
Capítulo 126
Me tornei a filha adotiva do protagonista masculino.
No dia seguinte.
Leonia estava sentada na penteadeira com uma expressão grave.
“ Connie, prende tudo pra não desgrudar, não importa o quanto eu mexa!”
“Deixa comigo!”
Connie, animada, escovou o cabelo com toda a energia.
“Mia, me traz a roupa de treino mais resistente que puder achar!”
“Já estou providenciando!”
Mia também se dedicou bastante escolhendo a roupa.
“Vou fazer um penteado igual àqueles que estão na moda no Oriente atualmente.”
Connie apresentou o penteado de hoje.
Ela parted o cabelo preto de Leonia em duas partes e torceu em bolinhas redondas e bem arrumadas, depois cobriu com um tecido branco puro.
Depois, amarrou firmemente o tecido com fios.
“Este é o cabelo redondo que está em alta no Oriente!”
“Redondo, redondo!”
“Quem faz trabalho físico lá do outro lado prende assim o cabelo!”
“Quero ver isso um dia desses!”
Logo depois, com a ajuda de Mia, Leonia trocou de roupa para o treino.
“Essas também são as roupas de treino que estão na moda no Oriente!”
“Roupas de treino!”
“Chamam de ‘dobok’ em Shina, além do Oriente!”
“Dobok!”
Com o cabelo preso e a roupa trocada, Leonia deu uma rodadinha no lugar.
“Tudo pronto!”
Depois, abriu os braços bem largos.
“A partir de hoje, vou ser uma nova Leonia Voreoti!”
Connie e Mia vibraram.
“Que tipo de nova Voreoti você vai ser?”
“Forte, impressionante, com os músculos explodindo de tanto treino!”
“Se for você, missa, isso dá pra fazer na boa!”
Meleis, que aguardava do lado de fora, observava as três com uma expressão preocupada.
‘...Será que ela tá com dor de garganta?’
Ela sabia que aquelas três se davam bem, mas aquela não era exatamente uma conversa que se gritasse bem alto.
Só de observá-las, ela sentia a garganta arder sem motivo algum.
Seus ouvidos já estavam sofrendo bastante.
Como esperado—
“Tossiu! Haaaack!”
Leonia, que tinha gritado com todas as forças, começou a engasgar e tossiu por um tempo.
Somente depois de engolir um copo de água e até fazer uma visitinha ao banheiro, ela finalmente foi para o campo de treinamento.
“Vou treinar muito duro!”
A pequena fera declarou com passos decididos.
Para Meleis, ela parecia exatamente um soldado soldadinho de papel.
Na suas mãos, tinha uma cesta cheia de bolachas feita para os cavaleiros.
“Deixa comigo, eu levo.”
Meleis estendeu a mão.
“Isso é algo que eu tenho que fazer sozinha.”
Grata, mas educadamente recusando, Leonia respondeu com humildade.
Meleis achou hilário aquela jovem fingindo ser tão comportada.
“A partir de hoje, vou ser uma nova Voreoti.”
“Você já falou isso, mas que tipo de Voreoti exatamente?”
‘Ela ainda quer ficar toda cheia de músculos, né.’
Meleis imaginou o corpo de Leonia todo musculoso.
Não foi difícil.
Ela só precisaria colocar o rosto de Leonia no corpo do Ferio e pronto. Os dois tinham uma aparência assustadoramente parecida de qualquer jeito.
“...Pfft!”
Meleis quase não conseguiu segurar a risada.
Sério, aquilo não combinava nada com ela. E era demais de tão engraçado.
“Vou ficar forte.”
Nesse momento, Leonia falou.
Seus braços, segurando a cesta, ficaram tensos com determinação.
“Vou ficar tão forte que ninguém mais vai olhar para o Norte ou para a Voreoti com desdém.”
Meleis estremeceu.
A seriedade do compromisso dela pesava bem mais do que os gritos que tinha ouvido pouco antes.
“Vou ser o duque de Voreoti.”
Não havia nenhuma hesitação na voz da garota.
Seus olhos, olhando fixamente, eram firmes e inabaláveis.
“Vou me tornar alguém tão forte e incrível quanto meu pai, e proteger esse lugar que eu amo.”
Ela sempre dizia que ser herdeira era uma chatice, que deveria ficar com uma filha de casamento legítimo com uma duquesa, enquanto enfiava o dedo no nariz, como se aquilo fosse algo trivial.
Leonia não queria assumir responsabilidades, nem se dava ao trabalho de se esforçar.
Até agora, ela fazia as coisas mais por obrigação, pelo Ferio.
Mas não mais.
“Preciso ficar forte.”
Leonia olhou para sua mãozinha pequena.
Sempre, constantemente.
Ela se sentia estranha e desconfortável no corpo. Mesmo depois de se tornar uma Voreoti, muitas vezes sonhava em voltar ao seu corpo de adulta.
‘Não mais.’
Sua mão fofinha fechou-se em um punho.
‘Meu mundo é aqui agora.’
Leonia finalmente aceitou esse corpo pequeno como seu.
Ainda andava lentamente, e mal conseguia carregar a cesta de bolachas com os dois braços.
Mesmo assim, tinha que se tornar uma Voreoti com esse corpo.
‘O sangue que corre nesse corpo...’
Leonia franziu a testa.
Apesar do sangue da família Olor correr em suas veias, era justamente por causa dele que ela tinha que se tornar a Voreoti perfeita.
Só assim ela não seria um fardo para o pai.
“......”
Meleis observava Leonia com olhos de orgulho e tristeza ao mesmo tempo.
‘Ela tá com os ombros muito tensos.’
Era uma seriedade que não combinava com uma criança.
Uma cruel realidade tinha sido imposta a ela, fazendo com que se tornasse adulta num instante, de repente.
Meleis nem conseguiu se dar ao luxo de confortá-la, dizendo que tava tudo bem.
Se fosse ela no lugar dela, também teria lutado, se esforçado ao máximo para suportar e superar.
E Leonia, apesar de toda sua infantilidade, tinha uma personalidade digna. Podia reclamar e chorar, mas nunca fugiu de suas responsabilidades.
Isso só tornava tudo ainda mais pesado para ela.
‘Por isso o duque...’
Meleis pensou no campo de treinamento que estavam prestes a alcançar.
Ali, Ferio tinha preparado um presente especial para a filha.
Bem, chamar isso de presente talvez fosse exagero, mas era algo que combinava perfeitamente com os gostos de Leonia.
Ainda assim, ela se perguntava se esse tipo de presente iria fazer efeito numa garota tão séria.
‘E se der errado?’
Meleis estava realmente preocupada.
Esta tradução é de propriedade intelectual da Novelight.
***
Para sua sorte, a preocupação acabou sendo apenas isso—preocupação.
No instante em que Leonia chegou ao campo de treinamento, soltou um grito de empolgação.
“Uau!”
Seu rosto ficou vermelho de excitação, e ela correu direto para a área de luta.
A cesta de bolachas que ela ia distribuir aos cavaleiros? Ela praticamente a jogou nas mãos de Meleis.
“Kyahhh! Aaaah!”
Seu entusiasmo não era só animado—era teatral mesmo, saía sem parar.
Depois, tropeçou e caiu de bunda, mas, em vez de ficar no chão, rolou em uma cambalhota e usou o impulso para avançar.
“......”
Meleis, segurando a cesta, ficou olhando para sua futura senhora com uma sensação que palavras não conseguiam descrever.
‘Será que acabei de ver uma miragem...?’
Ela se perguntou se aquele pequeno animal sério, que tinha acabado de decidir ser forte, era só uma ilusão passageira.
Nem era verão, mas parecia um sonho de noite de São João.
Ao mesmo tempo, ela tinha certeza de que o próximo duque de Voreoti ia ser famoso por causar os escândalos mais loucos da história.
‘Do jeito que ela é.’
Meleis não pôde deixar de admirar o Ferio mais uma vez.
O Lobo Negro sabia exatamente o que ia levantar o ânimo da sua pequena fera. Ele era, de verdade, um pai de verdade.
“Meu Deus! O que é isso?!”
Leonia, que tinha corrido até a borda da área de luta, estava ofegante.
Embora, para quem tentasse recuperar o fôlego, tinha uma ambição pessoal demais ali misturada.
“Hiyaaah!”
Mesmo com as escadas ao lado, Leonia pulou direto na plataforma de luta.
Seu grito de guerra tinha mais energia do que nunca.
“Você vai se pegar um resfriado!”
Suas palavras pareciam preocupadas, mas seus olhos pretos e redondos olhavam para todos os lados.
“Que diabos eles estão usando?!”
Seu braço tremia enquanto apontava para as roupas de treino dos cavaleiros.
“Por que todo mundo tá sem camisa?!”
“Não estamos.”
Ferio, finalmente incomodado, a pegou e a levantou bem no alto, dando algumas balançadas de um lado para o outro.
“Waaah!”
Emitindo um som estranho enquanto voava pelo ar, Leonia conseguiu se segurar e voltou a ficar consciente.
Mas a empolgação não passava tão fácil assim.
“O que é tudo isso?”
Com olhos cheios de admiração, ela olhou novamente para os cavaleiros.
Normalmente, eles treinavam com túnicas confortáveis, de fácil mobilidade.
Os Cavaleiros de Gladiago não tinham um uniforme específico de treino, mas era esse o visual padrão.
No entanto, hoje, cada um deles estava vestido exatamente do mesmo jeito.
Tecido leve, justo ao corpo, revelando tudo.
E, claro, sem mangas.
“P- pai, você também?”
Até mesmo Ferio estava usando a mesma roupa.
Por causa do peito largo, o tecido justo se esticava sobre seus músculos sólidos, mostrando cada detalhe.
Mas o que realmente chamou atenção de Leonia foi o conjunto de abs logo abaixo do peito dele.
“São dez!"
Ao inspirar lentamente, os músculos na região do quadril dele se flexionaram, fazendo os dez abs destacados sob o tecido ficarem ainda mais aparentes.
Meleis, que tinha levado Leonia ao campo de treinamento, também trocou de roupa e agora estava na plataforma de luta.
“Agora, se sente mais motivada?”
Ferio se abaixou e beliscou o narizinho de Leonia com o dedo, perguntando.
“Sim, papai!”
Os olhos negros de Leonia brilharam com lágrimas.
“Você fez tudo isso por mim...?”
Comovida, ela cobriu o rosto com as mãos. Engasgando com as emoções, arfou, e lágrimas rolaram.
“...Eu te amo, papai!”
E nisso, jogou-se nos braços de Ferio.
“Minha pequena. Minha pervertida.”
Ferio deu tapinhas nas costas da filha enquanto ela se agarrava nele.
“Vou treinar bem forte agora! Vou estudar ainda mais! Vou fazer tudo direitinho!”
Leonia fez uma promessa, fungando.
“Vou me tornar uma Voreoti sensacional!”
“Já é uma Voreoti maravilhosa, Leo.”
“Quero ficar ainda mais forte e incrível!”
Leonia enxugou o nariz e gritou com toda força.
“Vou ser uma Voreoti muito mais legal que você, papai!”
Sua declaração alta ecoou pelo campo de treinamento.
Os cavaleiros aplaudiram e vibraram.
Diziam que ela ia conseguir, que todos iriam passar por isso juntos, enchendo o espaço com apoio.
E entre eles, alguém até chorou junto.
“...Funcionou mesmo?”
Paavo, aplaudindo, deu uma risada vazia.
No começo, quando viram aquelas roupas novas e ouviram o plano, achou que não ia dar certo—que aquela ideia ridícula não funcionaria de jeito nenhum.
Mas parecia que a fanfarrona era muito mais além do que eles imaginavam.
“Não é meio assédio sexual no trabalho isso?”
Probo, que estava ao lado, murmurou mexendo na roupa nova.
O tecido justo, que abraçava o corpo dele, parecia bem mais revelador do que simplesmente tirar a camisa.
“De quem foi a ideia de usar esse troço só pra ela ficar feliz?”
“Foi ordem do senhor.”
Paavo falou para ele ir reclamar com o Ferio se tivesse alguma reclamação.
“Pois é... pensando bem, é uma sacada genial.”
Probo mudou de ideia rapidinho.
Paavo lançou um olhar de pena para o colega cavaleiro.
Mas também tinha que admitir que ele não era lá muito diferente.
Ele ainda não se tinha acostumado com a sensação dessa roupa nova.
“Ainda assim...”
Naquele momento, Manus ousadamente reclamou.
Como o cavaleiro mais forte da Ordem de Gladiago, seu uniforme tinha chegado a quase rasgar.
“A gente só deve usar isso enquanto a jovem estiver treinando.”
“É, aguenta aí só um pouquinho.”
Paavo e Probo tentaram acalmá-lo. Achavam que, de todos, ele devia ter mais direito de reclamar.
Mas Manus não se rendia.
“Essa cor não combina comigo.”
Reclamou em voz grossa, dizendo que parecia que ele tava com o rosto muito apagado.