Me tornei a filha adotiva do protagonista masculino.

Capítulo 133

Me tornei a filha adotiva do protagonista masculino.


“Ih, ufa, hã!”


Varia corria desesperadamente.


Seus braços, cortando a densa vegetação no caminho, estavam arranhados e sangrando.


Seu cabelo rosa-pálido, atado às pressas, tinha se soltado na metade, com fios grudados ao rosto suado e dificultando sua visão.


A respiração ofegante, arrancada de sua garganta, cheirava a sangue.


Mas Varia não podia parar.


“Ela está bem na frente!”


“Pegue ela!”


“Não deixe ela escapar!”


As vozes dos perseguidores se aproximavam a cada passo.


Varia olhou rapidamente para trás. Três ou quatro tochas brilhavam na floresta escura, correndo atrás dela.


Os rostos, iluminados pela luz trêmula do fogo, estavam contorcidos em sorrisos cruéis e ávidos.


Um deles, especialmente, era demasiado familiar.


Um cabelo ruivo, mais brilhante que as tochas, se aproximava lentamente.


‘Remus...!’


Varia mordeu duramente o lábio, uma mistura de raiva presa na garganta como um grito sufocado.


Sangue escorria de seus lábios secos e rachados, tingindo o ar com cheiro de ferro.

Não importava quão longe ou rápido ela corresse, uma terrível certeza se apoderava dela — que seu fim seria tingido de sangue.

“Aaaagh!”

Então, com um grito, Varia caiu.

Em seu terror, tropeçou em uma raiz.

“Vocês não podem nos escapar pra sempre.”

He he he — uma risada sinistra a cercava.

“Com esses instintos, como é que você sobreviveu até agora?”

Remus Olor olhou para ela com desdém zombeteiro. A lâmina da adaga na mão dele brilhava de um branco intenso, refletido pela tocha.

“Imagina que ousaria se intrometer na nossa causa grandiosa.”

“Grande causa, meu pé!”

Varia cuspiu.

“Isso é o caminho para a ruína do Império! Vocês estão do lado errado, pra caramba!”

“Pois é, parece que sua cabeça é dura, cunhada.”

O sorriso zombeteiro de Remus vacilou.

Os outros perseguidores atrás dele também pararam.

Varia estava em perigo de verdade agora.

A maioria das pessoas, diante da morte, estaria implorando e chorando por suas vidas.

Mas não Varia — seus olhos brilhavam de fúria.

“Você nunca vai escapar assim!”

Um brilho estranho cruzou os fios sujos de seu cabelo rosa-pálido.

Seus olhos verdes, mais afiadas que qualquer adaga, transpassaram todos eles.

“…Ha!”

Remus finalmente recobrou o juízo.

Ele era cavaleiro imperial, pelo amor de Deus. E mesmo assim, ali estava, abalado pelo olhar de uma mulher fraca que nunca tinha empunhado uma espada.

Não só ele, os outros que a perseguiam também travaram.

“Sério, isso tá me deixando irritado.”

Remus se sentiu envergonhado.

“Khak...!”

De repente, Varia tossiu violentamente.

“Que diabos você consegue fazer?”

Antes que percebesse, Remus estava bem na sua frente, com a mão fechada ao redor do pescoço dela.

As veias do pescoço pálido dela se destacavam, lutando por ar.

‘Eu... não consigo respirar...!’

Varia tentou rasgar sua mão com as unhas, arranhando sua pele — uma luta desesperada, instintiva.


Mas era inútil.

Sua força se esvaía à medida que o oxigênio saia de seu corpo. Sua visão embaçava, ficando amarela nas bordas.

Um zumbido agudo enchia seus ouvidos.

“Mas eu sou cavalheiro, veja bem.”

Remus exibiu casualmente a adaga na mão.

Em sua visão enfraquecida, Varia viu um símbolo familiar.

“...!”

Um soluço sufocado escapou dela.

Pende da adaga um pingente de coelho — símbolo da Casa Erbanu.

Era do seu pai.

“Você provavelmente conhece melhor que eu, não é? Seu pai tinha um carinho especial por isso.”

Remus apertou ainda mais a sua garganta.

“Ele mesmo que me deu.”

O corpo de Varia ficou mole.

Seus braços, que antes tentavam puxar a mão de Remus, cairam no chão há tempos.

Mas, com sua última força, ela segurou na grama sob ela, agarrando-se a ela como se fosse sua última esperança.

Era raiva — uma fúria ardente, pelo traimento do próprio sangue.

“Ele me pediu para lidar com a vergonha da família, que ousou se meter na nossa causa usando uma relíquia da própria linhagem.”

A adaga, levantada, reluzia com frieza.

“E, claro, sua mãe e Lota também sabem disso.”

“...”

“Então, não se preocupe tanto.”

Remus sussurrou.

“Sua morte vai ser considerada apenas uma fuga. A história de uma filha mais tola que busca liberdade sempre rende audiência.”

Ele sorriu — um sorriso doentio, sádico.

“Mas, mesmo assim, você é minha querida cunhada.”

Remus ergueu a adaga mais alto.

“Vou fazer rapidinho.”

A morte de Varia aconteceu na velocidade em que a adaga de seu pai desceu.


***

...HAAAH!

Varia arfou, despertando de um sonho agitado.

Seu corpo congelou imediatamente.

‘De novo aquele dia...’

Por mais que sonhasse várias vezes, ela nunca conseguia se acostumar com esse pesadelo.

O suor por causa do sonho tinha ficado frio ao contato com o ar da noite.

Encolhida em uma bola apertada sob o cobertor, Varia tremeu como se tentasse fugir do pesadelo.

“Estou viva, estou viva...”

Ainda estou viva.

Com mãos trêmulas, passou os dedos pelo corpo. Seus braços estavam íntegros.

Seu pescoço não doía. Não havia ferimento no estômago, onde a adaga tinha atingido.

Por fim, trazendo-se de volta à realidade, Varia se levantou lentamente na beirada da cama.

“Ufa.”

Ela piscou os olhos.

Ela tinha ficado acordada até tarde de novo, e o pesadelo não perdeu a oportunidade de atacá-la. Esse ciclo maldito parecia não ter fim.

“Controle-se.”

Empurrando os cabelos para trás com uma mão, Varia se levantou.

Por mais horrível que fosse o sonho, isso não justificava faltar ao trabalho.

Por sorte, ao lavar o rosto com água fria, ela se sentiu um pouco mais revigorada. Só então percebeu o canto dos pássaros fora da janela.

Ela arrumou o cabelo, prendendo-o de forma arrumada, e vestiu diretamente seu uniforme de administradora.

‘Reunião de finanças de manhã...’

Ela mentalmente revisou sua agenda enquanto se preparava.

“Varia!”


Na hora certa, alguém bateu à porta.


“Les?”

Varia colocou uma jaqueta leve.

“Você está pronta, né? Vamos comer!”

“Estou indo!”

Ao sair, Les estava esperando, fazendo biquinho.

“Se ficarmos no final da fila e perder o café da manhã, a culpa é sua.”

“Desculpa.”

Varia mexia os dedos timidamente, pedindo desculpas.

“Pelo menos você sabe pedir desculpas bem.”

Les, que aceitou a desculpa sem problema, parecia bem menos chateada.

Na verdade, ela nem tinha ficado realmente brava. Ela só estava empolgada por o café da manhã favorito dela estar sendo servido hoje.

“Você está bem?”

Depois, Les olhou com mais atenção para o rosto pálido de Varia, a preocupação crescendo.

“Varia, teve outro pesadelo?”

“Acho que só estou cansada.”

Varia sorriu suavemente.

Era um sorriso triste, daquele tipo que dizia: Por favor, não me pergunte mais.

“...Você vai acabar morta desse jeito, sabia?”

Les suspirou rapidamente, encerrando a conversa ali.

Por sorte, não havia muita fila na sala de refeições.

“Acho que é por causa do frio?”

Les olhou ao redor do cômodo incomumente vazio.

Seu prato estava cheio de batatas, assadas na manteiga até ficarem douradas e reluzentes. Não tinha mais muita coisa no prato dela.

“Sim, com certeza, ficou mais frio.”

Em vez disso, Varia pegou uma sopa que tinha trazido para si mesma.

Ela rasgou pequenos pedaços do pão duro e os colocou na tigela.

O pão do refeitório sempre era ridiculamente duro — deixá-lo de molho assim facilitava engolir.

“Você não se importa com o frio, né?”

Varia perguntou, colocando uma fatia encharcada na boca.

“Você é do Norte, né?”

Ela quis dizer, Tipo, esse frio não é nada pra você, né? Les encolheu os ombros com orgulho.

“Com certeza.”

Les ergueu os ombros com orgulho ao falar de sua terra natal. Ser do Norte era algo que ela não trocaria por nada.

Varia sentiu uma pontinha de inveja disso. Ela não podia falar de sua própria casa assim.

Nem queria.

“Agora que penso nisso, acho que é na hora.”

Les murmurou, cortando as batatas com um garfo. O óleo amanteigado escorria enquanto pressionava, trazendo um toque de tempero picante.

“Na hora do quê?”

Varia perguntou, fingindo não entender.

Ela já tinha ouvido essa história um centenar de vezes, mas os contos do Norte nunca envelheciam quando eram contados por Les.

“Você não me contou isso?”

Les murmurou entre mastigar as batatas.

“No Norte, temos tempestades de neve brutais no inverno. É tão sério que ninguém consegue sair de casa. Todo mundo fica dentro, esperando passar.”

“Então, o Norte deve estar numa dessas agora?”

“Não, provavelmente as tempestades já passaram.”

Les pegou o último pedaço da manteiga com o garfo e meteu na boca.

“Eles estarão caçando monstros.”

Toda inverno, o Duque de Voreoti liderava os Cavaleiros Gladiago para as Montanhas do Norte para caçar monstros.

“Dessa vez, ouvi dizer que a jovem senhora vai acompanhá-los também.”

Varia parou, com a colher na metade do caminho até a boca.


Por sorte, ela tinha a cabeça abaixada, então Les não notou a expressão que ela fez.

Se tivesse, ela teria perguntado se Varia estava se sentindo mal de novo.

“...A jovem senhora, quer dizer...”

Varia esforçou a voz para parecer casual.

“A filha do Duque?”

“Quem mais, o filho dele?”

Les riu como se tivesse ouvido uma piada ridícula.

“Ela já tem doze anos, acredita nisso?”

Com um sorriso nostálgico, Les espetou a segunda batata.


***


Na região Norte, a tempestade de neve também foi forte neste ano.


Mal acabara a intensa nevasca, o Duque de Voreoti liderou novamente os Cavaleiros Gladiago às Montanhas do Norte. Era a mesma rotina anual.


Porém, desta vez, algo mudou.


Havia uma pequena alteração.


“Empurre pra lá!”

“Não deixe que ela veja sua sombra!”

Os Cavaleiros Gladiago enfrentavam um monstro.

Com dentes afiados expostos, o monstro parecia uma enorme loba ou cão.

Mas a baba viscosa que escorria da boca era altamente ácida — um simples toque já bastaria para corroer carne.

“...Leo.”

Observando de um passo atrás, Ferio falou.

“Qual o nome daquele monstro?”

Do focinho da fera negra, toda blindada, uma baforada de ar branco escapou.

“Inopaco.”

A garota, com o cabelo preso firmemente atrás, respondeu imediatamente.

“Um monstro que parece um cão, cujas partes valem uma fortuna.”

“E como se mata?”

“O caçador nunca pode deixar que ela veja sua sombra.”

Inopaco era uma criatura perigosa, capaz de se esconder na sombra da presa.

Por causa disso, ela figurava entre os cinco monstros mais perigosos, e os cavaleiros precisavam estar absolutamente atentos.

“Mas...”

Leonia puxou a espada da cintura.

“Ela é grande, mas lenta.”

Uma luz dourada começou a brilhar nos olhos negros da garota.

Ao mesmo tempo, essa mesma aura dourada se enrolou em volta da lâmina em sua mão.

“Senhor! Senhora!”

Mono gritou.

O monstro já avançava em direção ao pai e à filha.

Mas nenhuma das duas se moveu para fugir.

Pelo contrário, pareciam relaxados, como se esperassem o ataque da besta.

“Então, como a matamos?”

Ferio perguntou, um sorriso sutil nos lábios.

“Bem, isso é fácil...”

Leonia agachou-se, se equilibrando.

O monstro, a poucos metros de distância, pulou com a boca escancarada.


Leonia achou aquilo risível.

Isso é tudo que consegue fazer? Esses dentes patéticos?

Um estrondo alto sacudiu o chão.

O impacto levantou uma nuvem de neve no ar. Os cavaleiros lá de longe seguraram suas armas, prontos para qualquer coisa.

Quando a neve se assentou novamente, outro som foi ouvido.

Um baque pesado, como algo sólido caindo na neve.

Quando a visão se abriu, Leonia e a criatura estavam lado a lado.

Leonia balançou casualmente sua espada cheia de sangue.

Com um baque suave, sangue espalhou-se pela neve.

Aos seus pés jazia o Inopaco — com sua cabeça cortada limpidamente do corpo.

“... Assim mesmo, óbvio.”

A garota deu de ombros.

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