Me tornei a filha adotiva do protagonista masculino.

Capítulo 128

Me tornei a filha adotiva do protagonista masculino.


Antes de descer para a sala de jantar—


Leonia decidiu dar uma espiada na sala supostamente repleta de presentes, levando Connie e Mia consigo.


Era para ser uma surpresa até a festa, mas ela insistiu que um olhadinho rápido não faria mal.


Seu cabelo preto cintilava com o primeiro presente de aniversário de Ferio, os enfeites brilhando intensamente enquanto ela caminhava empolgada pelo corredor.


Quando chegaram à porta, Leonia abriu a boca, surpresa.


“Tinha uma coisa assim na casa?”


A porta, fechada com força, chegava até o teto.


Ela ainda não morava no palacete do Norte há um ano completo, mas achava que conhecia bem o lugar.


Ela tinha explorado bastante sempre que ficava entediada.


Porém, nunca tinha visto aquele lugar antes.


Ela até passara por ele, mas nunca imaginou que tivesse uma porta aqui.


A porta, escondida em um canto, parecia exatamente a parede ao lado — mesma cor, mesmo acabamento, misturando-se perfeitamente.


Será que foi por isso que ela nunca tinha notado?


Leonia tocou cuidadosamente na porta. Só agora ela percebeu uma linha sutil — uma fresta quase imperceptível.


Empurrou com força, usando toda a determinação que tinha em suas mãos pequenas.


A porta não se moveu.


Ao contrário, a força apenas rebotou, fazendo com que ela cambaleasse alguns passos para trás.


“Faz sentido você não saber, senhora.”


“Este lugar é usado como depósito.”


“Depósito?”


Leonia inclinou a cabeça.

“No Norte, o inverno torna difícil sair de casa.”


Connie explicou.


Os invernos no Norte eram rigorosos — em dias de nevasca, não só era impossível sair, como até abrir uma janela podia ser perigoso.


Por isso, as casas do Norte desenvolveram a tradição de construir espaços de armazenamento para alimentos e itens essenciais.


Esse antigo prédio também servia para a mansão Voreoti.


“Mas nosso armazenamento fica lá fora.”


Leonia lembrou-se de ter visitado um anexo de armazenamento externo com Kara uma vez.


A mansão principal conectava-se a locais importantes como o campo de treinamento interno e o depósito, facilitando a circulação mesmo no inverno.


Esse armazenamento estava cheio de alimentos e suprimentos.


“Aqui se parece mais com uma câmara de tesouros.”


“Tesouro?”


O pequeno animal abriu os olhos bem grandes. De repente, a porta parecia bastante diferente.


“Nem todo mundo pode entrar aqui.”


“Somente os empregados escolhidos podem entrar, e só por um curto período.”


Enquanto conversavam, Connie e Mia empinaram o peito, orgulhosas.


“Mas nós entramos recentemente!”


“Para colocar seus presentes lá dentro, senhora!”


Evidentemente, estavam se gabando de serem as escolhidas.


No dia em que Ferio as chamou preocupando-se com Leonia, ele também deu permissão para que acessassem esse cofre de tesouros.


“Todos os seus presentes estão guardados aqui.”


“O senhor ordenou que tudo fosse reunido em um só lugar.”


O cofre se estendia do andar térreo até o topo da torre, com um projeto único, contendo salas e corredores assim como o restante da mansão.


Ferio tinha guardado os presentes de Leonia na maior sala lá dentro.


Desde o inverno passado.


“Desde então?!”


Leonia inspirou fundo, surpresa.

“O senhor sempre chamou seus presentes de aniversário de 'tesouros'.”


Connie explicou docemente.

Mesmo quando moravam na capital, Ferio comprava presentes secretamente e enviava para a mansão do Norte.


“......”


As orelhas de Leonia ficaram vermelhas com a revelação nova.

Se ela fosse direto ao salão de jantar agora, parecia que ia chorar assim que visse Ferio.


Na mesma época do ano passado, ela nem tinha sido adotada por um mês completo. Ainda se referia a ele como “Senhor” — era estranho demais.


“Ai, que confusão melosa.”

Ela resmungou consigo mesma.

Aquela sensação doce e macia, como comer um nuvem de chantilly, espalhou-se por todo o corpo dela.

Seus dedos mexiam nervosos na bainha da roupa, entregando sua vergonha.

Connie e Mia trocaram olhares e sorriam suavemente.


***


Leonia fazia muito tempo que não via as festas de aniversário como momentos felizes.


“Feliz aniversário, senhora.”


“Desejando-lhe um alegre oitavo aniversário.”


“Parabéns de verdade!”


Pela manhã, a equipe da mansão organizou uma pequena comemoração só entre eles.


Usando uma linda coroa de flores, Leonia recebeu muitos votos e presentes dos empregados.

Ela quase perdeu a voz de tanto agradecer.


Mas estava feliz.

Parecia que ela havia reafirmado seu lugar no mundo.

O chão sob os pés da pequena bicho ficara mais firme.


“Feliz aniversário, senhora.”


Lupe deu um passo à frente com um presente bem embrulhado e um sorriso gentil.

“Obrigada, tio Lupe!”

Leonia abraçou-o forte. Lupe ficou meio surpreso, mas logo sorriu e retribuiu o abraço.

Tendo visto seus dias na orfanato de perto, Lupe ficou emocionado.

O presente dele era pesado.

“I-isso…!”

Os olhos de Leonia se arregalaram ao passar as mãos pelo embrulho.

No momento em que rasgou o papel, ela soltou um grito de vitória.

Era um livro de referências de croquis musculares.

Na verdade, dois volumes.

“Lembrei da minha promessa e incluí no seu presente.”

Lupe falou orgulhoso.

Ele não tinha se esquecido de retribuir a pequena que o apresentou a uma recrutadora tão valiosa, mesmo na época de escassez na equipe.


“Tio Lupe...!”

Leonia, emocionada, beijou sua bochecha.


De repente, houve um estalo agudo vindo de trás.


A origem do barulho foi a mão de Ferio.

A bandeja do braço da cadeira onde ele estava sentado foi esmagada.


Por um segundo, Lupe pensou que fosse ele quem estivesse sendo destruído.

Suando, o pobre secretário viu sua testa suar, mas a criança distraída estava completamente absorvida nos seus novos livros.

Suas mãos tremiam enquanto folheava as páginas.

“Haaah, haaah...”

A respiração da garota de oito anos, absorvendo aqueles incríveis esboços de musculatura, era pesada e quente.

Os adultos, observando-a com carinho, assustaram-se com a intensidade.

Havia muitos outros presentes.

Connie, Mia e as demais empregadas fizeram-lhe um vestido lindo, e os empregados juntaram dinheiro para comprar um novo par de sapatos.

Os jardineiros secretamente cultivaram flores amarelas na estufa e presenteando uma planta em vaso, enquanto os cozinheiros criaram chocolates com sabor de leite de morango só para ela.

“Escrevi poesias.”

Inseréa, hesitante, entregou-lhe um livro.

“Uma coletânea que escrevi pensando em você desde que vim para o Norte.”

Um volume grosso, capa dura, com poemas manuscritos.

Uau, ela é realmente especial...!

De repente, Leonia se lembrou do passado de Inseréa.

A época em que ela perseguia audaciosamente o Duque de Voreoti não era algo fácil de esquecer.

“T-thank you.”

Com um sorriso constrangido, Leonia olhou de relance para Ferio.

...Ele está sorrindo?

Ferio exibia um sorriso satisfeito. Parecia verdadeiramente contente com os poemas sinceros que Inseréa dedicou a Leonia.

His little daughter now had a loyal subordinate, and he was absolutely thrilled.

Ai, esse pai idiota.

Leonia suspirou fundo. Sua expressão cansada deixou todos à sua volta tensos.

Especialmente Inseréa, que parecia prestes a desmaiar ali mesmo.

“N-não gostou?”

Inseréa tremeu.

“Não é isso.”

Leonia, impaciente, começou a fazer um círculo guloso com os dedos.

“Estou ansiosa por este mês.”

É bem provável que a remuneração de Inseréa seja bem generosa.

Esta tradução é de propriedade intelectual da Novelight.


***


Quando o sol passou do seu ponto mais alto, várias carruagens começaram a chegar uma a uma na mansão Voreoti.


Como a verdadeira estrela do dia, Leonia foi até a porta da frente para receber os convidados convidados.

“Feliz aniversário, Dona Leonia.”

“Como você é iluminada e encantadora!”


“Não é de se admirar que o duque a adora tanto.”

A cena de uma criança tão pequena, orgulhosa e cumprimentando os adultos como anfitriã da festa era tão fofa que todos os convidados sorriam radiantes.


“Ai, meu Deus.”

A condessa Bosgruni cobriu a boca com seu leque aberto e sorriu calorosamente.

“Que pequena anfitriã encantadora temos aqui.”


“Condessa Bosgruni!”

“Hm...”

Depois, com um ligeiro suspiro de decepção nos olhos, a condessa lançou um olhar para Leonia. Percebendo imediatamente, Leonia ajustou sua postura rapidamente.


“Condessa Bosgruni.”

Ela gentilmente beliscou a ponta do vestido e fez uma reverência graciosa.

“Muito obrigada por vir à minha festa de aniversário hoje.”


Só então, a expressão da condessa suavizou novamente.

“Bom, afinal sou sua professora de etiqueta.”

“Aprendo sempre tanto com a senhora, condessa.”

“Você realmente tem a maneira mais linda de falar.”

O mestre e a aluna trocaram sorrisos afetuosos.


“Mas... aquele homem está aqui?”

De repente, ao lembrar de Ardea, a expressão doce da condessa se retorceu numa careta.

Leonia balançou a cabeça.

“Nem eu vejo ele há um tempão.”

“Então, como tem se saído nos estudos?”

“Ainda estou refazendo as tarefas que ele deixou.”

Quando se trava, marca os pontos, revisa depois, e se ainda não entende, pede ajuda ao Ferio ou ao Lupe.

Ouvindo isso, a condessa soltou um suspiro pesado, claramente frustrada.

“Aquele desgraçado, sério...”

Seu leque rangeu um pouco mais forte enquanto ela o segurava com força.

Leonia ficou muito aliviada por não haver uma xícara de chá na vista agora.

Se tivesse, mesmo na ausência dele, Ardea poderia desmaiar só de ver a condessa segurando a xícara.

“Ah, meu Deus...”

Percebendo-se, a condessa rapidamente voltou ao seu sorriso gracioso habitual, como se nada tivesse acontecido.

Leonia achou que já tava atrasada demais pra isso, mas deixa pra lá.

“Ele disse que está viajava a negócios.”

“Como se esse tonto tivesse algo importante o suficiente pra chamar de negócio.”

Ela afastou a conversa, dizendo que o máximo que ele faz é fuçar em ruínas ou algo assim.

Leonia piscou.

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