
Capítulo 160
Me tornei a filha adotiva do protagonista masculino.
“Ufa......”
“Irmã, você está bem?”
Leonia olhou para Varia com preocupação.
As duas estavam esperando em frente às grandes portas do salão de banquetes, que já estavam em plena festa.
Como o banquete já havia começado há algum tempo, não havia mais nobres passando pelo corredor de entrada.
Ou seja, a maioria dos principais nobres já estavam lá dentro.
“Estou um pouco nervosa.”
“Quer que eu massageie suas costas?”
“Não precisa.”
Varia sorriu levemente.
“A emoção fica maior quando a personagem principal faz sua entrada.”
“Ooh! Que maneiro, irmã!”
“Eu só estava imitando um pouco o Marquês.”
“Não precisa imitar meu pai.”
Leonia estendeu o braço direito, e Varia, sem hesitar, colocou a mão esquerda sobre ele.
Sem uma palavra, apertaram as mãos firmemente.
“Você é a personagem principal, irmã.”
“E você também, senhorita.”
“Sempre sou a protagonista!”
Elas trocaram sorrisos calorosos e se voltaram para as portas do salão de banquetes.
O brilho intenso que saía por baixo das portas e o barulho animado pareciam quase tocar seus pés.
“Eles estão fazendo um barulho danado lá dentro.”
Leonia zombou reprovando.
“Querem que entremos e os surpreendamos?”
Ao ouvir isso, os cavaleiros que guardavam a entrada correm para abrir as pesadas portas rapidamente.
Imediatamente, todos os olhares na sala se voltaram para a entrada.
Vários olhos fixaram-se em Leonia e Varia. Varia recuou de leve, mas a mão de Leonia, que segurava a dela, lhe deu força.
No momento, a argola de brincos pendurada em seu cabelo preso com firmeza reluziu.
Leonia não era a única que a tranquilizava — Ferio, que nem sequer estaba presente, também a confortava por meio dos brincos que ele tinha escolhido.
Varia não estava mais com medo.
“A Senhora da Casa Voreoti...”
Um acento do palácio, que guardava a porta, hesitou e foi na nossa direção.
“Para este banquete, a jovem não pode...”
“Não vim como dama.”
Leonia, que já tinha entendido o rumo da frase, cortou com firmeza e puxou algo do casaco para colocar na frente dele.
Era a carta de procuração oficial que Ferio tinha lhe entregado antes de sair.
“Estou aqui como procuradora do Duque Voreoti. Portanto, não há problema.”
Enquanto o acento lia o documento, seus olhos se arregalaram lentamente.
“Há algum problema?”
“N-Não, de jeito nenhum.”
“Então, anunciem-nos.”
Leonia lançou um olhar de desprezo para Olor, que arrogante, ocupava o centro da sala.
Seu olhar incisivo, claramente expressando descontentamento, fez os nobres próximos se dispersarem silenciosamente.
'Um doador de esperma, huh.'
Aquela cisne de cabelo vermelho.
Remus Olor.
E ao lado dele, uma cabeça com bonito cabelo rosa claro.
“Então, a senhora ao seu lado é...?”
O atendente olhou para Varia. Seu rosto ficou vermelho ao perceber sua aparência.
“Ela é alguém muito importante para meu pai.”
Leonia sorriu. Os olhos de Varia se arregalaram.
Na mesma hora, os brincos em forma de lágrima balançaram suavemente. Eles combinavam perfeitamente com seu rosto suave e pálido.
“Ela é Lady Varia Erbanu, filha do Conde Erbanu.”
“Eu...”
Varia tentou falar timidamente.
“Por favor, anuncie em voz alta.”
Ela queria que todos ouvissem.
Ela queria que soubessem que Varia Erbanu tinha decidido abandonar sua família e vindo até a Casa Voreoti por vontade própria.
“V-Voreoti...!”
“Leonia Voreoti.”
Leonia gentilmente corrigiu o cavaleiro, que gaguejava na introdução.
O cavaleiro hesitou, mas então, com uma voz bem mais firme, elevou-a e fez o anúncio corretamente.
“Em nome do Duque Voreoti, Lady Leonia Voreoti e Lady Varia Erbanu!”
Com a voz retumbante do acento, elas fizeram sua entrada com brilho e glamour.
Olhos incontáveis as seguiram enquanto caminhavam com confiança pelo salão.
“Não é aquela garota da Casa Voreoti?”
“O que ela está fazendo aqui...?”
“Você não ouviu antes? Ela é procuradora do Duque!”
A palavra “procuradora”, gritada alto pelo atendente, provocou reações agudas entre os nobres.
“Então, o Duque não vem?”
“Ouvi dizer que houve uma avalanche no Norte.”
“Ele deve ter ido lidar com isso.”
“Mas ele já deu procuração à filha dele?”
“Acho que eles não precisam se preocupar com a sucessão.”
A presença de Leonia deixou claro: a linha de sucessão da Casa Voreoti não só estava segura — prosperava.
A confiança do Duque em delegar seu poder a uma jovem filha mostrava o quão sólida era a dinastia Voreoti.
Mas mais do que o status de procuradora, chamou atenção outra coisa.
“…Lady Varia Erbanu?”
Uma nobre reconheceu ela.
“Ela não casou com a Casa Olor?”
“Ela era a segunda filha.”
“Erbanu tinha duas filhas?”
Todas as atenções se voltaram para a bela mulher ao lado de Leonia.
Os murmúrios no ambiente estavam cheios de admiração e confusão.
“Minha nossa, isso é uma surpresa...”
A nobre que conhecera Varia deu tapinhas suaves na boca com o leque.
“Ela era tão bonita assim?”
Quando as pessoas pensavam nas filhas do Conde Erbanu, geralmente lembravam da segunda, Lota.
Lota, com seus cabelos rosa brilhante e sua beleza encantadora — uma verdadeira ***Nоvеl𝕚ght*** — era admirada por todos.
Além disso, havia casado com a influente Casa Olor, tornando-se ainda mais memorável.
Por outro lado, a primeira filha quase não era conhecida.
Não é que o Conde Erbanu a escondesse deliberadamente. É que, toda vez que abria a boca, era para elogiar Lota.
Aqueles que se lembravam dela só sabiam que ela era inteligente e trabalhava como administradora na Tesouraria.
Por isso, a aparência de Varia hoje foi uma surpresa completa.
“Parece que os boatos estavam errados.”
Alguém murmurou admirado.
“Ela é realmente linda.”
Não houve discordâncias. Todos pensaram a mesma coisa.
O que primeiro chamou atenção foi o cabelo rosa opaco de Varia.
Amarrado alto, ele brilhava levemente sob os lustres de cristal.
Não estava tingido ou penteado — era sua cor natural, e era deslumbrante.
Depois, os olhos deslizaram para baixo.
O vestido preto que envolvia seu corpo inteiro exalava elegância.
Seu brilho sutil parecia o céu noturno cheio de estrelas.
Embora o tecido preto profundo abraçasse cada curva do corpo dela, não parecia vulgar nem um pouco.
A única pele visível era a sua perna direita, que aparecia por entre a fenda enquanto ela caminhava.
“Será que eu... estou estranha?”
Varia sussurrou nervosa.
“Todo mundo está olhando porque você é linda, irmã.”
“Meu coração está parecendo que vai explodir.”
Ufa... Varia respirou fundo, esforçando-se para acalmar os nervos. Seu peito subia e descia visivelmente, fazendo vários nobres próximos esclarecerem a garganta de forma constrangedora, com as orelhas coradas.
'Eles têm coragem de ficar fitando, pelo menos.'
Leonia lhes lançou um olhar de reprovação.
“Se alguma coisa aparecer, eu juro que eu mesma empurro de volta.”
“Obrigada pela misericórdia.”
Leonia olhou de relance para Varia, que parecia uma estátua de mármore prestes a rachar.
“Você está bem nervosa, irmã.”
“Claro que estou...”
Suas mãos estavam suadas.
Era mais fácil quando entraram no salão, mas cruzar o centro e atrair todos os olhares de uma vez fez com que ela quase desmaiasse.
“Irmã.”
Leonia mudou de direção discretamente.
O Conde Erbanu os avistou e começou a caminhar na nossa direção, com a mandíbula quase pendurada de choque.
O alvo deles se aproximava gentilmente — mas Varia ainda estava nervosa demais para lidar com ele.
“Que surpresa inesperada.”
Nesse instante, uma voz familiar apareceu de repente perto — o Marquês Ortio surgiu do nada.
“Marquês Ortio!”
Leonia o cumprimentou alegremente.
“O-Oh, marquês... m-marquis, senhor...!”
Mas Varia, nervosa além do que poderia, gaguejou suas palavras. Felizmente, não era uma frase tão alta ou óbvia que os outros percebessem.
“Seu marido veio também, vejo!”
Leonia sorriu radiantes ao receber o marquês e sua esposa. Isso fez o Conde Erbanu hesitar, parando alguns passos atrás.
“Meu marido disse que queria cumprimentar a jovem do Duque pessoalmente.”
“Espero que não estejamos incomodando?”
O marido do marquês, sempre gentil e elegante, perguntou educadamente.
“De modo algum.”
Leonia sorriu docemente. Se há algo que ela considerava uma bênção, era exatamente a chegada deles.
“E quem é essa ao seu lado...?”
O marquês Ortio olhou curiosamente para Varia, assim como seu marido.
“Ah, eu devia tê-la apresentado antes.”
Leonia tomou a iniciativa e assumiu a liderança.
“Marquês, Marquês Consorte, esta é minha parceira, Senhorita Varia. Varia, estes são o Marquês Ortio e seu marido. Desde pequena, eles sempre foram muito gentis comigo.”
Leonia propositalmente apresentou o casal ao marquês primeiro.
Isso surpreendeu o casal. Normalmente, alguém de maior status seria apresentado primeiro a uma pessoa de condição inferior.
Mas Leonia invertia a ordem.
Era um gesto importante.
“Originalmente, a Senhorita Varia deveria estar aqui esta noite como parceira do meu pai.”
Leonia continuou a apresentação com naturalidade.
“Mas, como meu pai está ocupado, vim em seu lugar.”
“Prazer, sou Varia.”
As expressões do casal de marquêses mudaram sutilmente ao ouvir seu cumprimento.
Na verdade, eles estavam muito curiosos sobre ela. Essa curiosidade única que todos os magos compartilhavam tinha se fixado em Varia.
“Você foi parceira do Duque, entendi.”
“S-sim.”
Ainda nervosa, Varia assentiu de forma rígida.
“E... filha do Conde Erbanu...”
O Marquês Ortio sorriu de maneira maliciosa, com uma expressão de satisfação nos cantos da boca.
“Querida, não sorria assim em público.”
O consorte comentou, com um leve tom de ciúmes.
“Por favor, olhe onde estamos.”
O Marquês deu uma leve palmada nas costas do marido, como se estivesse prometendo uma bronca mais tarde.
“Vocês parecem bem próximos.”
Leonia riu educadamente, mas a pequena marionete não perdeu tempo.
“Na verdade, meu pai e a Senhorita Varia também são bastante próximos. Veja aqueles brincos?”
“Claro. Acho que todas as nobres aqui perceberam.”
E era verdade. Além da presença de Varia, seus cabelos rosa-acinzentado e o vestido preto, o próximo assunto mais comentado eram aqueles brincos de lágrima.
“Meu pai foi quem os deu a ela.”
“O-Oh! O Duque mesmo deu a ela esses brincos?”
O Marquês exclamou com surpresa, captando imediatamente a intenção de Leonia.
Os nobres que estavam só observando à distância se animaram ao mesmo tempo.
“O vestido também é deslumbrante, não é?”
“Sim, com certeza. É um vestido do Oriente, não é?”
O Marquês elogiou Varia por ela estar tão bem com a peça.
Envergonhada, Varia abaixou o rosto com um sorriso tímido. Mesmo para uma mulher, o Marquês Ortio era apaixonante — de fazer o coração acelerar.
“Pertenceu à minha bisavó.”
Mas Leonia ainda não tinha terminado. Ela fez uma gesticulação exagerada em direção ao vestido de Varia.
“Ele foi passado de geração em geração. E sim — meu pai também deu a Senhorita Varia.”
“Meu Deus...”
Dessa vez, o Marquês ficou genuinamente chocado.
Vestir um vestido que tinha sido transmitido por gerações — não como membro da família, mas como outsider — não era algo trivial.
Até alguém como o Marquês Ortio, que desprezava rumores, não pôde deixar de imaginar várias possibilidades entre Ferio e Varia.
'Perfeito.'
Leonia sorriu satisfeita ao ver os pensamentos do marquês correrem soltos.
Se o Marquês Ortio tinha essa reação, os demais nobres também não tinham chance.
'Não menti.'
Ela tinha apenas contado a verdade.
Ferio e Varia eram próximos.
O vestido tinha sido um presente. Assim como os brincos e cada acessório que ela usava.
O parceiro de banquete original de Varia era Ferio.
Mas eles não estavam em um relacionamento.
Leonia não via por que esse detalhe precisava ser mencionado.