
Capítulo 131
Me tornei a filha adotiva do protagonista masculino.
Marquês Pardus, assim como seu filho, sempre tinha visto os Voreotis apenas como seres aterrorizantes e formidáveis.
Mas, com o passar dos anos e as rugas profundas no rosto, ele começou a perceber o lado instável por baixo da superfície.
“Ser temido e reverenciado por todos... não é uma carga fácil de carregar.”
“......”
“E cada momento dedicado a manter essa imagem? Cansa bastante.”
Ele pensava assim há muito tempo.
Quando viu o antigo Duque repreendendo duramente Ferio.
Quando insistia que um Duque deve estar sempre acima de todos, tratando Ferio com uma rigidez implacável.
E, ao mesmo tempo, cuidadosa e carinhosamente, mimava a filha que sua falecida irmã deixara para trás.
Ele se lembrou de ter espiado Ferio, bem jovem, observando tudo disso das sombras.
...Uma fera ferida.
A infância daquele jeito, pensava, foi o que moldou Ferio em alguém cuja simples presença faz as pessoas recuarem, exalando uma aura assustadora.
Talvez, sem perceber, ele mesmo.
Mas agora, ao viver com Leonia, Ferio finally tinha experimentado as coisas que deveria ter aprendido na infância.
O amor de um pai. Uma casa acolhedora.
Provavelmente, todo mundo acha que o Duque é um pai incrível agora...
Porém, o Marquês via as coisas de forma diferente.
Na sua visão, quem realmente comandava entre os dois, e não Ferio — era Leonia.
Na verdade, aquela pequena menina era quem curava as feridas de Ferio, ajudando-o a virar um verdadeiro adulto.
“Ela é realmente extraordinária.”
Os cantos dos olhos do velho Marquês se enrugaram num sorriso suave.
E, justamente nesse momento—
“Duque.”
Um servo apareceu no salão de festas com uma expressão preocupada.
O clima na sala mudou de forma tensa, refletindo a inquietação do servo.
“Tenho uma coisa da Corte Imperial.”
O servo falou em voz baixa, apenas para Ferio.
Ferio, que observava calmamente Leonia abrindo presentes, imediatamente fez um rosto sério.
A atmosfera pacífica ao redor dele escureceu num instante só ao ouvir a palavra “Imperial”.
“Uaaah!”
“Assustador! Uaaah!”
Crianças começaram a chorar ao ver a expressão dele.
“...Quem enviou?”
Ferio esperou até se afastar das crianças para perguntar.
Se fosse do Imperador, ele colocaria direto na lareira.
Fez um olhar para o Marquês Pardus. O Marquês balançou a cabeça.
Ele não sabia de nada.
“É da Sua Majestade a Imperatriz.”
Felizmente, não era do Imperador — era da Imperatriz Tigria.
Ferio pediu que trouxessem o pacote e chamou Leonia.
Se vinha da Imperatriz...
Ferio observou enquanto as caixas de presente eram trazidas para dentro, refletindo sobre isso.
Se foi algo que ela enviou pessoalmente, fazia sentido que nem o Marquês Pardus soubesse.
“Leo.”
Ferio chamou, e Leonia, que estava de olho na situação, veio andando apressada.
“O que foi? Algum problema?”
“Tem um presente da Corte Imperial para você.”
“Ah.”
Leonia fez uma careta ao testa a sua expressão.
“Jogue fora. Queime, secretamente.”
“É da Sua Majestade a Imperatriz.”
“Uhul!”
Leonia riu animadamente ao olhar para o presente.
Ferio, percebendo como aquela pequena mercenária mudava de humor rapidinho, tinha certeza que ela ia se tornar uma mestra na arte de sobreviver.
O futuro da Casa Voreoti parecia garantido.
...Mas por que ela enviaria algo para mim?
Enquanto ia abrir, Leonia hesitou.
Por que ela enviaria alguma coisa?
Era estranho, pensando bem. Ela e a Imperatriz não tinham conexão nenhuma.
Elas estiveram na mesma sala durante o banquete real, mas nem se cumprimentaram.
Será que é isso?
Uma coisa veio à mente: o doce que ela deu através do Marquês Pardus.
Ela escreveu uma nota dizendo para ficarem longe, porque ela estava prestes a usar os Presas da Fera.
Talvez isso as tivesse poupado de algum problema.
O presente da Imperatriz era uma espada de treino de madeira e alguns tecidos de alta qualidade.
“Ela deve saber que você está aprendendo esgrima,” disse Ferio enquanto inspecionava os presentes.
“São coisas boas?”
Leonia inclinou a cabeça.
Para um iniciante, uma espada de madeira era só para bater, e roupa de treino só fazia sentido se mostrasse músculos.
Mas Ferio já via o valor na hora.
E explicou de forma bem simples.
“É caro.”
“Lealdade eterna à Sua Majestade a Imperatriz...”
“Você é uma caçadora de ouro.”
Ferio suspirou e balançou a cabeça.
Também havia uma carta, provavelmente da Imperatriz, sobre o presente.
O papel era branco puro, sem nenhuma palavra escrita.
Em vez disso, duas flores estavam desenhadas: uma vermelha escura, grande e ousada, e outra amarelada, como forsythia.
“...O que é isso?”
Algum símbolo imperial?
Leonia franziu a testa, completamente perdida, quando—
“Obrigada. E tome cuidado.”
De repente, o Marquês Pardus apareceu atrás dela e sussurrou de forma enigmática.
Surpresa com a sua chegada silenciosa, Leonia deu um gritinho estranho.
Este é um conteúdo de propriedade intelectual da Novelight.
O Marquês deu um sorriso malicioso.
“O que isso quer dizer?”
“É a linguagem das flores.”
“Linguagem das flores?”
“O significado das flores naquela carta.”
“O significado? Ah...!”
Finalmente, Leonia entendeu.
“A Sua Majestade gosta muito de flores. Ela até cuida do jardim do palácio ela mesma.”
“Então isso é...”
“Um agradecimento pelo doce, parece ser.”
Por causa do doce, ela não foi ferida pelos Presas que liberou, então fazia sentido como símbolo de gratidão.
O Marquês explicou que a Imperatriz frequentemente enviava cartas florais para quem ela gostava.
Mas Leonia não ficou muito impressionada.
Ela, no fundo, era uma adulta maliciosa e malcriativa, mas por fora ainda se aparentava uma garotinha inocente que não entenderia nada de flores.
Mandá-la uma carta de flores?
Ela tinha um lado brincalhão.
Pensava que a Imperatriz era só uma figura elevada e difícil, mas tinha algo atrevido nela.
Bem, pelo menos, ela tinha a noção de que ela estava agradecendo, pelo menos.
Leonia focou no significado da segunda flor.
Cuidado.
Obviamente, tinha que ser as flores amarelas — a cor imperial, para completar.
Então, o Imperador realmente está furioso, não é?
Ela já tinha percebido. Ele foi humilhado na frente de todo mundo no banquete, por uma criança. Sem dúvida, ainda devia estar remoendo.
Esse aviso não era só para ela — era também para Ferio.
A família Imperial estava realmente brava com a Casa Voreoti.
Então, era uma advertência.
Mesmo que eles não ousassem tocar em Ferio, ela ainda era jovem, fácil de atingir.
Quem sabe que armadilhas eles poderiam estar tramando?
Hmph.
Ela bufou com desprezo.
Isso valia para os dois lados.
Leonia tinha ouvido rumores de que o Imperador tinha alguma ligação com o motivo de seu pai biológico, Remus Olor, ter se infiltrado no Norte.
Por ora, estavam fazendo de conta que não sabiam de nada.
Ferio estava segurando a vontade de agir, esperando o momento certo.
Eles realmente escolheram a luta errada ao mexer com a Casa Voreoti.
Ela tinha visto muita loucura, mas isso foi o topo.
Parecia que eles estavam implorando para serem colocados no buraco.
Leonia desejou silenciosamente que eles descansem em paz eternamente.
Acho que é hora de revisar os significados das flores.
Começava a querer mandar um buquê de morte para eles.
***
Ferio encerrou a festa de aniversário antes do pôr-do-sol.
Ele não queria atrasar demais os convidados nobres de terras distantes — era uma longa jornada de volta na neve.
“Senhora Leonia, que possamos nos encontrar novamente em breve.”
“Obrigada por vir hoje!”
Leonia se despediu de Flomus e da família Visconde Kerata por último.
Só depois que a carroça saiu dos portões da propriedade ela finalmente suspirou fundo.
Ela voltou tropeçando para dentro do salão de festas agora silencioso.
Era tudo que sobrou das decorações brilhantes que estavam sendo desmontadas. Os lustres estavam quase apagados, salvo por uma luz ainda fraca.
O papel de embrulho colorido das caixas de presente que rasgara foi recolhido, pronto para ser jogado fora.
As mesas, antes repletas de bolo e comida, já estavam vazias.
“Leo.”
Ferio a avistou.
Ao ouvir seu nome, Leonia se apoiar humedecendo cansada na perna dele. Ferio olhou por um instante, depois a pegou nos braços.
“Cansada?”
Ferio perguntou, verificando seu rosto.
“Apenas... sim, um pouco.”
Leonia fez bico.
Ela não estava exatamente cansada, só totalmente exausta.
O silêncio repentino, após toda aquela animação, deixou ela se sentindo um pouco vazia. Mas isso só significava que a festa tinha sido realmente, realmente divertida.
Os dois olharam ao redor do salão agora vazio antes de se virar.
Caminaram pelo corredor em silêncio até pararem numa janela que dava para as Montanhas do Norte, bem ao longe.
Ferio suavemente colocou Leonia na janela.
“...Papai.”
“Hm?”
“Você está feliz por eu ser sua filha?”
Ela perguntou, olhando para fora da janela.
“Estou muito feliz por você ser meu pai.”
Ela não esperou resposta e continuou falando.
“Sinceramente, hoje fiquei tão feliz que quis chorar várias vezes.”
“Você chorou.”
“Mas as crianças do orfanato não valem.”
Leonia retrucou.
Mas, sim, ela estava feliz — muito feliz.
Ela brincou com os dedos, hesitando, antes de finalmente confessar.
“Fiquei feliz por ter te conhecido.”
Finalmente, conseguiu coragem para dizer o que realmente queria dizer naquele dia.
“Sou cem vezes mais feliz do que escrevi na carta.”
Ferio olhou para a filha, que tentava tanto explicar o quão feliz ela estava.
Seu sorriso tímido começou a derreter até mesmo seu rosto stoico.
“…Sabe de uma coisa.”
Ferio de repente falou, como se fosse dividir uma coisa importante.
“Nunca tinha feito nada assim antes.”
Ele falou sobre sua infância—algo que ela nunca soube antes.