Me tornei a filha adotiva do protagonista masculino.

Capítulo 146

Me tornei a filha adotiva do protagonista masculino.


Na história original, antes de sua regressão, Varia tinha uma natureza gentil e pacífica.


Ela particularmente odiava brigar.


Ela acreditava firmemente que, se as pessoas abrissem seus corações e conversassem honestamente, poderiam se entender.


Por isso, mesmo quando não era reconhecida por sua família, não conseguia abandonar a esperança magoada: "Se eu fizer melhor, eles vão me amar."


Mas no fim, foi abandonada.


E, por último, morreu.


Após voltar ao passado, Varia mudou quase que completamente.


Ela duvidava de tudo e confiava apenas em seus próprios esforços.


Já não criava laços facilmente com os outros. Também percebeu que, às vezes, a resposta para um inútil desesperado era uma bofetada na cara.


A traição que sofreu na primeira vida deixou uma cicatriz profunda em seu coração.


No entanto, só porque sua personalidade mudou não significava que sua verdadeira essência tinha desaparecido.


Isso mesmo, era assim.


Leonia pensou enquanto observava Varia lutando para puxar o envelope de documento preso às costas.


Aquela irmã mais velha sempre foi um pouco esquisita.


Na verdade, ela era bastante excêntrica.

A vida de Varia tinha sido difícil.


Mas, por nascimento, ela era nobre.


Cresceu em meio às riquezas materiais e, na sua primeira vida, lutou desesperadamente pelo amor da família.


Na sua segunda vida, após a regressão, ela avançou com apenas a vingança na cabeça.

Por causa disso, sempre que algo não tinha relação com seu objetivo principal, sua distração se tornava evidente.


Os pais biológicos de Varia, o Conde e a Condessa de Erbanu, frequentemente zombavam abertamente da filha ser estranha.


Porém, Ferio dizia que achava aquela lado de Varia adorable e que ela tornava a vida dele mais feliz.

Será que ele ainda pensa assim agora?


Leonia lançou um olhar para Ferio.


Justo então, Varia entregava para Ferio o envelope contendo as provas.


A expressão séria no rosto dela ao oferecê-lo contrastava com a expressão complexa de Ferio ao aceitá-lo.


"...... Está quente."


Ferio comentou enquanto observava o envelope.


"Depois que saí do dormitório, mantive o tempo todo comigo."


Varia disse orgulhosa, destacando que era por isso que a prova estava segura.


Ferio, olhando calmamente para ela, abaixou novamente o olhar para o envelope.


De fato, ele estava quente ao toque, como se tivesse sido pressionado contra o corpo dela por um bom tempo.


Era uma sensação estranha, quase surreal.

Jamais imaginaria que um dia sentiria o calor do corpo de outra pessoa dessa maneira.

Era quase o mesmo choque que sentira quando Leonia uma vez se autodenominou "filantropa dos músculos."


De qualquer forma, o acordo continuou.


Percebendo a mudança de clima, Leonia se jogou ao lado de Ferio.

"Posso ficar também?"


"Faça o que quiser."


Ferio relaxou, desistindo.

Se ela fosse embora, provavelmente atravessaria o teto para voltar.


"Irmã Varia, posso ficar?"


"Não me importo."


Na verdade, Varia preferia que Leonia estivesse ali.

Quando estava sozinha com Ferio, ficava muito mais nervosa. Ter Leonia por perto a deixava mais à vontade.


"Hehe."

Leonia riu timidamente.

Varia ficou surpresa com o sorriso inocente. Era bem diferente da expressão fria e composta que ela via do lado de fora.

Mas era bom de ver. Parecia realmente um sorriso genuíno e ingênuo de uma garota da sua idade. Antes que percebesse, os lábios de Varia também se curvaram em um sorriso.


As duas se olharam com carinho.

Duas crianças....


Ferio achou que elas se pareciam estranhamente.

"Primeiro de tudo."


Ferio tirou os documentos do envelope.

"Você poderia explicar?"


Com o som de leves batidas dos dedos na mesa enquanto Ferio mexia nas provas, Varia rapidamente voltou sua atenção para o que fazia.


"Estas são as informações que reuni do Ministério das Finanças sobre as atividades da família Imperial e da Casa Olor."


"Mas, de verdade, o que você conseguiu do Ministério? Não é só sobre gerenciar o orçamento nacional?"


Ferio falou zombando.


Porém, seus olhos ao examinar os documentos estavam mais afiados do que nunca.

Seus dedos longos e grossos mexiam rapidamente, apontando qualquer ponto suspeito que encontrava.


Leonia, sentada ao lado, também dava uma espiada nos papéis, tentando captar o que as provas revelavam.


Tem tanta coisa relacionada à Casa Olor aqui.


Assim que viu as evidências, seu paladar se secou.

O que Varia trouxe como prova era uma coleção de planos orçamentários aprovados nos últimos anos.

A família Imperial delegou várias tarefas administrativas e comerciais à Casa Olor e a outros nobres imperialistas.


Enquanto examinavam cuidadosamente as evidências, Varia sentiu a tensão voltar a subir.


E ela falou:


"Nos últimos anos—"


Ou talvez há mais tempo ainda.


"—a família Imperial tem direcionado recursos para a Portão."

Ela explicou o que tinha deduzido com base nas provas coletadas.


Ferio assentiu com um gesto rápido, como se tivesse entendido.

Embora seus olhos permanecessem fixos nas evidências, seus ouvidos estavam completamente atentos à voz de Varia.


"Como podem ver, a família Imperial tem injetado grandes quantias de dinheiro anualmente na manutenção de estradas e na reparação dos Portões por meio de vários nobres."


"Senhorita Varia."


Ferio finalmente levantou o olhar do material e olhou para ela.


"O que o interesse da família Imperial pelo Portão tem a ver comigo?"


Ferio perguntou, como se estivesse testando.


Varia sorriu.

"Muito."


Como se esperasse ansiosamente por isso, ela transmitiu uma expressão vitoriosa. Os olhos de Ferio se arregalaram um pouco com sua resposta inesperada.


"Pffft."


Leonia rapidamente cobriu a boca com as mãos, testemunhando sua filha ficar vermelha de vergonha, bem pertinho.


"O pai é tão bobo."


Leonia zombou.

"O Portão é só o meio."


"......Eu sei disso."


Ferio deu um passo de lado para olhar para Leonia. Planejava fazer uma leve investida na Varia, mas sua filha chata entrou na frente primeiro.


"Não é isso, né?"


Leonia sorriu para Varia.

"......Você está certa."


Dessa vez, foi Varia quem ficou surpresa.


Talvez Voreoti já soubesse de tudo.


Mas agora era tarde demais para desistir do acordo. Varia tinha apostado tudo nisso.


"Está claro que a família Imperial e a Casa Olor estão extremamente interessadas no Portão."


Porém, isso era apenas o meio.


"Eles querem controlar as quatro regiões do Império dominando os Portões."


Mas isso ainda era apenas uma estratégia, um caminho para alcançar um objetivo maior.


O objetivo final da família Imperial estava bem diante de Varia agora.


A Fera Negra.


Sua terra natal.

"A família Imperial mira o Norte."


***

Enquanto monitorava os movimentos da família Imperial e coletava evidências, Varia percebeu algo estranho.


Por quê o Norte?


De fato, a família Imperial parecia realmente se preparar para conquistar o Norte passo a passo.


A primeira vista, as obras de construção de estradas e manutenção dos Portões poderiam ser justificadas como esforços para o desenvolvimento nacional.


Na verdade, até ganharam bastante apoio público com essa justificativa.

O verdadeiro problema era a ambição oculta do Imperador Subiteo: usar esses esforços para reprimir e dominar as quatro regiões.


Claro que, em uma monarquia, o controle central é natural.

Mas eliminar as grandes famílias nobres, que governaram as regiões por gerações, e destruir seus castelos, era um problema sério.


Até aqui, isso tudo era fácil de entender para Varia.

"Para ser honesta."


Varia olhava para os documentos espalhados na mesa.

"Eu não tenho certeza do motivo exato pelo qual a família Imperial está mirando o Norte."


"Isso parece a parte mais importante."


Ferio comentou, surpreso com sua sinceridade.

Era bem melhor admitir a ignorância do que fingir que sabe. Ele achou a honestidade bastante positiva.


"Tenho algumas teorias......"


Varia pediu permissão com o olhar, buscando aprovação de Ferio e Leonia.


O pai e a filha assentiram ao mesmo tempo.

"Você não precisa pedir permissão; pode apenas falar."


"Sei, mas......"


Varia hesitou.


"O que vou dizer pode parecer um pouco estranho."


Ela só falou por precaução. No fundo, ela ainda era uma pessoa gentil.


"......No começo, pensei que fosse por causa da enorme quantidade de gemas e metais raros enterrados no Norte. Afinal, há rumores de que a Casa Voreoti é mais rica que a própria família Imperial."


E isso era verdade.

Leonia passou a mão no queixo, pensando consigo mesma.

"Mas, ao investigar o ataque ao laboratório do meu mentor—o caso do Professor Bosgruni—percebi que algo estranho acontecia."


A expressão de Varia ficou mais confusa.

Como se ela mesma achasse difícil de acreditar.

"A família Imperial mostrou grande interesse na pesquisa do meu mentor."


"Quer dizer, a teoria de que a humanidade se originou no Norte?"


Ferio perguntou.

Varia assentiu com entusiasmo.

"Quando eu ainda era estudante na Academia, cartas suspeitas e pessoas estranhas começaram a procurar meu mentor."

Ela tinha uma lembrança particularmente viva de uma dessas visitas.

"Um dia, veio o Visconde Olor."


Ferio deu uma risadinha curta.

"Os Cisnes Vermelhos, né?"

Sabia que o Visconde Olor não tinha ligação com assuntos acadêmicos de verdade.

O Marquês de Pardus tinha uma vez chamado ele de um tolo vaidoso e fútil.

"O que ele disse?"


"Meu mentor disse que ele ofereceu apoiar a pesquisa dela em troca de materiais."

Porém, Ardea recusou-se categoricamente.

Depois disso, começaram a chegar cartas de ameaça. Varia, que era estudante de Ardea na época, havia coletado secretamente essas cartas e escondido atrás de uma estante.

Elas eram exatamente as que Ferio descobriu há cinco anos.

"Depois disso, o laboratório do meu mentor foi atacado."

Ardea fugiu direto para o Norte.

E Varia acompanhou de perto as investigações.

A Academia Imperial, considerada a terceira coluna do Império, tinha sido invadida—e mesmo assim, as autoridades não mostraram vontade de investigar.

Pelo contrário, tentaram encobrir tudo.

Anos depois, ao revisar as evidências coletadas no Ministério das Finanças, algo chamou a atenção de Varia.

Os pedidos de orçamento da família Imperial para pesquisas em Portões e expedições de sondagem.

"Eles não incluíram as duas Portões que conectam o Norte à capital."

Porém, ao conferir as solicitações de orçamento, ficou claro que eles estavam contabilizando os custos de investigar esses dois Portões.


Ao perceber isso, Varia se lembrou de tudo o que aconteceu com Ardea.

Um calafrio percorreu sua espinha.

"Na época, minha mentora anunciou uma nova hipótese—que as origens da humanidade estavam no Norte."


Ela chegou a apresentar símbolos e marcas específicas encontradas em ruínas antigas de várias regiões para apoiar sua teoria.

E todos apontavam para uma área específica no Norte.


"Huu."

Varia respirou lentamente.

"As Montanhas do Norte."


E então ela disse:


"Tem algo lá."


Seus olhos verdes brilhavam intensamente.

"Quiser que seja o que for, a família Imperial está atrás disso."

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