Me tornei a filha adotiva do protagonista masculino.

Capítulo 125

Me tornei a filha adotiva do protagonista masculino.

Connie andava preocupada ultimamente.


Leonia, que sempre foi tão enérgica e cheia de espírito, tinha ficado completamente exausta.


“O que vamos fazer...?”


“É, eu não sei...”


Mia também estava bastante preocupada.


Na verdade, ambas já sabiam o que acontecia.


A crise da pequena dama era por causa da traição de Connie — a verdadeira Connie, quero dizer.


E o fato de ela ter precisado usar as Presas da Besta, que acabaram machucando as pessoas na fazenda, também não ajudava.


Por causa disso, qualquer menção a Connie, ou qualquer coisa relacionada a ela, tinha se tornado um tabu na mansão.


“Ouvi dizer que os professores do orfanato foram realmente punidos.”


Connie falou com cautela, enquanto descansava na cama, sobre o que tinha ouvido.


Os funcionários do orfanato foram severamente castigados por Ferio, supostamente por causa do burburinho que sua boca骨rta tinha causado.


Claro que tudo eram apenas boatos.


Mas, sabendo o quanto Leonia era preciosa para Ferio, não era difícil de acreditar.


“...Ele não os matou, né?”


“Com nosso senhor? Ele certamente faria isso.”


As duas criadas ficaram silenciosas, assustadas pela possibilidade terrível. Então, viraram o olhar para a porta da cozinha, bem cerrada.


Dentro dela, Leonia estava assando biscoitos sozinha para os empregados que ela havia magoado.


Elas ofereceram ajuda, dizendo que era perigoso fazer isso sozinha, mas ela recusou categoricamente, então só lhes restou esperar do lado de fora.


Ao menos Manus estava com ela, fazendo a guarda.


“Aquele cavaleiro enorme, né?”

Mia imaginou a dama mais baixa da mansão e o cavaleiro maior fazendo biscoitos juntos.


“... Que coisa mais fofa.”


Era uma imagem comovente.


“Finalmente você virou fã da dama.”


Connie avisou para ela não falar essas coisas na frente do senhor deles.


Uma das maiores preocupações de Ferio era o gosto corrompido de Leonia.


“É saudável, tá bom!”

Mia respondeu de imediato, na defensiva.


“Só imaginei um urso gigante e uma esquilinha pequena, é isso!”


“E o que você tava imaginando então?” Mia retrucou. “Você é pior que eu.”


“Não sou!”

As duas criadas discutiam sobre quem era mais pervertido.


“Connie, Mia.”


Madame Felica apareceu, caminhando com passo firme na direção delas.


“O mestre chamou vocês.”


Elas se assustaram e deram um pulo.


“O mestre?”


“Mas a jovem senhora está...”

Mia olhou nervosamente para a porta da cozinha. O cheiro de biscoitos recém-assados já vinha debaixo dela.


“Vou ficar com ela. Vão agora.”

Felica deu uma empurradinha firme nas duas criadas hesitantes. Connie e Mia nem reclamaram, arrastando os pés enquanto caminhavam na direção do escritório.


“Querem pular pela janela?”

Mia apontou para a neve pesada caindo lá fora.

Connie quase cedeu à tentação, mas puxou Mia junto e finalmente chegaram à porta do escritório.


Cair numa poça de neve dava medo, mas desobedecer a Ferio era muito pior.

“M-Mestre...”

Elas bateram na porta, anunciando sua chegada.


Uma voz lhes mandou entrarem. Antes de dar o passo, ambas juntaram as mãos e fizeram uma oração.


Rezaram para que pudessem sair caminhando com seus próprios pés.


“Sentem-se.”

Ferio apontou para um sofá ao entrarem.


Kara já estava lá, sentado calmamente.


Sem hesitar, Connie e Mia correram para sentar ao lado dele.


“Senhor Kara...”


“Waaah...”


“Você está bem, não vai morrer.”

Kara consolou as moças assustadas, acariciando suas mãos trêmulas.


Elas não eram as únicas ali. Lupe e Mono estavam sentados na poltrona oposta.


Basicamente, todas as figuras centrais da Casa Voreoti estavam reunidas ali.


Como serventes, Connie e Mia mal conseguiam relaxar naquele ambiente.


“Tem algo importante.”


Ferio, confirmando que todos estavam presentes, levantou-se do assento. Caminhou até a frente da escrivaninha, apoiando-se levemente nela.


“Leonia...”

Quando pronunciou o nome dela, seu rosto ficou sério como a morte.


“Nos últimos dias...”

Ferio abriu lentamente os olhos após uma pausa e soltou uma bomba.


“Ela não tocou na minha coxa.”

“...O quê?”

Lupe piscou, boquiaberto.

Por um segundo, achou que tinha ouvido errado.

Mas, ao olhar para o rosto sério de Ferio, sombrio com preocupação genuína, não havia nenhuma pista de brincadeira.


“Aquela maldita gente!”

Mono bateu o punho na apoio do sofá, sacudindo tanto que Lupe deu uma saltadinha.

O rosto de Mono, cerrado de fúria, tremia de raiva.

“Ela deve estar realmente arrasada se não tocou na sua coxa, meu senhor!”

O vice-comandante dos Cavaleiros de Gladiago rangeu os dentes de fúria.

“Ela nem entrou furtivamente na área de treinamento! Normalmente, ela pelo menos dava uma escapadinha duas vezes por dia pra assistir ao treinamento dos cavaleiros!”

“Impossível!”

“O que será que vai acontecer com nossa jovem dama...!”

Connie e Mia enxugaram lágrimas com os aventais, com o coração partido.

“E-para pensar...”

Mia, que tinha algo guardado, falou cuidadosamente.

Foi corajosa, considerando que tinha acabado de pensar em fugir pulando pela janela há um minuto.

“Ela não fala sobre músculos ultimamente.”

Connie concordou.

“Ela prometeu me explicar a importância dos músculos eretores da espinha...”

Ela levantou seu dedo mindinho, lembrando da promessa.

Então, emocionada, Connie desabou em lágrimas. Estava segurando, para não piorar as coisas para Leonia, mas não conseguiu mais segurar.

“Nossa dama tem um coração tão mole!”

Ela soluçou, apoiando-se no ombro de Mia. Mia fungou e a consolou com um tapinha.

“Eu também.”

Kara tirou os óculos.

A única vez que o mordomo competente tirava os óculos era para enxugar as lágrimas.

Ele também estava profundamente preocupado com o comportamento estranho de Leonia.

“Ela tem brincado com bonecas, algo que ela odiava. E, ao invés da leitura pesada de sempre, ela tem lido contos de fadas.”

Todos pareciam completamente angustiados.

Todos ficaram em silêncio, cada um preocupado com Leonia.

‘...Que diabos?’

Apenas Lupe se sentia completamente deslocado. Ele não se identificava com nada daquilo, se sentia como um alienígena na sala.


‘Será que sou eu? Será que sou o estranho?’

Mas Lupe tinha certeza de que estava certo.

Crianças normais não obsessivamente pensam em músculos, não espio cavaleiros às escondidas, e não apalpam as coxas do pai.

Leonia tinha um gosto excessivamente distorcido para sua idade.

Isso—isso era o normal.

Mas todo mundo lá estava profundamente preocupado com ela, sério e preocupado mesmo.

Esta tradução é de propriedade intelectual da Novelight.

Se ele chegasse a dizer que eles eram os estranhos, provavelmente acabaria enterrado vivo na neve.

“O aniversário de Leonia está chegando,” disse Ferio.

O maior evento da fazenda Voreoti estava a menos de quatro dias de acontecer.

“De jeito nenhum vou deixar que o aniversário dela seja menos que perfeito só por causa desse caos.”

O Fera Negra murmurou com uma voz sombria.

Lupe pensou consigo mesmo que, se alguém ouvisse aquilo, acharia que eles eram rebeldes planejando um golpe, e não uma família preocupada com o aniversário de uma criança — a do ~Nоvеl𝕚ght~ mesmo.

“Precisamos animar a Leonia, não importa o que aconteça.”

Era o primeiro aniversário de Leonia na Voreoti.

Ferio queria que ela fosse mais feliz do que qualquer outra naquele dia.

Na verdade, não só naquele dia — ele queria que ela fosse feliz todos os dias.

“Connie, Mia.”

Ferio chamou as duas criadas.

“Vocês passam mais tempo com a Leonia. Acho que devem ter boas ideias de como fazer ela sorrir.”

Finalmente entenderam por que tinham sido chamadas.

Ficaram de pé e começaram a pensar seriamente. Connie falou primeiro.

“E se mostrarmos algo que ela realmente goste?”

Musculatura. Claramente.

“Por sorte, a jovem dama é pensativa e corajosa.”

“Y-É, ela está tentando lidar com tudo sozinha agora.”

A forma como ela vinha pedindo desculpas e entregando biscoitos aos empregados era uma prova de que Leonia tentava se reerguer.

“Então, se a recompensarmos com algo relacionado a músculos, acho que ela vai ficar muito feliz.”

“Faz sentido.”

Ferio concordou.

‘Não, isso não faz sentido algum’

Lupe tinha uma dor de cabeça terrível.

“Senhor Ceres.”

Ferio virou-se para Mono.

“Amanhã.”

Reúna toda a ordem dos cavaleiros.


***


Leonia e Manus cuidadosamente embrulhavam biscoitos juntas.


“Quer ajuda?”

“Tô fazendo tudo sozinha.”

Ela tinha começado com firmeza, insistindo que faria tudo sozinha, mas foi desacelerando até precisar da ajuda de Manus.


E, na verdade, Manus era muito melhor nisso.

Suas mãos grandes trabalhavam com destreza, envolvia os biscoitos no papel e amarrava pequenos laços com cuidado.

‘Cafona demais...’

Leonia olhou para Manus com uma cabeça que tinha um lado distorcido demais para a idade dela.


Depois que os biscoitos foram embrulhados, eles passaram pela fazenda distribuindo e pedindo desculpas.

“Você tá bem? Sinto muito mesmo.”

Todos os empregados se sentiram mal pelo pequeno danadinho.

“Jovenzinha, a gente tá bem.”

“Olha só! Tão de boa mesmo.”

Eles se empinaram e arregaçaram as mangas para mostrar que estavam inteiros, sem machucados.

Habilidosamente, a demonstração exagerada de gentileza ajudou a curar o coração de Leonia aos poucos.

Especialmente Ferio — ele era seu maior consolo.

Desde aquele dia, Ferio tinha deixado Leonia dormir em seu quarto.

‘Pai é uma pessoa tão incrível.’

Ele a acariciava até ela dormir, e, por mais ocupado que fosse, sempre encontrava um tempo para verificar como ela tava, só para ver seu rostinho.

Graças ao pai gigante que ela tinha, a pequena fera recuperou suas forças.

‘Preciso mesmo tomar cuidado.’

Leonia se deu conta mais uma vez.

As Presas da Besta não eram só fortes e legais — eram perigosas o suficiente para machucar quem ela amava.

Ela queria controlar esse poder o quanto antes.

Não queria ferir sua amada família Voreoti. Queria ser alguém que seu pai se orgulhasse. Uma pessoa confiante, forte, por si mesma.

“Vou treinar bastante.”

Ela apertou firmemente a cesta que carregava.

Antes, ela cheia de biscoitos, agora vazia.

Ao contrário do que seu coração dizia agora — cheio de coragem.

“Ótima ideia.”

Manus observou a pequena dama com admiração.

Estava orgulhoso do quanto ela tinha crescido, mesmo que fosse triste pensar que isso aconteceu por algo tão horrível.

Ele também se importava profundamente com Leonia.

“Depois vou dar biscoitos aos cavaleiros também.”

Leonia pediu a Manus para esperar um pouco mais.

Dessa vez, ela queria fazer tudo sozinha, assando os biscoitos por conta própria.

Manus sorriu suavemente e disse que aguardararia.

“Mas o que eu posso dar de presente pro papai?”

Leonia queria dar algo extra especial ao Ferio.

“Nosso senhor ficaria feliz só de saber que você está saudável e alegre.”

Respondeu Manus.

O que Ferio mais queria era a felicidade de Leonia.

“Ainda assim, quero dar pra ele algo bem legal.”

“Só um beijo na bochecha já faria ele pular até o teto.”

“Meu pai...?”

O rosto de Leonia se torceu ao imaginar aquilo.

“Meu pai não faz isso!”

Ela bufou.

“O Duque de Gelo do Norte não pula!”

“Até que pula, sim.”

Manus apontou silenciosamente.

E também se perguntou: quem diabos é o Duque de Gelo?


“Meu pai é o Duque de Gelo.”

“O senhor é duque, sim, mas—”

“Ele tem esse título, então pode ficar tranquilo.”

“...Você está com sono, jovem senhora?”

Manus percebeu que era hora do cochilo dela.

Ela vinha assando biscoitos e correndo o dia todo. Não era surpresa ela estar cansada.

Deve ser por isso que ela tava falando tanta bobagem.

“Não estou com sono...”

Mas Leonia balançou na perna, e Manus a pegou no colo, levando para a cama.

“Meu pai é doce... forte... e absolutamente dominante...”

Ela começou a falar algo bizarro antes de desabar na cama.

‘Ela está melhor, com certeza!’

Para chamar seu senhor de totalmente dominante...

Manus sorriu aliviado.

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