Me tornei a filha adotiva do protagonista masculino.

Capítulo 177

Me tornei a filha adotiva do protagonista masculino.

Mal tinha acabado de terminar o jantar quando alguém apareceu na mansão.


“Saúdo o chefe do Norte.”


Um jovem cavaleiro com cabelo curto e escarlate fez uma reverência educada.


Logo atrás dele, havia uma garota com longos cabelos de água-marinha fluindo livremente. Ela parecia ter uns quatro ou cinco anos a mais que Leonia.


“Prazer em conhecê-lo, duque.”


Quando o cavaleiro deu um passo de lado, a garota avançou.


“Eu, Salus Aust, neta do duque Aust, vim pessoalmente para acompanhar o duque de Voreoti.”


“Você se deu ao trabalho de vir tão tarde assim.”


Ferio girou levemente o corpo e os conduziu para dentro da mansão.


Enquanto Salus e o cavaleiro aguardavam na sala de estar, Ferio jogou uma jaqueta leve sobre a roupa que já usava.


“Papai.”


Justamente nesse momento, Leonia se aproximou.


“Você veio?”


“Vai ficar tarde, então vá dormir primeiro.”


“Não fique intimidada ao sair, ok?”


“Eu não vou sair para uma luta agora...”


Ferio acariciou suavemente a cabeça da filha enquanto ela murmurava bobagens.


“...E a Varia?”


Ele então abaixou o olhar sem motivo algum e procurou por Varia. Leonia sorriu de forma maliciosa.


“Ela está dormindo.”


Depois de passar o dia inteiro correndo e brincando bastante, a futura mãe já estava na terra dos sonhos.


“Ela não é mó filhote de cachorro?”


“Leo, você devia se espelhar nela.”


“Eu sou mais fofa que um filhote, hein?”


“Você deveria ter criado uma consciência ao invés de infantilidade...”


Ferio soltou uma longa dose de suspiro, como quem se afunda na terra. Isso rendeu uma chuva de suaves socos das mãos macias de Leonia em seu lado.


“Duque.”


Neste momento, pai e filha bestiais se viraram ao mesmo tempo.


Lá estava Salus.


Seu cabelo de água-marinha cintilava enquanto ela arqueava seus olhos verde escuro.


“Esqueci de transmitir a mensagem do duque Aust.”


“Mensagem...?”


Leonia ficou visivelmente tensa.


Mas Salus simplesmente sorriu, como se achasse irresistível a reação dela.


Leonia sentiu que aquele sorriso lhe era estranhamente familiar.


“O duque solicitou que todos os membros da família do duque fossem trazidos aqui.”


Ferio franziu a testa diante daquelas palavras.

“O duque e a Jovem Senhorita.”


Salus apontou para cima com o dedo. Sua mão, inclinada diagonalmente, indicava a direção do cômodo onde Varia dormia.


“A presença da futura duquesa também seria bem-vinda.”


Leonia respirou fundo, surpresa.


“Como você soube?”


Varia tinha ido dormir cedo após o jantar.


Ela tinha se despedido silenciosamente de Ferio e ido para seu quarto, então não havia como Salus saber onde ela estava.


“O mesmo vale para mim.”


Embora seu comportamento fosse desrespeitoso, Salus não achou estranho.


“Assim como o futuro herdeiro de Voreoti herdou o poder.”


Salus deu um passo adiante, seu rosto ainda iluminado com um sorriso infantil.


“Eu, herdeira da família Aust, também herdei poder.”


Claro, ela brincava, não um poder tão impressionante quanto o de Voreoti.


Mas Leonia não subestimava os poderes da família Aust.


Em algum momento, ela se escondeu atrás de Ferio e segurava firmemente a barra do casaco dele.


A pequena besta ainda não baixava a guarda.

“Aliás, trouxe um presente.”


Ao ouvir as palavras de Salus, o cavaleiro que a acompanhava apresentou uma caixa. Dentro, havia uma caixa redonda decorada com pérolas e coral.


Salus abriu suavemente a tampa, que tinha uma pérola rosa como puxador.


Dentro, doces coloridos e duros.


“Um presente para a Jovem Senhorita.”


“Posso te chamar de Salus unni?”


Leonia exibia um sorriso puro e inocente.


Ferio observou por um longo tempo, sem saber o que fazer com aquela criancinha materialista.


***


Noites de verão eram diferentes das de outras estações — não eram completamente escuras.


Parecia que alguém tinha pintado índigo de cima a baixo numa folha de papel branco puro.

Quanto mais alto, mais escuro. Quanto mais baixo, mais pálido, como se tivesse sido diluído com água.


Além disso, uma lua cheia redonda flutuava no céu, dando a impressão de que um caminho de luz pálida se formava sobre o mar.


No meio daquela paisagem exótica, a carruagem avançava rapidamente.


Os cavalos que puxavam a carruagem deviam estar acostumados com a escuridão — não hesitaram uma única vez.


“Papai, pra onde estamos indo?”


Leonia perguntou observando a janela sombria.


Os três membros de Voreoti tinham embarcado na mesma carruagem em que Salus tinha chegado.


“Vamos para o território do Aust agora.”


Salus respondeu em nome de Ferio.

“Na verdade, é um lugar secreto fora do território do Aust. Está ligado aos segredos da nossa família, então não posso revelar o caminho facilmente.”


Por isso, Salus os trouxe na própria carruagem.

“O duque de Aust espera ansiosamente para ver todos vocês.”


Ela, que respondeu de forma clara e rápida, agora virou o olhar para Varia.


“Peço desculpas por incomodar vocês enquanto dormem, duquesa.”


“Hum, esse título é um pouco...”

Varia, recém-despertada, agora estava completamente atenta.


Ser acordada no meio de um sono profundo já era desorientador o suficiente, mas ser chamada de ‘duquesa’ repetidamente pela neta do duque Aust a deixou desconcertada.


“Brilho é o futuro de Voreoti e Aust!”


“Claro que ele não é duque à toa.”


Em contrapartida, o pai e filha bestiais assentiram com satisfação aparente.


Estavam bastante contentes por Salus já tratar Varia como uma membro plena da Casa Voreoti.


“Ugh, cantos da boca do papai.”

Leonia provocou, como se tivesse presenciado algo indescritível. Ela puxou o pescoço para trás, fazendo uma papada enquanto fazia careta.


“Ficando tão feliz só de imaginar a unni Varia entrando para a família Voreoti.”


Chamar o pai de pervertido, Leonia zombou sem parar.


Varia, com as bochechas vermelhas, acabou cobrindo o rosto com ambas as mãos.


Ela não tinha coragem de manter o rosto exposto numa situação tão embaraçosa.


“Qual é o grande problema? É só uma questão de tempo.”


Ferio, por outro lado, permanecia confiante e tranquilo.


“Hahaha!”


Salus caiu na gargalhada com a confusão barulhenta da família Voreoti.


Apesar de sua aparência delicada, sua risada era ousada o bastante para fazer os ouvidos zunirem.


“Voreoti é uma família realmente divertida!”


“Nossa Voreoti é uma casa acolhedora e charmosa, cheia de humanidade!”


Leonia se gabou com orgulho.


“Aliás, Salus unni, você gosta de músculos?”


“Não pergunte isso logo que acabou de conhecer alguém.”


Ferio rapidamente tapou a boca de Leonia com a mão. Mmmmph — ela resmungou abafada, fazendo cócegas na palma dele.


Salus sorriu com pena, segurando o queixo com uma mão.


“Então, vejo que a jovem senhorita de Voreoti gosta de músculos.”


“Minha mãe também gosta.”


Leonia afastou a mão de Ferio e apontou para Varia.


Varia já não tentou corrigir o título. Negar por si só já era cansativo.


“Então você gosta mesmo.”


Ferio acariciou suavemente a mão de Varia.


“Posso te mostrar qualquer hora.”


Ele então flexionou discretamente o braço, deixando os bíceps mais destacados.


“Duke, isso é assédio sexual...”


“Varia, você me perguntando o que é o reto abdominal — isso também foi assédio sexual.”


“Perguntei só por curiosidade!”


Enquanto os dois adultos discutiam, Salus explodiu numa risada ainda mais alta.


Enquanto isso, o cavaleiro de cabelo vermelho nem sequer movia um músculo do rosto.


“Ah, sério, isso é tão engraçado!”


Salus, segurando a barriga e limpando lágrimas de tanto rir, foi interrompida por—


“Lady Salus.”


O cavaleiro finalmente falou. Era a primeira vez que ouviam sua voz desde que os saudou na mansão.


“Chegamos.”


Salus respirou fundo e respondeu.

“Aquele ali é o patrimônio do Aust.”


Lá, sob a luz tênue da noite e sob o brilho da lua que se estendia sobre o céu e o mar, erguia-se uma mansão gigantesca isolada.


De repente, uma enorme onda atingiu com força o penhasco atrás dela.


“Meu Deus...”

Leonia ficou estarrecida.

A mansão Aust ficava na beira de um penhasco.


***


Antes de entrar na mansão, Leonia saiu correndo para um caminho lateral não muito longe de onde a carruagem tinha parado.


Ela inclinou a cabeça para frente e olhou para baixo.

“Uau... o que será tudo isso aqui...”


“Você às vezes fala igual à vovó, Jovem Senhora.”


Varia se agachou ao lado dela e também olhou para baixo.

Não havia nada além de uma queda vertiginosa no abismo.

Somente o som vívido das ondas quebrando contra o penhasco podia ser ouvido lá embaixo.


“Você não acha que a mansão pode desabar?”


“Normalmente, tem uma cabana de faroleiro, sabia?”


“Um faroleiro?”


“Não um de verdade. É o fantasma de um faroleiro que morreu caindo de um penhasco por acaso.”

Varia, vindo do Sul, já tinha ouvido histórias assim várias vezes.

Disseram que o espírito do faroleiro, que morreu dessa forma, assustava qualquer um que se aproximasse do penhasco em dias tempestuosos.


“Um fantasma benevolente, hein.”

Leonia se inclinou ainda mais para fora.

Mas antes que percebesse, seu corpo de repente levantou do chão.

“Se você cair...”

Ferio, preocupado com o perigo, envolveu um braço na cintura de Leonia. Seu outro braço já tinha protegido Varia.


“...”

Leonia ficou sem palavras enquanto observava Ferio puxar discretamente Varia para mais perto, fazendê-la encostar no peito dele.

Para piorar, Varia, fingindo vergonha, olhava com olhos brilhantes para os músculos sob a roupa — fingindo não estar olhando, mas claramente espionando.

Ferio aproveitava ao máximo o fato de Varia gostar de músculos.

“Esses idiotas...”

Leonia balançou a cabeça, como se não tivesse escolha a não ser suportar tudo aquilo.

“Que lugar bonito, não acha?”

Salus, que já tinha enviado a carruagem na frente em direção à mansão, perguntou. Leonia concordou com a cabeça.

“Perfeito para morrer com um passo em falso.”

“O mar é tão generoso que até abraça cadáveres.”

Salus sorriu suavemente.

“Essa unni também não é normal.”

Claro, ela era a próxima duquesa — Leonia sorriu orgulhosa.

“Perto da nossa fazenda Voreoti fica a Cordilheira do Norte. Tá cheia de monstros.”

Nem a nossa casa nem a deles tinham um ambiente propriamente bom.

Salus logo conduziu seus convidados até a mansão.

Mesmo ao entrar, Leonia continuava observando os arredores — não procurava saída, apenas queria entender como uma mansão tão enorme podia estar empoleirada na beira de um penhasco.

Era a propriedade de um duque, e ainda assim, não havia uma única casa ou luz visível perto do penhasco.

‘Nem a Voreoti é tão remota assim...’

A mansão do Norte também ficava a uma boa distância de qualquer assentamento, mas a pelo menos, à noite, ela conseguia ver as luzes de uma vila distante pela janela do quarto.

Por aqui, além da mansão Aust, não havia sinal de nenhuma vida.

Leonia discretamente se afastou do grupo e puxou as Presas da Fera para examinar os arredores.

Mas tudo o que ela sentiu foram as presenças das pessoas dentro da mansão.


“......”


Ficando por um longo momento encarando a penumbra atrás dela, Leonia de repente acelerou o passo.


“Papai.”


Ela alcançou rapidamente os outros na frente e se esgueirou entre Ferio e Varia.


Ferio olhou para a filha sem dizer uma palavra e suavemente bagunçou seus cabelos.

“Você está bem?”


Varia perguntou com preocupação.


“Estou bem agora.”

Graças ao cuidado dos dois, o humor de Leonia melhorou rapidamente.


Salus apenas sorriu enquanto observava.


“Por aqui, por favor.”


Finalmente, as portas bem fechadas da mansão Aust se abriram.

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