ministério, apenas trocaram palavras — sem apertos de mão. O funcionário parecia profundamente arrependido por isso.
“Vamos partir, então?”
Seguindo a orientação dos cavaleiros, os funcionários voltaram para a carruagem.
“Para onde vamos ficar?”
Les abriu a janela para perguntar. Um dos cavaleiros ao lado da carruagem respondeu.
“Há uma pousada designada pelo Sua Graça. Vocês ficarão lá.”
“Uma pousada?”
Barão Onokenta gritou, incrédulo.
“Isso é um absurdo! Você sabe quem eu sou?!”
Ele afirmou que veio carregando a vontade sagrada do Imperador, e que fazer alguém como ele ficar em uma pousada era uma afronta à Família Imperial.
Les achava que o verdadeiro insulto à Família Imperial era o fato dele trabalhar no governo, tudo isso.
“Nós simplesmente seguimos as ordens de Sua Graça.”
Os cavaleiros não recuaram.
Isso só deixou o barão mais furioso ainda.
“Como ousa um mero duque desprezar um servo de Sua Majestade...!”
Justo quando gritou isso, seu rosto ficou vermelho de raiva e uma lâmina fria reluziu sob seu pescoço.
“Cuidado com a boca.”
O cavaleiro que rápidamente sacou sua espadaGrowled com voz firme.
“Não diga mais uma palavra.”
O silêncio tomou conta do rosto do barão Onokenta.
Enquanto a espada avançava rapidamente, uma linha fina apareceu sob seu queixo.
O funcionário ao seu lado começou a tremer e a chorar.
Os cavaleiros não esconderam sua insatisfação com a ousadia do barão.
Nem Les.
“Se quer manter sua cabeça, recomendo que controle sua língua.”
Les deu sua última advertência.
“Barão, se Sua Graça descobrir que você tentou flertar com Varia, acha que ele vai te perdoar?”
“Eu... eu nunca fiz isso!”
O barão olhou nervosamente para os cavaleiros que continuavam a encaramhá-lo.
“Juro que não!”
“Mas eu vi.”
“Se eu vi, Varia também não?”
“Deixo aqui uma dica amistosa.”
Les mostrou sua última paciência.
“Seria melhor não mostrar a cara na frente de Sua Graça. Esqueça as ligações com o Imperador — só o fato de você ter flirtado com Varia já te torna totalmente... ”
Era o suficiente.
Les lentamente passou o polegar pela garganta.
Naquele momento, o barão ficou mudo, pálido e completamente apavorado.
***
O hotel que haviam preparado era melhor do que esperavam.
A rua que levava a ele era bem pavimentada e a praça ao redor bem desenvolvida.
Era tão impressionante que rivalizava com a capital, deixando o barão Onokenta e o funcionário com olhos arregalados de surpresa.
Os três entraram em seus respectivos quartos e fizeram as malas.
Até o próprio hotel era muito melhor do que imaginavam.
O barão e o funcionário, que haviam reclamado durante toda a viagem, agora pareciam um pouco frustrados. Parecia que eles queriam que o hotel fosse terrível — assim teriam uma desculpa para reclamar.
“Vamos começar o trabalho de verdade amanhã.”
Com essas palavras, Les e o funcionário concordaram.
“Passarei lá em casa.”
Como ela estava na cidade natal pela primeira vez em algum tempo, Les disse que iria visitá-la e saiu.
“...Aqueles dois também vão partir logo mais.”
Les informou aos cavaleiros.
O barão Onokenta e o funcionário, frustrados com a falta de cooperação de Les, planejavam seguir na direção da cadeia de montanhas do Norte sozinhos.
Les suportou o som nauseante de eles cochichando um com o outro durante toda a viagem só para obter essa informação.
Os cavaleiros assentiram.
“O Sua Graça está na mansão?”
Les planejava visitar primeiro a mansão Voreoti para relatar a situação antes de ir à sua casa da família.
‘A Varia vai ficar tão surpresa, não é?’
Les estava mais preocupada com Varia.
Embora ela tivesse feito amizade inicialmente por obrigação, por ordens, ela se tornara uma amiga de verdade. Les sinceramente desejava a felicidade de Varia.
“Ah...”
“Bem...”
Porém, as expressões dos cavaleiros não eram boas. Eles olhavam para o lado, inquietos e desconfiados.
Les inclinou a cabeça.
“Ele foi a algum lugar?”
“Ele não foi a lugar algum.”
Os cavaleiros rapidamente responderam.
“Então, posso ir?”
“Ah, bem...”
“Na verdade...”
Os cavaleiros ainda hesitavam.
“A—moça está atuando como representante do Duque neste momento.”
“A moça?”
Les respondeu surpresa.
“Então, o Sua Graça está realmente treinando ela como sucessora.”
Depois do banquete recente, ficou bem claro na administração que Ferio tinha nomeado Leonia como duquesa interina. Dado seu brilhantismo desde cedo, não era tão surpreendente assim.
“...De qualquer forma, posso ir?”
Instados por Les, os cavaleiros finalmente assentiram.
Ela foi até uma carruagem ✧ NovеLighт ✧ (fonte original), alugou uma pequena e partiu rapidamente da praça e subiu a colina. A mansão Voreoti ficava no ponto mais alto do território.
À medida que ascendeu, o coração de Les ficou um pouco mais acelerado de expectativa.
“Mia!”
Ao chegar na mansão, ela viu um rosto familiar.
“Nossa, Les!”
Mia, acabando de entrar na mansão, a cumprimentou com um sorriso radiante.
“Quando você veio para o Norte? Faz tanto tempo!”
“Estou aqui a negócios.”
“Que bom ter você aqui!”
“Você parece que está bem, Mia. Engordou um pouco, né?”
“Les, você ainda é tão azeda quanto sempre.”
As amigas trocaram uma conversa amistosa por um tempo.
“E a Connie?”
“Ela está de folga hoje — visitando a família.”
“Tenho que terminar meu relatório rápido e passar na minha casa também.”
“Relatório?”
A expressão de Mia ficou tensa. Les estreitou os olhos.
“Algo estranho...”
“O—que você quer dizer?”
“Os cavaleiros antes também tinham expressões esquisitas.”
Les perguntou.
“Aconteceu alguma coisa?”
“N-Nada aconteceu!”
Mia agitou as mãos freneticamente, negando com todos os esforços.
Negar com força é apenas disfarçar afirmação. Les ficou ainda mais suspeita.
“E a Varia?”
Deixando tudo de lado, Les decidiu perguntar sobre Varia.
Mia pulou de susto.
“Nem pense em falar o nome da madame tão de repente!”
Com medo de alguém ouvir, Mia olhou ao redor e lançou um olhar assustado para Les.
“Você está louca?! Se ficar falando o nome da madame desse jeito, vai acabar levando um tiro!”
“Madame?”
Les franziu o rosto.
Então, seus olhos se arregalaram de surpresa, como se toda a sua face fosse abrir um buraco e ela entrasse em completo espanto.