Me tornei a filha adotiva do protagonista masculino.

Capítulo 175

Me tornei a filha adotiva do protagonista masculino.


No chá de confraternização promovido pela Imperatriz Tigria, o rosto de Varia ao cumprimentar a Concubina Usia estava visivelmente pálido, perceptível por quem estivesse observando.


“Foi só um enjoo,”


Varia falou com um sorriso constrangido.


“Por quê? É algo difícil de conversar?”


Leonia perguntou, acrescentando que tudo bem não explicar se fosse algo que ela não quisesse dizer.


“Elas se parecem...”


Embora dissesse que não era um grande problema, o rosto de Varia ficou pálido novamente enquanto murmurava a razão.


Leonia rapidamente a colocou no sofá. Varia parecia prestes a desmoronar.


“Elas sorriem do mesmo jeito... aquela pessoa e ela.”


“Quer dizer, o marido da sua irmã?”


Leonia evitou dizer o nome de Remus Olor diretamente, com sabedoria.


Esse homem havia matado Varia, e ele era o motivo pelo qual Leonia teve que suportar o inferno.


Para ambas, ele era uma figura aterrorizante—e não havia necessidade de pronunciar seu nome em voz alta.


“Não aconteceu realmente.”


Varia hesitou.


“Foi num sonho... quer dizer, um sonho mesmo.”


Ela sabia que aquilo não era algo que se deve contar a uma menina de doze anos, mas sentia que iria sufocar se não revelasse esse segredo ali mesmo.


Era um segredo que ela guardara só para si durante todo esse tempo.


E ainda assim, sempre que olhava para Leonia—que se preocupava tão sinceramente com ela—sentia uma vontade estranha de contar tudo.


Acreditava que aquela menina entenderia e aceitaria seu segredo.


“No sonho... aquela pessoa me bateu.”


Mas ela mal conseguiu se lembrar de que não deveria falar muita coisa.


Varia disfarçou a morte que havia experimentado em sua primeira vida como mero sonho.


“Ele me strangulou e me furou na barriga. E o sorriso que vi na época parecia exatamente com o de Concubina Usia.”


Os irmãos cisnes não tinham semelhança real além da beleza que desafia a idade.


No entanto, aos olhos de Varia, o sorriso inocente no rosto de Concubina Usia parecia exatamente o sorriso torto de Remus enquanto apertava o seu pescoço.


“......”


Leonia ficou estarrecida.

Aquilo... não era uma razão que ela esperava.


“Maninha, desculpa.”

Ela rapidamente se desculpou.


Leonia sabia bem que o “sonho” tinha realmente acontecido.


Por isso, o medo que Varia deve ter sentido ao ver Concubina Usia era algo que ela nem conseguia imaginar.


“Tudo bem.”

Mas Varia pediu desculpas em vez disso, dizendo que lamentava ter dito algo estranho.


“Foi só um sonho.”

“Não, não foi...”

Não era só um sonho.


Leonia murmurou tristemente.

Era doloroso saber que a dor de Varia era real, mesmo assim ela ainda não conseguia consolá-la completamente.


“Por favor, não conte ao Duque.”

Varia estendeu o mindinho em sinal de promessa.


“...Tudo bem.”

Leonia também estendeu o seu minúsculo dedo mindinho.


“Mas, o pai já ouviu tudo.”


Com o dedo mindinho ainda estendido, a menina apontou atrás de si.


Ali estava Ferio, de braços cruzados, encostado na moldura da porta com uma expressão severa.


“Kyaa!”


Varia gritou ao perceber a presença dele.


“...Vou estrangular aquele cisne agora mesmo.”

Ferio começou a agir como se o jantar daquela noite fosse cisne assado, e Varia mal conseguiu pará-lo.


Quando sentiu o corpo macio de Varia pressionar seu braço, Ferio parou rígido.

“Esses cisnes são todos malucos de qualquer jeito.”


Leonia, ainda assistindo à cena de lado, resmungou que não comeria algo assim nem que a obrigassem.


***


O dia da partida para o norte


“Normalmente seguimos pela região Oeste para chegar ao Norte,”

Leonia explicou, circulando ao redor de Varia enquanto descrevia a jornada.

Varia não pôde deixar de sorrir toda vez que Leonia girava ao seu redor.

Apesar de fingir ser uma adulta e agir como uma, ela sempre se comportava como uma criança na frente de Varia—e isso era simplesmente adorável.

Quando Varia estendeu a mão, Leonia a agarrou imediatamente e começou a rir.

“O portão para o Norte fica no palácio imperial, então não podemos usá-lo.”

“Eu também ouvi falar. Você já viu aquele portão, jovem senhora?”

“Aquele dentro do palácio?”

“Sim.”

Leonia balançou a cabeça vigorosamente.

“Você já viu, maninha?”

Varia também balançou a cabeça na resposta à pergunta de volta.

Logo, as duas se sentaram numa mesa à sombra, observando os criados carregarem as bagagens para a carruagem.

Leonia instruiu um criado próximo a preparar uma bebida gelada com bastante gelo assim que termine o carregamento.

O criado, bem-humorado, correu para a cozinha.

“Na primeira vez que usei um portal, fiquei doente.”

“Sério? Doença de portal é bem rara...”

Varia parecia realmente preocupada.

“Mas não acontece mais!”

“Dizem que só acontece na primeira vez que se usa o portal.”

“Você já teve isso?”

“Não.”

“Então que alívio!”

“Foi horrível,” Leonia disse, fazendo uma expressão de dor ao lembrar.

Sentia-se como se todos os órgãos do corpo virassem do avesso durante a doença de portal.

“Leo!”

Ferio chamou por ela, pronto para partir.

“Papá, você também vai chamar a maninha?”

Leonia gritou, deliberadamente alto.

“Ele é muito tímido pra dizer o nome dela?”

Seu sorriso malicioso parecia bem malvado.

“Senhorita...”

Varia, corando, tentou impedi-la, mas Leonia apenas riu e provocou a adulta envergonhada.


O rosto de Ferio, de longe, estava torturado numa carranca ameaçadora—claramente descontente.


Pageos e criados próximos fugiram apressados.


Mas Leonia, satisfeita com a brincadeira bem-sucedida, segurou sua barriga e riu.


Varia, nervosa mas estranhamente feliz, coveringuando a boca e rindo também.


Naquele momento, Ferio atravessou até as duas, com a expressão séria.


“Quer rir mais?”


Ele pressionou um dedo firmemente contra a testa de Leonia.


“Por que só chamou meu nome? Tá deixando a maninha de fora!”


“Não me incomoda.”

“Ou será que vocês duas querem se apresentar direitinho quando eu não estiver por perto?”

Ferio agora se referia a Varia pelo nome. Mas ela ainda insistia em chamá-lo de “Vossa Graça” e “Senhorita”.


“Hora de partir.”


Ignorando a provocação da filha, Ferio estendeu a mão para Varia.

Ela colocou delicadamente a mão na dele, enquanto Leonia observava satisfeita.


“Ai, que emoção! Estava na hora de vocês finalmente se casarem!”


Leonia bateu nas costas de Ferio como uma tia intrometida.


“Vocês cresceram tanto!”

Ela bateu repetidamente nas costas dele.


Varia, silenciosa, ficou admirando a audácia de Leonia. Mesmo vivendo a morte várias vezes, ela nunca agiria daquela forma com seus próprios pais.


“Agora você está sendo minha mãe?”


Ferio afastou a mão dela.

“Sou mais como sua mãe-velha!”

“Ou seria sua filha que enche o saco?”

“A mesma coisa!”


Leonia foi primeira a subir na carruagem, chutou seus sapatos e colocou os pés no banco ao lado.


“DeAgora, não quero mais ficar no meio de vocês dois.”

Ela reclamou que estava abafado e desconfortável, deitado de bruços.

E assim, Ferio e Varia, naturalmente, acabaram sentados lado a lado.


Ferio, percebendo o momento oportuno de sua filha, deu-lhe um doce.

“Até mais!”

Leonia se inclinou parcialmente para fora da janela e acenou.

Tra e os demais criados ficaram parados até a carruagem desaparecer de vista.


“Essa é sempre a parte mais triste.”

Leonia murmurou, com o doce na boca, enquanto se recolhia ao seu assento.

Mesmo sabendo que se veriam mais tarde, a despedida sempre deixava um jeito de tristeza no coração.


“Provavelmente, estarão aliviados por estar mais quietos sem você por perto.”

Ferio quebrou o clima para evitar que a filha ficasse demasiadamente sentimental.

A pequena caçadora de monstrinhos bufou e virou o rosto de lado.

A carruagem se afastou rapidamente, deixando a praça. A carruagem da família Voreoti chamava a atenção por onde passava.


Varia observou a paisagem pela janela por um bom tempo.

“Então, mesmo assim, vamos mesmo para o Norte?”

Ainda não conseguia acreditar.

O coração dela acelerava ao pensar em finalmente seguir rumo ao norte.


“Embora vamos passar pelo Oeste primeiro.”

Leonia perguntou se ela já tinha estado no Oeste. Varia negou com a cabeça.

“Só estive na capital e no Sul. Antes, passava os verões na propriedade da família Erbanu.”

“Daqui pra frente, vai poder descansar conosco no Oeste!”

Leonia se gabou com orgulho da residência da família Voreoti lá.

“Mas não vamos mais para o Oeste.”

Neste momento, Ferio interrompeu.

Foi só aí que Leonia percebeu que a paisagem lá fora não era familiar.

Não estavam na estrada para a fortaleza com o portão do Oeste.

Embora as paredes estivessem se aproximando, a direção não condizia.

“E-Esperem... isso é...!”

Para Varia, no entanto, o caminho era conhecido.

“Vamos mesmo pro Sul agora?”

Varia perguntou, surpresa. Leonia arregalou os olhos ao olhar lá fora.

“Por que o Sul?!”

Ela praticamente gritou.

“Por quê mais?”

Ferio falou com naturalidade.

“Temos negócios lá.”

E assim, a carruagem passou pelo portão do Sul.

Antes de atravessar, Leonia captou os olhares de surpresa de quem via uma carruagem Voreoti surgindo no portão sul.

Era algo de muita importância para a Casa Voreoti viajar para o Sul.


***

“Ai, que calor...”

Leonia colocou rapidamente um chapéu ao sair da carruagem.

O feitiço de ventilação incorporado no chapéu—que Ferio tinha dado quando ela era mais nova—refriou o couro cabeludo que aqueceu demais.

“Ufa...”

Finalmente respirando fundo, Leonia protegia os olhos do sol com uma mão.

“Então, este é o Sul.”

Olhou ao redor com curiosidade—era a primeira vez lá.

O portão sul ficava entre uma floresta e a costa, e a brisa salgada do mar pairava pesadamente no ar.

Leonia se agachou e tocou o chão com a palma da mão.

“Que nojento.”

Ferio limpou a mão com um lenço.

“A terra é diferente do Norte e do Oeste.”

Terra úmida com uma camada de areia grossa.

“Não está muito quente?”

Ferio perguntou.

“Tô bem! Tenho um chapéu!”

Leonia apontou com orgulho para o chapéu na cabeça.

Na verdade, ela estava mais preocupada com os cavalos e os cavaleiros.

Os cavalos, em especial, estavam nervosos com a mudança repentina de temperatura.

Ferio ordenou que os cavaleiros deixassem os cavalos descansarem à sombra e verificassem a carruagem.

“Varia, está tudo bem com você?”

Ele também cuidou de Varia com atenção.

“Lembre-se, sou uma nobre do Sul.”

“Essa maninha é só papo furado.”

Leonia tirou o chapéu e colocou na cabeça de Varia.

“Agora, acho que você precisa mais do que eu.”

Na verdade, Varia tinha dificuldades maiores com o calor.

Mesmo nascida no Sul, começou a suar copiosamente assim que passaram pelo portão.

Comentários