
Capítulo 112
Me tornei a filha adotiva do protagonista masculino.
Ferio não reconheceu imediatamente o diretor do orfanato — porque o homem, que antes era avantajado a ponto de parecer grotesco, tinha emagrecido tanto que quase não era mais reconhecível.
“Você perdeu bastante.”
Ele murmurou como se estivesse cumprimentando um velho conhecido.
“Ficou ótimo em você.”
Ferio disse isso com uma calma que poderia virar o estômago de alguém.
Mono, ao lado dele, não pôde deixar de pensar — Bem, essa também é uma habilidade. Ele foi lembrado novamente de de quem Leonia herdara a descaramento dela.
Leonia tinha ganhado peso e ficado saudável, enquanto o escória do orfanato apodrecia.
“Bastante ideal.”
Somente agora ele sentia que a equipe do orfanato valia a pena ser olhada.
“Eu-Eu disse tudo o que sei!”
O diretor do orfanato gritou desesperado.
“Nós—não sabemos mais nada agora! Por favor, nos deixe ir! Só nos tire daqui!”
Suas mãos enrugadas se estendiam através das grades de ferro.
Eram marcadas por sinais de tortura e exalavam negligência.
“Leonia...”
A voz de Ferio era fria — sem um pingo de calor.
“...devem ter se debatido assim também.”
Ele já sabia muito bem como aquela criança sobrevivera no orfanato — o que ela suportara só para ficar viva.
A Fera Negra moveu-se lentamente.
Ele abaixou o corpo, agachando-se para ficar no nível dos olhos deles, encarando-os um a um. Seus olhos negros eram afiados e ameaçadores.
“Só passou um ano.”
Leonia tinha sofrido no orfanato por dois anos inteiros.
Em outras palavras, ainda faltava mais um ano.
“Quando esse tempo acabar... mesmo que vocês não queiram, vou deixar vocês irem embora.”
Ferio não tinha intenção de manter esses monstros presos na propriedade para sempre.
Não que ele planejasse deixá-los sair com vida.
Quando falou em “saída”, quis dizer que eles sairiam mortas.
Ele não tinha misericórdia para aqueles que abusaram de sua filha.
Depois de pensar nisso em silêncio, Ferio se levantou.
“U-Aaaaagh!”
“Por favor, poupem-nos! Por favor!”
“Só me matem logo!”
“Y-É! Mata a gente logo!”
Os gritos desesperados deles ecoaram enquanto Ferio e Mono se viraram e saíram.
“Que nojo, como esses insetos são barulhentos.”
“Da próxima vez, que tal mandar eles cortarem as cordas vocais?”
Mono ofereceu de forma prestativa.
“Não, isso já é demais.”
Ferio pensou por um momento, então casualmente sugeriu uma ideia diferente.
“Dizem que o marquês de Ortio é obcecado por desenvolver novas poções mágicas...”
Experimentar humanos era ilegal — considerado desumano até pelos padrões do Império.
Mesmo assim, sussurravam rumores de que a Torre de Magia do Leste comprava criminosos para usar em experimentos.
“...Talvez devêssemos enviar alguns.”
E Ferio era um dos poucos que sabia com certeza que esses rumores eram verdadeiros.
A despeito de sua aparência impecável, o marido do marquês de Ortio era conhecido por estar profundamente envolvido na sujeira e no segredo.
Ferio não tinha exatamente antipatia por isso.
“O Marquês realmente gosta dele.”
Mono concordou com um aceno. “Provavelmente ficaria radiante.”
“Vamos contatar eles. Só para ver o que dizem.”
“Sim, meu senhor.”
“Então, nesse caso...”
Ferio parou no meio da frase, diante de uma cela específica.
Dentro dela havia uma pessoa, amarrada firmemente a uma cadeira.
Ferio inclinou a cabeça.
“...Hah.”
Deixou escapar uma pequena risada.
“Na minha vida toda...”
Ferio ficou completamente boquiaberto.
“Nunca levei um golpe nas costas tão forte.”
N naquele instante, Ferio Voreoti — a grande besta do Norte — não pôde deixar de se sentir pateticamente idiota.
Depois de rir amargamente, ele lentamente passou a mão pelo rosto.
“Deve parecer um completo idiota.”
E sob aquela mão, o que se via no rosto dele era puro, impetuoso e mortal desejo de matar. Como se dissesse que queria eliminar a pessoa diante dele naquele momento.
“Você concorda?”
Então, dos lábios de Ferio, escorregou um determinado nome.
***
Alguns dias após voltar ao Norte —
“Jovem Lady Duquesa!”
Leonia recuou ao ir ao encontro de uma visitante que apareceu procurando por ela.
“Faz tempo que não te vejo!”
A razão de ela ter recuado foi nenhuma outra senão o marquês de Pardus, que estava ali de braços abertos, recebendo-a com entusiasmo.
Ele bebia chá com a maior facilidade, como se a sede da Voreoti fosse sua sala de estar.
E no momento em que Leonia entrou, ele a cumprimentou como se ela fosse uma neta que há muito tinha perdido de vista.
“...”
Leonia calmamente fechou a porta da sala de estar.
“Connie, essa não é minha convidada.”
Ela se virou e olhou repreensivamente para Connie.
“Papai me disse que o marquês de Pardus é um verdadeiro pervertido e que eu não deveria encontrá-lo de qualquer jeito.”
“Mas o Mestre ordenou que você o recebesse, jovem senhora...”
Connie explicou rapidamente, claramente nervosa.
“Isso mesmo, jovem senhora.”
O marquês de Pardus apareceu ao lado da porta em algum momento, sorrindo de maneira gentil.
Leonia franziu o cenho.
“...Já faz tempo, vovô marquês.”
Ela ofereceu uma saudação relutante.
O marquês, por sua vez, sorriu como se tudo no mundo fosse perfeito.
“Encontrar a jovem aqui no Norte — que maravilha! Cheguei ontem, sabe?”
“Então deveria ter descansado, hein.”
Leonia murmurou entre dentes, se questionando por que um velho tinha que vir todo esse caminho só para criar confusão.
“Então, meu pai realmente me mandou te receber como visitante?”
Ela perguntou novamente, finalmente entrando na sala de estar.
Na mesa onde o marquês estivera sentado, ela viu uma caixa familiar — profiteroles com chantilly de nuvem macia.
“Não há alma na Casa Voreoti que ousaria mentir em nome do Duque.”
O marquês de Pardus entregou a caixa para Connie, que a pegou e arrumou as sobremesas com cuidado.
“Bem, acho que...”
Leonia inclinou a cabeça, ainda desconfiada.
“Mas você não veio para ver meu pai?”
Esta tradução é de propriedade intelectual da Novelight.
O Pardus era o informante oculto de Voreoti. Leonia sabia bem que aquele velho astuto não tinha vindo até a mansão só para brincar com a cabeça de uma criança.
“......”
O marquês de Pardus não disse nada.
Apenas os cantos de seus lábios se curvaram levemente enquanto ele tomava um gole de chá.
Essa atitude só aumentava a suspeita de Leonia.
“Para ser honesta, eu também queria descansar.”
Mas desta vez, foi Ferio quem o convocou — e até ordenou que ele ficasse com Leonia.
...Considerando a gravidade da situação.
Por trás da máscara sorridente, o marquês suspirou silenciosamente.
Só imaginar o que deve estar acontecendo no gabinete do duque agora mesmo apertou seu peito de uma maneira desconfortável.
O que significava que seu trabalho agora era manter Leonia ocupada pelo máximo de tempo possível.
“Diz aí...”
Nesse instante, Leonia falou.
“Na festa, naquela época...”
Com o entendimento de que não conseguiria arrancar mais informações do marquês direto, Leonia então trouxe à tona algo que aconteceu durante a festa imperial há algum tempo.
“Como você acabou ficando atrás de mim?”
Ela colocou o prato com o profiterol na perna enquanto falava.
Aquele profiterol gigante, reluzente com açúcar dourado, fez sua boca salivar.
Ela deu uma mordida grande, e o creme amarelo brilhante escorreu pelos lados como um rolo de gimbap estourado.
“Ah, você quer dizer na época.”
O marquês de Pardus riu enquanto olhava para Leonia, cuja boca agora estava coberta de creme.
“Nem percebi você atrás de mim, vovô marquês.”
Desde que despertou as Presas da Fera, Leonia tornou-se mais perspicaz do que qualquer outra ao sentir a presença de outros.
E ainda assim, ela nem percebeu que o marquês estava bem atrás dela.
Honestamente, foi assustador.
“Sou bem bom em esconder minha presença, viu.”
“Mentiroso.”
Leonia olhou de relance com olhar aguçado.
O olhar do pequeno animal só fez o marquês rir de forma gostosa.
“Bem, não foi nada de mais...”
O marquês puxou algo do interior do casaco.
“Já que parece que você ainda não sabe, me deixe te explicar.”
“É algum tipo de artefato mágico?”
“Não sou o Duque, sabia?”
Ele riu com um ar de quem não é tão obcecado a ponto de acumular ferramentas mágicas.
Espere um momento. Então, papai realmente coleciona artefatos mágicos?
Ela havia brincado sobre isso há pouco tempo, depois que ele lhe deu um chapéu encantado com magia de vento.
Não contou que aquilo era verdade?
Até mesmo o marquês brincando com isso?
Leonia tentou controlar seu choque enquanto olhava para o objeto que ele retirou.
Era uma caneta tinteiro, embutida com uma gema preta como a noite.
“...Huh? Isso é...”
Leonia arregalou os olhos ao examinar a joia na tampa.
Um diamante negro — só encontrado nas minas do Voreoti.
“De onde você conseguiu algo assim, vovô marquês?”
Ela perguntou, surpresa genuína.
“Porque o Duque me deu.”
“O-Papai te deu...?”
Sua mente imediatamente entrou em caos, vários cenários horríveis se sobrepunham. Quanto mais ela imaginava, mais a palidez tomava seu rosto.
Mesmo uma pessoa de mente aberta, viciada em músculos, ficaria horrorizada com as coisas que ela estava imaginando.
“Nãooo...!”
Ela se segurou na cabeça e gritou em desespero.
Foi tão terrível que deixou cair seu querido profiterol no chão.
“Eu entendo suas preferências, jovem senhora.”
O marquês, mantendo total calma, rapidamente ergueu sua xícara de chá.
Ele mal conseguiu esconder os lábios trêmulos por trás dela.
“Não, não é isso.”
Apesar de admirar a Casa Voreoti, o marquês não tolerava esse tipo de mal-entendido e se apressou em esclarecer.
“Isso aqui não é qualquer joia.”
Ela tinha poder.
As palavras do marquês quase fizeram Leonia recuar da visão de horror que tinha criado.
“Poder?”
Ela inclinou a cabeça.
Ferio nunca tinha lhe contado nada sobre isso.
“É natural que você não saiba, jovem senhora.”
“Por quê?”
“Porque, para os Voreoti — especialmente aqueles que carregam as Presas da Fera — isso não passa de uma pedra negra.”
O diamante negro, em termos simples, era apenas um diamante de cor preta.
No entanto, como só podia ser extraído na região do Voreoti, era incrivelmente raro e quase nunca aparecia no mercado.
“Não é uma joia que aumenta magia, nem melhora o aura.”
Mesmo assim, essa raridade fazia dela a joia mais cara de todo o Império.
A última vez que alguma foi disponibilizada ao público foi décadas atrás, quando o antigo Duque de Voreoti, por tédio, colocou em leilão uma pedra de um carat só.
Até aquela quebrou todos os recordes anteriores — e esses recordes permanecem invictos até hoje.
“Esse diamante negro só é dado àqueles que a Casa Voreoti realmente confia.”
“Confia...”
“Porque ele atenua o poder das Presas da Fera.”
Os olhos de Leonia quase saltaram para fora da cara.
Ela imediatamente se virou para olhar para Connie.
Ela pode saber disso?
Mas ✪Novelight✪ (versão oficial) — para sua surpresa, Connie parecia completamente indiferente.
Na verdade, ela parecia mais perturbada há pouco, quando Leonia ficou emocional com suas suposições selvagens.
“...Você sabia?”
Leonia questionou com a voz tremendo.
“Meus pais trabalham naquela mina.”
Então sim, ela sabia — Connie ofereceu um sorriso envergonhado.
“Não é um segredo tão grande assim.”
O marquês de Pardus continuou.
“Na região Norte, qualquer um que se dê ao trabalho de investigar um pouco pode descobrir facilmente.”
Disse até que crianças de pequenas cidades poderiam ter ouvido como uma lenda popular.
“Mas ainda assim...”
Leonia ficou um pouco irritada com a despreocupação do marquês.
Ele era valiosíssimo demais para ser tratado como mera curiosidade.