
Capítulo 168
Me tornei a filha adotiva do protagonista masculino.
Ferio e Varia estavam tão próximos que seus rostos quase se tocaram.
Se algum deles tivesse inclinado a cabeça um pouco, não seria estranho que seus lábios se beijassem.
Havia espaço quase suficiente para um dedo entre eles.
Surpresa, Varia instintivamente tentou recuar, mas Ferio rapidamente segurou seu braço para impedi-la.
No entanto, a pegada dele em seu braço era levíssima. Se Varia tivesse tentado se livrar, teria conseguido facilmente. Mas ela não percebeu isso.
A mulher estava completamente hipnotizada pelos olhos negros do homem.
Era como se seu corpo inteiro estivesse sendo consumido por um abismo mais profundo que a própria escuridão mais distante.
Um sentimento tênue, quente, que ela nunca tinha sentido antes, começou a se espalhar ao redor de seu coração.
E o mesmo acontecia com o homem.
Os fios turvos de seus cabelos cor de rosa começavam a se torcer como vinhas ao redor do pescoço dele.
Porém, era uma dor doce. Uma sensação fria percoria sua coluna vertebral.
‘...E se...’
**—tempo de avanço—**Ferio lentamente abriu a boca.
‘Não.’
Então, de repente, soltou uma risada curta e se corrigiu.
‘Não existe coisa de “e se”.’
A voz dele, que há poucos momentos tinha sido lenta e cautelosa, agora carregava força.
Porém, seus olhos negros que olhavam fixamente para Varia tremiam levemente.
‘Eu com certeza...’
Ferio falou bluntamente.
‘Sou atraído por você, senhorita Varia.’
N naquele momento, Varia abriu levemente os lábios. Ferio sentiu claramente ela respirar fundo com força.
Ela se sentia um pouco como uma pervertida, mas não era tudo isso tão desagradável.
Quando Varia percebeu que Ferio estava sorrindo para ela, seu rosto ficou vermelho como uma maçã madura.
‘Desculpe por uma confissão tão pouco romântica.’
Ao balançar a cabeça, seus narizes se tocaram.
‘Eu—Eu...!’
Varia rapidamente recuou, tremendo sem conseguir olhar nos olhos dele.
‘Por favor, me diga sua resposta mais tarde.’
Mas Ferio a tranquilizou suavemente, levantou-se e saiu do lugar. Varia também se levantou.
No entanto, seu rosto, agora tingido de vergonha, parecia tão pesado que ela mal conseguia levantá-lo.
‘Eu também não tenho direito de repreender o Leo.’
Nesse instante, o coração ardente de Varia sentiu-se como se tivesse sido despejado com água fria.
Ela se lembrou do boato de que Ferio uma vez realmente amou uma mulher — a mãe de Leonia.
***
“Obrigada a todas por virem.”
A festa do chá da imperatriz Tigria foi realizada perto do jardim favorito dela. Todas as flores coloridas e belas tinham sido cuidadas pessoalmente pela imperatriz.
Uma brisa suave carregava o aroma delicado das flores.
Gazebos elegantes se espalhavam amplamente, e sob eles, foram dispostas três mesas redondas.
“O tempo da primavera já está passando para nós.”
A imperatriz olhou ao redor para cada uma das nobres sentadas e sorriu suavemente.
“Queria compartilhar esse sentimento que ainda persiste com todas vocês, por isso organizei essa reunião.”
A imperatriz foi a primeira a levantar sua xícara de chá aos lábios. Seu pescoço delicado e pálido se moveu suavemente ao engolir.
“Agradeço o gentil convite de Sua Majestade.”
Que o Império Bellius seja eternamente glorioso — Leonia também tomou um gole de chá.
A filha de um duque, segunda em importância somente à imperatriz, levantou sua xícara com tanta graça impecável que até os adultos ao redor ficaram quietamente impressionados.
Leonia sentou-se na primeira mesa, reservada às nobres de maior importância, com o assento logo à direita da imperatriz Tigria.
No entanto, o assento à esquerda da imperatriz estava vago.
Logo, as outras nobres também começaram a beber seu chá.
A imperatriz Tigria observava com expressão satisfeita.
“Vamos aproveitar esse momento juntas.”
A festa do chá tinha começado.
A imperatriz foi a primeira a se levantar. As outras nobres logo a seguiram.
Embora houvesse assentos designados, assim que a festa começou oficialmente, as nobres naturalmente se reuniram com aquelas que conheciam.
Leonia olhou de relance as convidadas e admirou silenciosamente o equilíbrio da sala.
A imperatriz havia convidado mulheres de diferentes linhagens políticas, com uma distribuição equilibrada.
Não estava fortemente inclinada para apoiantes do Império nem favorecia demais o faccionamento nobre.
“Unnie, é verdade?”
Mas, no momento, Leonia não se importava com isso.
“Seu pai realmente confessou para você?”
Ela perguntou em tom mais baixo possível para evitar ser ouvida, mas seu tom de urgência entregou sua ansiedade.
“......”
Porém, Varia permaneceu em silêncio.
“Sinto muito mesmo.”
Ela até pediu desculpas.
“Por que está pedindo desculpas?”
Leonia perguntou, surpresa.
“Bem... deve estar chateado com isso...”
Varia, subitamente abatida, não conseguiu sequer olhar para Leonia e apenas encarou sua xícara de chá com tristeza.
“Não, de jeito nenhum.”
Leonia olhou ao redor, então puxou Varia para trás de uma árvore, um pouco longe da festa do chá.
As nobres estavam esperando uma oportunidade de falar com elas, então precisavam de um lugar mais privado.
“Unnie, você odeia meu pai?”
“Eu não o odeio.”
Claro que ainda era cedo demais para dizer que gostava dele.
Ela estava atualmente encantada pelos músculos de Ferio. Então, se alguém perguntasse se ela gostava do homem chamado Ferio, ela não saberia responder claramente.
Mas, quando ele confessou, seu coração acelerou loucamente.
Foi tão surreal que ela chegou a se perguntar se tinha sido drogada por um instante.
“Mas o Duque tem alguém que guarda no coração, não tem?”
Assim que se lembrou disso, seu humor caiu como uma pedra.
E ela, de repente, se sentiu enojada consigo mesma por ter deixado seu coração acelerar, e culpada por Leonia, que nada sabia.
“Você quer dizer meu pai?”
Leonia apenas parecia confusa.
Desde que Ferio a adotou, ele não tinha nenhum relacionamento assim com alguém.
<Será que ela quer dizer o Tio Lupe?>
Leonia estreitou os olhos.
Isso poderia ter sido algo do passado, mas agora Lupe era casado com Inseréa e tinha filhos. Um verdadeiro homem de família.
O pervertido obcecado por músculos tinha padrões. Leonia evitava homens que já estivessem comprometidos.
“Sua mãe.”
A voz de Varia estava fraca, como se pudesse desabacar a qualquer momento.
“Huh?”
Ao ouvir o nome inesperado, Leonia quase cambaleou onde estava.
“Eu não tenho mãe.”
Pois sua mãe biológica agora repousava eternamente no território Urmariti.
“Por favor, não diga isso!”
Varia clamou, devastada.
“Ela te amava!”
“Como você sabe disso?”
Até eu nem me lembro mais.
Leonia não tinha memórias antes dos cinco anos. Ela permanecia cética quanto à sinceridade do amor de Regina por ela.
Mesmo que não fosse verdadeiro, ela entendia. O homem que ela amou e que a traiu mal poderia ser considerado um lixo.
Amar uma criança que partilhava do sangue daquele homem poderia ser visto como uma forma de tortura. Leonia, a própria, aceitava com desdém calmo.
‘...Ah.’
Os olhos de Leonia se arregalaram subitamente, enquanto ela pensava seriamente se Varia tinha perdido a cabeça.
‘Essa, unnie!’
Finalmente, Leonia percebeu a que tipo de mal-entendido Varia tinha caído.
‘Não é de se espantar que estivesse tão frustrada!’
Ela vinha se perguntando por que assistir Ferio e Varia era tão frustrante — como comer batata-doce crua sem água.
Varia tinha caído naquele clássico mal-entendido idiota que as protagonistas femininas dos romances sempre têm.
Era o boato falso que Ferio espalhara por causa de Leonia.
‘Ferio Voreoti uma vez amou de verdade uma mulher comum.’
Um duque que amou uma plebeia com todo o coração.
Uma mulher que morreu, deixando uma filha jovem para trás.
Mas, na verdade, essa mulher nunca existiu de verdade.
“Sua unnie boba!”
Finalmente, Leonia liberou toda a sua frustração acumulada e deu um tapa firme nas nádegas de Varia.
“Eek!”
Era a primeira vez na vida que Varia levava uma palmada, e seus olhos se arregalaram de surpresa.
Mesmo assim, não foi suficiente para Leonia, que deu mais duas palmadas nela.
“Isso é mentira!”
Preocupada que Varia pudesse entrar em outro mal-entendido ridículo, Leonia se apressou a explicar a verdade.
“Aquela pessoa é, na verdade...!”
Justo quando ia revelar a verdade, Leonia calejou a boca.
“Oh, meu Deus.”
Uma voz pura e inocente soou docemente.
“Do que vocês duas estão cochichando tão docemente aí atrás?”
“...Pedimos desculpas.”
Leonia, que pouco antes tinha aberto sua alma, virou-se com um sorriso educado.
“Devemos ter feito barulho demais.”
Ela fechou os olhos redondos.
“Ah, não; graças a isso, consegui encontrar a Senhora Voreoti e a Senhorita Varia.”
Um sorriso tão revigorante quanto uma floresta de árvores sempre-verdes foi direcionado a Leonia e Varia.
Leonia olhou para a mão de Varia, que tinha se movido suavemente para trás, como se quisesse protegê-la.
“Faz um tempo que não nos víamos.”
Varia falou primeiro.
“Sua Alteza, a Consorte.”
A consorte Usia soltou uma risada suave, brincalhona, pelo nariz.
“Faz realmente um tempo, senhorita Varia!”