Me tornei a filha adotiva do protagonista masculino.

Capítulo 123

Me tornei a filha adotiva do protagonista masculino.

A lareira crepitava suavemente ao lado da lareira.


“Talvez seja melhor se eu não te contar.”


Ferio, sentado em frente à lareira,falava enquanto mexia nas chamas com o ferro de Zucker.


A maioria dos pais provavelmente tentaria esconder verdades cruéis de seus filhos.


Ferio percebeu isso logo de cara.


Mas Leonia não era uma criança qualquer—ela tinha uma ligação direta com tudo aquilo.


Por mais jovem que fosse, Ferio decidiu que não era certo esconder a verdade dela.


“Papai, antes disso...”


Leonia chamou, com voz fraca.


“...Tá quente!”


Envolvida em três camadas de cobertores sobre seu manto de uso interno, as bochechas de Leonia estavam vermelhas como tomates.


“Vou queimar até virar carvão!”


“Melhor do que congelar,” respondeu Ferio com expressão neutra.


“Você precisa aprender a se controlar!”


Por fim, chegaram a um consenso—apenas um cobertor.


“...Por onde começo.”


Finalmente, Ferio abriu a boca.


O começo era com a verdadeira identidade de Connie.


“Você já sabe, mas aquele nome era falso.”


Leonia já tinha sacado muito do que aconteceu no dia anterior. Se pudesse, arrancaria seu cérebro e lavaria tudo pra apagar aquele nome nojento.


“O nome verdadeiro dela é Saura Perdicus.”


Porém, sua identidade já tinha sido oficialmente considerada como morta há bastante tempo.


“Declarada morta?”


Leonia ficou pasma, enquanto Ferio explicava um pouco mais.


“Provavelmente ela atuava nesse tipo de serviço.”


“Que tipo de serviço...?”


“Corretora de segurança, infiltradora, algo assim.”


Ferio deu um exemplo meio brando, mas era besteira.


'Aquilo vagabunda durou tanto tempo sob o efeito daquela droga de confissão...' [1] - Substância usada para fazer uma pessoa confessar, possivelmente de forma manipulada.


A droga de confissão, dada pelo Marquês Ortio, era basicamente veneno.


Até as instruções que a acompanhavam recomendavam diluí-la em água destilada antes de usar.


Ferio não diluiu porra nenhuma. Alimentou Saura ✧ NоvеIight ✧ (fonte original) direto da garrafa. Se ela morreu na meia-confissão ou não, ele não se importava.


Mas Saura ficou consciente por quase metade do dia.


“...Uma assassina ou uma espiã.”


Leonia murmurou, concordando com o pensamento de Ferio.


“Aquela mulher, aquela Saura, ela deve ter feito coisas assim.”


Aquele olhar insano que ela tinha ontem não é coisa de pessoa normal.


Havia algo frio e com cheiro de sangue nela, algo que só alguém que vive colocando a vida em risco—um assassino, uma espiã—poderia ter.


Talvez seja por isso que apagaram a identidade dela.

“Então e os outros professores?”


Leonia pensou no diretor e nos outros funcionários que foram arrastados até a propriedade.


“Não eles,” disse Ferio.


Os outros adultos na Orfanato eram lixo, já traficando crianças antes mesmo de Leonia chegar lá.


Mas Saura era de uma outra categoria completamente diferente.


“Ela era quem realmente comandava tudo.”


Foi por causa dela que o grupo de tráfico de pessoas se disfarçou de orfanato. Ela foi a primeira a sugerir vender as crianças para os cafetões.


“...”


Leonia apertou bem seu boneco, os braços tremendo.


Ela tentou manter a calma, mas não conseguiu conter a tempestade que consumia seu interior.


A traição queimava, e o vazio que deixava não desaparecia.


Doía ainda mais porque ela confiava nela.


“E o orfanato onde você ficou.”


Ferio esperou até ver que ela estava um pouco mais calma antes de continuar.


“Fica nas proximidades da Região Ocidental.”


“O Oeste?”


“Um dos nobres da Região Ocidental, envolvido no escândalo de tráfico de monstros, governava aquela área.”


Os olhos de Leonia se arregalaram.

Sua cabeça parecia prestes a explodir.


“Papai, espera aí.”

Ela precisava de um tempo pra processar tudo.

'Então o orfanato onde fiquei... era no Oeste...'

O orfanato ficava na Região Ocidental.

E o nobre que governava aquela área tinha envolvimento no escândalo de tráfico de monstros.

Aquele escândalo era uma manobra secreta da família Olor, aprovada e apoiada silenciosamente pelo Imperador.

Um nobre ligado à família Olor.

'O Cisne Encantado.'

A identidade daquele cavaleiro errante que Saura confessou, meio fora de si.

“Então, é mesmo...”

Leonia cerrara os punhos.

Aquele pequeno besta, orgulhosa de seus gostos distorcidos, tremia de raiva.

Era hora de encarar a verdade que ela tinha tentado ignorar.

“Aquele cavaleiro vagabundo é...!”


“Remus.”

Ferio segurou a mão delafirmemente.

“Remus Olor.”

Até Ferio, o grande Ferio, tinha dificuldade em pronunciar esse nome sem engasgar.

E, ao ouvi-lo, Leonia parecia alguém que tinha acabado de engolir veneno. Ela sentia que caiu direto no inferno.

'Aquele desgraçado vagabundo.'

No momento em que ouviu o nome dele, lembrou-se de tudo que a história original dizia dele.

Remus Olor.

Filho mais velho da família Olor, irmão da Concubina Usia.

E um bosta tão desprezível quanto o próprio Imperador Subiteo.

Remus fazia coisas que não caberiam numa história para todas as idades, tratando isso como hobby.

Só de pensar nisso, a boca já enjoava.

Ele estava noivo de Lota, a segunda filha da família Erbanu.

'...Ele matou Varia.'

Matou a heroína.

Na verdade, Remus Olor foi a verdadeira origem do Varia, o verdadeiro Monstro Negro, na história original. A história começa com ele matando Varia.

O rosto de Leonia escureceu, como carne apodrecendo.

“Se precisar vomitar, vá em frente.”

A mão de Ferio tocou suavemente as costas de Leonia, com uma expressão incomum, carregada de emoção.

Era doloroso assistir ela forçar a engolir uma verdade tão brutal.

“...Eu não vou.”

Por sorte, Leonia conseguiu segurar o que tinha que vomitar.


Na verdade, ela se sentia muito mais calma do que no dia anterior, quando descobriu quem Saura realmente era.


“Já sabia que meu pai biológico era um lixo.”


Leonia sempre amaldiçoou seu pai de origem.

Ela já tinha percebido que aquele desgraçado provavelmente engravidou Regina e deu no pé.

“Achava que ele era só lixo, mas ele é o lixo mais escroto que existe. É isso que me deixou fodida.”

Esse era o verdadeiro problema.

“...Isso tá me irritando pra caramba!”

Leonia deu um chute no ar, tomada por uma raiva genuína. Quase caiu pra trás, mas Ferio a segurou com o braço.

“Que porra eu fiz pra merecer isso?!”

Quando começou a desabafar, não conseguiu parar.

“Aff! Aff!”

Acabou rolando no chão, completamente destruída.

“Aaaaargh!”

Este trecho é de propriedade intelectual da Novelight.


Mas por mais que se debreasse, a verdade horrenda que tinha diante dela não sumia ou fugia.

“Que diabos é isso?! O que é isso?!”

A injustiça que ela não conseguia se livrar finalmente virou lágrimas.

Leonia soluçou alto.

“Waaah!”

As lágrimas encheram os olhos e rolaram por suas bochechas redondas, caindo como gotas grossas e pesadas.

“Desculpa, papai!”

E ela se desculpou.

“Eu manchei o nome Voreoti!”

Ela colapsou no chão, de cara no chão. Seus suspiros sofridos e ombros tremendo não paravam.

Era um grito como se tivesse perdido o mundo todo.

Leonia nunca se importou muito com as circunstâncias de seu nascimento.

Mas ao descobrir que também carregava o sangue Voreoti, ela secretamente se sentiu orgulhosa.

'Sou uma Voreoti.'

Mais tarde, chegou a amar a casa a ponto de se chamar de Voreoti.

Porém, no instante em que soube que aquele sangue repulsivo corria em suas veias, um medo tomou conta.

Ela não conseguiu olhar mais para Ferio.

“Desculpa! Desculpa demais!”

Leonia lamentou, a voz trêmula.

“ Garota burra.”

Ferio, que assistia em silêncio, soltou uma voz arruinada.

Parecia o grito de uma besta ferida.

“Eu te avisei antes, não foi?”

Ferio levantou a criança encolhida e a colocou no colo.

Colocando ela no colo, forçou a que levantasse o rosto.

O rosto vermelhinho dela era uma destruição total. Parecia que tinha extravasado todos os fluidos do corpo.

Até o ranho dela tava inchado como uma bolha de sabão.

Ferio olhou para ela por um longo momento, até não resistir mais e murmurar:

“...Você tá bem feia.”

“Waaah!”

Já devastada, Leonia gritou ainda mais alto.

Ferio, um pouco atrasado, tentou confortá-la. Por sorte, ela parecia estar cansada, e os soluços aos poucos cessaram.


Embora sua voz estivesse rouca e áspera de tanto chorar.


“Leo.”


Depois de garantir que ela tinha se acalmado, Ferio a puxou mais perto e falou.

“Você nunca precisa se preocupar com quem você é.”


Ela tinha sido profundamente magoada antes por uma brincadeira zombeteira de um professor.


E mesmo naquela época, Ferio tinha dito exatamente a mesma coisa.


“Leo, você é só minha filha.”


“Hic... ngh...”

“Só existe essa verdade entre a gente.”


“Mas... meu verdadeiro pai...”


“Você vai continuar chamando aquele desgraçado de ‘meu pai de verdade’?”


O rosto de Ferio ficou sério.

A expressão dele revelou o quanto odiava ouvir isso.

“Eu sou seu pai.”

Falou com firmeza.

Como se estivesse desafiando ela a nunca esquecer.

“Você, de todas as pessoas, nunca pode negar isso.”

“P-Pai...”

Leonia chamou sem pensar. Saiu naturalmente, como se fosse o próprio ar que respirava, e mesmo assim Ferio parecia aliviado.

“Não deixe que outras pessoas te abalem.”

Filho ilegítimo. Criança de orfanato.

E agora, o horrível fato de seu pai biológico ser o herdeiro da família Olor.

Nada daquilo era algo que Leonia tinha escolhido.

Eram coisas impostas a ela ao nascer, ou jogadas por adultos desprezíveis.

“Somos família.”

Mas “família” era algo que Leonia tinha escolhido para si mesma, que ela construiu.

Era algo precioso que ela e Ferio haviam criado juntos.

Não importava o que dissessem, era uma verdade inabalável.

Por causa do pai, Leonia deu seu primeiro grande passo no mundo, e por causa da filha, Ferio se tornou um homem melhor.

“Se você esquecer de novo, vai se meter em encrenca.”

Ferio sorriu com ironia e 小hartou seu rosto sujo de lágrimas com a manga.

Quanto mais suja sua manga ficava, mais limpa ficava o rosto de Leonia.

Porém, então, novas lágrimas apareceram novamente, pesadas e gordas.

“Papai...”

Leonia segurou firmemente as roupas de Ferio.

Os soluços suaves e tristes começaram de novo e só pararam quando ela ficou completamente exausta e adormeceu. Ferio ficou ali o tempo todo, acariciando suas costas em silêncio.

Mesmo após ela ter dormido, Ferio permaneceu sentado por um bom tempo, segurando-a.

'Olor...'

Seus dedos, ainda repousando em suas costas, começaram a bater rapidamente.

Nos olhos negros semicerrados, a luz do fogo piscava furiosamente.

A brilhante luminância rubra em seu olhar parecia pronta para esmagar os pescoços dos Cisnes Vermelhos.

'Eles ousaram tocar Voreoti.'

Não bastava terem invadido o Norte, matado Regina, e deixado Leonia com uma ferida tão terrível.

Em comparação, roubar e vender monstros era coisa de criança.

Isso não era algo que se resolvesse simplesmente varrendo o suor ou caçando uma besta arrogante.

Depois de um momento, Ferio respirou fundo, fechou os olhos e suspirou de tédio.

A luz vermelha em seus olhos negros desapareceu, e ele se deitou no sofá com Leonia ainda em seus braços.

“Nngh...”

Leonia soltou um pequeno gemido.

Mesmo com o rosto enterrado no peito do pai, ela não parecia feliz.

Ela estava cansada, assim como Ferio também.

E assim, pai e filha adormeceram cedo naquela tarde.

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