Me tornei a filha adotiva do protagonista masculino.

Capítulo 117

Me tornei a filha adotiva do protagonista masculino.


Probo baixou a voz e perguntou em silêncio.


Não houve resposta verbal, mas o olhar de Ferio falou claramente.


“Leve-os até a prisão subterrânea.”


“Duque.”


Lupe rapidamente intervenceu.


“O Conde Urmariti ainda não chegou ao Norte. Seria muito mais eficiente fazer um interrogatório quando o conde trouxer o outro ‘bastardo’ até aqui—”


“Lupe Ricoss, Visconde.”


Ferio o interrompeu calmamente.


Depois, ele disse:


“Por que eu precisaria ver esses dois se enfrentando?”


“......”


“Ter apenas um deles no meu Norte já é nojento o suficiente—agora espero que eu assista essas duas criaturas idiotas vivas?”


Com um tom raro, quase gentil, Ferio convidou Lupe a responder.


Mas Lupe não conseguiu.


‘Ele está furioso.’


Lupe só percebeu tarde demais.


Graças a Leonia, Ferio tinha ficado notavelmente mais ameno nos últimos dias, mas sua natureza permanecia a de uma besta brutal que nunca perdoava quem invadisse seu território.


Agora, o Beast Negro estava mais calmo do que nunca.


“Sempre digo isso—”


Ferio Voreoti estava absolutamente furioso. Sua paciência havia atingido o limite.


E tanto Lupe quanto Probo sabiam muito bem o que havia além desse limite—o próprio inferno.


“Uma pessoa que me trata com descaso já é demais—e essa pessoa é o Leo.”


Apenas o filhote de besta poderia brincar ao redor do beast negro.


Apenas Leonia poderia puxar suas orelhas e desenferrujar sua barba enquanto ria.


“A pessoa que o Conde Urmariti vai trazer já está praticamente morta.”


Todos os indícios já estavam nas mãos de Ferio.


“E, afinal, é presa do próprio Conde.”


Estava claro—não haveria interrogatório cruzado.


“...Peço desculpas.”


Percebendo que tinha ultrapassado o limite, Lupe abaixou a cabeça. Um suor gelado escorria pelo seu rosto como lágrimas.


E esse era apenas o resultado de ter encostado na irritação de Ferio.


Ele tinha reencontrado a verdadeira terrível essência do Duque de Voreoti, um medo que não sentia há bastante tempo.


***


“Hmm, assim, e depois...”


Sentada perto da janela de um café com uma bela vista, Leonia movia as mãos freneticamente.


Enquanto observava as pessoas passando lá fora, ela esboçava vários modelos de relógios que imaginava que combinariam com elas.


Mesmo rabiscando mais ou menos com uma caneta-tinteiro, os desenhos saíam surpreendentemente detalhados.


“Você desenha muito bem, minha senhora.”


Connie, que vinha observando, admirou.


“Não é nada.”


Leonia encolheu os ombros timidamente, envergonhada com o elogio.


Na verdade, ela poderia fazer bem melhor, mas por causa de suas mãos pouco desenvolvidas e das ferramentas de escrita desajeitadas, estava frustrada com seu estilo atual.


“Você também consegue desenhar outras coisas?” Mia perguntou.


“Como pessoas ou cachorros?”


“Pensando bem, nunca vimos seus desenhos antes.”


“Pode nos mostrar um?”


Até Connie entrou no pedido.


“Não é nada demais,” disse Leonia timidamente, pegando novamente sua caneta.


A tinta se espalhou sobre o pequeno papel e virou linhas arredondadas, que logo assumiram uma forma.


Connie e Mia assistiam ao processo como se estivessem hipnotizadas.


“Hmm...”


Leonia terminou o esboço e estendeu o caderno para elas.


“O que acham?”


Era um croqui das duas tomando chá.


Seus olhos se arregalaram de surpresa.


“Eu só tentei desenhar vocês duas tendo chá antes. Mas ficou meio estranho, né?”


“De jeito nenhum! Meu Deus, ficou incrível!”


“Se isso é ‘estranho,’ então preciso morrer agora!”


Connie e Mia protestaram em voz alta—tão alto que todo mundo no café se virou pra olhar.


Ficaram envergonhadas, abaixando a voz.


“Ficou exatamente igual a gente!”


“E essa Connie ainda ficou ainda mais bonita.”


“Mia, você também não fica pra trás.”


As elogios ao desenho logo se transformaram em brincadeiras, mas o ponto era claro—o croqui de Leonia capturou bem as feições delas.


E tinha um charme sutil.

“Na verdade, eu gosto de desenhar,” confessou tímida Leonia.


“Então por que não desenha mais? Você devia fazer isso com frequência,” disse Connie, claramente triste.


Ela tinha visto Leonia lendo muitos livros, mas nunca a tinha visto desenhar. Só agora ela percebeu ❀❀ (não copie, leia aqui) isso.


“Fiz, quando ninguém olhava.”


“Por que esconder esse talento?”


“Sério. É uma pena.”


“...Ainda assim.”


Leonia sentia que suas habilidades tinham regredido bastante.


Virar criança de repente fazia parte do problema, mas, mais do que isso, a dura rotina na Orfanato a impedia de desenhar.


Só depois de se mudar para a mansão Voreoti ela começou a treinar novamente.


Quando desenhou numa folha após anos, ela chorou secretamente—e isso ainda era seu pequeno segredo.


A emoção daquele momento ainda era vívida.

‘Isso realmente traz memórias...’


Ver Connie e Mia elogiando seus desenhos trouxe de volta memórias antigas, uma a uma.

‘Costumava passar a noite desenhando fanarts.’

Para uma funcionária comum de escritório, era um hobby divertido e único, do qual tinha orgulho.

Embora não fizesse questão de ostentar, Leonia era uma artista de doujin bastante conhecida em sua vida passada.

Ela era conhecida por títulos como “A Deusa dos Campos de Rosas” e “A Santa Padroeira dos protagonistas masculinos musculosos.”

Sua obsessão por músculos começou então, graças aos seus gostos de longa data.

‘Por isso, meu pai é o mais infeliz.’


O homem que combinava mais perfeitamente com seus gostos era sua própria família—que tragédia. Até agora, Leonia ainda achava uma pena.


Porém, ela se sentia um pouco mais confortada pelo fato de a ordem de cavaleiros ter muitos homens bem construídos, musculosos.


Esta tradução é de propriedade intelectual da Novelight.


“Ah.”


Nesse momento, Leonia lembrou de uma coisa.


“Podemos passar na Orfandade?”


Desenhar novamente a fazia querer presentear as crianças lá.


“Claro.”


“Eles vão adorar.”


Connie e Mia concordaram de coração.


Todos entraram em uma loja geral e compraram diversos materiais de arte—de papel, a giz de cera feitos com pigmentos ligados em cera, a lápis e uma lapiseira.


Não foi suficiente, então também passaram numa padaria e compraram bastante pão delicioso e doces.


Leonia se lembrou de como as crianças e os professores da orfandade tinham se encantado com os biscoitos e pétalas de açúcar que ela trouxe alguns dias após chegar ao Norte.


“Eles vão ficar tão surpresos!”


Leonia pulava de animação ao subir na carruagem, como se fosse ela mesma quem estivesse recebendo presentes.


Connie e Mia sorriram.


“Claro. Todo mundo vai sentir sua falta, minha senhora.”


“A propósito, seu aniversário está chegando...”


“Ei!”


Connie rapidamente cortou a palavra de Mia para que ela não estragasse o segredo.


“... Meu aniversário, é?”


Mas Leonia já tinha ouvido e sorriu de canto.


Ah, você—Connie deu uma olhada suave para Mia. Mia arregalou os olhos e tentou abafar a risada, mas já era tarde demais.


“...Na verdade, as crianças da orfandade estão preparando um presente pra você.”


Um sorriso radiante se abriu no rosto de Leonia.


“Aww, são só crianças. Por que elas se preocupam com presentes?”


Leonia se jogou no assento da carruagem, chamando as crianças de bobas.


“Elas estão se esforçando, então por favor, não conte pra ninguém.”

“Eu sou uma mestre em atuar, sabia.”

Leonia sorriu de canto.

Afinal, ela tinha conseguido fazer uma encenação perfeita na frente do Imperador Subiteo e da nobreza da capital durante o banquete imperial.

Ela tinha interpretado com maestria a filhota indefesa que nada podia fazer sem seu pai.

Nem perceberam, mas logo a carruagem chegou na orfandade.

“Vou entrar primeiro.”

Connie disse que anunciaria a chegada de Leonia para que as crianças pudessem esconder o presente.

Enquanto esperavam, Leonia balançava os pés ao lado de Mia.

“Você acha que a Professora Connie veio de volta?”

“Ela foi pra casa, então deve demorar um pouco mais.”

“Tô morrendo de saudades dela.”

“Você deve mesmo gostar dela.”

“Ela foi a única que cuidou de nós.”

Leonia ficou decepcionada ao saber que Connie tinha voltado para sua cidade natal.


Mas, pensando que ela mesma não tinha ido visitar casa por causa deles, fazia sentido—e era uma coisa boa.

‘Vou pedir pro papai ajudar ela bastante depois.’

Já estava na hora de poder viver feliz com sua família e seu namorado também.

“Agora que você fala nisso, o nome dela parece com o de Connie.”

“Connie e Conniee,” Mia repetiu os nomes.

“Sim, foi por isso que gostei da Connie logo de cara.”

O motivo pelo qual Leonia se ligou à Connie, inicialmente, foi por causa do nome.

Porém, agora, nomes não importavam mais. Ela simplesmente gostava dela.

“Estou um pouco ciumenta.”

Mia fez uma expressão de brincadeira, fazendo bico.

“Eu também gosto de você, Mia. Seu nome é bonito!”

Leonia sorriu calorosamente, dizendo que gostava de todos na mansão.

Por fim, Mia sorriu de orelha a orelha. Na verdade, ela sempre soube da sinceridade de Leonia.

Logo depois, Connie voltou.

“Vamos?”

Como esperado, as crianças da orfandade realmente prepararam um presente de aniversário para Leonia.

Ela sentiu um pouco de culpa por aparecer sem avisar.

“Leo!”

“Leonia!”

“Leo unnie!”

“Noona!”

Mas as crianças a receberam com alegria, radiantes com os presentes.

Claro que os doces eram os mais populares, mas as novidades em materiais de arte, como os novos giz de cera, chamaram a atenção dos pequenos que adoravam desenhar.

“Senhora Voreoti.”

O diretor da orfanidade se aproximou com um sorriso.

Assim como o anterior, ele era um pouco corpulento e não tinha um rosto muito simpático.

Porém, seu carinho pelos meninos e meninas era genuíno, e ele era um bom homem.

Por isso, Leonia pôde relaxar.

“Desculpe chegar sem avisar.”

“Não, somos nós quem agradecemos por toda sua gentileza.”

E por não oferecer uma hospitalidade adequada, o diretor se desculpou sinceramente.

“Tudo bem. Vim para ver meus amigos.”

Leonia entregou seu manto para Connie e, naturalmente, se misturou às crianças.

Ela se destacava por sua aura refinada, mas a forma como brincava com os pequenos mostrava que era igual a eles.

“Nia!”

Foi nesse momento que aconteceu.

“Ei! Eu disse para você não me chamar—!”

Leonia prestes a repreender quem tivesse usado esse nome, seus olhos se arregalaram.

“Yuben oppa!”

Era Yuben, um garoto com quem ela tinha ficado próxima na orfandade.

Ele havia sido a primeira criança a sair da instituição após a chegada de Leonia.

“Você—é realmente a Nia?”

“E você—por que está aqui?”

Leonia sorriu, lembrando vividamente do dia em que Yuben saiu com a nova família.

Mas o Yuben que tinha partido agora tinha retornado à orfandade.

E Leonia imediatamente compreendeu o que isso significava.

Ele tinha sido deserdado.

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