Me tornei a filha adotiva do protagonista masculino.

Capítulo 109

Me tornei a filha adotiva do protagonista masculino.

Após uma longa e satisfatória soneca, Leonia acordou surpresa com uma notícia deliciosa de Ferio.

“Querem fazer um piquenique?”

“Sim!”

Ferio, de forma inesperada, tinha sugerido que eles tirassem um tempo para explorar e se divertirem antes de voltar para o Norte.

Leonia concordou instantaneamente, sorrindo de orelha a orelha.

Ela rapidamente foi até a estante e puxou um livro chamado Atrações Turísticas do Oeste, seus olhos escuros brilhando enquanto o mostrava a ele.

“Você está mesmo tão animado assim?”

Ferio soltou uma risada baixa, um pouco surpreso.

“Claro! Viajar com o papai é coisa séria.”

“Você fala como se eu nunca te levasse a lugar nenhum.”

Ferio retrucou, lembrando de como geralmente o levava à praça sempre que tinha tempo. E, durante a estadia na propriedade do Conde Rinne, eles ainda tinham ido à praia juntos.

Mas a pequena besta apenas fez uma careta e balançou o dedo.


“Não subestime a fome de brincadeira de uma garotinha de sete anos.”

Um simples passeio pela praça local ou pela praia não era suficiente.

“Leonia, será que você precisa sempre usar essas palavras?”

“O quê? ‘Fome’?”

Leonia abriu o livro e perguntou inocentemente.

“Papai, reclamar de uma coisa tão trivial é mais feio. Além disso, ‘fome’ não é uma palavra ruim. É a força que move a vida.”

Com a mão sobre o coração, ela declarou solenemente que todos carregam sua própria fome por dentro.

“Boa desculpa.”

Porém, Ferio não estava convencido.

Para ele, parecia que ela apenas defendia seu vocabulário pervertido.

“Ugh, por que você tem que ser tão bonito e irritante ao mesmo tempo?”

“Se está tão irritada, saia de casa.”

“Prefiro não, obrigada.”

Leonia esfregou a cabeça carinhosamente no braço de Ferio.

“Preciso herdar a fortuna.”

“Minha pequena materialista...”

Quem mais, senão eu, te criaria com tanto amor?

Ferio deu um tapinha na cabeça dela enquanto revisava o mapa da vila que explorariam após a caminhada na floresta.

* * *

A estrada de volta para o Norte virou uma jornada alegre.

“Essa floresta é enorme!”

“Silêncio, agora.”

O pai e a filha bestial tinham vindo ao bosque para uma caminhada na natureza de verdade, parando para prestar atenção aos sons da mata.

Ferio colocou a mão como um funil ao redor da orelha dela.

“Preste atenção, ouça bem.”

Leonia segurou a mão do pai e fechou os olhos.

“Uau...”

De repente, sons que ela não havia percebido antes despertaram seus ouvidos.


Canto dos pássaros, o farfalhar rápido de pequenos animais e o balançar suave dos galhos altos ao vento — tudo formando uma sinfonia.

Leonia sorriu brilhantemente.

“Parece que acabei de comer alguma coisa muito gostosa.”

“Você comeu alguma coisa?”

“Meus ouvidos são como boca, e os sons são deliciosos.”

Ouvir a natureza tinha deixado ela imensamente feliz; ela explicou.

Elas tinham vindo sozinhas ao bosque — sem seguranças — para uma caminhada tranquila.

Os funcionários da villa tinham enchido uma cesta com sanduíches e bebidas para o almoço.

Depois, planejavam passar por uma vila próxima para comprar lembrancinhas.

Quando estivessem prontos para voltar, a carruagem de retorno os aguardaria na vila.

“Papai, quero escrever uma carta para a propriedade no Capítulo.”

“Então vamos até a vila depois do almoço e escrever uma.”

“E eu quero comprar um presente também!”

Depois de conversar e caminhar por um tempo, a dupla bestial se sentou para almoçar debaixo de um tronco de uma árvore enorme.

Ferio espalhou um tapete, e Leonia rolou ✪ NovaLuz ✪ (versão oficial) sobre ele de forma brincalhona.

Ela puxou um sanduíche da cesta e ofereceu a ele.

“Você primeiro.”

“Uau, que raro...”

Ele quase elogiaria ela por ser tão gentil, quando notou algo suspeito.

Leonia segurou um sanduíche para ele, mas tinha outro escondido discretamente atrás das costas.

Um estava perfeitamente inteiro, enquanto o outro estava um pouco amassado, com molho vazando do papelote.

“...Tudo bem, fica com o bonito.”

“Tudo fica melhor quando fica um pouco bagunçado.”

Leonia cantarolou cheia de charme, comparando com o gimbap, que sempre fica melhor quando a ponta explode um pouco.

“Gimbap? O que é isso?”

Ferio aceitou o sanduíche amassado e perguntou. Era a primeira vez que ouvira a palavra.

“Ah, sonhei com isso. Você pega alga seca, coloca arroz temperado, legumes, presunto — essas coisas — e enrola. Era tão bom!”

Leonia explicou com entusiasmo enquanto desenrolava o próprio sanduíche.

Um mordida no seu sanduíche de frango, mergulhado em molho reduzido com mostarda doce, desapareceu rapidamente na sua pequena boca.

“Você envolve arroz com alga?”

Alga às vezes era usada em saladas do Sul, e o arroz era uma iguaria importada de terras exóticas do Leste.

A combinação soava estranha até de imaginar.

Ferio deu uma mordida generosa no seu sanduíche.

Estava gostoso.

Depois de terminar o almoço, eles continuaram andando até chegar na vila à beira do bosque.

Era um lugar pequeno e simples, mas, por estar perto de um ponto turístico popular, tinha uma atmosfera surpreendentemente animada.

Segundo Ferio, a propriedade do Rinne ficava nas proximidades, então sempre tinha movimento de pessoas.

Vestiram chapéus para esconder o cabelo preto.

Seus trajes estavam mais simples do que o de costume, mais discretos para a ocasião.

Mas, por mais que se disfarçassem ou se vestissem casualmente, os olhares dos passantes naturalmente se voltavam para o casal estranho.

A beleza de Ferio reluzia como se ele pertencesse a outro mundo, e Leonia tinha herdado toda essa beleza.


“Papai, quero comprar material escolar e uma caneta.”

“Vamos entrar na loja?”


“Quero dar uma olhada naquela.”

Essa tradução é de propriedade intelectual da Novelight.

Mas o pai e a filha bestiais quase não ligaram para os olhares.

De fato, eles se moveram pela vila com bastante facilidade. Ao contrário do Capital, aqui ninguém cochichava ou apontava quando os reconheciam.

Entraram em uma lojinha e compraram um conjunto de cartas decoradas com ilustrações da floresta, além de uma caneta e tinta. Depois passaram numa cafeteria de rua próxima.

De todas as mesas sob a sombra da pérgola, a que ocupavam — a dupla bestial — sem dúvida chamava mais atenção.

“...Não preciso escrever como um nobre, né?”

Antes de começar a escrever a carta, Leonia olhou para cima e perguntou.

Ela não queria usar toda aquela linguagem rígida e pretensiosa típica dos nobres.

“São familiares, não são?”

Ferio respondeu, puxando uma cadeira vazia perto e colocando a cesta de almoço sobre ela. Indicou para que ela escrevesse de forma confortável.

“Então...”

Leonia começou a anotar seus pensamentos — como passaram com segurança pelo portão, como já sentia falta de todo mundo, que o inverno viria logo após o outono, então deveriam se vestir quentinhos e comer bastante sopa quente...

Enquanto escrevia, Ferio tranquilamente folheava o livro que trouxe, bebendo o café que haviam pedido. De vez em quando, olhava para Leonia e sorria para si mesmo.

“Mas, papai...”

Quando chegou na terceira folha de papelaria, Leonia de repente falou, uma ideia surgindo na cabeça.

“Você tem lido bastante ultimamente.”

Ela pensou o mesmo quando passarem pelo portão oeste.

Será que ele sempre gostou de ler tanto assim?

Até no Norte, ele, às vezes, se apoiava no sofá com um livro durante o descanso, mas não ficava tão grudado assim nele o tempo todo.

Agora, toda vez que olhava, ele estava lendo.

“O que está lendo? É interessante?”

“Já terminou a sua carta?”

“Mhm. Só falta mais duas páginas.”

“Não aprendeu isso com a Inseréa, né?”

Ferio lançou um olhar de canto para ela. Desde que Leonia se aproximara de Inseréa, passou a se perguntar se ela também tinha adquirido o hábito de escrever cartas longas.

“Nãooo!”

Leonia lançou um olhar para ele enquanto voltava a escrever.

“Queria saber que tipo de livro você está tão interessado.”

Ela fez uma cara de birra e estendeu a mão, pedindo de forma sutil o livro.

Ferio olhou para a mão pequena estendida e para o livro, depois deu um leve encolhimento de ombros.

“Não marque o lugar.”

“Hehe, só vou mover para um novo contato.”

“Você é uma peste.”

Mesmo assim, Ferio entregou o livro.

Assim que Leonia o recebeu, leu o título na capa.

“Relatório sobre Ruínas Antigas.”

Depois inclinou a cabeça e olhou para ele, piscando.


“Você lê coisa assim?”

“Você não deve ser tão chata com livros.”

“Ah, não precisa ficar dando palestra a toda hora, né?”

“E você não precisa falar de volta toda hora também.”

Sem dar pé atrás, Leonia continuou folheando o livro.

Parece que tinha sido comprado recentemente — a capa ainda estava impecável.

“Huh?”

Ela virou uma página e reconheceu um nome familiar.

Ardea Bosgruni.

“Professor Ardea?”

“É um artigo que ele publicou.”

“Sério? Uau!”

Os olhos de Leonia se iluminaram com a inesperada descoberta.

Ela se lembrou do que ouvira na Academia e no Instituto de Pesquisa Imperial.

Ardea, apesar de sua vida pessoal desorganizada, era incomparável em habilidade acadêmica.

Um de seus protegidos tinha se destacado muito.

E seu último aluno era a Varia, certo?

Espero que ela esteja bem...

Pensando na Varia, Leonia folheou as páginas, seus olhos escaneando rapidamente.

“Sobre o que é?”

“Um artigo que Ardea publicou.”

“Um artigo?”

“Saiu no ano passado. Causou bastante repercussão.”

Leonia piscou surpresa com a explicação de Ferio.

“Então, também deu um bafafá fora de casa, hein.”

Seus olhos se estreitaram um pouco ao olhar para o livro.

Como professora, ela respeitava Ardea — mas, como adulta, não era alguém que desejasse imitar.

“Sobre o que é o artigo?”

“Exatamente como o título diz. É um estudo sobre ruínas antigas.”

“Ah, sim. Ele era professor de história.”

Então, aquela era sua especialidade. Leonia foi juntando as peças na cabeça.

Espera aí, tem ruínas antigas aqui?

Isso mesmo, aquilo a surpreendeu de verdade.

A ideia de que este mundo também tinha ruínas antigas tornava tudo mais real e impressionante.


Curiosa, Leonia abriu o livro aleatoriamente — onde nenhuma marcação tinha sido feita — e começou a ler o começo de um capítulo.

“Diversos países têm teorias diferentes sobre a origem da humanidade...”

Resumindo:

Existem muitas teorias sobre a origem da humanidade, mas no Império Bellius, uma das ideias mais aceitas é que os seres humanos começaram nos vastos mares do sul.

Leonia achou essa teoria bem plausível.

Parecia uma espécie de evolução.

Apesar de não ser uma evolução estrita — ela também incluía elementos do criacionismo, onde um deus teria criado a vida a partir do mar, sendo o homem sua última criação.

“Aqui.”

Leonia devolveu o livro.

“Muito interessante.”

Pediu para Ferio emprestar assim que terminasse de ler. A quase-oito-ano demonstrava interesse pela tese de um professor famoso.

“Mas por que isso causou tanto rebuliço?”

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