
Capítulo 127
Me tornei a filha adotiva do protagonista masculino.
“…Ah, isso?”
“Que diabos...”
Paavo e Probo ficaram sem palavras.
Os dois apenas encararam fixamente o cavaleiro mais alto e musculoso de Gladiago, que reclamava sobre a cor sem graça do uniforme de treinamento.
“V-você está ótimo nele!”
“É verdade! Combina demais com você!”
Saindo do estado de espanto, os dois se apressaram em tranquilizar Manus.
Por sorte, esse grandalhão não parecia ter problemas reais com o uniforme de treinamento estranho e justo.
Graças a Deus por pequenos milagres.
E não foi só Manus. Surpreendentemente, os outros cavaleiros também sentiram o mesmo.
“Sabe, na real, isso até que é meio confortável.”
“Não é?”
“Muito melhor do que eu imaginava.”
Os novos uniformes de treinamento foram um sucesso.
As túnicas que eles usavam normalmente eram confortáveis, com certeza, mas o tecido frouxo às vezes atrapalhava na hora de empunhar a espada ou se mover com agilidade.
Esse uniforme novo, mesmo ajustado ao corpo, esticava com facilidade e não restringia os movimentos de jeito nenhum.
“Minha lord.”
Mono se aproximou de Ferio.
Ele também não escapou das garras do — não, do novo uniforme de treinamento.
“Esse pervertido—não, quero dizer, o novo uniforme está fazendo sucesso.”
“Você me chamou de pervertido?”
Ferio olhou de relance para Leonia, que estava agarrada firmemente à sua perna.
Seus olhos semicerrados deixavam claro: tem algum problema com o que você está vestindo?
“Queria dizer, como uma lagarta que se transforma em borboleta, é uma bela perversão—uh, transformação.”
Mono virou as palavras com malícia.
“Aprendeu esse tipo de atalho com Lupe, foi?”
Ferio soltou uma risada sardônica.
“Diga, alguma decisão minha já foi uma má ideia?”
Com um sorriso convencido, Ferio praticamente desafiava alguém a apontar alguma.
O Monstro Negro agia como se toda essa brincadeira tivesse sido calculada desde o começo.
Mono, de várias maneiras, achava seu senhor de uma imponência incomparável.
Não é fácil alguém ser tão arrogante assim.
Ele ficou sem palavras.
Dessa vez, a realidade deu duro na cabeça do pai e da filha Voreoti.
Mas, mesmo assim, não deixou a menor marca na arrogância do Monstro Negro.
Se fosse o caso, só o tornava mais irritado ainda.
Mono lembrou-se das palavras de Ferio.
“Eu mesmo lhes ensinarei.”
O Monstro Negro, à sua maneira, decidiu ser generoso — e finalmente mostrou os dentes.
Vai ser uma caça lenta e longa.
Ferio declarou pessoalmente a caçada, e, como disse, os preparativos já estavam em andamento, lentamente.
O norte, Voreoti, não terminaria isso de forma pacífica.
Mono tinha certeza disso.
Olor e o Imperador enfrentariam um destino muito mais aterrorizante do que os miseráveis do orfanato ou aquela mulher Saura.
Enquanto Mono reflexionava sozinho—
“Leo, só corra duas voltas pelo campo de treinamento com os cavaleiros.”
“Para o céu eu vouoo!”
“Não, fica aqui mesmo.”
“Ugh, por quê de novo?!”
Ferio e Leonia discutiam como se fosse um trabalho em tempo integral.
Leonia se esforçava, bufando, tentando escapar do grip de Ferio, que a segurava pelo roupão.
O uniforme oriental, supostamente resistente, aguentou firme as contorções da pequena fera.
Sem chance de ganhar mais músculos, Leonia deixou os ombros caírem.
“…Acho que você aprendeu a torcer as palavras com o tio Lupe também.”
E então ela repetiu exatamente o que Ferio tinha dito a Mono pouco antes.
Mas, no final, como Ferio disse, Leonia teve que esperar até os cavaleiros terminarem suas voltas para então correr, reclamando de manhã à tarde.
De qualquer forma, era a rotina habitual, deliciosamente pervertida.
Com energia renovada, Leonia correu com força três voltas ao redor do campo de treinamento.
Ela costumava reclamar após uma volta, mas hoje não.
Ela estava em excelente forma.
“Este lugar é um paraíso! Paraíso!”
“Pare de gritar slogans estranhos.”
Ferio acalmou a empolgada Leonia e ajudou-a a fazer um aquecimento.
Ela empunhou a espada de madeira cinquenta vezes—três séries de cinquenta, nada menos—mantendo uma postura baixa, com os joelhos levemente flexionados, segurando a espada por mais tempo do que o habitual.
E fez tudo perfeitamente.
Não havia nada a criticar. Ela estava focada e trabalhava mais duro do que nunca.
Ferio, observando sua filha impressionante, de repente franziu o cenho.
“Não me diga que...!”
Ele finalmente caiu a ficha.
Leonia vinha segurando tudo na essência—fazendo tudo de forma meia-boca.
Um choque quase violento atingiu Ferio. Mono também ficou surpreso.
“Só agora que descobriu isso?”
A traquilik, aquela pequena esperta, estava completamente impassível. Nem se incomodou em dar desculpas.
“Sinceramente,”
Leonia disse, coçando irritadamente a ponta do nariz com o dedo mindinho.
“Na verdade, eu não queria ser herdeira, então fingi que tentei por sua causa. Mas agora não quero mais.”
Antes, ela treinava por um dever filial. Agora, ela queria, por si mesma, se tornar a próxima Duquesa de Voreoti.
“Tudo é questão de mentalidade, sabe?”
Ela olhou para o dedo, depois meteu a mão nos calça, casualmente.
Ferio torceu a face.
“Sua criancinha descarada.”
“Tanto faz.”
“Já passou do nível de criança birrenta.”
Ferio se sentiu tonto, como se tivesse levado um soco.
Todo o mundo se dobrou à sua vontade, mas essa rabugenta sempre escapava de suas expectativas.
Nem mesmo o poderoso Monstro Negro poderia prever essa pequenina criatura.
“De onde você tirou essa ideia?”
“Sério mesmo?”
Leonia o encarou como se ele fosse maluco.
“Por mais que eu seja ruim, ainda não sou tão ruim quanto você.”
“Você é pior.”
“De jeito nenhum, você é muito pior.”
“Você é mais sem vergonha.”
“De jeito nenhum.”
O pai e a filha-bestas entraram em mais uma discussão infantil sobre quem era mais sem vergonha.
Um cavaleiro observando tudo comentou, “Dá até medo de roubar uma semente, hein?”
Refere-se, claro, ao quão assustadoramente parecidas eram as duas bestas.
O jeito que brigavam pra se superar era ridículo e sério ao mesmo tempo.
“A senhorita Leonia é realmente diferente.”
“Pois é. É a única que consegue deixar o senhor assim.”
“Nunca pensei que veria o dia em que o senhor discutiria com uma criança.”
No meio da discussão, Leonia ficou tão irritada que simulou um ataque mordendo Ferio com os dentes.
Ferio até colocou o dedo na boca dela e retraiu como uma provocação, o que só acirrou a gana dela.
De repente, os dois começaram a rir juntos.
Os cavaleiros, ainda sussurrando, mostraram surpresa e alívio ao mesmo tempo.
“Fico feliz que ela voltou a ter o espírito de sempre.”
“É, agora ela parece ela mesma.”
“Tava preocupado faz tempo.”
Todos sentiram um peso enorme sair deles ao ver a pequena bestia de volta ao normal.
Graças a Deus.
Meleis, que escutava escondido, sorriu discretamente.
Esses dois eram realmente uma família. Ninguém poderia duvidar do laço que eles construíram.
“Ei, papai.”
Então Leonia comentou com Ferio.
Ela olhava com inveja para os novos uniformes de treinamento dos cavaleiros.
“Quero usar também.”
“Não.”
Ferio a repreendeu com firmeza.
“Por quê? Eu quero usar.”
“Mostra o seu corpo inteiro.”
“Mas é legal.”
Leonia empinou a barriguinha pequena.
“Quando ficar musculosa, quero usar também!”
“Só se eu estiver morto no caixão.”
“Por quê?! Os cavaleiros podem usar!”
“Eles não são minha filha.”
“…Ugh.”
Uma onda de suspiros de incredulidade percorreu os cavaleiros.
Ninguém acreditava que uma razão tão absurda tivesse saído da boca de Ferio.
Leonia inflou as bochechas de frustração.
“….
Então ela olhou ao redor do campo de treinamento, procurando algo.
“Seu ingrato.”
Ferio agarrou a cabeça da filha assim que ela começou a procurar algo para usar de manha.
Ela tremeu como se fosse pegar um punhado de terra para jogar bem na cara dele.
“Sério, pegar uma semente não vale a pena.”
Esta tradução é propriedade intelectual da Novelight.
Paavo cochichou no ouvido de Meleis.
“Pois é...”
Meleis assentiu lentamente.
Ela era uma das poucas que sabia que esses dois não eram realmente sangue do mesmo sangue.
Era um segredo que ela levaria para o túmulo, mas, na verdade, parecia não fazer muito sentido.
Ferio e Leonia tinham se tornado uma família tão feliz que poderiam destruir essa verdade cruel sem medo.
***
Em um dia em que a neve branca caía suavemente —
O aniversário de Leonia finalmente chegou.
E, desde o momento em que acordou, ela estava radiante de felicidade.
“Feliz aniversário.”
Ferio foi quem primeiro disse, acordando-a logo ao nascer do sol.
Ainda meio sonolenta, Leonia sorriu amplamente e abraçou-o.
“Obrigada, papai!”
“Só com palavras?”
“Mwah, beijo!”
Ansiosa, Leonia deu beijos nas duas bochechas de Ferio.
“Papai, está nevando lá fora.”
Ela apontou para a visão pela janela do quarto. Flocos de neve pesados caíam incessantemente.
“E se os carruagens não conseguirem passar?”
Um rosto preocupado cruzou seu semblante. Ela se preocupava se os convidados da festa de aniversário dela conseguiriam chegar por causa da neve.
“Eles vão chegar bem.”
Ferio vestiu suavemente um roupão leve sobre o pijama dela e respondeu com delicadeza.
“No norte, o frio é bem maior do que isso. As carruagens não vão parar por causa de uma nevasca.”
“Sério mesmo?”
Seus olhos, que estavam meio fechados, se abriram de novo.
Ferio bagunçou o cabelo desgrenhado dela com força.
Sob sua mão grande, uma risada surgiu.
Logo depois, Connie e Mia entraram no quarto.
“Feliz aniversário, senhorita!”
“Hoje você faz oito anos!”
O sorriso de Leonia se abriu ainda mais com as felicitações alegres.
“Hoje, o cabelo da Leo vai ficar assim.”
Ferio entregou algo às duas criadas. Depois beijou a bochecha de Leonia e disse que iria primeiro para a sala de jantar.
“O que é? O que é?”
Leonia, animada, perguntou ansiosa.
Connie e Mia compartilharam um sorriso radiante.
“Olha só!”
“Este é o seu primeiro presente de aniversário do Mestre.”
Era um adereço de cabelo.
Pedras cintilantes e coloridas se agrupavam formando uma peça encantadora, como um pequeno jardim de flores.
E cada pedra era uma joia valiosa, encontrada somente em Voreoti.
“Que lindo!”
As bochechas de Leonia ficaram levemente vermelhas de vergonha. Suas mãos gordinhas pressionaram o rosto, deixando seu sorriso ainda maior.
Só experimentar colocar o adereço de cabelo já a fazia sentir que poderia flutuar até o céu de tanta felicidade.
“Senhorita, você não pode ficar só com isso!”
Connie, tão animada como se fosse seu próprio aniversário, acenou com as mãos.
“Tem uma sala cheia de presentes esperando por você hoje!”