Me tornei a filha adotiva do protagonista masculino.

Capítulo 151

Me tornei a filha adotiva do protagonista masculino.


Leonia sorriu maliciosamente e brincou ainda mais alto.


"Mãe adotiva, o que aconteceu?! Onde ficou aquela confiança que você tinha naquela época?!"


"Unnie, que vergonha!"


"Achou que já era tarde demais para me impressionar agora? Hm~?"


"Que coisa cruel! Não me zua!"


Logo, as duas garotas estavam rindo e se perseguindo pela mansão.


"Vocês três danadinhas."


Por fim, Abipher foi buscar as crianças quando elas não voltaram. Apesar do tom de repreensão, seu rosto estava sorridente.


"Senhora Abipher!"


Leonia a cumprimentou com cordialidade.


"Como tem passado?"


"E a senhora, Lady Leonia—tem estado bem?"


"Passei a achar que Ufi tinha uma irmã escondida!"


Leonia manteve a compostura, comentando como Abipher de alguma forma ficava mais bonita a cada encontro. Os olhos de Abipher se curva suavemente.


"Não me dê puxões de orelha assim. Pode até que eu acredite."


"Quando foi que eu disse algo que não quis dizer?"


"Por que está tentando roubar minha mãe de novo?" Ufikla se colocou na frente de Abipher, encarando Leonia com desconfiança.


"Eu não mexo naquilo que já está reivindicado."


As três entraram numa sala.


Era uma sala de estar pintada de branco puro, com janelas de vidro amplas que davam vista a um jardim repleto de flores de primavera.


"Perdão por fazer vocês esperarem."

Leonia fez uma reverência polida, levantando a saia do vestido.


Já havia outra convidada dentro.


"É uma honra conhecê-la."


A menina de cabelos negros se dirigiu à mulher de cabelos prateados.


"Leonia Voreoti cumprimenta Sua Majestade Imperial, a Imperatriz do Império."


***


A relação entre Leonia e a Imperatriz Tigria remonta a cinco anos atrás.


No primeiro banquete imperial realizado após a morte do imperador anterior, Leonia revelou sua existência por meio do poder das Presas da Besta.


Ela entregou alguns caramelos com sabor de morango como um aviso preventivo. Graças a isso, evitaram os efeitos mais graves das Presas.


A Imperatriz foi uma das poucas a saber.

Em troca, a Imperatriz Tigria enviou um presente pelo oitavo aniversário de Leonia.

Mas elas nunca haviam se encontrado pessoalmente—até agora.


"Não é estranho?"


A Imperatriz Tigria gentilmente fez rodar a xícara de chá. Um aroma floral perfumado subiu da borda do porcelana.


Seu olhar, que antes estava fixo na xícara, agora se virou para Leonia.


Com seus cabelos prateados elegantemente presos, a Imperatriz parecia régia e bonita.


Mesmo sem poder mentir sobre um casamento feliz, nenhum vestígio de amargura era visível em seu rosto.


Esse tipo de coisa, ela parecia dizer, não é o suficiente para definir a vida de uma Imperatriz.


"Esta é minha primeira vez conhecendo a jovem senhora Voreoti, e mesmo assim parece que estou vendo alguém que conheço há anos."


"Sinto o mesmo."


Leonia sorriu brilhantemente, sem uma sombra de falsidade em seu rosto.


"Estou realmente impressionada por estar na presença de Vossa Majestade, a quem admiro desde sempre."


"Que lisonja..."


Ufikla, impressionada, fez uma expressão sutil até que Abipher lhe deu um olhar silencioso.


"Mas ainda—"


Leonia falou com cautela, a expressão levemente regretosa.


Seus olhos negros arredondados observaram sua própria aparência com um olhar desafiante.


"Não tenho certeza se estou vestida de forma digna para ficar ao lado de Vossa Majestade..."


Quer dizer, estou feliz por ver a Imperatriz, mas não há um certo decoro a ser mantido? Quase desmaiei no momento em que entrei na sala de estar.


As palavras tímidas de Leonia carregavam um subtexto surpreendentemente profundo.


"Você fica bem com qualquer roupa, assim como seu pai. Não há motivo para preocupação."


Você é a cara do seu pai.


A Imperatriz Tigria lhe deu um sorriso gracioso.


"Prometo que na próxima visita estarei mais bem arrumada."


Vamos marcar nosso próximo encontro de forma adequada.


"Vou esperar para te ver ainda mais bonita, então."


Na próxima vez, não vou ligar antes também.


A sala de estar se encheu de risos suaves e refinados. Era uma guerra sutil de expectativas entre a pequena fera e a tigresa imperatriz.


"Ufi, presta atenção."


Foi assim que Abipher sussurrou, alto o suficiente para sua filha ouvir.


Ufikla assentiu, os olhos brilhando.


Era a ocasião perfeita para dar uma espiada nos círculos sociais, que eram considerados mais assustadores do que qualquer campo de batalha ensanguentado.


"Mas o que trouxe ela aqui hoje?"


Leonia bebericou seu chá, pensando.

Mas não podia simplesmente perguntar à Imperatriz do Império qual negócio a trouxe até ali.


"Tenho uma amizade com a Condessa de Rinne."

Como se estivesse lendo seus pensamentos, a Imperatriz Tigria falou.

"Quando sinto saudade da minha cidade natal, às vezes venho aqui tomar chá."

Seu tom dizia que isso acontecia raramente, mas seus olhos brilhavam com saudade.

Leonia logo percebeu que essa saudade não era apenas pelo Oeste ou pela propriedade do Marquês de Hesperi.

"Ibex."

O único homem que a Imperatriz sempre amou.

Leonia entendeu que a Imperatriz Tigria ainda não o tinha esquecido.

Mas a ternura em seus olhos durou apenas um instante.

Logo, ela a apagou e olhou de volta para Leonia e Ufikla.

"E, por acaso, ouvi dizer que hoje teríamos duas jovens convidadas encantadoras. Por isso, decidi vir."

"Fico feliz por estar aqui com Vossa Majestade," disse Ufikla sinceramente.

Comovida com a sinceridade da menina, a expressão da Imperatriz suavizou-se com um sentimento genuíno de gratidão.

"......Mas Vossa Majestade," disse Leonia, olhando para a pessoa que vinha chamando sua atenção desde antes, "quem é aquela atrás de você?"

"Ai, meu Deus, esqueci de apresentá-lo."

A Imperatriz Tigria apresentou o jovem cavaleiro que estava atrás dela o tempo todo.

"Meu guarda-costas. Ele também é do Oeste, então às vezes o levo comigo quando saio."

O jovem cavaleiro fez uma reverência rápida. Seus cabelos prateados cintilavam com uma leve poeira de cinza.

Leonia olhou para ele em silêncio. Sua estatura alta e corpo forte sugeriam que fosse disciplinado e dedicado ao trabalho.

Porém, as feições juvenis em seu rosto denunciavam sua pouca idade.

"......"

Leonia logo desviou o olhar do cavaleiro.

O clima na sala de estar permanecia acolhedor e amistoso.

Todos ali tinham um sentimento mútuo de boa vontade, tornando o ambiente bem mais relaxado do que uma reunião social comum.

Já o cavaleiro não dizia uma palavra sequer.

"Vossa Majestade."

Um momento depois, o cavaleiro chamou a atenção da Imperatriz. Depois de trocar um breve sussurro, ele fez uma reverência novamente, pedindo silenciosamente permissão para sair, e saiu da sala.

Toc. (som de algo caindo ou batendo)

"Oh, céus."

Leonia se ergueu de repente.

"Unnie, tudo bem?"

Ufikla também se levantou.

"O que aconteceu?" perguntou a Imperatriz Tigria.

"A Senhora Voreoti derramou seu chá."

"Ai, será que queimou você?"

"Estou bem."

Leonia deu uma leve \u00e1gua na mancha com um lenço branco, apagando-a casualmente. O lenço rapidamente absorveu o chá.

Uma mancha apareceu no vestido amarelo dela.

"Vossa Majestade, posso me retirar por um instante?"

"Claro. Não se preocupe."

A Imperatriz deu permissão com um sorriso.

"Vou mandar uma criada acompanhá-la—"

"Já estive aqui mais de uma vez."

Leonia explicou a Abipher que sabia onde tudo ficava e saiu sozinha da sala de estar.

Assim que se afastou do sol acolhedor e do perfume das flores, um calafrio percorreu seu corpo, apesar do ar de primavera.

A garota respirou fundo, tremendo levemente, e olhou ao redor.

Depois, caminhou com passos confiantes pelo corredor.

Ela já tinha visitado a propriedade do Rinne tantas vezes que não hesitou.

Justamente então, uma das portas do corredor se abriu lentamente.

A figura que surgiu foi o jovem cavaleiro que estava atrás da Imperatriz.

"Era isso mesmo, Senhor Cavaleiro."

Leonia se aproximou e o cumprimentou.

Ele se assustou, claramente surpreso, como se tivesse se descuidado.

Mas logo se endireitou e deu um passo de lado, como para deixá-la passar.

"Espere um instante."

Porém, Leonia não passou.

"Já nos conhecemos, não foi?"

A garota parou, interrompendo o cavaleiro que tentava seguir em frente.

"De jeito nenhum," ele disse.

Foi a primeira vez que ele falou. Sua voz tinha uma leve rachadura—ainda claramente passando pela puberdade.

"Primeira vez que te conheço, Lady Leonia."

"Sério?"

"Talvez você esteja me confundindo com outra pessoa."

"Não é provável."

O que você acha que são meus instintos?

Leonia, agora bem na frente dele, levantou o pé e o colocou contra a parede, bloqueando seu caminho.

Ele, assustado, virou o rosto ao ver sua saia deslizando pela perna levantada.

"Ah, entendi..."

"Estou usando shorts por baixo."

"Isso não é o problema..."

A conversa era claramente unilateral.

O cavaleiro, por fim, suspirou derrotado e lançou um olhar para a garota na sua frente.

Seus olhos diziam exatamente o que ela queria ouvir.

"A gente não é estranha, né?"

Leonia sorriu docemente.

"Certo, Vossa Alteza?"


***


Logo após chegar à propriedade—


Ufikla entregou a Leonia uma mensagem sussurrada.

'Vossa Majestade, a Imperatriz, chegou.'

Originalmente, o plano era que Leonia desfrutasse do chá com as damas Rinne—apenas elas três.

Porém, uma convidada inesperada chegou.

'Tudo bem.'

Leonia não se incomodou muito. Sabia que a Imperatriz Tigria e Abipher tinham uma ligação forte por causa de suas origens ocidentais.

Foi surpreendente, mas não suspeito.

O que realmente chocou Leonia foi o jovem cavaleiro seguindo a Imperatriz.

'Princesa Scandia!'

Ela a reconheceu instantaneamente.

Elas tinham se cruzado brevemente quando eram mais jovens. E agora, lá estava ela, vestida com uniforme completo de cavaleira, atrás da Imperatriz.

Assim como Leonia ficou atônita, a princesa também deu um sobressalto ao vê-la entrar na sala de estar.

Porém, ela rapidamente recobrou a compostura.

"Sua Majestade é realmente audaciosa."

Leonia cruzou os braços e provocou.

"Por que se esforçar tanto?"

"Não sei o que você quer dizer," respondeu a cavaleira, tentando esconder sua surpresa.

Leonia achou a atitude desajeitada divertida.

"A Sua Majestade a Imperatriz é mãe do Segundo Príncipe e da Princesa."

"Isso é o que o público acredita, sim."

"Não é boato. É fato."

"Parece que nossa cavaleira, entre aspas, não sabe muito sobre mim."

Leonia sorriu abertamente, colocando um fio de cabelo fora do lugar com toda a elegância que tinha.

Não havia dúvida de quem estava levando a melhor nesta troca.

A princesa Scandia—não, a cavaleira—franziu a testa, percebendo a derrota se aproximando.

"Soube que você era menino assim que te vi pela primeira vez."

"......"

"Até naquela época, sua estrutura óssea era totalmente diferente."

"Você descobriu isso por isso?"

A princesa ficou pasma.

"Aha! Sabia!"

Leonia sorriu vitoriosa.

A princesa Scandia percebeu que tinha caído numa armadilha.

Ela soltou um suspiro profundo, lançando um olhar de lado para Leonia.

A expressão convencida da menina era irritante—mas não completamente desagradável.

E, de forma estranha, era até um pouco refrescante.

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