
Capítulo 118
Me tornei a filha adotiva do protagonista masculino.
“Aqueles mestiços!”
“Se eles realmente o pegaram, deveriam assumir a responsabilidade!”
Leonia estava furiosa, como se tudo aquilo tivesse acontecido com ela mesma.
Ela tinha invejado tanto Yuben por conseguir escapar daquela escola de orfanato infernal, e ao mesmo tempo, tinha rezado de coração pela felicidade dele.
Leonia sempre torcia para que os outros meninos adotados por novas famílias encontrassem a felicidade.
‘Era tudo o que eu queria…’
Ao ver Yuben assim novamente, Leonia não pôde evitar sentir uma tristeza profunda e dolorosa.
“Estou bem.”
Foi Yuben quem tentou acalmar Leonia, insistindo que ele estava OK.
“Estou feliz por ter voltado.”
“Oppa...”
“De verdade. Eu realmente estou.”
Leonia ficou sem palavras.
Quão horrível deve ter sido aquela casa adotiva para ele dizer que estava feliz por estar de volta ao orfanato?
Ele saiu com um rosto tão feliz…
“...”
Leonia não conseguiu fazer a pergunta.
Só de pensar, abriria de novo as feridas de Yuben. Além disso, a alegria em seu rosto ao dizer que estava feliz por voltar — não pareciam palavras desconfiadas.
“Eu estava preocupada com as crianças, mas ver todo mundo junto assim me faz sentir melhor.”
“O pai trouxe todo mundo aqui.”
Foi Ferio quem fez isso.
O orfanato onde Leonia tinha ficado queimou até as cinzas e foi oficialmente declarado desastre total.
Mas todas as crianças e a Professora Conniee foram transferidas para o Norte, onde agora viviam em condições muito mais confortáveis.
Ferio também doou mais dinheiro ao novo orfanato do que nunca antes.
“Então era verdade...”
Yuben falou em descrença.
“As crianças estavam dizendo que Nia virou uma nobre.”
No começo, ele não acreditou. Mas agora, vendo Leonia pessoalmente, tudo fez sentido.
Ela costumava ser magra, completamente de pele e ossos, com o corpo cheio de hematomas e olhos severos de tanto teimosia.
Mas agora, ela claramente tinha mudado.
A pele dela estava lisa, seu corpo tinha ficado mais cheio, e ela usava roupas caras.
Para completar, tinha duas criadas com ela.
“Oppa, eu não sou mais Nia.”
Leonia deu uma risada curta e contou seu novo nome.
“Eu sou Leonia agora.”
“Nossa, esse nome é bem mais legal pra você, não acha?”
“O que você acabou de falar, oppa?”
Leonia brincou, levantando a mão como se fosse dar um tapa nele, e Yuben riu de coração.
“Mas combina com você,” ele disse sinceramente. “Soa valente. Igual a você.”
Então, Leonia abaixou a mão e sorriu delicadamente.
“Certo, pessoal.”
Naquele momento, o diretor do orfanato chamou as crianças.
“A jovem senhora da Casa Voreoti trouxe doces deliciosos. Vamos todos lavar as mãos e comer juntos!”
“Yay!”
“Sim, senhor!”
As crianças vibraram e dispersaram com entusiasmo.
“Oppa, falo com você depois.”
Leonia não conseguiu se afastar das crianças mais novas que a puxavam para irem lavar as mãos com elas.
Yuben assentiu silenciosamente, compreendendo.
“Você tinha muito contato com aquele menino, Yuben?”
Conniee, que veio ajudar as crianças a limpá-las, perguntou.
“Sim. Mas ele não ficou muito tempo. Saiu poucos meses depois que eu cheguei ao orfanato.”
“Entendi...”
Conniee respondeu com cuidado.
Ela percebia que todos os amigos nas memórias dolorosas da jovem tinham passado por dificuldades parecidas.
Ela mesma tinha crescido em uma casa quente, então era difícil para Conniee encontrar as palavras certas.
Ela não conseguia imaginar como Yuben devia ter se sentido, sendo abandonado e voltando ao orfanato.
“Conniee.”
Leonia, que estava enrolando as mangas de uma criança mais nova, falou baixinho.
“Nós estamos bem agora.”
As crianças não precisavam mais passar fome, nem sofrer com frio ou calor.
Elas podiam tomar banho em uma banheira grande com água quente.
Talvez o retorno de Yuben ao orfanato após ser abandonado fosse, na verdade, um grande golpe de sorte.
E tudo isso por causa de Leonia ter conhecido Ferio.
“O pai é realmente o melhor!”
“Fufu, ele é mesmo.”
Conniee sorriu em concordância — não havia ninguém como seu mestre.
As crianças, após lavarem as mãos, formaram uma fila para receber os lanches.
Segurando seus pratos, conversavam animadamente enquanto os professores distribuíam pão e doces.
Conniee e Mia passaram colocando copos de leite na mesa de cada criança que voltava.
‘Ela também não veio hoje...’
Leonia, tomando seu leite e já tendo dividido sua comida com as crianças mais novas, observou ao redor.
‘Quando será que a Professora Conniee volta?’
Na última visita dela, ela tinha ouvido dizer que Conniee tinha retornado à sua cidade natal por um tempo.
‘Quem sabe ela não foi pra ficar pra sempre?’
Depois de terminar seu leite, Leonia se levantou de sua mesa.
“Connie, Mia.”
Ela disse que ia visitar o escritório do diretor.
Elas ofereceram-se para acompanhá-la, mas Leonia recusou, dizendo que era na porta ao lado.
‘Agora que lembro, a Ardea também não está por aqui.’
Desde que chegou ao Norte, ela não tinha visto nenhuma das duas.
Segundo Ferio, Ardea havia ido ao Oeste a negócios importantes.
Leonia estava ansiosa para perguntar sobre um documento que ele tinha escrito — ela ficou um pouco decepcionada com a ausência dele.
‘Elas duas se foram.’
Seriam elas… envolvidas romanticamente?
Leonia imediatamente pensou em algo terrível, mas logo descartou essa ideia.
As duas não tinham conexão, muita diferença de idade, e além disso, Ardea ainda tinha sentimentos pela Condessa Bosgruni.
‘Que sem-vergonha.’
Sair tão descaradamente e ainda se apegando — ele era realmente diferente.
Na verdade, não havia nada a aprender daquele homem além de trechos acadêmicos.
“...Isso deve permanecer estritamente confidencial.”
Justo quando Leonia ia abrir a porta do escritório do diretor, ela parou.
“A jovem senhora ficará chocada.”
A voz séria era do diretor.
‘Chocada? Eu?’
Leonia pressionou a orelha na porta. Sua respiração naturalmente diminuiu.
“Vai ser um impacto forte nela.”
“Exatamente.”
Esta tradução é de propriedade intelectual da Novelight.
Dentro do escritório, havia mais dois professores.
Todos eles falavam com preocupação profunda pela jovem.
A pessoa que segurava a respiração do lado de fora da porta sentiu o coração começar a bater forte.
Algo estava errado.
“Pode ser... a Professora Conniee...”
“Nem a chame assim.”
“Ela nem merece ser chamada de professora,” rosnou alguém.
Era uma professora que sempre cantava canções alegres para as crianças.
‘Não devo ouvir isso.’
Você vai se arrepender assim que escutar.
O corpo de Leonia tremeu.
Mas parecia que suas pernas estavam grudadas no chão — como se ela tivesse pisado em alguma coisa pegajosa ou suas solas tivessem sido pregadas. Ela não conseguia se mexer.
‘Por favor... Por favor...’
Ela fechou os olhos com força.
Mas não adiantou.
“Ela vendeu as crianças do orfanato onde trabalhava!”
As pernas de Leonia fraquejaram.
Parecia que seu mundo estava desmoronando.
Sem perceber sua presença do lado de fora, os professores continuaram a conversar.
“Yuben—ele foi encontrado trabalhando como escravo em um bar qualquer.”
Foi só aí que Leonia percebeu por que o corpo de Yuben parecia igual ao de antigamente.
Mesmo depois de todo esse tempo, ela o reconheceu instantaneamente — e foi por isso.
“Desde a primavera, o Duque vem rastreando o paradeiro das crianças adotadas daquele orfanato.”
“E os outros?”
“Encontramos quatro que foram adotadas há dois anos…”
O diretor interrompeu-se.
Não havia como rastrear as crianças adotadas depois disso.
Aquele orfanato nem tinha sido bem administrado.
Os registros só começaram a ser feitos nos últimos três anos.
‘Três anos…’
Leonia levou o tempo para mexer seus dedos lentamente.
Já fazia quase um ano desde que foi adotada pela família Voreoti.
E ela passou aproximadamente dois anos naquele orfanato horrível.
“De qualquer forma, todos precisam tomar cuidado com o que dizem.”
O diretor reforçava a confidencialidade quando—
“Ugh... hã…
Os professores congelaram ao ouvirem a presença sutil além da porta. Seus rostos ficaram pálidos.
Um deles abriu a porta lentamente.
Claro.
Leonia estava ali, com o rosto pálido, quase desmaiando.
“Não é verdade, certo?”
Sua voz tremia como se fosse chorar a qualquer momento.
Os cantos da boca se contorciam violentamente, como tentando sorrir.
“A Professora Conniee nunca faria isso... Ela não faria.”
Mas ninguém respondeu ao seu apelo desesperado.
“Por favor... alguém diga alguma coisa!”
Leonia gritou, implorando.
Mas ninguém respondeu. O diretor até desviou o olhar, murmurando um pedido de desculpas.
Por fim, Leonia virou-se e foi embora.
Ela ouviu vozes frenéticas chamando-a de trás, mas não parou, suas pernas quase não se mexendo.
“Jovem senhora?”
“Jovem senhora, para onde vai?!”
Conniee e Mia vieram procurar por ela após entregarem os lanches e agora corriam atrás.
“O que aconteceu? O que há de errado?!”
Mia, mais rápida do que Conniee, conseguiu pegar Leonia quase que na hora.
“Tenho que falar com o pai.”
A voz de Leonia tremia.
“E-eles estão todos enganados. Os professores estão errados.”
“Por favor, acalme-se, minha senhora.”
“Tenho que perguntá-lo! Preciso saber!”
“Tudo bem. Mas antes, respire—”
Mia a puxou gentilmente pelos ombros, acariciando suas costas repetidamente.
Só então, a força de Leonia se esgotou, e ela se apoiou lentamente em Mia.
“Nia!”
Justamente aí, Yuben apareceu correndo.
Conniee veio logo atrás, segurando seu manto.
“Nia—não, Leonia!”
Ofegante, Yuben parou de repente.
O menino que costumava mostrar os dentes mesmo quando apanhava, agora estava boquiaberto, completamente pasmo.
“... Os outros ainda não sabem.”
Yuben percebeu que Leonia tinha descoberto.
E ele entendeu completamente o motivo de sua destruição.
Porque todos eles acreditavam nela.
“Eu não fui adotado.”
Yuben mordeu com força o próprio lábio.
Era quase impossível dizer isso em voz alta para a pessoa que mais acreditava naquela mulher.
Mas ele tinha que dizer.
“Eu fui vendido.”
E ele não era o único.
Os outros três crianças que tinham sido adotadas enquanto Leonia ainda estava lá — também tinham sido vendidas.
“Eu trabalhava todo dia em um bar. Eles mal me deixavam dormir. Eu tava com mais fome do que nunca no orfanato.”
“...”
“Então, um dia, a Professora Conniee apareceu na minha casa.”
Yuben tremia ao falar.
“Meus pais adotivos pagaram por ela.”
Ele tinha implorado várias vezes para ela salvá-lo, dizendo que era difícil demais, que não aguentava mais.
Mas Conniee tinha sorrido gentilmente, afastando-o com delicadeza.
‘Te cai bem essa vida.’
Você é o filho perfeito para esse lugar.
Yuben revelou a verdade cruel, com a voz embargada de lágrimas.
“A Professora Conniee nos vendeu.”