Me tornei a filha adotiva do protagonista masculino.

Capítulo 158

Me tornei a filha adotiva do protagonista masculino.


Meleis, que havia comparecido ao chamado urgente, trouxe notícias inesperadas.


“Uma avalanche...?”


Ferio levantou-se do assento e marchou rapidamente em direção a Meleis, com passos longos e decididos.


Varia observava sua figura se afastando com uma expressão preocupada. Leonia apertou sua mão com firmeza, como se quisesse tranquilizá-la, dizendo que tudo ficaria bem.


Mas a própria expressão da garota também não era exatamente alegre.


Uma avalanche?


A mente de Leonia começou a correr contra o tempo.


O único lugar onde isso poderia acontecer agora é o Norte.


A festa de aniversário do Primeiro Príncipe estava marcada para acontecer em menos de uma semana, e a primavera estava em plena floração por todo o Império.


O único região onde uma avalanche poderia realmente ocorrer nesta época quente era o Norte, onde ventos intensos ainda cortavam o ar.


E no Norte, uma avalanche era um assunto bastante sério.


Como era de se esperar, a expressão de Ferio se contorceu de maneira sombria assim que ouviu a notícia.


O ar tranquilo que exalava há poucos momentos parecia de repente uma mentira.


Meleis também ficou rígido, ao apresentar seu relatório.


“Qual a área afetada?”


“A região noroeste do Território Voreoti.”


Uma ruga mais profunda se formou entre as sobrancelhas de Ferio.


“Evacuamos rapidamente os residentes, mas monstros podem descer a qualquer momento.”


No Norte, uma avalanche significava que os monstros que viviam nas montanhas poderiam aproveitar a oportunidade para invadir assentamentos humanos.


Isso podia facilmente se transformar em um desastre fora do controle de qualquer um.


“Preparem-se para—”


Ferio interrompeu na metade da ordem, prestes a ordenar a partida imediata para o Norte.


Droga...!


Ele mordeu o lábio inferior.

O banquete imperial o atrasava.

Que incômodo isso era.

Foi por causa daquele maldito banquete que veio até a capital, e a culpa do império — daquele império filha da mãe — era ele não poder usar um [Portão] direto para voltar ao Norte.


“Vossa Graça!”


Foi então—


“Vai. Agora!”


Varia olhou diretamente para ele, sem hesitar.


O instante de indecisão que Ferio tinha acabado de experimentar foi tão breve que ninguém mais percebeu — mas Varia captou como uma ave de rapina.


“O que está fazendo! Você precisa ir!”


O sorriso tímido que ela tinha enquanto estava cercada por bestas de Voreoti desapareceu completamente.


No lugar, estava a temida e notoriamente rígida fera do Departamento do Tesouro.

“… Talvez eu não consiga chegar ao banquete.”

Ferio falou. Calculando o tempo que levaria para ir e voltar do Norte, seria por pouco — ele tinha que ter sorte para chegar a tempo.

Mesmo se se apressasse, quase certamente estaria atrasado.

“E daí!”

Varia retrucou rapidamente.

“Não é como se esse fosse o único banquete que existe!”

Ela finalmente apontou para a porta.

“Vai. Agora.”

O momento de hesitação passou, e Ferio piscou lentamente, como se tivesse decidido algo.


“Desculpe, não poderei cumprir minha promessa.”


“Não precisa se desculpar.”

Varia sorriu suavemente, como quem diz: Não se preocupe, vá com cuidado.


Ela realmente quis dizer isso — não ficaria chateada, nem um pouco.


Mas aquele sorriso dela apenas apertava a corrente invisível ao redor do tornozelo de Ferio.


Uma corrente que Varia nunca teve intenção de colocar — e que, provavelmente, Ferio mesmo não percebeu que tinha sido engatada nele.


Seus passos em direção ao Norte ficaram um pouco mais pesados, cheios de arrependimento.

“…Pai!”


Foi então —


Leonia, que tinha estado mergulhada em pensamentos, levantou a mão ao ar numa reação rápida.


“Tenho uma ótima ideia!”


Seu sorriso confiante era malicioso, mas, de alguma forma, tranquilizador.


***


Ferio partiu imediatamente para o Norte.


Mesmo até o exato momento de sua partida, ele expressou arrependimento a Varia.


E Varia, até vê-lo partir, continuou insistindo que estava bem e implorando para que ele se cuidasse.


“Só se case logo!”

Incapaz de assistir por mais tempo, Leonia entrou na discussão para separá-los.

Normalmente, ela brincaria alegremente com eles e imaginará várias cenas — mas a situação era gravíssima demais para qualquer dessas coisas.


No final, Ferio montou no cavalo, empurrado quase que às pressas por Leonia.

Somente então, os cavaleiros seguiram e pegaram suas próprias montarias.

A face de Varia ficou levemente vermelha. A palavra “casados” que Leonia gritou fazia seu coração acelerar sem motivo algum.

“Leo.”

Ferio virou-se uma última vez para Leonia.

“Cuide-se.”

“Tá bom!”

“Se ficar difícil demais, puxe o rigor!”

“Sério? Posso fazer isso?”

O olhar de Leonia brilhou.

“Não mais.”

“Tsc.” Leonia fez bico, mas, ao menos, deu uma resposta clara.

Ferio partiu apenas tendo olhado mais uma vez para Leonia e Varia, cada uma de um lado.

A nuvem de poeira que eles deixaram para trás desapareceu rapidamente ao longe.

Leonia e Varia ficaram na porta principal por um bom tempo.

“Você acha que ele vai ficar bem...”

Varia se preocupava com Ferio e os cavaleiros. Sinceramente, rezava para que nada de grave acontecesse no Norte.

“Com certeza ele vai ficar bem.”

Leonia respondeu enquanto conduzia Varia de volta para dentro da propriedade.

“Papai, eu e os cavaleiros caçamos monstros o inverno todo.”

Essa caçada sazonal tinha sido feita exatamente para momentos assim.

Eles tinham reduzido o número de monstros que poderiam chegar aos assentamentos humanos e empurrado os mais perigosos — os devoradores — mais profundamente nas montanhas.

As pessoas poderiam se machucar com a própria avalanche, mas o risco de causar danos pelos monstros era baixo.

Mesmo assim, era preciso estar preparado para qualquer possibilidade.

Como líder do Norte, Ferio tinha que estar lá, para supervisionar e liderar a resposta diretamente.

Todo mundo sabia que até um descuido momentâneo poderia levar a um desastre.

“Agora que o papai saiu, tudo vai se arrumar rapidinho.”

Leonia confiava em Ferio.

“Meu pai é o mais forte do mundo!”


Ela tinha uma confiança inabalável nele.

Varia exalou aliviada. Ouvir Leonia falar assim ajudou a acalmar seu coração.

Será que a família do Les está bem...

Continuava preocupada com a família de Les, que morava no Território Voreoti.

A notícia de Meleis de que todos os residentes tinham sido evacuados lhe trouxe um pouco de paz de espírito.

Deveria escrever uma carta?

Será que Les já sabe disso?

…Não, uma carta seria perigosa.

Porém, Varia rapidamente mudou de ideia.

Ela estava atualmente no Território Voreoti. Uma carta enviada daqui para Les, que morava no dormitório imperial, poderia ser extremamente arriscada.

Decidiu que iria perguntar mais detalhes a Ferio e passaria a mensagem após seu retorno.

“Aliás, moça...”

Varia virou-se para Leonia.

“Aquele plano que você mencionou antes...”

“Sim!”

“Tem certeza de que está tudo bem?”

Agora sua preocupação passou de Ferio para Leonia.

“Claro que sim!”

Leonia sorriu confiante.

Ela adorava que Varia estivesse preocupada com ela.

Assim como Ferio sempre se preocupava — aquilo fazia seu coração respirar fundo e uma risadinha boba surgir, aquela sensação gostosa de nervosismo.

“Unni, você sabe o que eu fiz antes?”

“Hmm...?”

Varia inclinou a cabeça, sem entender bem a pergunta.

O pequeno animalzinho sorriu orgulhoso.

“Eu soltei as [Presas da besta] no banquete imperial lá atrás!”

Leonia se gabou de sua glória de cinco anos atrás.

“…Você tem certeza de que tudo isso está bem, mesmo?”

Varia só ficou mais preocupada.

“Só fica se preocupando, unni.”

Leonia imediatamente chamou Connie e Mia.

“Tragam minhas roupas!”

Só roupas formais!

Mais uma vez, a mansão Voreoti se agitou com os preparativos para o banquete.


***


O Imperador Subiteo tinha três filhos.

O Segundo Príncipe e a Primeira Princesa eram filhos da Imperatriz Tigria, enquanto o Primeiro Príncipe era filho da Concubina Usia.

O Segundo Príncipe era diligente e trabalhador, nunca economizava esforço. Contudo, não se destacava por suas habilidades ou feitos.

A Princesa era doente desde a infância e mal saía de casa. Mas rumores de sua beleza, herdada da Imperatriz, eram amplamente divulgados.

Já o Primeiro Príncipe tinha uma história realmente infeliz.

Embora tenha nascido um ano antes do Segundo Príncipe, passou quase oito anos sem reconhecimento, vivendo fora do palácio como um bastardilho.

“Dizem que o Imperador valoriza profundamente o Primeiro Príncipe.”


No dia anterior ao banquete imperial.

Varia compartilhou com Leonia a complicada história familiar imperial.


“Você já viu o Primeiro Príncipe?”


Leonia perguntou enquanto soprava seu leite quentinho.

“Só uma vez.”

“Como ele é? Ainda não o vi.”

Ferio não queria que Leonia se envolvesse demais com a família imperial, e ela mesma odiava se meter em confusões, portanto evitava ficar perto dos assuntos do palácio.

“Sua Alteza era...”

Varia recordou aquele momento.

“...muito estranho.”

“Estranho?”

Leonia colocou sua caneca na mesa, curiosa.

Ela queria ouvir mais.

“Eu também ouvi os boatos.”

Não havia nada lisonjeiro nas histórias sobre o Primeiro Príncipe.

Algumas diziam que ele era violento, outras que nem sabia ler ou escrever direito.

O único elogio sussurrado era que ele não se envolvia com mulheres.

Até isso tinha uma explicação cruel.

Por ter crescido sendo negligenciado como um bastardo, ele se recusava a criar um filho como ele mesmo antes de se casar.

“Como posso dizer...?”

Mas o homem que Varia tinha visto não era nada como os rumores.

“Ele era como... o oceano.”

“O oceano?”

A metáfora era forte.

“Como um mar bem profundo.”

Enquanto trabalhava no Tesouro, Varia tinha uma vez visto aleatoriamente ele na biblioteca.

Ele estava sentado entre prateleiras altas, lendo um livro com uma expressão séria.

Mesmo enquanto ela devolvia materiais e pegava outros emprestados, ele continuava lendo.

“Parecia outra pessoa completamente.”

Ao relembrar, parecia surreal — como uma espécie de feitiço.

“Talvez ele fosse alguém diferente?”

Leonia não acreditou nisso.

O Primeiro Príncipe da história original não era secreto e bondoso — ele era apenas um brutamontes.

Porém, Varia balançou a cabeça, insistindo que era verdade.

Depois, ela verificou o livro que ele tinha lido.

Era uma obra filosófica sobre o oceano.

“Ele não parecia uma pessoa má.”

“Até um lunático finge ser sensato de vez em quando.”

“Moça...”

Varia sorriu pacientemente.

“Não se deixe levar por rumores.”

Seu conselho atingiu Leonia bem no coração.

Ela também já sofrera bastante com rumores maliciosos.

Tentava não dar atenção, mas as marcas emocionais permaneciam.

“…Ok.”

Leonia respondeu timidamente. Embora seus lábios estivessem carrancudos como se desconfiados, ela deu uma resposta adequada.

Varia sorriu satisfeita.

“De qualquer forma, amanhã é finalmente o dia.”

Depois dessa noite, o banquete de aniversário do Primeiro Príncipe seria realizado.

“O papai não voltou mesmo.”

Leonia fez bico, mais agravada.

Ferio, que partira para o Norte há uma semana, ainda não tinha retornado.

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