
Capítulo 150
Me tornei a filha adotiva do protagonista masculino.
"E-Você quer a minha mão?"
"Só entrega aqui por enquanto."
Ferio clicou ligeiramente com a língua.
Varia recuou, depois hesitou por um longo tempo até finalmente, com cautela, estender a mão.
Uma mão bem menor repousava sobre uma maior. Um arrepio intenso percorreu todo o corpo de Varia.
A mão de Ferio era grande e robusta.
"Você tem mãos grandes," disse Varia sem pensar. Sua própria mão parecia um bebê em comparação.
Curiosa, Varia moveu os dedos levemente.
A palma que tocou suas pontas dos dedos era sólida e áspera. As calosidades que ela tinha visto na mão de Leonia eram de longe inferiores.
Mas também era muito quente.
"Mas... por que a minha mão...?"
Justo quando Varia ia perguntar por que ele havia pedido a mão dela, ela levantou o olhar.
E parou no meio da frase.
"......"
Ferio observava sua mão com um olhar extremamente cuidadoso.
Ele parecia fascinado, como uma criança vendo um filhote de cachorro pela primeira vez.
Ele até tocou suavemente a parte de trás da mão dela com o polegar.
Surpresa, Varia abriu a boca para dizer algo—but Ferio simplesmente pegou sua mão de surpresa.
Ele fechou todos os dedos dela, exceto o indicador.
"Começando daqui, um."
Ele aproximou a mão dela ao seu torso.
"Dois, três..."
Ferio guiou o dedo de Varia pelos relevos do seu abdômen, contando cada um deles.
O dedo desceu lentamente da parte logo abaixo do peito, um por um, até parar em "oito."
bem próximo à pelve.
"O reto abdominal é o nome do músculo," explicou educadamente, como se estivesse dando uma aula muito gentil. "Refere-se aos músculos segmentados que você vê aqui na barriga."
"Se passar daqui para..."
Se Ferio apontasse para o nono, seria abaixo da cintura.
"...não seria uma boa ideia, né?"
Depois de ensinar tudo, Ferio perguntou com um tom cortês, mas seus pensamentos não eram nada gentis.
'Estou louco...?'
Perdeu a cabeça?
Ferio não conseguia entender por que havia feito algo tão ridículo.
Ele ficou realmente surpreso consigo mesmo. Inesperadamente, seu rosto denunciava sua vergonha.
Só o fato de ter pedido a mão de Varia em primeiro lugar já era absurdo.
Ele poderia ter simplesmente apontado para o seu estômago — ou explicado com palavras, pelo menos.
Mas quando viu a suposição totalmente equivocada dela, uma estranha vontade brincalhona surgiu nele.
'Eu nem sou Leonia.'
Estar fazendo esse tipo de coisa pervertida.
Ferio, que gostava de se considerar um cavalheiro, foi atingido por uma onda de culpa ★ 𝐍𝐨𝐯𝐞𝐥𝐢𝐠𝐡𝐭 ★.
"Senhorita Varia."
Ele abriu a boca para pedir desculpas, mas hesitou.
"......"
Varia ainda olhava fixamente para seu estômago, com a mão presa na dele.
Seus olhos verdes, como se penetrassem através da camisa dele, não piscavam uma única vez.
"Senhorita Varia?"
"Ah? Ah—sim!"
Saindo de seu devaneio, Varia ergueu a cabeça. Uma leve rubor tomou conta de suas bochechas claras.
"C-certo. Então, o músculo! Era esse o nome!"
"Você achou ruim?"
"Desculpe? Eu?"
Varia parecia realmente confusa.
"...Sério?"
Até então, Ferio estava honestamente perplexo.
"Só guiei sua mão pelo meu abdômen."
"Mas foi só isso."
Claro que, inicialmente, Varia tinha ficado assustada.
Qualquer um ficaria surpreso se de repente pegassem sua mão e a puxassem assim, na cara dura.
Especialmente quando quem fazia isso era o famoso e bonito duque do Norte.
Varia ainda era humana, afinal.
Ter um homem tão charmoso na sua frente definitivamente a fazia esquentar as bochechas.
Seu coração bateu especialmente forte quando ele explicou que "reto abdominal" era o nome de um músculo real na barriga.
Mas, de verdade, era só isso.
"Vossa Graça é muito bonito, então acabei ficando um pouco nervosa."
Varia admitiu sinceramente, sorrindo brilhantemente.
A expressão de Ferio suavizou-se por um instante. Mesmo sendo algo óbvio, ouvi-lo era agradável por algum motivo.
"Mas não se preocupe," continuou ela.
"Eu certamente não me apaixonei por você!"
Naquele momento, Ferio foi subitamente tomado por um sentimento muito desagradável.
"De jeito nenhum?"
"De jeito nenhum!"
"Tem certeza?"
"Estou completamente focada em separar trabalho e questões pessoais!"
Varia respondeu com toda confiança, orgulhosa, explicando que trabalhou no Tesouro sem ter um único escândalo.
"Pode confiar em mim totalmente!"
Seu rosto cheio de determinação irradiava sinceridade.
Ferio a encarou silenciosamente, observando aquele rosto extremamente orgulhoso.
Seus olhos negros, estreitos, carregavam apenas uma faísca de decepção. Ele mesmo não sabia por quê.
Talvez seu orgulho estivesse levemente ferido.
'Estou realmente ficando louco.'
Parecia que... ele esperava algo.
"Então, é isso."
Sem conseguir se livrar da sensação estranha, Ferio virou-se abruptamente.
"Se me permite um conselho."
Ele caminhou atrás da mesa e puxou dois cadernos de uma gaveta.
"Nossa Leonia gosta muito de músculos."
"Parece mesmo gostá-los," concordou Varia.
"Você não nega?"
"Mas ela gosta deles."
Uma das coisas que mais chocaram Varia ao chegar na propriedade foi o amor intenso de Leonia por músculos.
Era um segredo bem guardado da duquesa Voreoti.
"Ouvi dizer que ela tinha como hobby desenhar."
"Esse hobby surgiu só pra ela poder desenhar músculos."
Ferio revelou a verdade oculta.
"Ela se considera uma ‘pervertida criativa,’ aparentemente."
"A-uma pervertida criativa?!"
Os olhos de Varia se arregalaram.
Ela ficou surpresa com o termo, algo que nunca imaginou que pudesse existir.
"Ela disse que, como não tinha um poço para beber água, decidiu cavar um ela mesma."
"Ela tá cavando um poço?"
A mandíbula de Varia caiu.
"Não literalmente."
Ferio franziu a testa levemente.
Por alguma razão, começou a ver a imagem de Leonia se sobrepondo à de Varia.
Ele não conseguia entender por que todas as mulheres ao redor dele insistiam em virar suas entranhas do avesso assim.
'Não... espera.'
Ferio parou no meio do pensamento.
Com Leonia, fazia sentido — ela era sua filha. Mas Varia era apenas uma contratada de aluguel.
'Deve ser o trabalho, me deixando cansado.'
Ele decidiu que era por isso que vinha agindo tão estranho hoje.
Desde que chegou na capital, não tinha tido uma pausa adequada. Por isso, até uma coisa trivial como essa o deixava tão desconcertado.
"De qualquer forma, seria bom você aprender sobre músculos."
Na verdade, era um conselho bastante útil.
Varia concordou.
"Então, vou te emprestar isso."
Como se estivesse concedendo um grande favor, Ferio entregou um dos dois cadernos que havia retirado.
Era um presente de aniversário que ela foi forçada a aceitar de Leonia no seu mandato de vinte e nove anos, quando ela tinha nove.
O que ficou na mesa de canto foi um caderno de esboços de croquis que ele havia confiscado dela recentemente.
"O que é isso?" perguntou Varia ao pegar.
"Um dicionário de imagens que a Leonia desenhou."
"Ai, meu Deus!"
Um sorriso nasceu ao pensar naquela doce afeição filial.
"Ele mostra meus músculos."
"Ai... meu Deus..."
O sorriso desapareceu diante do nível assustador de devoção.
Ao abrir, Varia viu inúmeras imagens de Ferio em várias poses — trabalhando na escrivaninha, segurando garfo e faca elegantemente, reclinado no sofá, treinando com a espada.
O estilo de arte era absurdamente detalhado. Parecia que Ferio próprio tinha sido transplantado para a página.
Quase parecia que as ilustrações poderiam se mexer se você esperasse o tempo suficiente.
Por um instante, Varia esqueceu que foi a própria Leonia quem as desenhou.
"Você vai perceber que os nomes dos músculos estão escritos ao lado do meu braço aqui."
Ferio se aproximou e explicou como interpretar o dicionário de imagens.
"Minha rotina diária está desenhada em ordem cronológica. Os nomes dos músculos estão do topo para baixo, então estude com atenção."
"Tem certeza que posso?"
Varia perguntou.
"A senhorita Leonia te deu isso como presente..."
"Então, tanto faz."
É meu de qualquer jeito.
Ferio deu uma imitação de tentativa de brincadeira e advertiu.
"Só não se apaixone por mim enquanto estiver aprendendo."
"Você também gosta de fazer piadas, Vossa Graça?"
Varia sorriu suavemente enquanto se virava para sair da sala de estar.
"...Aparentemente."
Até Ferio pareceu surpreso com suas próprias palavras.
"Parece que peguei isso da Leonia."
***
"...Droga."
Leonia de repente partiu para a maldição.
"O que foi, mana?"
Ufikla inclinou a cabeça, confusa, ao sair para cumprimentar.
"Nada. Só estou de mau humor."
"Você está doente?"
"Minha orelha está coçando."
Com o comentário repentino, Ufikla ficou ainda mais confusa.
"Parece que alguém está falando atrás das minhas costas."
Também havia uma superstição no Império — que, se sua orelha coçasse, alguém estava fofocando de você.
'Provavelmente meu pai...'
As presas da fera dentro dela rangiam como uma criança birrenta.
Sempre que Ferio a repreendia ou chamava ela de pervertida pelas costas, isso acontecia.
'Ele é o que realmente devo estar amaldiçoando agora.'
Desde que saiu da propriedade, a ansiedade de Leonia só aumentava, como as Montanhas do Norte.
Ela se preocupava se o relacionamento de Ferio e Varia era muito frio e sem emoções.
Os dois protagonistas, que supostamente deveriam acabar tendo uma rotina íntima só com um olhar... ao invés disso, tinham se unido ao educar uma menina de doze anos.
A menina de doze anos quase perdia a cabeça.
'Deveria intervir?'
Mas Leonia logo desistiu.
Amor não brota apenas porque alguém ajuda a planejar.
No final, dependia das próprias pessoas envolvidas.
'Se tudo der errado, eu choro.'
No pior dos casos, Leonia estava totalmente preparada para jogar-se no chão e chorar até conseguirem se casar.
"Muita gente provavelmente fala pelas costas de você, sabia?" Ufikla disse de repente, fazendo Leonia sair de seus pensamentos.
"Porque você é uma Voreoti."
Como herdeira da Casa Voreoti, Leonia estava se tornando mais conhecida a cada dia.
Principalmente por sua forte semelhança com Ferio e sua atitude ousada e descarada — traços que atraíam tanto elogios quanto críticas.
Claro, nada disso incomodava nada a Leonia, na menor hipótese.
"Se não conseguem falar na minha cara, pelo menos que cochilhem atrás de mim."
"Oooh, que legal!"
Ufikla riu baixinho.
"Aliás, você cresceu de novo, né?"
Leonia disse, finalmente deixando de esfregar a orelha.
"Ainda sou mais baixa que você, no entanto."
Ufikla fez bico.
"Eu costumava ser mais alta."
A filha do Conde Rinne, Ufikla, que completaria onze anos este ano, reclamou. Leonia sorriu, como se achasse tudo aquilo divertido.
"Você ainda é alta."
"Quero ser ainda mais alta!"
"Sério mesmo. Você é alta."
Há quase um dedo de diferença entre Leonia e Ufikla.
Considerando que Leonia já tinha uma altura bem acima da média para uma menina de doze anos, Ufikla certamente estava passando por uma grande fase de crescimento.
"Vocês duas sempre foram grandes desde pequenas."
Até mesmo o irmão mais novo dela, Pinu, que tinha ido visitar um amigo hoje, estava crescendo rapidamente.
Então, de repente, Leonia lembrou da primeira vez que conheceu os irmãos Rinne.
"Ufi, você lembra?"
"Lembrar do quê?"
"Quando você veio ao Norte pela primeira vez e tentou se esforçar para causar uma boa impressão em mim..."
"Aaaaah! Não! Por favor!"
Ufikla soltou um grito, relutante em relembrar sua própria história embaraçosa.