Me tornei a filha adotiva do protagonista masculino.

Capítulo 157

Me tornei a filha adotiva do protagonista masculino.


Varia, que de repente se viu com uma coleção imensa de joias, parecia quase fora de si.


Leonia aproveitou a oportunidade para brincar alegremente, colocando todo tipo de acessório na cabeça da mulher atordoada, rindo sozinha.


“Mas ei, unnie,”


Enquanto se divertiam assim—


“Você é nobre, então por que está tão surpresa?”


Perguntou Leonia.


Ela achava estranhas as reações de Varia.


Mesmo Leonia, que tinha crescido em um orfanato, já tinha ficado chocada mais de uma vez com a riqueza da família Voreoti—mas agora, ela já estava tão acostumada que aquilo parecia totalmente normal.


Porém, Varia era diferente.


Apesar de ter nascido nobre, ela reagia de forma exagerada a meras joias.


“Bem...”


Varia hesitou na resposta.


“Normalmente, essas coisas iam para minha irmãzinha...”


A família Erbanu tinha dinheiro suficiente para levar uma vida bastante confortável.


Mas o conde e a condessa sempre privilegiaram a filha mais nova, Lota, mais que a primogênita, Varia.


Mesmo quando Varia recebia joias de alta qualidade ou um presente raro por acaso, Lota fazia escândalo e chorava até que tirassem de suas mãos.


“Sério, vocês estão brincando comigo?”


Leonia resmungou, visivelmente irritada ao ouvir aquilo.


“Parece que eles são uns doidos de pedra!”


“Não se preocupe, de verdade.”


Varia tentou sorrir de forma forçada.


Ela não tinha apego a coisas assim.


Claro que, no começo, ela tinha ficado com ciúmes e odiado a ideia de dar algo para Lota. Mas, depois de quase morrer, ela percebeu que aquilo não importava mais.


Até mesmo a ideia de receber algo de pessoas assim a enojava.


“Ai, coitadinha da minha unnie...”


Leonia abraçou-a apertado.


“Obrigada por se preocupar comigo.”


Varia suavemente deu uma palmada no braço da garota em sinal de agradecimento.


“Mas isso é demais. Não poderia apenas emprestar pra mim?”


“Ah, isso é totalmente—”


“—uma mancha no nome Voreoti,”


interrompeu Ferio, que surgiu de repente, cortando a frase de Leonia.


“Pai!”


A pequena fera inflou as bochechas, fazendo uma cara de birra duramente.


Não bastava ele roubar a fala que ela quase ia dizer—ele ainda tinha que se exibir como um /N_o_v_e_l_i_g_h_t/. Que irritante.

“Algo de errado?”


Ferio olhou para a mão de Varia, que pairava de forma incerta sobre as joias na mesa.


“N-Nada, de jeito nenhum!”


Varia rapidamente puxou a mão para trás.


“Entendi. Fui descuidada.”


O olhar penetrante de Ferio estreitou-se enquanto examinava as joias dispostas antes dele.


Varia observava a expressão de expressão de preocupação crescente ao ver aquela sobrancelha franzida.


“Eu não preparei o suficiente, né? Assim, nem consigo escolher algo de valor...”


“Não é isso, pai, não é isso.”


Felizmente, Leonia entrou em cena para ajudar.


“Ela está sobrecarregada porque tem muita coisa.”


“Isso... é demais?”


Ferio parecia realmente confuso. Claramente, não entendia.


“Já consegui ajuda para o vestido. Isso aqui é só... demais.”


“Ainda nem chegamos aos sapatos.”


“S-Sapatos?”


“O quê, você planejava ir de nu-pé?”


“Nossa, que escolha de estilo ousada...”


O pai e a filha, de cara fechada, observavam Varia com expressões estranhas.


Naquele momento, Varia achou que era injusto demais com ela.


'Será que realmente tenho direito de olhar assim para mim por vocês dois...?'


Ela era grata—verdadeiramente—mas ainda não estava pronta para aceitar esses presentes sem exigir nada em troca.


Será que realmente dava para alguém como ela receber coisas assim? Nem ela tinha certeza.


Mesmo que os Voreoti tivessem aceitado ela, ela ainda era uma outsider.


Varia prometeu não esquecer disso.


Ela não podia se permitir pensar que pertencia a aquela relação tão íntima entre o pai e a filha.


Se ela relaxasse demais e exagerasse, só acabaria sendo ressentida.


Ela já tinha sofrido bastante com esperança mal colocada—perto da própria família, que tinha lhe dado a morte.


Uma tristeza silenciosa invadiu seu peito.


O calor que tinha sentido desde que chegou à família Voreoti esfriou e se apagou.


“O que você vai fazer com o cabelo?”


Naquele instante, uma mão grande surgiu de repente.


“Não sou muito boa nisso.”


Ferio, agora atrás de Varia, se inclinou para examinar as joias.


Os olhos verdes de Varia se arregalaram de surpresa.

Seu torso, vestindo uma camisa branca impecável, pairava bem na frente do seu nariz. Através do tecido delicado, as linhas vagas de músculos sólidos se destacavam.


'Oh não, oh Deus!'


Varia fechou os olhos com força.

Ela se lembrou de seus dias ingênuos e tolos—quando não entendia a beleza dos músculos e confundia abdominal com umbigo decorativo.


E também se lembrou do momento em que Ferio segurou sua mão e traçou os músculos abdominais para ela.

“Por que seus olhos estão fechados?”


Ferio olhou para ela com curiosidade.

“A- A faísca é ofuscante!”


“As joias?”

“Parece que sim!”


Sua voz vacilou um pouco, tentando parecer casual.

'Ela é mesmo sem sal...'


Ferio olhou para ela novamente, com aquela mesma expressão intrigada. Às vezes ela era tão confiável, às vezes — totalmente perdida e desajeitada.


No entanto, ele não achava isso desagradável.

“Com licença, um momento.”


Ele se aproximou delicadamente e mexeu suavemente nos cabelos dela.


A orelha pequena e quente, que antes ficava escondida sob os fios densos, ficou exposta ao ar fresco por um instante.


“Se for pra puxar o cabelo...”


Ferio pegou uma das argolas de brincos que tinha observado antes.

“Acho que essas ficariam boas.”


Ele segurou um par de brincos longos, em formato de lágrima, contra o lóbulo dela.


“Fica ótimo em você.”

Seu tom de voz baixo tocou seu ouvido como um sussurro.


Varia, instintivamente, endireitou as costas. Seus ouvidos começaram a esquentar novamente.

“O que foi? Algo que você quer dizer?”


Leonia apareceu de repente.


“Uau, que lindo!”


“Tenho um bom olho, não tenho?”


“Ugh, lá vem ele de novo.”


Com um pouco de elogio, já estava se gabando. Leonia lançou um olhar severo nele.


Mas Ferio realmente tinha bom gosto—Leonia não podia negar isso.


“Então, unnie, vai fazer um coque no cabelo?”


“-Meu cabelo?”


“Você ia deixá-lo solto, né?”


Como o vestido era todo preto, Varia queria usar o cabelo solto pra ficar um pouco menos formal. Leonia tinha concordado com isso.


“Não deixe solto.”


Porém, Ferio discordou.


“Melhor amarrar.”

Ele levantou suavemente os fios dela na nuca. Alguns fios finos grudavam na pele delgada, exposta.


Varia fechou os punhos no próprio colo.


“Pai! Você não pode simplesmente mexer no cabelo de uma senhora assim!”


Leonia, cutucando-lhe as costas, bateu na mão dele.

“Você não pode ficar puxando as pessoas de jeito nenhum! Unnie fica toda embaraçada!”


“Eu só peço a opinião dela.”


“Mas isso não dá o direito de mexer nela assim.”


Leonia exigiu uma desculpa severa.


Ferio admitiu que ela tinha razão e deu uma sincera desculpa a Varia. Ela tentou sorrir e disse que tava tudo bem.


“Mas eu realmente acho que fica bem em você.”


Ele sorriu suavemente, agora ao lado dela.


“Só digo que fica bom se realmente ficar.”


“Ugh, que convencido.”


Leonia bufou. Ferio franziu as sobrancelhas.


“Leonia, mais uma semana de apreensão do caderno de esboços.”


“Nosso querido pai é tão encantador, juro!”


Ela fez um movimento dramático, simulando uma bajulação, e Ferio, de saco cheio, acabou rindo.


“......”


Varia observava os dois com um sorriso afetuoso.


'Eles realmente são uma família.'


Ela não tinha pensado muito a respeito antes, mas, ao vê-los assim novamente hoje, sentiu uma pontada de inveja.


Ela se envergonhou—seus sentimentos pareciam patéticos e sujos.


Seria menos superficial se ela simplesmente tivesse cobiçado as joias.


“Unnie! Varia unnie!”


Quando menos esperava, Leonia agarrou sua mão firmemente.


“Depois do baile, me conta exatamente como você derrotou eles!”


“D-derrotar?”


“Conde Erbanu e a Casa Olor! Quero todos os detalhes!”


Ela sorriu como se mal pudesse esperar. Varia ficou tensa com o toque dela—quase a abraçou na hora.


Pouco tempo atrás, ela se sentia solitária observando o pai e a filha—mas agora, vendo essa criança sorrindo para ela, seu peito se encheu de emoção.


“Provavelmente não vai ser tão emocionante assim.”


Varia levantou a mão delicadamente e puxou o cabelo solto de Leonia atrás da orelha.


“Gosto dessas coisas.”

A menina sorriu inocente ao revelar seu gosto maldoso de ver as pessoas que ela detestava sofrerem.


“De quem ela herdou isso...”


Ferio comentou, como se estivesse assistindo à travessura de uma criança de outra família.


Varia apenas o olhava, sem dizer uma palavra.

Havia tanto que ela queria falar—mas sabia que ainda não era hora de se manifestar.


Os três continuaram examinando acessórios juntos.


Ferio escolheu peças que lhe caberiam bem, e Varia, meio resignada, as aceitou uma a uma.


“Mmhmm, hmmmm~”


Leonia hummed enquanto trançava o cabelo longo de Varia.

'Será que isso vai ficar bem mesmo?'


Varia cuidadosamente passou os dedos sobre os brincos que tinha nas mãos.

Ainda achava que não combinavam muito com ela. Pareciam demais.


Mas, já que Ferio e Leonia disseram que ela ficava bem... talvez pudesse se permitir um pouco de falta de vergonha.


Aos poucos, seus lábios, que antes tinham se fechado com firmeza, começaram a se curvar em um sorriso que ela não conseguiu mais segurar.

'Isso é inacreditável...'


De alguns passos de distância, Tra parecia estar em transe.

Mesmo vendo tudo bem diante de seus olhos, não conseguia acreditar no que via. Era tão avassalador que lágrimas chegaram a surgir em seus olhos.


Ele já tinha experimentado algo assim antes—graças a Leonia.

A fazenda Voreoti, que já fora cheia de silêncio e vazio, tinha sido tomada por calor e risadas daquela pequena garota destemida.


E agora, hoje, Tra sentia o mesmo milagre novamente.


“Unnie, acho que essa também ficaria boa pra você.”


“Você realmente não tem bom gosto.”


“Tudo que o papai escolhe é tão rígido e sem graça.”

“São elegantes e dignos, muito obrigado.”


“Vocês duas têm um gosto incrível.”


O pai e a filha, de aparência meio bizarra, discutiam na direção de Varia, que tentava moderar a briga com suavidade.


Todos os Voreoti ouviam atentamente enquanto ela falava calmo entre eles.


Depois, Leonia explodiu numa risada e se agarrou a Varia.


Ferio se inclinou de leve, ficando ainda mais perto de seu lado.

'Realmente isso pode...'


Ao observar os três juntos, uma esperança silenciosa começou a nascer no coração de Tra.


“Talvez... só talvez...”


Ele estava prestes a dizer isso em voz alta—


“Ducado!”


A porta mostrou um estrondo ao se abrir com força. Meleis apareceu do lado de fora.

Comentários