
Capítulo 98
Me tornei a filha adotiva do protagonista masculino.
“Nossa......”
Na varanda da sala de banquetes, Carnis soltou uma risada ofegante, de incredulidade.
“Essa foi a primeira vez que senti minhas pernas ficar fracas por causa de uma criança de sete anos.”
Ele confessou, sinceramente, que quase havia urinado nas calças, como aquele atendente mais cedo.
“Ela é mesmo uma Voreoti.”
Abipher esfregou o antebraço gelado, tentando espantar os arrepios.
Mesmo tendo saído do salão de banquetes, mesmo tendo fechado as portas atrás de si, as presas de Leonia alcançaram eles aqui, inequivocamente.
Não chegaram a fazer seus corações pararem, mas podiam sentir que um medo indescritível quase os devorou.
Já era assustador o suficiente para deixá-los suados de frio.
“Todos estão bem?”
Depois, voltaram a verificar os outros que fugiram do salão ao lado deles.
Cada um deles era alguém a quem Leonia havia entregado um doce—graças a isso, tiveram a sorte de escapar.
Pensar nisso de novo fazia a pele arrepiar.
<Fangs of the Beast (Presas da Besta) será usado, corram para a varanda.>
Se não fosse a nota dentro do doce, eles também teriam desmaiado ali mesmo, tremendo diante de um medo que atravessou a garganta.
Até essa ideia, por si só, era horror absoluto.
“Não me diga que tudo isso foi planejado?”
O marido do Marquês Ortio falou com a esposa em uma voz tímida, a um sussurro como um filhote assustado.
“Você ouviu a saudação da jovem Voreoti antes, não foi?”
“Você tem bom ouvido.”
“Obrigado, meu amor.”
Envergonhado pelo elogio, o marido do marquês nervosamente se limpou a garganta e respondeu com timidez.
“Admito, também fiquei chocado.”
Tudo tinha sido orquestrado.
Leonia havia feito de tudo para parecer uma criança inofensiva de propósito.
Ela tinha perambulado sozinha, atraindo a atenção do Imperador.
Ela os expulsou, eliminando qualquer coisa que pudesse impedir que ela liberasse as presas.
Então, apontou aquelas presas diretamente para o Imperador.
“Ela superou totalmente as nossas expectativas.”
O Marquês Ortio falou enquanto acariciava delicadamente o marido. Mesmo neste momento, ela achava ele irresistivelmente adorável por estar se apoiando nela em busca de consolo.
Ela também queria deixar o banquete tão rápido quanto o casal Voreoti tinha feito.
“A Sua Majestade a Imperatriz...!”
Mas o Marquês de Hesperi estava preocupado com a filha.
“Você não precisa se preocupar com isso.”
Respondeu calmamente o Conde Urmariti.
“Eu a vi sair do salão de banquetes.”
“Você... viu?”
“Sim, fui o último a entrar na varanda.”
Ele olhou para cima, como se estivesse confirmando, e explicou detalhadamente que viu a Imperatriz se afastar com uma dama de companhia.
Só então, um alívio visível apareceu no rosto do Marquês de Hesperi.
Na verdade, foi o Marquês de Pardus quem a avisou adiantado e ajudou na fuga dela.
Apenas o Conde Urmariti sabia quem realmente era o Marquês de Pardus.
Como a relação entre a Casa Voreoti e a Casa Pardus era um segredo bem guardado, não era algo para ser revelado de leve.
“Ainda assim, ela realmente causou um tumulto, né?”
A Condessa Bosgruni riu com agradável divertimento.
“Não é pra rir.”
O Visconde Kerata estava preocupado que algo ruim pudesse acontecer com Leonia por causa disso.
Depois de tudo, quem ela enfrentou foi o Imperador do Império.
“Você acha que Sua Graça o Duque vai resolver isso?”
A Condessa Bosgruni respondeu casualmente, dizendo para ele não se preocupar tanto.
“Pois é, mas mesmo assim...”
O Visconde Kerata não conseguiu deixar de pensar—como exatamente Ferio ia lidar com tudo isso?
***
No caminho de volta do salão de banquetes.
“Pai, verdade, não tinha nenhuma mulher grávida convidada para o banquete de hoje, né?”
“Nenhuma.”
“E ninguém realmente doente também?”
“Lupe evacuou todas para a varanda.”
“Ah, não teve ninguém ferido além das pessoas que ficaram molhadas de medo por causa da minha presas, né?”
Leonia revisou a lista, um por um, para garantir que ninguém tivesse sido seriamente machucado pelo caos causado por suas presas.
Logo após elaborar toda aquela confusão, ela pediu a Ferio para verificar se havia pessoas grávidas ou frágeis na lista de convidados.
Porque as Presas da Besta podiam realmente ameaçar a vida de alguém—um passo em falso podia acabar mal.
“Se você tava tão assustado, talvez não devesse ter usado elas.”
Ferio, cansado das perguntas, deu alguns tapinhas nas costas dela.
“Ei, pai, sabe...”
“O que foi?”
“Agora pouco, eu, hum... falei de forma informal com o Imperador.”
Leonia riu baixinho.
Na verdade, ela nem usou uma palavra respeitosa ao falar com o Imperador.
Ela se atrapalhou na fala casual e ainda o provocou assim.
“Você é uma raposa esperta.”
Ferio elogiou.
“Mas o que vamos fazer agora?”
Como vamos limpar a bagunça que eu causei?
Ela tinha criado toda aquela confusão acreditando que seu pai lidaria com as consequências. Agora ela queria saber como ele pretendia fazer isso.
Leonia colocou a cabeça no ombro de Ferio e perguntou. Agora, o sono começava a tomar conta dela.
Depois de fazer um escândalo com suas presas, ela estava exausta.
“Creio que Sua Graça vai cuidar disso, não acha?”
“Por que você está dando uma resposta meia-boca, tio Lupe?”
Normalmente, ele era o primeiro a explicar detalhadamente—but agora parecia totalmente desgastado.
“Bem... como eu não poderia estar?”
Filho mais novo do Marquês de Pardus, Lupe tinha passado por muita coisa desde que fez ligação com Ferio e virou seu secretário.
Mas hoje, tudo isso foi superado.
Ela apontou as presas para o Imperador.
Lupe — que realmente achou que seu coração ia saltar pra fora da garganta.
“Fazer dinheiro pra outros nunca é fácil.”
Leonia simpatizou, fingindo dar tapinhas nas costas dele com seus braços pequenos, que não alcançavam direito.
“Jovenzinha...”
Lupe ficou profundamente tocado por ela entender seu sofrimento.
Na verdade, toda a confusão tinha sido culpa dela—mas ele já tinha esquecido essa parte totalmente.
“Mas onde estamos?”
Leonia olhou ao redor.
Este não era o caminho que tinham feito pra entrar no salão de banquetes.
Pela colunata de pilares de mármore, surgiu um jardim de verão, com o som de insetos zumbindo ao longe.
Parecia algo saído de uma pintura.
“Um atalho.”
Ferio respondeu.
“O Marquês de Pardus me falou sobre isso antes.”
“Mas originalmente, só membros da família imperial podiam passar por aqui.”
Lupe explicou, e Leonia concordou com a cabeça. Claramente, sentiam que aquilo era um segredo que nunca devia ser revelado a mais ninguém.
“Porque por aqui...
“Sua Graça?”
Uma voz jovem interrompeu.
De trás de uma das colunatas, apareceu uma silhueta.
Surpreendidos com a chegada inesperada, Lupe instintivamente tentou captar a origem do som—mas logo se acalmou.
Ferio, que já tinha percebido a presença, nem se mexeu.
Leonia também não.
“Você veio do salão de banquetes?”
Mas, quando ela percebeu quem era a pessoa escondida atrás do pilar, ela ficou surpresa e exclamou.
“Sua Alteza, a Princesa.”
Este é um conteúdo de propriedade intelectual da Novelight.
Ferio também ficou surpreso—tanto que, de modo incomum, sua voz subiu de tom.
A Princesa Scandia era uma garota linda, que se parecia bastante com a mãe, a Imperatriz Tigria.
Seu cabelo longo e prateado brilhava sob a luz da lua, e seus movimentos delicados e cautelosos despertaram uma forte vontade de protegê-la.
“Sua Alteza, a Princesa Scandia.”
“Hm. Duque Voreoti.”
“Você está bem?”
Ferio a cumprimentou com uma reverência profunda, ainda mais formal {N•o•v•e•l•i•g•h•t} do que a feita ao Imperador.
“E o que traz você aqui, se me permite perguntar?”
“Estava preocupada com a mãe...”
A Princesa Scandia respondeu com uma voz hesitante, apontando para o prédio iluminado ao longe.
Parecia que o banquete tinha retomado. O barulho da festa penetrava até onde estavam, apesar de terem andado bastante.
“Ouvi dizer que também estava lá a Concubina Imperial...”
Ela tinha escapado secretamente porque se preocupava com a Imperatriz Tigria, que estaria com a Concubina Usia.
O fato de estar descalça—completamente descalça—era uma prova da pressa dela.
“Veio sozinha?”
Uma pergunta cuja resposta era óbvia.
“Sim.”
Ela concordou, escondendo sem jeito o pé direito atrás do esquerdo.
“...É a filha do duque?”
A Princesa Scandia virou-se para olhar para Leonia. Surpresa, Leonia saiu de forma desajeitada dos braços de Lupe e fez uma reverência educada.
“Olá, eu sou Leonia Voreoti.”
“Sou Scandia Aquila Bellius.”
“Prazer em conhecê-la.”
“Igualmente, fico feliz.”
Depois de trocar cumprimentos, as duas crianças encararam um longo momento uma à outra.
“...Lupe.”
Ferio, que vinha observando silenciosamente, pegou gentilmente a Princesa Scandia nos braços.
“Vou levar Sua Alteza de volta. Leve a jovem para o carruagem.”
“Sim, senhor. Vamos lá, jovem senhora.”
Lupe pegou Leonia nos braços. Mesmo após ser erguida nos braços de um adulto, as duas meninas não desgrudaram os olhos uma da outra.
“Babba.”
Leonia foi a primeira a acenar. A princesa Scandia piscou, surpresa.
“...Babba?”
“É uma despedida entre amigas,” explicou Ferio, dizendo que era uma expressão usada entre amigas.
Ao ouvir a palavra amiga, os olhos da princesa se arregalaram. Ela olhou para sua própria mão em silêncio.
“...Baba, babbaaa.”
Ela retribuiu o aceno.
Leonia sorriu suavemente.
E assim, as duas crianças seguiram seus caminhos diferentes.
Leonia foi carregada até a carruagem nos braços de Lupe, enquanto a Princesa Scandia regressou ao seu palácio.
“Você está muito sonolenta, né?”
Depois de entrar na carruagem, Lupe cuidadosamente a colocou no assento.
Leonia concordou com um bocejo. Lupe riu baixinho e deixou que ela repousasse a cabeça em seu colo.
Depois, cobriu-a com seu casaco.
“Sabe, tio...”
“Sim, jovenzinha?”
“Aquela princesa lá em cima...”
“Quer dizer Sua Alteza, a Princesa Scandia?”
“Ela era bonita...”
Com esse comentário sincero, Lupe concordou com a cabeça.
“Ela se parece muito com Sua Majestade, a Imperatriz.”
“Mmh...”
“Claro, você também é linda, jovenzinha.”
“Eu sei...”
Você sabe? Lupe ficou brevemente sem jeito.
“Por que ela estava usando vestido...”
Mas Leonia não terminou a frase.
Ela fechou os olhos.
Assim, Lupe nunca ouviu o resto do que ela quis dizer.
***
“Por que ela tava de vestido?”
Ferio perguntou à Princesa Scandia enquanto a trazia de volta.
“Minha mãe que mandou eu usar.”
Ela mexia na bainha do vestido enquanto falava.
“Ela chorou.”
“...”
“Ela disse que estava arrependida.”
“Não há nada pelo que ela precise pedir desculpas.”
“Mm...”
A Princesa Scandia concordou com a cabeça.
Ela pensava exatamente a mesma coisa. Sua mãe nunca fez nada de ruim com ela. Sempre the envolveu com amor, valorizando tanto ela quanto o irmão de verdade.
“Eu sei disso também.”
“Então, já está bom.”
Ferio cuidadosamente a colocou no chão.
À sua frente, havia um pequenino palácio—residência do segundo príncipe e da primeira princesa.
Havia um pouco de confusão nos portões. Parecia que pessoas estavam procurando pela princesa desaparecida.
“Ela não chora mais quando me vê.”
Disse o Duque Voreoti, observando os caçadores.
“Agora tenho nove anos. Quando terminar o inverno, farei dez.”
Ela dizia que não era mais uma garotinha.
Mas, o modo como mal-hava com aquela voz meio emburrada fazia ela parecer bem criança.
Sem perceber, Ferio sorriu delicadamente.
Ela lembrou ele de Leonia.
“... Então, vou hoje mesmo.”
Como tinha feito com Leonia mais cedo, a princesinha acenou para Ferio e disse “Babba”.
Ferio retribuiu o aceno.
Mas, em vez de dizer “Babba”, ele não pronunciou nada.
No entanto, os olhos da princesa se arregalaram.
Um sorriso radiante se espalhou pelo rosto dela.
Era exatamente o mesmo sorriso da Imperatriz Tigria.