Me tornei a filha adotiva do protagonista masculino.

Capítulo 130

Me tornei a filha adotiva do protagonista masculino.

Alguns dias antes do seu aniversário.


Leonia vinha preparando algo secretamente, escondendo de todos.


Era um presente para Ferio.


Se não fosse pelo papai...


Só de imaginar aquilo por um segundo, ela sentia um calafrio na espinha. Leonia instinctivamente se abraçou e fechou os olhos apertado.


Além da escuridão, a primeira coisa que veio à mente foi o sorriso da Connie.


A face daquela professora gentil se desfez como gelo.


E atrás dela apareceu Saura, com aquele sorriso aterrorizante, as mãos estendidas querendo sufocá-la.


Está tudo bem.


Mas no final de cada pesadelo, Ferio sempre surgia.


O pai mais forte e incrível do mundo sempre protegia sua pequena medrosa.


Graças ao Ferio, Leonia conseguiu se levantar de novo.


Graças a ele, até conseguiu aproveitar seu aniversário.


Quero retribuir essa gentileza.


Quando pensava nisso, tudo o que ela tinha feito era receber. Nunca tinha realmente dado algo a ele.


Além de fazer biscoitos, ela nunca tinha dado um presente de verdade.


Mas, na realidade, não tinha muita coisa que pudesse dar ao Ferio.


Ele já era uma das pessoas mais ricas do mundo. Não tinha nada que lhe faltasse, pelo menos materialmente.


E até o dinheiro que Leonia gastava tinha vindo dele.


Nem mesmo biscoitos eram suficientes para expressar o quanto ela se sentia grata.


Que tipo de presente seria suficiente?


Enquanto elaborava suas ideias, uma conversa recente veio à sua cabeça.


"Por que você escondeu esse talento?"


"Pois é, que desperdício."


Foi o que Connie e Mia disseram no café.


Elas viram um dos desenhos de Leonia e não paravam de elogiá-la.


"Desenho..."


Quase em transe, Leonia levantou-se de repente, pegou um pedaço de papel e uma caneta, e começou a desenhar como doida.


Ela escolheu o que mais gostou, enrolou e amarrou com uma fita.


Ainda achando que não era suficiente, pegou uma folha de carta e, pela primeira vez, escreveu todas as emoções que tinha vergonha de dizer.


Aquilo era o presente que acabara de entregar a Ferio.


"Por sua causa, o meu aniversário de hoje é o mais feliz de todos."


Ela virou o corpo ligeiramente, com vergonha das próprias palavras.


"A-Ah, obrigado..."


"......"


Ferio ficou sem palavras.


Durante todo esse tempo, ele só pensava em como compensar os dias em que não pôde estar ao lado dela. Nunca imaginou que receberia algo assim.


"...Você não vai abrir?"


Leonia sussurrou para o Ferio congelado.


Só então, lentamente, Ferio começou a desembrulhar o presente.


Dentro havia um papel enrolado e um envelope decorado com flores. Ferio abriu primeiro o papel.


"Nossa! O que é isso?!"


Lupe, que observava escondido de uma certa distância, abriu a boca em surpresa.


No desenho, Ferio estava sentado na escrivaninha de seu escritório, analisando documentos.


A semelhança era quase assustadora.


Os olhos severos, os ombros largos, até o hábito de tamborilar os dedos na mesa quando irritado — tudo lá estava.


"Eu- Eu me esforcei muito nisso!"


Senti-se envergonhada por Ferio não ter reagido, então Leonia abandonou o tom formal e falou como de costume.


“......”

Mas Ferio apenas ficou olhando fixamente para o desenho, imóvel.


A atmosfera na sala de festa começava a ficar mais tensa pelo silêncio.


Até Leonia, que se considerava boa em decifrar seu humor, não conseguia entender o que ele pensava.


Logo, Ferio puxou a carta.


Escrita na sua caligrafia mais cuidadosa, dizia:


[Papai, obrigada, sempre.


Obrigada por me encontrar no orfanato e por amar uma menina mimada que nem tenta se comportar.

Criar uma filha como eu é difícil, mas, convenhamos, faz parte da vida, certo?

Mesmo assim, é um pouco divertido, não é?

Desde que estejamos felizes, isso é o que conta.

Vamos continuar sendo felizes juntos.

Te amo, papai!]


A carta oscilava entre o sério e o totalmente aleatório.


Não era muito diferente da conversa comum de pai e filha.


Mas a gratidão dela pelo Ferio transparecia alto e claro.


"...P-Príncipe?"


Lupe, assistindo nervoso, retezou-se.


Parecia que ele não podia acreditar no que via.


"Espera, você está chorando—AAARGH!"


Justo quando ia perguntar, Ferio deu uma rasteira forte na canela de Lupe, fazendo-o cair no chão.


Ferio tentou ser brando.


Felizmente, evitou que Lupe dissesse algo estúpido alto o suficiente para que os outros ouvissem.


Mas—


Todo mundo já tinha visto os olhos de Ferio tremendo.


"...Leonia."


Ferio respirou fundo, mas a voz ainda tremia.


Leonia ficou rígida, surpresa ao ouvir seu nome completo, em vez do apelido habitual.


Ela mesma parecia surpresa.

Todos os outros também.


Mas no meio de tudo, o único que parecia calmo era Ferio. Apesar de seus olhos estarem mais lacrimejantes do que o normal.


Esta tradução é de propriedade intelectual da Novelight.


"Este é o melhor presente que já recebi."


“......”


“Na verdade, acho que nunca tinha recebido presentes de verdade antes.”

Suas palavras eram contraditórias, um sorriso amargo cruzou seu rosto.


Porém, então, um sorriso tranquilo tomou conta dele.


“É o melhor.”


Como o homem mais feliz do mundo, Ferio demonstrou sua alegria com cada músculo do rosto.


“Muito obrigado.”


Os olhos de Leonia se arregalaram.


“Não consigo nem explicar o quão feliz e grata estou por você ser minha filha.”


Pai...”


“Venha cá, me dá um abraço.”


Antes mesmo de terminar de abrir os braços, Leonia já tinha pulado neles.


Ela se agarrou firmemente no pescoço dele, fungando, tentando segurar as lágrimas.


"...Foi tão emocionante!"


Inseréa chorou ao assistirem tudo aquilo.


"Eu—só! Só, parabéns!"


Como se fosse planejado, os outros começaram a aplaudir, comovidos pelo momento.


Parecia coisa de sonho, mas não importava — aquecia o coração de todos.


Ninguém jamais imaginou testemunhar um momento tão sincero, tão comovente, na Residência Voreoti.


Até os criados que observavam de longe se emocionaram.


Kara acabou caindo no chão, chorando em um lenço completamente encharcado.


"São um pai e uma filha tão amorosos," disseram, realmente sensibilizados.


"Você não me desenhou nu, né?"


"Pensei nisso, mas, como parte do meu dever filial, não o fiz. Ainda."

"Dá um jeito de manter esse dever pra sempre."

"Que pena, esse dever venceu hoje."


"Seu pirralho..."

O pai e a filha bestial já tinham acabado de gastar toda a vibe sentimental, sussurrando besteiras um no ouvido do outro.


***


Graças ao presente surpresa de Leonia, a festa de aniversário começou com sorrisos quentinhos por todos os lados.


No meio disso, Ferio trouxe convidados inesperados — as crianças do orfanato.


Entre elas, estavam Yuben e os quatro garotos que tinham sido enganados e vendidos pela Connie.


Ferio, Lupe e os outros adultos foram pessoalmente buscá-los para trazê-los de volta ao orfanato do Norte.


As crianças, reconhecendo-se, se abraçaram forte e choraram de emoção.

Você veio! Você realmente veio!


Leonia acariciou suavemente o rosto de cada uma delas, satisfeita por estarem todos sãos e salvos.


E agradeceu a Ferio inúmeras vezes por ter preparado um presente tão especial.


"O duque é realmente humano."


O jovem herdeiro do marquês Pardus ainda não conseguia acreditar nisso.


"Ele se emocionou com uma carta, e até fez tudo isso acontecer."


Ele nunca tinha visto Ferio Voreoti tão doce e derretido assim na vida.


"Meu filho."

Disse o marquês Pardus, assistindo seu neto brincar.

Enquanto isso, as crianças, incluindo o neto dele, acompanhavam Leonia abrindo os presentes.

Uma enorme caixinha de joias, roupas feitas do jeito que ela queria, um conjunto completo com os romances mais populares — Ferio tinha dado tudo o que ela podia desejar.

O rosto de Leonia se iluminou de alegria ao abrir cada presente.

E atrás dela, uma placa gigante de papel feita à mão, com a mensagem "Feliz Aniversário, Leonia", pendurada na parede, um presente secreto preparado pelas crianças do orfanato.

“Elas também são humanas.”

O marquês Pardus observava a cena com carinho, embora uma expressão complexa cruzasse seu rosto.

Seu olhar se voltou para a janela.

A forte nevasca começava a diminuir.

Depois que parasse, viria um período de clima ameno — antes das verdadeiras tempestades de neve retornarem.

O Norte, como sempre, em breve se entregaria ao silêncio do inverno.

“Este tipo de mudança me faz feliz.”

"Parece que você está se afeiçoando à Lady Voreoti," disse o jovem herdeiro.

"Muito mesmo."

O marquês #Novelight# sorriu de leve.

"Ela fez a fera ficar ainda mais fera."


“Não sei não...”

O filho inclinou a cabeça.

Na verdade, ele achava que as Presas da Fera tinham ficado amortecidas, como se tivessem sido semi-ground down (no meio do processo de desgaste).

Claro, Ferio ainda emitia uma pressão avassaladora.

As crianças do orfanato hesitaram, assustadas, andaram vários passos atrás dele quando o trouxeram até ali.

Mas, mesmo assim, pensar que o Voreoti feroz pudesse ficar tão gentil assim?

“...Você está desapontado?”

Questionou o marquês.

"De jeito nenhum."

Respondeu logo o filho.

"Só... é uma surpresa estranha."

"Eles também devem ter lutado bastante agora."

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