Me tornei a filha adotiva do protagonista masculino.

Capítulo 141

Me tornei a filha adotiva do protagonista masculino.

"Sua irmã é mesmo sem esperança."


Count Erbanu murmurou.


"Quando conseguiu aquele emprego no Tesouro, achei que finalmente faria algo útil por esta família!"


Até agora, só de pensar nisso, seu sangue fervia.


Logo após Varia entrar no Tesouro, tudo o que fazia era atrapalhar Count Erbanu.


Ela constantemente intervenia nos planos grandiosos que deveriam ser realizados pelas famílias principais, incluindo o Visconde Olor.

Parece que ela tinha a intenção de destruir a própria família.


"Minha irmã é mesmo..."


Lota apoiou o queixo na mão, suspirando.


"Mas pelo menos eu tenho você."


Count Erbanu deu um golpe firme no ombro dela e sorriu, finalmente mais tranquilo. Lota devolveu um sorriso tímido e suave.


Depois disso, pai e filha aproveitaram um momento agradável, conversando sobre como estavam.


"Mas ainda sem notícias de uma criança?"


O Conde perguntou.


Por vez, uma fissura apareceu no sorriso brilhante de Lota.


"...Bem, você sabe, ele tem estado ocupado."

Indiretamente, Lota colocou a culpa no marido, Remus Olor, pelo fato de ainda não estar grávida. O Conde não gostou nada da reação.


"Mesmo assim, você precisa fazer a sua parte."


"Sim, pai..."

Obediente, Lota respondeu.


Depois de conversarem mais um pouco, Lota foi a primeira a se levantar.


O Conde não tentou impedi-la — ele achava que não era bom para uma filha casada ficar muito tempo na casa da família.


"Minha mãe sempre escreve para mim sobre você."


"Sua mãe se preocupa demais."


"Só porque ela te ama."


Lota se inclinou e beijou a bochecha do pai.


"Vou indo agora."


"Mande meus cumprimentos aos seus sogros e ao Remus."


"Sim, se cuida!"


Com seu cabelo rosa a escorrer ao vento, Lota se virou e foi embora.


Aquele sorriso radiante desapareceu instantaneamente.


"Aff, sério..."


Só quando ficou sozinha na carruagem, Lota rasgou as luvas e jogou-as de lado, reclamando irritada.


Parecia quase uma crise debirra.


"Aaargh!"

Insatisfeita, Lota gritou, cheia de raiva.


"E então por que você não vai ter esse maldito filho você mesma!"

Sua raiva agora era dirigida ao próprio Count Erbanu, com quem tinha acabado de ter aquela conversa tão doce.


"Ele realmente acha que é melhor do que todo mundo."

Lota enxugou os lábios com força com um lenço.

Só de pensar em beijar a bochecha do pai, ela sentia como se já estivesse grávida — exatamente como ele queria desesperadamente.


Seu estômago torcia, como uma náusea matinal.

"E o quê será que minha irmã está fazendo agora?"


Ninguém lhe dava ajuda. Lota bateu o pé forte no chão da carruagem, culpando qualquer um e todos.


O cocheiro nem sequer tentou se mexer — claramente acostumado a esse tipo de explosão.


"Espere."


Nis, nesse exato momento.


Enquanto ela abrindo a janela para aliviar sua fúria fervente, algo familiar chamou sua atenção.


Um rosa turvo, como se estivesse sujo de poeira, balançava na multidão.

"...Irmã?"


***


"Tra! Como você está?"


Logo que saiu da carruagem, Leonia correu direto até Tra.


Com olhos iguais aos de Kara, Tra recebeu a jovem agora mais alta com um sorriso caloroso.

Ele ainda tinha aquela expressão que de algum modo lembrava um gato.


"Bem-vinda de volta. Sua viagem até aqui foi boa?"


"Além de ser chata, foi tranquila."


"Que bom."


Depois de trocar cumprimentos com Tra, Leonia foi direto ao seu quarto.

"Bem-vinda de volta, moça."

"Eu limpei seu quarto esta manhã."

"Quer que eu traga uma bebida?"

Enquanto subia as escadas, as empregadas a cumprimentaram e se organizaram para garantir que ela tivesse tudo do que precisava.

Leonia gostava quando diziam "bem-vinda de volta."

Tanto a mansão na capital quanto a fazenda no norte eram lares preciosos para ela.

A primeira coisa que Leonia fez foi abrir o armário.

"Claro."

Ela sorriu, como se soubesse de tudo o tempo todo.

Dentro, fileiras de roupas e sapatos de todos os tipos estavam alinhados.

Tudo exatamente no seu tamanho atual.

Era sempre assim quando ela vinha para a capital. E o mesmo quando voltava ao Norte.

'Dinheiro é mesmo tudo.'

Se alguém perguntasse qual a melhor vantagem de ser filha de um rico, Leonia não hesitaria.

São momentos como esse.

Leonia escolheu uma blusa confortável, calças e sapatos de couro. Depois de uma rápida lavagem com a ajuda das empregadas, trocou de roupa.

"Que sensação ótima."

Ela ficou em frente ao espelho, admirando-se com um sorriso satisfeito.

Igual às roupas de ontem — confortáveis e que facilitam os movimentos.

"Papai, papai!"

Leonia saiu rapidinho para procurar Ferio.

Ferio ainda não tinha trocado de roupa, atolado de relatórios.

A garota sentiu pena do pai, que nunca tinha um momento de descanso.

E, ao mesmo tempo, pensou: Isso vai ser eu um dia, o que a deixou um pouco nervosa.

"Posso sair um pouco?"

"Não está cansada, Leo?"

Ferio olhava para a filha, já vestida para sair, com curiosidade tranquila.

Ela tinha ido de carruagem por dias e deveria estar exausta, mas essa filha dele parecia não saber o que é cansaço.

"Você está cansado, papai?"

Leonia tapou a boca de brincadeira e provocou-o.

"Não é igual quando você era jovem, né?"

"Como você disse, ainda posso ter filhos até aos oitenta, então não se preocupe comigo."

"Então posso ir?"

Porém, Ferio não deu a sua permissão imediatamente. Ficou olhando para ela por um longo momento, pensativo.

"...Na praça."

Ele acenou com a mão, chamando Tra.

"Tem uma doceria nova que está fazendo sucesso."

Leonia piscou surpresa.

Logo, Ferio entregou para ela um saco que Tra trouxe. Estava cheio de dinheiro.

Era a permissão para sair e se divertir.

"Vai lá e come alguma coisa doce."

"Sim! Obrigada, papai!"

"Só agradece nessas horas mesmo."


"Incomodar os pais faz parte de ser criança."


Com essa brincadeira sem vergonha, Ferio balançou a cabeça, mas depois se inclinou um pouco.


Leonia entendeu o significado e deu um beijo nas bochechas dele.


"Se cuide."


Ferio a beijou suavemente de volta.


"Leve um guarda com você."


"Sim, senhor."


"E não brigue."


"Por que eu iria brigar!"

Leonia gritou, prestes a sair.


"Mas, papai, posso montar cavalo..."


"Use a carruagem."

"Chch."

Ferio não virou o rosto até ver Leonia partir do palácio de carruagem, exatamente como dissera.


"Tra."


Então, ele chamou Tra novamente.

"Um convidado chegará."

Depois de dar a ordem para preparar, seguiu sozinho para seu escritório.

***


Por ora, Varia não conseguia evitar a sensação de que tudo era... estranho.


Claro, morrer uma vez e de algum modo retornar ao passado já era estranho por si só, e a aparição de alguém chamado "Leonia"—uma pessoa que não existia em sua vida anterior—também era estranha.


Mas isso, isso era realmente bizarro.

Como diabos ela tinha acabado recebendo ajuda de Pardus?


Já fazia mais de uma semana que ela tinha sido suspensa e expulsa do dormitório.


A residência de Pardus era a mais linda que Varia já tinha visto.

Nem mesmo a fazenda dos Erbanu, que se orgulhava de ser aristocrática, decorada com obras de arte valiosas, se comparava.

Esse lugar parecia um museu onde as pessoas realmente moravam.

Não é à toa que diziam que eles tinham a preferência da família imperial—agora fazia sentido.

E Varia, de todos, estava sendo tratada como uma hóspede de honra nesse grandioso lugar.

Claro que ela nunca baixou a guardas.

Acreditava que eles deviam ter algum motivo oculto.

Mas eu sabia disso.

Quando ainda estava no palácio, ao serem a levar para esta propriedade, o filho do Marquês deixou claro que o Duque de Voreoti estava a caminho da capital.

Ele sabia que Varia tinha alguma questão com o Duque.

Por isso, mesmo sendo tratada como uma autoridade aqui, ela não conseguia se sentir à vontade.

Ela ficava procurando oportunidades para escapar do lugar, mas toda hora, os serviçais a descobriam e ela voltava pra dentro do quarto.

Mesmo assim, ela não tinha informado à família Erbanu que estava aqui.

...Será que eles são aliados?

Talvez, ao contrário do que as pessoas pensam, Pardus seja na verdade amigo de Voreoti?

Se não, como o próprio Marquês sabia que o Duque viria?

Então, será que o Duque sabe?

Que eu quero encontrá-lo?

Varia congelou.

Um calafrio percorreu sua espinha. Se isso fosse verdade, seria enorme.

Se o líder da facção imperialista estivesse alinhado com Voreoti, isso abalaria o poder do próprio Imperador até o âmago.

"...Hoo."

Ela respirou fundo, tentando se recompor.

Sua respiração fazia o ar correr e seu cabelo rosa empoeirado balançava ao ritmo.

Eu não sei de nada com certeza.

Mas uma coisa era certa— Pardus e Voreoti tinham algum tipo de ligação.


E não só isso.

Estavam me observando.

Alguém vinha de olho nela, relatar para Pardus ou Voreoti. Assim ela podia deduzir.

Não era exatamente raiva que sentia.

Mas, sim, uma surpresa profunda, como um choque sob a pele.

Depois de morrer e voltar ao passado, Varia achava que nada mais a assustaria.

Isso foi um erro enorme.

Voreoti nunca deixou de surpreendê-la.

Primeiro, a existência da filha do Duque. E agora, ele saber que ela queria encontrá-lo de alguma forma.

Ela tinha até uma sensação de que ainda viria mais surpresas por aí.

"Senhora Varia."

Batidas na porta.

Nesse momento, o filho do Marquês de Pardus chamou-a de fora do quarto.

"Desculpe incomodar enquanto você descansa."

"Tudo bem. O que você precisa?"

"Não quero lhe atrapalhar, mas posso pedir um favor?"

Ele não parecia muito arrependido, mesmo dizendo parecer pedir desculpas.

Varia olhou para ele com desconfiança.

"Quer que você saia um pouco?"

"Fora?"

Desde que chegou aqui, Varia não saiu do lugar.

Era uma precaução para sua própria segurança.

Se soubessem que ela estava na residência de Pardus, as coisas poderiam complicar rápido.

"Não é nada sério."

O filho do Marquês deu um pequeno sorriso.

"Meu filho quer visitar uma nova doceria que abriu recentemente."

"...Doceria?"

Varia pensou que tinha ouvido errado.

Mas não, não tinha.

Antes que percebesse, já estava do lado de fora, seguindo o menino até a loja de doces.

Completamente deslumbrada, só conseguiu seguir o que o garoto a guiava.

Provavelmente ele tinha uma queda por doces, pois escolheu três sabores diferentes dos mais populares do estabelecimento.

"Senhora Varia, experimente uma."

O menino até entregou uma pequena colher de sobremesa.

"Na verdade, minha mãe só deixa eu comer doces gelados uma vez por semana. Fiquei um pouco triste, mas estou muito feliz por sair com você hoje."

"Entendi..."

"Que sabores você gosta, Senhora Varia?"

"Nunca vim aqui antes."

Por fim, Varia investigou a colher que ela segurava de forma desajeitada.

De qualquer modo, o gelato na frente dela parecia tão gostoso que dava vontade de lamber os lábios.

O gelato de três cores, num pratinho de vidro transparente, já começava a derreter um pouco na brisa quente de primavera.

Com cuidado, ela raspou a superfície macia, levantando lentamente até a boca.

"...Está ótimo."

Suas bochechas delicadas relaxaram ao provar o gelato marrom.

Um frio doce, com um sabor sutil de chá preto, elevou seu humor.

"Está bom, né?"

O filho do Marquês sorriu radiante.

"Obrigado por me trazer aqui."

Varia finalmente começou a relaxar.

Claramente, esse garoto bondoso só tinha se sentido mal pelo convidado que tinha ficado trancado na mansão.

Graças a Deus, ele não saiu parecido com o pai dele.

Depois de terminar o gelato, os dois decidiram dar uma rápida volta pela praça.

A multidão animada e o ambiente cheio de vida ajudaram Varia a se livrar do ar abafado que vinha sentindo.

"Mas acho que já está na hora de..."

Ela virou para perguntar se deviam voltar agora.

Porém, ao olhar ao redor, ninguém estava lá.

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