Me tornei a filha adotiva do protagonista masculino.

Capítulo 113

Me tornei a filha adotiva do protagonista masculino.

Se essa história vazasse, os nobres que já desprezavam a Casa Voreoti correriam para obter os diamantes negros.


Especialmente aquele Imperador Subiteo...


Leonia tremeu.


Havia um Portal no Palácio Imperial que ligava ao Norte.


Se o Imperador Subiteo soubesse disso e desejasse, poderia usar qualquer pretexto para invadir o Norte a qualquer momento.


Porém, algo parecia profundamente errado.


Embora Leonia estivesse realmente preocupada, tanto o Marquês de Pardus quanto Connie pareciam completamente indiferentes.


“Você não está preocupada?”


Leonia finalmente perguntou, frustrada.

“E se aquele filho da mãe do imperador tentar invadir?”


“O Duque vai matá-lo.”


Possivelmente até antes dele ter a chance.


O Marquês de Pardus sorriu de um jeito tão brilhante e irritante que Leonia quis pegar o cream puff que tinha deixado cair mais cedo e esmagá-lo na cara dele, cheio de smugness.


“…Mesmo se essa joia enfraquecer o poder dos Presas,”


Só depois de provocar ao máximo aquele filhote de besta, o Marquês finalmente deu mais informações.


“É uma quantidade extremamente pequena.”


“Quão pequena?”


“Se eu tivesse que comparar... é como transformar uma morte instantânea numa morte instantânea com um atraso de três segundos.”


“Que tipo de diferença é essa!?”

Leonia o encarou, boquiaberta.

Se pensasse um pouco mais, o poder do diamante negro parecia ainda mais cruel.


“Sinceramente, eu preferiria morrer na hora.”


“Ainda assim, é melhor sobreviver mesmo assim do que morrer de uma vez.”


“Quer dizer... talvez...


Leonia franziu a testa, ficando séria, numa reflexão que não condizia com sua idade.


“ Espera, o diamante significa algo como ‘Se me trair, está ferrado’?”


“Algo assim.”


O Marquês de Pardus guardou a caneta de volta na casaca.


Para Leonia, a forma como ele fez aquilo parecia alguém caminhando casualmente para dentro de uma alcateia de leões.


“Um diamante negro é um símbolo de confiança dado pelo Duque de Voreoti.”


“Quer dizer, ‘Se você me trair, nem espere uma morte pacífica’.”


“Que Voreoti na essência, e com toda a elegância!”


O velho Marquês colocou uma mão sobre o local onde acabara de esconder a caneta, seus olhos enrugados formando um sorriso astuto.


“Se der sorte, gostaria de ser atravessado pelas Presas da Fera algum dia.”


Seu rosto ficou vermelho de um entusiasmo estranho enquanto faza essa confissão.


Ai!


Leonia recuou, pressionando as costas contra o sofá com força.


Até Connie, atrás dela, tremeu com aquele frio repentino que subia pela espinha.


Ele realmente fala sério!


O filhote da besta parecia que ia se enrijecer todo, suspeitando fortemente dele.


Um verdadeiro pervertido bem na frente dela.


Ela de repente se perguntou—Será que é assim que o papai se sente quando eu começo a falar sobre músculos? A culpa bateu nela como um tijolo. Ela nunca tinha se sentido tão desleal.


“Mas...”


O Marquês, que tinha voltado ao seu jeito calmo sozinho, continuou.


“Transformar morte instantânea em três segundos de vida ainda é um poder que você não pode ignorar.”


Apesar da expressão exagerada, foi forte o suficiente para enganar por um instante as sentidos aguçados de Leonia, cujas presas ainda não estavam completamente maduras.


“Aff, me preocupei à toa.”


Com a tensão aliviada, Leonia afundou no sofá e, por fim, se jogou completamente.


Connie sorriu suavemente enquanto ajudava a ajustar o franzido da saia de Leonia.


“Espere um minuto.”


Foi aí que Leonia de repente se lembrou de uma boneca de pelúcia no quarto dela.


Uma leão negro de pelúcia—que o pai tinha dado para ela.


“Minha boneca leão também tem olhos de diamante negro!”


“Oho, que impressionante.”

Usar um material tão raro para um brinquedo de criança—Marquês Pardus realmente admirava isso. Era uma verdadeira prova do profundo e verdadeiro carinho de Ferio como pai.


Mas Leonia pensou diferente.

“Diamantes negros significam ‘Se me trair, vou acabar com você’...”


O filhote de besta foi ficando cada vez mais triste.


“Mas papai também usava nos meus bonecos e roupas...”

O que só podia querer dizer uma coisa.


“Que ele também não vai me deixar ir!”

A face de Leonia se contorceu numa expressão de tristeza misturada com lágrimas.


Parecia uma criança que, de repente, descobriu que porcos eram criados para serem comidos—e passou a temer que os pais também os criaram com esse propósito.


“Pwahahaha!”


O Marquês Pardus não conseguiu se conter e explodiu numa risada estrondosa.


Ele ria tanto que quase furou um pulmão. Seu lado doía, e ele mal conseguia respirar direito.


Até Connie virou-se de costas, pressionando os punhos na boca para segurar o riso.


Eu realmente preciso parar de falar tanta bobagem.


A filha desleal fez mais uma promessa vazia de se comportar melhor—a promessa que duraria no máximo três dias.


***


Enquanto Leonia passava o tempo com o Marquês de Pardus—


“......”


O Conde Urmariti sentou-se sozinho no escritório de Ferio, chorando silenciosamente.


Depois de viajar ao norte com o Marquês de Pardus, ele recebeu uma convocação privada de Ferio e se apressou sozinho até a propriedade Voreoti.


Lá, recebeu a devastadora notícia de Regina.


“Minha Regina, minha filha...!”


O corpo do conde, gigante como uma cadeia de montanhas, tremia a cada soluço.


Lágrimas escorriam entre os dedos grossos que cobriam seu rosto.

“Acabei de sair da capital...”


Ferio lhe entregou silenciosamente um lenço.


“Sinto muito por ter que trazer uma notícia tão cruel.”


“Não, de jeito nenhum...”


O Conde Urmariti balançou a cabeça ao aceitar o lenço.


Graças a Ferio, ele finalmente conseguiu ouvir algo—qualquer coisa—sobre a filha.


Por mais terrível que fosse a notícia, ela ainda representava o último vestígio da filha que ele tanto ansiava, ainda que em silêncio.


Apesar de a morte dela queimar dolorosamente no peito, parte daquela culpa esmagadora que o pesava há tanto tempo começava a se aliviar—um pouco.


Ferio o observava quieto, seus pensamentos pesados e embaraçados.


Este não era um momento confortável para ele também.


Ele era um homem confiante o suficiente para afirmar que não tinha ninguém acima dele.


Até Leonia às vezes o chamava de arrogante e insuportável, de forma direta.


Mas agora, Ferio compreendia—mesmo que só um pouco—a dor do Conde Urmariti.


Como pai.


Como alguém que tinha uma filha.


Esta tradução é propriedade intelectual da Novelight.


Os soluços do conde ao falar da morte da filha tocaram até mesmo o coração de Ferio.


Ele se lembrou de quando Leonia escapou secretamente para encontrar Inseréa na capital. Aquilo por si só tinha feito seu peito cair como uma pedra—então, como seria ouvir que sua filha tinha morrido?


Ferio nem consegue imaginar.


“Conde.”


Ele falou com cuidado.


“Tenho outra coisa para te dizer.”


O Conde Urmariti, enxugando o rosto encharcado com o lenço, levantou lentamente a cabeça.


“Regina... deixou uma criança.”

Ferio ficou em silêncio por um momento—pois o conde de repente se balançou, como se suas joelhos fossem fraquejar.


Surpreso, Ferio estendeu a mão para segurá-lo.

“U-uma criança?!”


O conde agarrou o braço de Ferio e gritou.


Foi uma quebra de etiqueta, mas Ferio não o repreendeu.

Não havia motivo para isso.


“Ela já te conheceu.”


Ferio não disse o nome diretamente.


Como esperado, o Conde Urmariti percebeu na hora.

“O nome dela é Leonia.”


A menina que riu enquanto cantava canções absurdas sobre músculos.

A criança que cresceu cercada pelo amor de Ferio e sorria com um rosto inocente e sem mácula.


“Ah... ahhh...”

Só agora ele finalmente conseguiu ver Regina se sobrepondo ao rosto de Leonia—tão parecida com Ferio.


Lágrimas escorreram novamente pela expressão congelada do conde estupefato.

Seus soluços machucados soavam como um urso agonizando, uivando de dor.


E após um silêncio longo e doloroso—

“...Duque.”


O conde finalmente exalou uma respiração trêmula.

“Quem é ele?”


Ele não estava perguntando quem era a criança de Regina.

“Aquela maldita criatura que fez isso com minha filha. A escória que deixou uma criança no mundo sozinho. Quem ele é?!”


Ele parecia que iria arrancar a garganta daquele homem com as próprias mãos assim que soubesse.


E Ferio sabia—ele podia fazer isso com toda força.


“Estamos procurando por ele agora.”


Esse foi o motivo pelo qual Ferio tinha chamado o Conde.


Não era apenas para lhe contar que Leonia era sua neta.


“E quase o encontramos.”


Estouro!


Um estrondo alto ecoou.


O Conde bateu o punho na braço do sofá.

A madeira sólida quebrou ao meio sob sua fúria.


“Conde Urmariti.”


Ferio o chamou calmamente, mesmo que os olhos vermelhos de raiva do conde estivessem ardendo com fúria.


Aquela palavra foi suficiente para conter à força a raiva do homem.

Ele respirou fundo, tremendo, de dentro das entranhas—mas isso não significava que a raiva tinha desaparecido.


“Vou continuar criando o Leo como minha filha.”


“Você deve.”


“E Regina...”


“Não conte para ninguém.”

O próprio conde falou primeiro.


“Regina ainda é minha filha querida. Mas para a Casa Voreoti, ela é uma vergonha que nunca mais poderá levantar a cabeça.”


Ela fugiu com um homem cuja identidade nunca foi confirmada—um cavaleiro errante—e envergonhou a família Voreoti com seu escândalo.


Não há desculpa que possa mudar isso.


“E...”—


O conde hesitou.

“...A jovem é mais importante.”


Nem conseguiu chamá-la de neta.

O que Regina fez com o nome Voreoti foi praticamente uma traição—e, como pai dela, o Conde Urmariti tinha que assumir a responsabilidade por isso.


“Regina morreu naquela noite.”


Na noite daquela tempestade, ela foi presumidamente levada pela inundação com o cavaleiro desconhecido.


E aqui neste escritório, sua morte agora estava confirmada.


“Isso é o melhor.”


Para o futuro de Leonia.


Para o descanso eterno de Regina.


“...E para a morte do cavaleiro.”


Ferio entregou ao Conde uma nota.


“Vários cavaleiros de Gladiago estão atualmente destacados no Oeste. Com a ajuda do Marquês de Hesperi, eles localizaram um ponto em um dos territórios ocidentais.”


Lá, eles encontraram os restos de uma jovem mulher.


Ela tinha sido enterrada superficialmente em uma floresta, em estado tão débil que nenhuma parte dela pôde ser preservada adequadamente.


Os animais fizeram seus estragos. Os ossos estavam quebrados e rasgados, além do reconhecimento.

Ferio não sobrecarregou o conde com esses detalhes.


“Foram encontrados fios de cabelo preto na terra onde os restos estiveram.”

Era o corpo de Regina.


Ao segurar a nota, o Conde Urmariti caiu em soluços incontidos.

Ele tombou no sofá, apoiando no móvel, soltando choro tão forte que parecia abalar as paredes—não mais um homem, mas um pai dilacerado pela perda.


Porque a dor de perder um filho é um peso que nenhum ser humano deveria suportar.


“E o lugar onde o corpo foi encontrado—”


Ferio acrescentou silenciosamente,


“—fica na montanha logo atrás do orfanato onde Leo morava.”

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