
Capítulo 137
Me tornei a filha adotiva do protagonista masculino.
Lupe, na pressa, havia feito a proposta a Inseréa bem na sala de Ferio—exatamente ➤ NоvеⅠight ➤ (Leia mais em nossa fonte), ali, na frente de Ferio e Leonia.
O pai e a filha bestiais ficaram atônitos.
Era a proposta mais horrível que alguém poderia imaginar.
Qualquer um poderia perceber que ele iria levar um tapa e ser dispensado ali mesmo.
‘Que coisa mais emocionante!’
Mas Inseréa disse sim.
‘Vamos fazer o melhor juntos!’
Ela até chorou.
Seu amor infinito por Voreoti, agora misturado com lealdade como secretária, havia se aprofundado e ficado mais firme ao longo do tempo.
O que a dupla bestial considerara a pior proposta na verdade tinha sido fruto de um cálculo meticuloso de Lupe, que observou cuidadosamente Inseréa.
‘...Esses maniacs.’
Ferio imediatamente expulsou ambos de seu escritório por ousarem fazer um pacto de casamento na sua frente.
Porém, ninguém mais lhe parabenizou do que ele mesmo.
Ele deu uma quantia enorme como presente de casamento, juntamente com uma carruagem, tecidos caros e vinho vintage que envelhecia na adega há anos.
E, justamente no outono passado—
Um bebê nasceu do casal.
O filho mais velho da família Ricoss, nasceu exatamente um dia após o aniversário de Leonia.
“O nosso Lupe deve ter amado Voreoti desde o momento em que nasceu. É só ver como ele evitou nascer no dia da jovem senhora.”
Inseréa irradiou orgulho.
“O que ele poderia saber?”
Leonia desconfiou com um suspiro.
“Nem pense em colocar tanta pressão em um bebê.”
“De jeito nenhum.”
Inseréa cerrava os punhos, mais séria do que nunca.
“Claro que quero que nosso Lupe ame Voreoti de todo o coração.”
Lupe um dia se tornaria o próximo Lorde Ricoss e serviria Leonia. Então, não faria mal que crescesse com essa lealdade.
Porém, ela queria que esse sentimento surgisse naturalmente.
“Eu só... tive uma fase muito difícil.”
Inseréa pensava na família que não via há anos.
Desde que virou mãe, não conseguia entender seus pais. Como poderiam tratar uma criança tão pequena e indefesa daquele jeito?
“Quero deixar o Lupe fazer tudo o que ele quiser.”
“Maninha...”
“Claro que, todos os dias, ensinarei a ele o quanto Voreoti é maravilhoso.”
Inseréa estava determinada a criá-lo como um secretário excelente.
“Ha... ha...”
Leonia riu com constrangimento, mas não se preocupou demais.
Inseréa realmente adorava seu filho. Ela nunca permitiria que ele passasse pelo que ela passou.
E agora, Inseréa tinha o Lupe.
Sem mencionar o sogro que a apoiava.
“Na verdade, meu sogro veio aqui ontem.”
Inseréa sussurrou como se fosse segredo.
“Ele trocou a fralda do Lupe sozinho e até deu banho nele!”
“Ele fez melhor do que eu, fiquei chocada,” acrescentou a babá com um sorriso envergonhado.
“Nossa, aquele velhote...”
Leonia fez questão de passar a língua, cruzando os braços.
Aquele velho maroto se transformava completamente quando havia netos por perto.
“Ele é tão bondoso comigo e com o Lupe.”
“Bom, eu...”
Leonia teve que admitir que era verdade.
Por mais que fosse um incômodo de lidar, ele era o melhor avô que uma criança poderia querer.
O Marquês de Pardus estava completamente apaixonado pelo novo neto, visitando sempre que podia.
Lupe tinha ficado preocupado que Inseréa pudesse se sentir desconfortável, mas, surpreendentemente, o sogro e a nora se davam perfeitamente bem.
‘Ele ama Voreoti tanto quanto ela...’
Leonia percebeu o quanto o Marquês de Pardus e Inseréa eram parecidos.
Unidos pelo amor por Voreoti, os dois se davam muito bem.
“Leo.”
Naquele momento, Ferio entrou na sala.
Ele tinha acabado de tomar banho; o cabelo bagunçado, ainda úmido. A babá se assustou, com o rosto vermelho.
“Papai.”
“Meu Senhor.”
Inseréa tentou se levantar, mas Ferio a fez ficar onde estava, acenando com a mão para ela ficar.
“Como está sua saúde?”
Ele perguntou primeiro, como sempre fazia desde que ela deu à luz.
“Obrigada por perguntar. Graças aos seus cuidados, estou muito mais saudável do que antes.”
“Parto não é coisa fácil. Você se saiu bem.”
“Você é tão gentil, Meu Senhor.”
Ferio franziu a testa ao ouvir o elogio.
Era estranho alguém além de Leonia chamá-lo de gentil.
“Enfim, o que te traz aqui?”
Sem conseguir pensar numa resposta adequada, Ferio passou adiante.
“Queria mostrar o Lupe à jovem senhora e falar sobre voltar ao trabalho.”
“Você ainda tem licença maternidade, não é?”
“Tenho, mas...”
Inseréa hesitou.
“O Lupe está bem com a babá, e estou começando a sentir falta de trabalhar.”
Ferio a observou por um momento, depois respondeu.
“Não.”
Ele disse que ela só poderia voltar após tirar sua licença integral. Sua voz soava mais como uma ordem.
“Caso contrário, os outros funcionários podem se sentir pressionados a não tirar a deles.”
Inseréa não tinha um cargo alto, mas, ao se casar com Lupe, tornou-se a Senhora da Casa Ricoss.
Ela também era de uma família de condes por nascimento.
Se alguém de seu status pulasse a licença-maternidade, outros poderiam sentir que também tinham que fazer o mesmo.
“Cabe à liderança dar o exemplo.”
Lupe também planejava tirar licença-paternidade em breve.
“Mas você não está muito ocupado?”
Inseréa ouvira dizer que Voreoti estava extremamente ocupado recentemente.
“Sim, mas não tanto a ponto de eu precisar tirar sua licença.”
Ferio aconselhou que ela se cuidasse até lá, e Inseréa concordou com um aceno de cabeça.
“Papai.”
Leonia se aproximou.
“Quer segurar ele?”
“Segurar o quê?”
“Como assim ‘o quê’? Lupe, é claro.”
Certo, Lupe? - Acariciando o bebê, Leonia falou carinhosamente.
“Nosso pequeno lobo quer um abraço do Duque?”
Falando com voz infantil, ela balançou suavemente o bebê, que riu e acenou com os bracinhos.
Ele parecia mesmo querer ir até Ferio.
“Não, eu—”
Ferio ia recusar.
“Oh, meu Deus, isso deixaria o Lupe tão feliz!” Inseréa ficou toda envergonhada, como se fosse ser abraçada.
“Ele vai crescer forte e saudável, abençoado pela graça do Duque!”
A palavra “graça” soava tão estranha, mas, relutantemente, Ferio pegou o bebê em seus braços.
Seu rosto ficava rígido, mas suas mãos estavam firmes e habilidosas.
“Você é bom nisso, pai.”
Leonia ficou impressionada.
“Já te criei há anos.”
Ele agia como se segurar um bebê não fosse nada.
“....”
Lupe estava mais calmo do que o esperado. Só olhava para Ferio com os olhos arregalados.
“Ele realmente é seu futuro subordinado.”
Nem chorando para Ferio? Leonia ficou surpresa.
“Cuidado com seu palavrão.”
Chamando um bebê de subordinado?
Ferio pisou suavemente na mão dela, que recoilou, rangendo os dentes. O bebê riu.
Logo, Ferio devolveu o bebê para Inseréa.
“Você só me criou desde os sete anos.”
“Três meses ou sete anos, tanto faz.”
“Não é a mesma coisa! Ele ainda usa fraldas!”
“Você também usava.”
“Não se lembra? - Ferio perguntou.
“Você mijou na cama uma vez.”
Ele mencionou seu único e verdadeiro acidente.
“A Kara disse que seus acidentes eram de outro nível.”
Ele ainda se lembrava da coberta balançando na corda.
“Por que você diria isso?!”
Leonia gritou, envergonhada.
“Ah!”
Já era tarde—Lupe ouviu tudo e pulou assustado.
“Waaah!”
A babá correu para segurá-lo, mas ele não parava de chorar até estar de volta nos braços de Inseréa.
O casal Voreoti os deixou sozinhos para acalmar o bebê, e Leonia pediu desculpas.
“Foi culpa do papai.”
“Foi sua.”
“Você me provocou!”
“Criança cresce assim mesmo.”
Ferio deu de ombros. Mijar na cama não era nada difícil.
“Você já molhou a cama alguma vez?”
“Não.”
Ferio respondeu na hora.
“Mentira...”
“Pergunte à Kara se não acredita em mim.”
Ele afirmava que nunca tinha errado na vida. A palavra não existia para ele.
“Você é tão chato...”
Leonia reclamou, mudando de assunto.
“Mas ele era fofinho, não era?”
“Filhotes também são fofos.”
“Falei para você não trocar as palavras assim.”
Ela balançou a cabeça com a expressão de estranheza.
“Você só vai parar quando tiver seu próprio filho depois de casar.”
“Quer me casar?”
Ferio perguntou, irritado.
“Não?”
Leonia respondeu na hora.
“Isso depende de você.”
“Então por que falar nisso?”
“Não quero que desista do amor ou do casamento por minha causa.”
Desde que a acolheu, Ferio não saiu muito para sair com alguém.
Ele ainda recebia cartas de amor, propostas, e mesmo tendo mais de trinta anos, permanecia perfeito.
Alguns até diziam que a paternidade o havia amolecido, tornado mais gentil.
No entanto, ele nunca se envolveu em rumores românticos.
“Você deveria namorar.”
Leonia entrou no escritório dele como se fosse dela.
“Vai desperdiçar esse rosto e esses músculos? Seria uma tragédia para o mundo.”
“Cale a boca.”
Ferio deu um leve sorriso e deu um leve toque na testa dela.
“Se ao menos, me deixe te desenhar sem camisa, uma vez.”
“Você não quer sua herança?”
“Ah, não, papai, vai tomar frio!”
Ela gentilmente colocou sua capa de uso interno sobre os ombros dele, fingindo se preocupar.
“Que Deus te dê vida longa, papai,” disse com um sorriso doce.
“Chega de bajulação.”
“É uma questão de filialidade.”
“Se eu receber mais ‘filialidade,’ vou cair morto.”
Ele jogou a capa de volta nos ombros dela.
“Você costumava me implorar para ser mais afetuoso.”
Leonia bufou.
“Agora vem falar do passado? Que cabeça dura.”
“Hmph.”
“Enfim.”
Finalmente, Ferio chegou ao motivo de ter trazido ela até aqui.
“Provavelmente precisaremos ir para a capital em breve.”
“Quando?”
“Na próxima semana.”
Ele pegou algum papel.
“Chegou um convite.”
Leonia fez uma expressão de reprovação ao envelope amarelo.
“A festa de aniversário de dezesseis anos do Primeiro Príncipe é nesta primavera.”
Ela engoliu em seco.
‘Finalmente...!’
A história original começara ali.