Me tornei a filha adotiva do protagonista masculino.

Capítulo 148

Me tornei a filha adotiva do protagonista masculino.

— Você parece ter dormido bem na noite passada.

— ......

— E também treinando com tanto entusiasmo desde o amanhecer.

— Duque......

Varia baixou a cabeça envergonhada e estendeu a mão como se implorasse para que ele parasse.

Ela não esperava que realmente a tivessem observado no corredor.

No momento em que viu os dois pares de olhos negros fixos nela, ela berrou e desabou.

— Sinto muito mesmo.

— Não precisa se desculpar.

— É tão desrespeitoso fazer isso na casa de outra pessoa...

— Eu não chamaria de desrespeito.

Mesmo com Varia parecendo querer sumir no chão, Ferio continuava impassível.

Seu tom era irritantemente monótono, mas o leve sorriso ao canto dos olhos entregava-o.

Perverso...

Leonia, observando de lado, balançou a cabeça.

As três haviam se reunido após o café da manhã para terminar a conversa que começara ontem.

Ou seja, sobre a contratação de Varia.

— Não dá pra fazer de uma hora pra outra.

Ferio entregou a ela o contrato de trabalho enquanto falava.

— Ainda oficialemente, Miss Varia, você faz parte do Departamento de Finanças.

— Unni, vai lá entregar sua demissão!

— Entregar...?

Varia ficou surpresa com a expressão ousada de Leonia.

— ...Será que isso realmente dá?

Por mais que imaginasse a reação do chefe, a ideia de pedir demissão parecia menos assustadora.

— Na verdade, adoraria dar um soco na cara dele na saída.

— Unni, você me entende!

Leonia estendeu o punho. Varia hesitou, mas suavemente o bateu de volta.

Leonia sorriu com satisfação ao sentir o leve estalo, uma sensação agradável que percorreu seu braço.

— Essa é a saudação ao estilo Voreoti.

— É uma tradição do Norte?

Varia perguntou curiosa.

— Não.

Ferio rapidamente interveio para defender a honra do Norte.

Foi só aí que a conversa de verdade teve início.

— Primeiro, se vou te contratar, você precisa deixar o Palácio Imperial primeiro.

Funcionários imperiais não podiam ter outros empregos.

Então, para Ferio contratar Varia como tutora particular, ela teria que pedir demissão do cargo de oficial administrativa.

— Isso não vai ser difícil, mas...

Varia hesitou.

— Pode levar algum tempo.

Ela tinha tarefas pendentes para finalizar e precisaria treinar quem a substituir.

Quando foi disciplinada, estava pronta para pedir demissão ali mesmo. Mas agora, de fato, ela acabava de tomar a decisão e várias preocupações surgiram.

Como Les, que ficaria sozinha para trás.

E os colegas com quem tinha se dado bem.

— Isso não vai ser problema.

Ferio apontou para uma seção no rodapé do contrato, como se dissesse, Sério, você se preocupa demais.

— Apenas assine e eu cuido do resto.

— Você vai fazer isso, Duque?

Varia olhou para ele com ceticismo.

Ferio fez uma careta. ✧ Novelight ✧ (Fonte original) Ele não gostou nada daquele olhar desconfiado.

— Você não acredita em mim?

— É o Palácio Imperial que estamos falando.

— É, de fato.

— Não importa o quão poderoso você seja, Duque, aquele lugar pertence a Sua Majestade, o Imperador—

— Será que eu disse que faria isso pessoalmente?

Ferio soltou uma risada curta.

— Marquis Pardus vai cuidar disso.

Depois, pegou uma caneta e a colocou na mão de Varia sem cerimônia.

Varia, segurando a caneta antes mesmo de pensar, ficou sem palavras.

— Você já deve ter entendido qual é a relação entre Voreoti e Pardus, não?

Pardus havia se aliado ao Voreoti há muito tempo.

Embora não pudessem ostentar uma hierarquia abertamente, a lealdade de Pardus ao Beast Negro era mais profunda do que a da maioria dos nobres de sangue antigo.

Com uma palavra de Ferio, a demissão de Varia seria resolvida com facilidade.

— Além disso...

Havia uma verdadeira razão para Ferio estar sendo tão meticuloso.

— Sua irmãzinha aparentemente causou um rebuliço com Leo ontem, não foi?

Ele ouvira sobre a pequena confusão de Meleis.

— Se você está aqui, é bem provável que Erbanu e Olor já estejam sabendo.

E, se for o caso, essas duas famílias certamente tentarão usar Varia como pretexto para entrar em contato.

Sem falar no que poderiam fazer se Varia fosse até o Palácio para entregar a demissão pessoalmente.

Ferio não suportava a ideia de que qualquer tralha andasse rondando seu território.

Especialmente os Olor.

Ferio desembalou um doce e colocou na boca de Leonia.

Até sua filha geralmente tranquila parecia pouco satisfeita.

Aquela escória viria, sem dúvida.

O que significava que Voreoti tinha que deixar uma mensagem clara.

Precisavam mostrar que Varia Erbanu agora pertencia totalmente à Casa Voreoti.

Apenas assim essas duas casas ficariam afastadas, com as garras recolhidas.

— E quanto a você...

Ferio pegou outro doce.

— Apenas relaxe e espere.

— ......

— A não ser que prefira informar sua família pessoalmente...

— Não tenho laços com eles.

Varia respondeu friamente.

— Só sinto pena por estar te incomodando, Duque......

E ela realmente sentia. Abandonar o emprego poderia ser uma decisão dela própria.

Mas, como Ferio dissera, cortar laços com a família era quase impossível sozinha.

Malditas sejam essas linhagens sanguíneas.

Esse elo amaldiçoado era o motivo pelo qual ela se sentia culpada por sobrecarregar Voreoti.

— ...Isso não é um fardo.

Ferio lhe ofereceu o doce.

Varia hesitou, então pegou timidamente. A embalagem rosa chamou sua atenção.

— Hmm.

Leonia levantou a mão após pensar um momento.

— Tenho uma ótima ideia.

— Não.

Ferio logo a rejeitou.

— Por quê!

Leonia gritou. Varia piscou surpresa.

— Só me ouça antes de rejeitar!

— Já sei que vai ser ridículo.

— É sério, uma ideia ótima!

— E se não for?

— Então, e se for?

Os dois bestas encararam um ao outro, sem recuar.

Varia, ainda sem se acostumar com essa troca diária, assistia apreensiva.

E se o Duque batesse na filha ou a castigasse severamente?

— Se for bom, deixa eu fazer um flexão na musculatura do seu braço!

— Se for ruim, vou confiscar seu caderno de desenhos por uma semana.

— Por uma semana? Isso é exagero!

Mas aquele papo mais parecia uma birra infantil do que uma discussão entre pai e filha.

Varia ficou boquiaberta.

Ela achou estranho ontem também, mas ver um pai e uma filha conversando assim parecia surreal.

A imagem do pai que ela conhecia tinha só exigido obediência dela e da irmã.

Se ela gritasse com ele daquele jeito, não seria só castigo — ele teria destruído tudo ao redor, e sua mãe fugiria para outro cômodo.

No final, Ferio cedeu.

— Tudo bem, manda ver.

— O ponto é evitar que a Unni fale alguma coisa da família, certo?

— Em resumo, sim.

— Então, esse método é perfeito.

Leonia levantou-se, com os olhos firmes na decisão.

— Pai, vem aqui.

Ela chamou Ferio e o fez sentar ao lado de Varia. Depois, cuidadosamente colocou seus braços.

— O braço esquerdo ao redor da cintura de Varia.

— O braço direito na barriga dela.

— E sua cabeça, assim.

Seguindo as instruções dela, Ferio de repente se viu abraçando Varia, olhando fixamente para sua barriga.

Ferio e Varia se olharam confusos.

— Essa é a jogada final.

A linha suprema que faz qualquer pai do mundo congelar de horror.

— ‘Se nosso bebê fizer a mamãe sofrer, o papai vai repreendê-los depois, ok?’

— ......

— ......

Um silêncio sufocante caiu.

Nem Ferio nem Varia se atreviam a falar. Ficaram imóveis, petrificados.

— Ainda tem uma versão bônus com enjôo matinal também.

Vômito, Ugh!

Leonia atuou com postura dobrada para frente e mão na boca — representando perfeitamente.

— Então, a Unni passa a mão na barriga delicadamente e diz, ‘O bebê quer morango...’

— Duque.

Varia cortou.

— Confisque por uma semana.

— Então, assine o contrato, por favor.

Ferio estendeu o contrato. Varia assinou sem sequer ler.

— Por favor, agilize o processo de demissão.

— Cuide bem da educação da minha filha.

— Vou dar o meu melhor.

O sorriso satisfeito do monstro do Departamento de Finanças reluzia.

Ferio sorriu, satisfeito.

— Só tente não se envolver em coisa alguma.

O empregador e a nova funcionária trocaram apertos de mão.

— ...Espera aí?

Leonia piscou, percebendo que algo Very wrong tinha acontecido.

***

O Departamento de Finanças estorricou numa confusão total.

— Onde fica a mesa da Miss Varia Erbanu?

Vários homens estranhos com crachá de visitante apareceram, perguntando onde Varia se sentava.

— Bem, é ali, mas...

Les apontou para uma mesa vazia.

Os estranhos imediatamente começaram a empacotar os pertences pessoais de Varia em caixas.

Incluindo um bloco de notas que um funcionário havia pegado secretamente emprestado e usava.

— O que está acontecendo?

Um colaborador perguntou a Les.

— Voreoti.

— Voreoti?!

O funcionário que assustou gritou reflexivamente.

Todos na sala se viraram para encarar Les com choque.

— Eu também não sei ao certo.

Les fez um gesto de defesa.

— Mas você é próximo dela.

— Ela acabou de mandar uma carta dizendo que foi contratada pela Voreoti, só isso.

— Ela foi contratada pela Voreoti?

— Foi.

À medida que os murmúrios se espalhavam, entrou o herdeiro do Marquês de Pardus.

Acompanhava-o um homem que se curvava profundamente — o Vice-Ministro do Departamento de Finanças.

— Como esperado do monstro do Departamento de Finanças.

Ser contratada pela Voreoti assim que entrou em licença disciplinar? Isso não era talento comum, e o herdeiro sorriu satisfeito.

Por outro lado, os funcionários só acharam seu sorriso assustador.

— Se fosse comigo, também pediria demissão.

Ele deu de ombros.

— Você sabe o quão severas são as punições disciplinares?

O herdeiro virou-se para o Vice-Ministro em busca de consenso, e o homem deu uma risada constrangedora.

Ele foi exatamente quem, após receber suborno do Conde Erbanu, recomendou as ações disciplinares de Varia ao RH.

— Bem...

Les murmurou.

— Promoção aqui praticamente não existe mais.

— Verdade.

— Mesmo se ela voltar, não será como antes.

A atmosfera mudou. Todos aceitaram silenciosamente a demissão e a saída de Varia.

O herdeiro de Pardus os observou com diversão.

Logo, os agentes de Voreoti terminaram de empacotar tudo.

Até o filho do Marquês saiu na frente para despedir-se deles.

— ... Que maldade.

Alguém sussurrou.

— Ela cortou totalmente os laços com Pardus agora.

— Só com Pardus?

Um nobre da facção pró-Imperador tinha migrado para o líder da facção nobilária — Voreoti.

— Isso é uma deserção completa.

— Pode chamar de deserção...

Les deu uma risada de canto.

— Ela esteve com eles o tempo todo.

Para Les, que acompanhava Varia há bastante tempo, nada disso era uma surpresa.

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