Me tornei a filha adotiva do protagonista masculino.

Capítulo 161

Me tornei a filha adotiva do protagonista masculino.


“O que... o que diabos é isso...?”


O Conde Erbanu ficou sem palavras.


No momento anterior, tudo havia parecido perfeito.


Esse banquete magnífico parecia existir unicamente para ele. Os nobres bajulando-o com palavras lisonjeiras o tinham deixado radiante.


Em sua cabeça, ele já se via como um grande nobre.


Até mesmo os líderes de outros territórios sussurravam à margem da sala, atentos e cautelosos ao seu redor.


Percebendo esses olhares de soslaio, o Conde Erbanu tentou resistir à vontade de saltar como um coelho.


Sabia que era uma atitude abrupta, mas quase tinha esquecido sua idade na empolgação.


“Se não fosse por aquele maldito aviso...”


“Em nome do Duque Voreoti, Senhora Leonia Voreoti e Senhora Varia Erbanu!”


No começo, achou que tinha ouvido errado o arauto do palácio.


Sabia que o Duque Voreoti tinha retornado apressadamente para o Norte.


Esperava aproveitar aquela ausência para tirar a filha do Duque do palácio, mas não tinha coragem, lembrando dos rumores de que ela era ainda mais impiedosa que o pai.


Para piorar, Lota tinha voltado chorando de uma visita à capital, reclamando que a filha do Duque a tinha maltratado sem motivo algum.


O Conde Erbanu deu uma passadinha de língua e resmungou que a garota era arrogante e venenosa, exatamente como o pai. Chegou a amaldiçoar o fato de ela ser assim, crescendo sem mãe.


E, além de tudo isso, também culpou Varia—culpou-a por ter fugido para aquele lugar, esquecendo a "graça" de ter sido criada na casa dele.


Ele estava ansioso para confrontá-la, para repreendê-la por ter ousado abandonar a família.


Mesmo assim, o Conde Erbanu gostava de se considerar um “pai dócil”. Por isso, em um evento social que participou com Olor, ele tinha se revoltado publicamente contra o Duque, exigindo que ela fosse devolvida.


Até hoje, não conseguia esquecer o olhar que Ferio Voreoti tinha dirigido a ele.


Nojo. Desprezo. Como se estivesse olhando para algo que fosse menor que um inseto.


O conde ficou imediatamente intimidado, silenciado, desanimado e afogado em vinho.


E, a noite toda, ele murmurava amargamente: “Ela esquece tudo que eu fiz por ela...”


“Varia...!”


Agora ele rangia os dentes de raiva.


Mesmo depois de ser tratado daquele jeito, ele ainda se preocupava com ela, se importava—e, no entanto, aquela maldita menina tinha cruzado uma linha que nunca deveria ter atravessado.


Como ela teve coragem de aparecer nesse banquete... com Voreoti?


Vestindo preto, e ainda por cima—um vestido que clamava Voreoti de cabeça aos pés.


Ela estava se apoiando no braço daquele parasita e rindo como se fosse uma brincadeira.


“Pai!”


Lota tinha aparecido ao seu lado, olhando na mesma direção.


Mas o Conde Erbanu nem percebeu o olhar venenoso nos olhos dela—seus olhos continuavam fixos em Varia.


“A representante de Voreoti?”


“A jovem deve estar aqui no lugar do Duque.”


“Então quem é aquela ao lado dela...?”


“Espera, será que... aquela é a outra filha do Erbanu...?”


Os murmúrios e sussurros dos nobres estavam todos voltados para Varia.


“Sogro.”

Remus Olor chamou suavemente o Conde Erbanu.

“Está tudo bem?”


Remus, de cabelo vermelho, parecia tão magnífico de sempre, com o rosto cheio de preocupação e carinho—suficiente para acalmar a raiva fervente do conde.


“Você parece bastante chocado.”


Enquanto cuidava do Conde, ele também se virou e puxou delicadamente Lota para perto de si.

Com ciume por toda atenção focada na irmã, Lota grudou-se na cintura de Remus como se estivesse reivindicando seu território.

“Eu a detesto tanto!”


“Ela ainda é sua irmã, Lota.”


“Mas depois de toda preocupação que o pai teve... como ela pôde aparecer com o Voreoti...!”

Ela fez fofoca, cuidadosamente omitindo o veneno de inveja que a consumia por dentro.

“Ela deve ter seus motivos.”

Remus deu uma leve palmadinha nas costas da jovem esposa.

O “cisne jovem” que cuidava da esposa e do sogro tinha na verdade quase quarenta anos.

Mas, por causa de sua aparência jovial, ainda parecia ter uns trinta.

“Por que você não vai perguntar directly a ela?”

“Y-Yo... eu devo... sim...”

“Ela é sua filha, afinal. Tenho certeza de que vai te ouvir se você conversar com ela.”

Com a sugestão sutil de Remus, o Conde Erbanu hesitou e começou a caminhar na direção de Varia.

Mas não foi fácil.

Varia estava constantemente cercada por pessoas de alta linhagem—marquês Ortio, seu marido, marquês Hesperi, e até mesmo os nobres mais intransigentes do Norte estavam entre os que participavam do convívio.

Por isso, o Conde Erbanu se viu isolado no centro do grande salão de banquetes, completamente sozinho.

Ele cambaleou toda vez que o imenso Conde Urmariti o lançava um olhar.

“Não é aquela a jovem de Casa Voreoti?”

O herdeiro do marquês Pardus havia se aproximado de Varia.

O Conde Erbanu viu ali uma oportunidade.

Comparado aos outros, o herdeiro do marquês era o mais acessível.

***

“Herdeiro do Marquês de Pardus...”

Claro.

Leonia fez uma careta assim que o viu se aproximar.

“Que bom te ver, jovem dama de Voreoti.”

“Na verdade, é o representante dele agora.”

“Sim, Senhora Voreoti.”

“Ugh. Que irritante...”

Esse rapaz da Casa Pardus realmente tinha talento para irritar ela.

Aquele sorriso smug, tão pretensioso, fazia Leonia querer puxá-lo com os dedos e puxá-lo para baixo.

'Deve ser coisa de sangue deles.'

Não era só o marquês—seu filho, o neto, até o Ter, todos eles a irritavam profundamente.

Na verdade, o fato de Lupe vir daquela família tornava tudo ainda mais impressionante.

Ele nunca agia com arrogância ou astúcia. Pelo contrário, parecia um miserável cavando sua própria cova, manipulado por Ferio e Leonia ao mesmo tempo.

'...Deveria ser mais gentil com ele.'

Leonia decidiu que daria alguns tapinhas de consolo quando voltassem ao Norte.

“E...”

O herdeiro do marquês virou-se para Varia ao lado de Leonia, seu sorriso sempre amável. Ele falou com suavidade:

“Faz tempo, Senhora Varia.”

“Herdeiro do Marquês de Pardus...”

O tom de Varia ficou cauteloso ao dizer seu nome.

“Para alguém que foi suspenso e dispensado do Tesouro, você está indo bem.”

“...Graças a alguém, com certeza.”

Embora já soubesse das conexões discretas entre Voreoti e Pardus, Varia ainda achava difícil confiar nele.

Havia anos acreditando que a família Pardus era leal ao império, o que era difícil de mudar.

“Ela é uma pessoa muito importante para o meu pai.”

Leonia envolveu um braço em volta da cintura de Varia. O herdeiro olhou com curiosidade.

Para ele, parecia menos que ela estivesse protegendo Varia e mais que uma criança estivesse se agarrando à mãe.

“Ah, é?”

“Sim.”

“Hmm. Acho que até parece.”

Ele deixou o olhar descair até o vestido dela.

“Combina bem com você.”

“Obrigada.”

“Sinto muito de verdade.”

Se ela conseguisse apenas relaxar as mãos atrás das costas, seria ótimo.

Leonia também percebeu: as mãos de Varia estavam cerradas em punhos bem fechados.

'Então ela tem fogo no sangue, afinal.'

Isso a tornou ainda mais adorável.

“Representante.”

De repente, o tom do herdeiro mudou. Ele fez um gesto na direção de algo.

Varia seguiu o olhar dele—a face dela caiu.

“...Pai.”

O Conde Erbanu vinha caminhando em direção a eles.

'Nossa, que fraco ele acha que esse herdeiro é?'

Leonia sorriu de canto de boca.

O herdeiro do marquês soltou um som de irritação, claramente aborrecido.

Até ele ficou surpreso ao perceber que o Conde Erbanu o considerava presa fácil.

“Acho que ainda tenho muito a aprender.”

“Vamos ficar aqui e observar.”

“Por que não?”

Não tinha sentido perder a diversão. Os avisos poderiam esperar até depois.

“Varia, mana.”

Leonia virou-se e advertiu sussurrando.

“Vou brincar com seu pai agora.”

Se isso a incomodasse, ela podia parar a qualquer momento—que pensamento gentil.

“...Representante.”

Varia engoliu em seco, forçando um sorriso seco.

“Já sou a vergonha da família.”

“Perfeito! Então, lá vou eu!”

Com a permissão da irmã mais velha, o pequeno lobo soltou um rosnado alegre.

“Varia!”

O Conde Erbanu explodiu assim que chegou.

“O que você acha que está fazendo?!”

“Hã? O quê foi aquilo?”

Leonia colocou a mão atrás da orelha, virou a cabeça e fingiu não escutá-lo—como se ele nem existisse.

“Acho que ouço um homem de cinquenta anos chupando os próprios dedos dos pés.”

“Pfft!”

O herdeiro do marquês, completamente pego de surpresa, soltou uma risada sufocada. Virou-se, com os ombros tremendo, tentando segurar o riso.

Varia congelou de horror. Ela nunca tinha visto alguém insultar seu pai daquele jeito.

Os nobres ao redor estavam divididos entre choque e risadinhas abafadas.

A zombaria de Leonia foi além do selvagem.

O Conde Erbanu, por sua vez, permaneceu ali parado, completamente perplexo, sem entender o que tinha acabado de acontecer.

“Deve ser algo na água esses dias.”

Leonia tomou um gole de uma bebida não alcoólica, continuando a ignorá-lo completamente.

“Ugh!”

Foi o conde quem finalmente reagiu.

“Senhora Voreoti! O que foi aquilo—?!”

“Herdeiro do marquês.”

Leonia interrompeu, com tom afiado, dirigindo-se ao herdeiro sem olhar para o conde.

Ele tentou segurar a risada e endireitou-se.

“Com quem eu estava falando agora?”

“Com a «N.o.v.e.l.i.g.h.t», e com a senhorita Varia—vocês estavam trocando cumprimentos.”

“Tudo estranho...”

Leonia lazily limpou a orelha com um dedo.

“Continuo ouvindo vozes.”

Depois virou-se e assoprou o dedo—diretamente na direção do conde, deixando seu rosto vermelho de vergonha.

“Tiempos de revolução na capital, hein.”

Ela assobiou distraidamente.

“E o próximo—democracia?”

Aquela frase casual explodiu como uma bomba.

O que Leonia quis dizer com “democracia” era um sistema em que todos, independentemente do status, fossem iguais e escolhessem seu líder.

Sem nobres. Sem realeza.

Apenas o povo.

“Vamos nos apresentar então?”

Ela transformou a grosseria do Conde Erbanu em uma espécie de ato de rebeldia contra o trono.

“Não, espera—sou a mais jovem aqui, me apresentando primeiro a todos vocês.”

Ela abriu os braços, sorrindo enquanto se dirigia à multidão.

Porém, ninguém respondeu.

Na verdade, ninguém poderia responder.

Embora exibisse um sorriso inocente, seus olhos eram glaciais.

Quem fosse burro o suficiente para responder pareceria um traidor do Império imediatamente.

Todos convidados para o banquete estavam agora presos na armadilha que Leonia acabara de criar.

'Nossa...'

Ao seu lado, Varia tremia toda, repleta de arrepios.

Nunca na vida tinha visto uma mulher tão poderosa—e tão deslumbrante.

A diferença de idade desapareceu em meio à sua admiração pura e sem limites por Leonia.

“O que foi, Conde?”

Leonia perguntou, com tom afiado.

Seus olhos de vidro negro brilhavam com uma intensidade implacável.

“Eu... eu...”

O Conde Erbanu tremeu por inteiro.

Por um momento, ele teve a ilusão de uma fera gigante e escura, afundando suas presas na sua garganta e rasgando-a ao meio.

Mas, ao olhar para baixo, viu que seu corpo estava intacto.

Era apenas uma visão.

E, ainda assim, o medo persistia.

Foi então que ele percebeu.

Estava tremendo de medo—

Por causa de uma criança de doze anos.

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