Me tornei a filha adotiva do protagonista masculino.

Capítulo 152

Me tornei a filha adotiva do protagonista masculino.

A princesa sempre viveu escondendo sua verdadeira identidade,[N O V E L I G H T] então ela sentiu um leve sentimento de gratidão por Leonia por reconhecer quem ela realmente era.


Claro que ela não tinha intenção de dizer isso em voz alta.


"Vamos nos mudar para outro lugar?"


Leonia foi a primeira a falar.


"Agradeceria muito," respondeu prontamente a princesa. Seria complicado se alguém ouvisse o que eles estavam conversando.


Elas entraram em um dos quartos vagos e, assim que ficaram dentro, Leonia trancou a porta.


Clique. Ao ouvir o som do trinco, a princesa Scandia estremaceu.


"Não vou te comer nem nada do tipo."


"Você parece que poderia," disse a princesa de forma direta.


"Então, o que exatamente você quer de mim?"


"Eu não quero nada."


Leonia já sabia a verdade desde a história original. Que a princesa Scandia nasceu homem—e por que ela se vestia dessa forma.


"Você realmente puxou ao seu pai."


Como esperado.


"O Sir Ibex está bem?"


Ao mencionar seu "pai", a princesa Scandia segurou a espada na cintura. O clima, que antes parecia estranhamente calmo apesar da tensão, ficou perigosamente sério em um instante.


Seu nível de habilidade foi suficiente para assustar até Leonia, que já tinha caçado monstros antes.


Mas essa era só a extensão disso.


Leonia apenas encarava de volta a princesa, que permanecia em postura de guarda. O olhar inabalável nos olhos dela assustava muito mais a Scandia do que o contrário.


Aquela intenção de matar não era nada perto da fera negra.


Ela já sabe usar ora?


Pelando pelo jeito que segurava a espada e pela aura incomum ao seu redor, provavelmente ela já tinha atingido o nível de uma mestre com habilidade de usar ora livremente na idade dela.


Mesmo que não, era certo que ela possuía habilidades próximas a isso.

Ela tem só dois anos a mais que eu, não é?

Para ter esse porte e habilidade aos quatorze anos—impressionante.

Leonia olhou com grande satisfação para o futuro espécime de musculoso que era a princesa Scandia. Aquele rosto bonito também era exatamente do seu tipo.

Deveria se dar bem com ela.

Heheheh. Leonia sorriu com um brilho estranho que fez a princesa recuar um passo.

"Por que você está me olhando assim?" perguntou, desconfiada.

"Como assim?"

"Como se fosse me devorar."

"Disse que não estou."

...Não que ela desejasse, no futuro, se transformar naquela fortona bonita, pensou, mas manteve para si mesma.

"Enfim, tudo bem com você?"

"Deve ser difícil para você sair assim todo dia."

Afinal, a princesa Scandia era, literalmente, uma "princesa". Vivendo disfarçada de menina e escondendo que era homem, qualquer saída às ruas carregava riscos sérios.

"... É por isso que estou vestida assim."

Relaxando um pouco sua guarda, a princesa relaxou os ombros. Passou a palma da mão na superfície do uniforme.

"Ficar presa dentro de casa o tempo todo é sufocante. Então, minha mãe me leva para passear com ela de vez em quando, como uma guarda."

"E quem fica na suíte da princesa?"

"Uma substituta."

A filha de uma dama de companhia que servia à imperatriz fazia o papel na ausência dela.

"Isso é uma informação importante para compartilhar comigo."


"Você já sabe de tudo, não é, Lady Leonia?"


A princesa afrouxou o colar do uniforme enquanto falava. Sua maçã do rosto se destacava claramente sob a gola aberta.


Ainda aos quatorze anos, era inconfundível que era um menino.


"Vestir-se de menina está ficando cada vez mais difícil," ela murmurou, com a voz tremendo junto com sua maçã do rosto.


Leonia de repente se lembrou da infância da princesa.


Na época, mesmo ao ver Ferio, ela não chorava. Seu cabelo já fora tão prateado transparente quanto o da imperatriz, mas agora tinha uma tonalidade de cinza opaco.


Mesmo assim, suas feições ainda eram belas e encantadoras.

Eu pensei que só nossa família era uma confusão...


Sem perceber, Leonia estendeu a mão e brincou com o cabelo de Scandia. A princesa ficou surpresa com o gesto casual.


Seu cabelo prateado com manchas de cinza brilhava entre os dedos de Leonia.

A Imperatriz também é alguma coisa.

Olho por olho, mentira por mentira.

Traição respondida por traição, talvez.

A princesa Scandia era filha de um breve momento entre a imperatriz Tigria e seu antigo amante, Ibex.


"Então, o Segundo Príncipe..."


"Não duvide do meu irmão."

A expressão da princesa ficou firme. Pela primeira vez, Leonia sentiu um calafrio percorrer sua espinha.


"Meu irmão é inocente."


Ou seja, a linhagem do Segundo Príncipe é verdadeira e incontestável.


"Esse não é o ponto."

Leonia soltou o cabelo prateado.

"Por sua causa e pela Sua Majestade."

Mesmo que o sangue do imperador corresse pelas veias dele, o fato de sua mãe ter tido outro filho com um homem diferente já era suficiente para questionar a legitimidade de sua herança.

Por isso, a imperatriz Tigria disfarçou seu segundo filho como uma filha.

Ela até o criou para parecer fraco e delicado, alguém que poderia desmaiar ao menor sinal de esforço.

Por uma única razão—

Para salvar ambos os filhos.

A criança que carregava sangue imperial sobreviveria no palácio, e a que tinha sangue ocidental sobreviveria no Ocidente.

Na história original...

Leonia se lembrou da história que conhecia.

A princesa Scandia foi enviada à propriedade dos Hesperi no Oeste sob a desculpa de precisar de convalescença.

Pouco tempo depois, o Segundo Príncipe ascendeu ao trono, e a princesa revelou sua verdadeira identidade.

Um novo herdeiro do Oeste—e o próximo Marquês de Hesperi—nasceria.


***

Após finalizar o agradável chá, Leonia foi direto procurar Ferio.


"Papai! Papai! Papai!"


"O quê? O quê? O quê?"


Leonia correu em círculos ao redor de Ferio, chamando. Ferio respondeu a cada chamado e carinhosamente acariciou sua cabeça animada.


"Ugh, fui totalmente arrasada lá na propriedade Rinne."


"Não me diga que se meteu em confusão com a dona da casa..."


"Não foi bem assim!"


Leonia, sempre culpada pelo seu longo histórico, gritou instintivamente.


Ferio acreditou na palavra dela e se acomodou no sofá da sala de estar.


Leonia se jogou e apoiou a cabeça na perna firme dele, cobrindo seu vestido com um cobertor próximo.


"Manda todo mundo sair."


"Todo mundo, fora."


Ao comando de Ferio, os criados saíram silenciosamente da sala.


Só depois que a porta se fechou com um clique suave, Leonia começou a falar animadamente sobre tudo que acontecera na propriedade Rinne.


"......"


À medida que a história avançava, o rosto de Ferio se contorcia cada vez mais de desagrado.


"Leonia, você tem uma baita lábia."


Ele rangeu a língua ao terminar, embora o suspiro não fosse dirigido à filha.


O alvo era a princesa Scandia e a imperatriz Tigria—mais especificamente, a imperatriz.


Ela fez de propósito.


Ela sabia que Leonia estaria lá.


Ferio afastou os cabelos dela. Sua testa lisa e arredondada apareceu por entre a gola aberta.


Deitara no colo do pai, Leonia exibia um sorriso bobo e despreocupado.

"O que há de tão engraçado?"

Essa criança ingênua...

Ferio a repreendeu com um gemido.

"O que você falou com a imperatriz?"

"Mmm..."

Leonia lentamente se sentou e fez um breve resumo da conversa durante o chá.

"Ela perguntou sobre você, seu negócio de relógios, e se você vai participar do próximo banquete."

Enquanto falava, bagunçava os fios de cabelo emaranhados com a mão.

"No começo, pensei que ela só tinha passado por aí por ser amiga da Lady Abipher e ter me visto por acaso..."

Ela fez uma pausa, pensando por um momento, e continuou.

"Mas parecia que minha presença realmente foi o principal motivo da visita."

Ferio pensou da mesma forma.

Não havia como a imperatriz fazer algo tão ousado sem um propósito—muito menos trazendo a princesa junto.

Qual é a dela?

Para o mundo, a imperatriz Tigria era vista como uma mulher derrotada—abandnada pelo imperador e humilhada por uma concubina comum.

Mas quem realmente a conhecia, nunca a descreveria assim.

Ferio, por exemplo, conhecia a verdade.

A imperatriz era uma fera selvagem.

Seu casamento com o imperador foi um completo desastre, mas ela nunca era alguém que apenas suportava tudo em silêncio.

Crescida com o orgulho de uma guerreira, ela desistiu do imperador cedo demais.

Permaneceu no palácio imperial só por causa de seu papel como imperatriz e das obrigações que isso trazia.

Fria e resoluta até consigo mesma, a imperatriz Tigria teve um filho com o imperador apenas por obrigação. Assim nasceu o Segundo Príncipe.

Para Ferio, isso já dizia muito sobre o quão formidável ela era.

Então, se essa mesma imperatriz fez questão de ir até a propriedade de um conde só para ver Leonia, era natural que Ferio ficasse em alerta.

"Ela está tentando arranjar um casamento?"

Leonia murmurou.

"...Voreoti está proibida de se casar com a realeza."

Ferio, pensativo, respondeu com firmeza. O pior cenário que ele tentava ignorar agora veio à tona com as palavras da filha.

Ele não pretendia emparelhá-la—nem agora, nem nunca.

Mesmo que aquele acordo antigo entre Voreoti e a família imperial, proibindo casamentos, não existisse mais, isso seria absolutamente inaceitável.

"Mas a princesa tecnicamente não é realeza."

Leonia soltou, como se estivesse tirando algodão da roupa.

Se a princesa Scandia acabasse vindo para o Oeste, como na história original, e se tornasse herdeira da Casa Hesperi, não haveria problema em ela se casar com Leonia.

"Você gosta dela?"


Ferio perguntou nervoso.


"Papai."


Leonia balançou a cabeça.


"Ela só tem quatorze anos."

Ela deu uma risadinha, como se dissesse: com essa moleca aí, o que eu que faria?


"Embora... se ela se tornar uma gostosa fortona, aí é outra história."

O pervertido sempre preparado deixou um espaço de manobra.


"Nem existe uma pessoa assim neste mundo."

Ferio afirmou categoricamente.

"Mas você é um gostoso fortão, papai."

"Sou o único."

Ferio se corrigiu imediatamente. Ou seja, nenhum homem seria bom o suficiente para Leonia. Nunca.

"Só leva a criança e joga o homem."

"Esse talvez seja seu pior momento de pais."

Leonia balançou a cabeça.

Realmente, tinha um talento—de dizer aquelas besteiras com uma expressão totalmente séria.

Isso nem é o problema agora!

Honestamente, seus futuros potenciais namoros não lhe importavam no momento.

Será que papai realmente não sente nada pela Varia?

Ele é mesmo um eunuco?

A menina estava ocupada demais arquitetando um relacionamento inadequado entre seu pai e a tutora moradora.


***

Enquanto Leonia tramava seus planos…


"......"


Varia estava mergulhada em profundas reflexões.


Diante dela, estava o caderno de anatomia muscular que Ferio lhe dera—desenhado por Leonia quando tinha apenas nove anos.


Em uma das ilustrações, Ferio estava de pé, vestindo uma camisa abotoada e calças, olhando para o lado.


Devido à postura, a região da lombar e da cintura estavam levemente torcidas—e Leonia desenhara essa área nua.

Ao lado de cada músculo projetado, estava o nome anatômico oficial.

Ela é realmente talentosa...

Varia não conseguiu parar de ficar impressionada.

Isso não era obra de uma criança de nove anos. Nem mesmo de uma de doze anos ela conseguiria fazer um desenho assim.

O detalhamento na arte superava até tinta de selo diretamente sobre músculos reais. Era tão realista que parecia que se mexeria a qualquer momento.

Nem artistas profissionais conseguiriam renderizar músculos com tanta precisão assim.

Uma verdadeira pervertida culta...

Recentemente, Varia começou a conhecer melhor alguns funcionários da mansão e trocava cumprimentos com frequência.

Principalmente depois de se tornar amiga das damas de companhia Connie e Mia, ela soube de algo importante.

"A garota é uma pervertida culta."


"Pervertidos cultos são os mais assustadores."


Ambas se referiram abertamente à garota que serviam como "pervertida."

Varia sentiu um calafrio na espinha.

Na antiga propriedade Erbanu, alguém dizendo isso do próprio mestre seria punido severamente e expulso sem sequer uma carta de recomendação.

Mas Connie e Mia nem se preocuparam em disfarçar, já falando logo.

"Eu estudei bastante, afinal!"

E Leonia ainda se juntou a elas, orgulhosa, chamando-se de pervertida.

Varia, então, passou a admirar de verdade Ferio por tolerar—não, por aceitar—esse hobby tão bizarreiro. Isso, ela concluiu, era amor verdadeiro.

E talvez… ela estivesse um pouco ciumenta.

Mesmo assim, o dilema de Varia não tinha a ver com uma nostalgia romântica melancólica.

"Músculos são… muito legais..."

Ela tinha acabado de descobrir um mundo totalmente novo.

Comentários