Me tornei a filha adotiva do protagonista masculino.

Capítulo 185

Me tornei a filha adotiva do protagonista masculino.

“Meu Deus, vocês pirados!”


Leonia agora estava batendo com força na porta, não apenas fazendo barulho com os punhos.


Se Kara tivesse visto, teria se agarrado ao pescoço e desmaiado na hora.


“Sai logo daqui!”


Leonia tinha certeza de que já tinha sido mais do que paciente.


“Que tipo de pais se trancam em um quarto e abandonam o filho por cinco dias?!


Qualquer outra criança já teria chorado há muito tempo, talvez até gritado de dor por mágoa.


De fato, a maioria das crianças nem sequer imaginaria que seus pais poderiam... estar fazendo isso por cinco dias seguidos.


“Provavelmente já esqueceram como eu tô linda!”


“Nós não esquecemos,” respondeu a voz de Ferio do outro lado da porta.


Felizmente, diferente de ontem, a voz dele não soava estranha.


Era só seu tom habitual, baixo — aquele que se ouve quando ele acaba de acordar.


“Ah, mesmo? Vocês não esqueceram mesmo?”


Mas Leonia deixou escapar uma risada desconfiada.


“Então quer dizer que vocês só não pensaram em mim por um tempo, né?”


“Falamos bastante de você.”


“É pra isso que vocês devem me dizer na minha cara!”


Ela rosnou, controlando sua irritação. Se eles mencionassem seu nome mais duas vezes atrás de portas fechadas, o chão do quarto deles poderia até ceder.


“…Você sabe mesmo o que está dizendo?”


Havia evidente constrangimento na voz de Ferio através da porta.


“Sei sim. Por isso acho que aguentei cinco dias assim, né?”


“Leo, seu brincalhão...”


“Quem tinha que dizer isso era eu!”


Seu pai, seu desobediente!


Leonia apertou a raiva que crescia dentro de si, escondida sob uma montanha de paciência, e respirou fundo.


“Fiquei cinco dias sozinha. Trabalhei sozinha. Dormi sozinha.”


Sua voz ficou mais calma.

“Fiquei completamente sozinha...”


Claro, ela tinha passado esses dias de forma bastante produtiva.


Comia no seu quarto, estudando meticulosamente seu caderno de anatomia muscular, passeava pelos campo de treinamento dos cavaleiros disfarçada de duquesa para observar os músculos em ação, e até ilustrava cenas mais picantes dos romances que Ferio tinha proibido.


Ela aproveitou tudo ao máximo.


Mas agora, era hora de ser amada.


“Vocês sentimos minha falta, mamãe e papai?”


Leonia falou enquanto cutucava o nariz. A ação deixou sua voz carregada de congestionamento e pena — um efeito colateral sortudo.


Seu nariz vinha coçando a manhã toda — parecia que tinha alguma coisa lá dentro.


Outro bônus sortudo.

Ela encarou sem expressão o que tinha puxado do nariz e, sem hesitar, colocou na porta.


“Mamãe... Papai...”


Ela murmurou com voz chorosa. E, imediatamente, uma movimentação agitada veio de dentro do quarto.


Leonia rapidamente passou a mão sob os olhos e colocou colírio em ambos os olhos do frasco que manteve na bolsa.


Justo quando guardou o frasco de volta—

“Leo!”


“Senhorita!”


Ferio e Varia abriram a porta de repente ao mesmo tempo.


Ora, ora.

Leonia conteve um comentário sarcástico.


Seus pais, que ela não via há cinco dias, estavam desarrumados — cabelo desgrenhado, roupas amassadas apressadamente jogadas.


Ela jura que tinham emagrecido um pouco. Ainda assim, a pele deles parecia mais saudável do que nunca.


Assim que viram o rosto choroso de Leonia, ambos congelaram.

“Ah, que bobagem!”


Leonia limpou casualmente as lágrimas no canto dos olhos com as costas da mão.

Aja planejado meticulosamente, essa atitude fez os corações deles afundarem.


Ambos caíram de joelhos, olhando nos olhos de Leonia.

“Não deveria ter dito nada...”


Leonia desviou o olhar, seus olhos vermelhos do esforço para não chorar.

“Só estava interferindo entre vocês dois. Que filha tão podre, né?”


Ela fungou com expressão de pena.

“Isso não é verdade...!”


Varia, também chorando, olhou com tristeza para Leonia.

“Nem mereço falar. Sinto muito. Nunca quis que você se sentisse tão sozinha. É que...”


Ela não conseguiu explicar por que não saiu do quarto.

Sua face avermelhada revelou tudo. Ela murmurava e gaguejava, completamente nervosa.

“Leo, minha filha.”


Ferio olhou para ela com mais seriedade do que nunca.

“Sinto muito mesmo.”


“Pai...”


“Mas Varia e eu não esquecemos de você.”


“É verdade,” acrescentou Varia.

“Seu Excelelência... bem...”


“Por que você está chamando ele de Sua Graça de novo?”

interrompeu Ferio.


“Você me chamava pelo nome antes.”


“I-Isso foi...


“Quer ser repreendida de novo?”


Ele segurou suavemente o pulso dela.


Seu grosso polegar se moveu lentamente sobre o pulso delicado dela, fazendo seu rosto corar novamente.

Leonia observava o fogo da química entre seus pais com expressão de preocupação.

Cinco dias não eram suficientes para eles...


Sintonizada com o olhar dela, ambos, Ferio e Varia, voltaram sua atenção para Leonia.

“Mas seu Excelelência falou bastante de você, sabia?”


“O que ele disse?”

perguntou Leonia.


“Claro, tudo sobre você, senhorita.”


Para alguém que supostamente sentia saudades, cinco dias parecia uma forma estranha de demonstrar isso.


“Posso... segurar sua mão?”


Varia perguntou suavemente, estendendo a mão.

“Claro.”


Leonia ofereceu sua mão prontamente. Varia a segurou com cuidado.


A menina estremeceu um pouco com o arrepio leve no peito.

Ferio assistia à cena com um sorriso orgulhoso.

“Senhorita.”


“O que foi agora?”


“Posso chamá-lo pelo nome? Pelio?”


“Por que você está me perguntando isso?”

Leonia inclinou a cabeça.

Já tinham ido tão longe — por que ela estaria pedindo permissão agora?


“Porque ele é seu pai.”

respondeu Varia.


Os olhos de Leonia se arregalaram. Varia sorriu afetuosamente.

“Eu te falei antes, não foi? Se eu me casasse com Seu Excelelência, a relação entre nós mudaria também.”


“Você falou isso, mas...”

“O que quis dizer na época foi que aquela que tem maior autoridade entre nós três é você, senhorita.”


Quando Ferio e Varia estavam a sós—


Sob os cobertores, com pele contra pele—tinham uma conversa silenciosa.


“Varia, eu te amo. Mas, em qualquer momento, sempre colocarei a Leonia acima de tudo.”


Ferio tinha dito isso.

E Varia concordou.

Porque ela e Ferio não se conheciam há muito tempo.

Não que ela achasse que o amor dele era falso.

Mas Leonia era filha única dele.

Por mais que ela se aproximasse, a ligação entre eles era mais antiga, mais profunda e inquebrável.

Varia não poderia mudar isso.

“Eu realmente me importo com você, senhorita.”


Só porque ela amava Ferio, não significava que ela tinha condições de ser mãe de Leonia.


Significava apenas que ela tinha conquistado a chance de perguntar.

Assim como se tornou parceira e esposa de Ferio, ela também precisava estabelecer um vínculo de mãe e filha com Leonia.


“Se me permitir... gostaria de amá-lo livremente.”


A voz de Varia era sincera.

“E se você realmente me aceitar...”

Ela fez uma pausa para respirar, revelando a ansiedade.

“Quero criar um bom relacionamento com você.”


“Eu sempre quis te chamar de ‘mãe’, unni.”

Leonia abraçou-a com entusiasmo.


Sem esperar, Varia escorregou para trás, e Ferio rapidamente as segurou ambas.


“Haha, que situação embaraçosa.”


Leonia riu timidamente.


“Sempre me senti feliz só por estar com o papai.”

Ferio sempre fez o melhor, e ela nunca duvidou de sua sinceridade ou amor.

Nunca achou que precisasse de uma mãe.

Ferio acariciou sua cabeça com gratidão.


“Mas agora eu tenho uma mãe também!”


A pequena fera declarou com orgulho.


“Sou a criança mais feliz do mundo agora!”


***


Dois dias depois.


A recém-unida família de três bestas partiu cedo rumo à propriedade Urmariti.


Foi a pedido de Varia — ela queria visitar o túmulo de Regina e prestar suas homenagens.


Originalmente, deveriam ter ido antes, mas o passeio foi adiado por causa da lua de mel de cinco dias.


“Se o papai não tivesse implicado tanto com a mamãe, teríamos ido ontem.”


Leonia lançou um olhar para Ferio.


A palavra mamãe agora saiu naturalmente de seus lábios. Sempre que dizia, Varia ficava ruborizada e se remexia de vergonha.


“Ele não me implicou...”

Suas bochechas ficaram róseas.


Claramente se lembrando de algo quente, ela lançava olhares escondidos para Ferio.


Percebendo o olhar dela, Ferio sorriu suavemente.

“Tem algo a dizer?”


“N-Nada... nem um pouco!”

“É mesmo?”


Envergonhada, Varia desviou o olhar. Ferio então olhou para Leonia, mexendo as sobrancelhas em sinal de brincadeira.


Leonia, como se dissesse “Que quer que eu faça?”, abriu os lábios em um silêncio — uma maldição silenciosa.

“Velho sem-vergonha.”

Ela o encarou. Sério, ele era o homem mais atrevido de todo o império.


“Leo, já te falei uma vez?”

disse Ferio.

“A consciência do seu pai é tão vasta quanto as montanhas do Norte.”


“E eu te disse que também é tão seca quanto elas.”

Leonia retrucou.

“Sinceramente, pra mim, vocês dois são iguais.”

O bate-boca deles fez Varia ⊛ Novelight ⊛ (Leia a história completa) sorrir silenciosamente.


Na inocente brincadeira, ambos, pai e filha, viraram uma expressão de impaciência.

Se havia algo que eles não poderiam ceder, era quem tinha a melhor consciência.


Conversaram assim até a carruagem chegar à propriedade Urmariti.


Após passar pela praça movimentada, chegaram a um bosque isolado por poucos visitantes.


“Chegamos.”


Leonia saiu primeiro.


Era o cemitério onde o povo do território Urmariti era sepultado ao final de suas vidas.


Regina repousava na seção mais interna—reservada aos membros da família Urmariti.


“Está bem cuidado.”


Varia comentou, diante do túmulo.


“Provavelmente o vovô.”


“O pai da Senhora Regina...”


“O Conde de Urmariti,” disse Ferio, colocando um pequeno buquê no túmulo.


As flores — coloridas e extravagantes, do jeito que Regina gostava — haviam sido feitas por Kara mesmo.


“Regina foi um caso raro—ela tinha as Presas da Fera, apesar de vir de um ramo cadete.”


Ferio deu uma explicação breve sobre Regina.


“É por isso que ela morou na mansão Voreoti?”

“Parte disso. Ela também não gostava de voltar para Urmariti.”


“Por quê?”


Varia perguntou.

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