
Capítulo 97
Me tornei a filha adotiva do protagonista masculino.
“Não tem nada para comer, nada para brincar...”
Leonia começou a listar todas as razões pelas quais achava o banquete desagradável.
Suas críticas eram tão minuciosas que poderiam fazer a invejável sogra mais famosa parecer uma princesa gentil.
O rosto do Imperador Subiteo se contorcia a cada palavra, cada vez mais tenso.
Os espectadores mal conseguiam suportar—assistir à valente cria marchando pra frente daquele jeito era insuportável.
Até alguém gritou, implorando para que alguém a impedisse, que trouxessem o Duque imediatamente.
“E normalmente, já estaria dormindo agora, sabia? -ronrona~.”
Leonia juntou as mãos como se fosse um travesseiro e apoiou a cabeça, simulando sono.
Naquele instante, toda a sala do banquete ficou fria de repente.
O que Leonia acabara de dizer foi uma acusação descarada: que o Imperador a havia convocado além do horário de dormir.
Podia ser entendido como um insulto à Família Imperial.
E, de fato, uma veia palpável pulsava na testa do Imperador Subiteo.
Ela estava sendo humilhada por algo que ele próprio tinha subestimado completamente.
Após sua longa lista de reclamações, Leonia de repente fez uma pausa.
“…Quero ir para casa.”
Quero abraçar minhas bonecas e dormir.
“Gosto mais da minha boneca do que de você, senhor.”
Aquela frase desconexa, Leonia acenou com a mão enquanto se virava para sair.
“Tchau-tchau, Senhor Imperador.”
Foi uma grosseria surpreendente—fora de todo sentido.
“V-Você...!”
O rosto do Imperador Subiteo ficou tão vermelho que parecia que iria explodir. Não era só um insulto—era uma humilhação pura.
“Que insolente!”
O atendente explodiu, gritando com Leonia.
“Por mais ignorante que seja, como ousa falar assim com Sua Majestade o Imperador?”
Com aquele grito forte, os ombros de Leonia tremeram.
“Chega.”
O Imperador Subiteo levantou a mão, silenciando o atendente. O homem respirou fundo, depois acenou com a cabeça.
“Ela é criança. Se alguém não consegue perdoar um erro assim, não é mais uma pessoa adulta.”
“Minhas profundas desculpas, Sua Majestade.”
O rosto do Imperador melhorou um pouco. Afinal, o atendente tinha falado em seu nome.
“......”
Leonia abriu os olhos grandes e redondos.
“Ela não ficou assustada?”
O Imperador deu uma inclinada para trás—embora claramente não tivesse intenção de ajoelhar-se.
“Você está bem?”
Ele estendeu uma mão para checar se ela estava bem.
“U-uhh...”
A mandíbula de Leonia começou a tremer. Seu queixo subiu como uma montanha de lábios apertados.
“Ele gritou comigo...”
Ela baixou a cabeça.
“...WAAAHH!”
Um pranto retumbante irrompeu—tão alto que balançou o lustre acima.
Surpreso, o Imperador puxou a mão para trás.
“Ugh!”
E então, ele caiu no chão no mesmo instante.
“Waaah! AaAAAAH! PAPAIY”
“Urgh!”
“Gahk...!”
“Par...a...!”
Não era só o Imperador Subiteo.
No meio dos gritos cada vez mais desesperados de Leonia, grunhidos de tortura começaram a ecoar pelo salão.
O atendente que gritava, os nobres lá de perto, os cavaleiros na porta—
Todos caíram ao chão, agarrando o pescoço ou o peito.
Algo afiado e indescritível pressionava suas próprias vidas—sua própria existência.
Um medo que nenhum deles tinha conhecido antes.
“Waaaaaah! Papaiiiy!”
Quanto mais ela chorava, mais energia dourada brilhava e florescia atrás dela.
O brilho parecido com névoa começou a formar uma figura estranha.
Uma boca, vaga e um pouco instável—
E dentro dela, algo brilhava com uma luz mortal.
O símbolo da Casa Voreoti.
As Presas da Fera.
***
“Estou pensando em usar as Presas.”
Antes do banquete—
Leonia planejava causar um grande escândalo para cuspir na cara do Imperador que ousou convidá-la.
E entre as opções, ela perguntou a Ferio sobre essa.
“O que acha?”
“Explique em detalhes.”
“Umm, então—”
A criaturinha começou sua apresentação.
Ela previu o cenário, como se comportaria, quais variáveis poderiam surgir, e qual seria o resultado final se todos os fatores acontecessem.
Sua experiência passada na vida corporativa, enterrada na memória, revelou-se surpreendentemente útil.
“Tente.”
Depois de um momento de reflexão, Ferio deu a permissão mais facilmente do que ela esperava.
“Sério?”
“Você disse que queria fazer isso.”
Ferio respondeu que, se ela fosse fazer uma cena, deveria ser pelo menos dessa grandeza.
Leonia percebeu o quanto Ferio desprezava a Família Imperial—e que todas as piadas dele sobre revolução eram realmente sinceras.
“Ainda sou meio desajeitada com as Presas, e é o Palácio Imperial, então...”
Ela falou com coragem, mas muitas coisas ainda pesavam nela.
Se Voreoti acabar sendo usada como bode expiatório só porque ela fez cena, ela se sentiria culpada demais com seu pai.
“Tudo bem.”
Ferio colocou Leonia no colo dele.
O peito sólido e quente que roçou contra sua orelha esquerda e o batimento firme de seu coração a acalmou.
“É trabalho de um pai assumir a responsabilidade pelos erros do filho.”
Sem saber o que a filha sentia, Ferio acariciou, uma a uma, suas mechas bagunçadas, ajeitando-as.
“Mas usar as Presas não é exatamente um ‘erro’...”
A intenção era clara demais. O efeito, cruel demais.
“É um erro.”
O pai fera declarou com orgulho.
“Vamos apenas torná-lo um erro.”
Assim, decidiu participar—um pouquinho—do tumulto na festa de Leonia.
“Mas com uma condição.”
“Uma condição?”
Leonia fez cara de bico. Por que não ajudá-la logo?
“Vamos usar isso para testar algo.”
Ferio decidiu usar a confusão do banquete como um teste—para ver o quanto Leonia agora podia manejar as Presas da Fera.
“Não perca o controle.”
Leonia ainda não tinha acabado de formar completamente as Presas.
Eram vagas e instáveis.
Mas agora ela conseguia manter quatro Presas por mais tempo do que antes, e seu controle tinha melhorado bastante.
O que significava que ela precisava ser ainda mais cuidadosa.
Ficando à beira de perder o controle, Leonia extraiu o poder total das Presas.
Antes que percebesse, ela tinha esquecido de fingir que chorava. Toda a sua atenção estava concentrada nas Presas.
A aura dourada mortal que preenchia o amplo salão do banquete era o máximo que a criaturinha podia controlar.
“Leo.”
Justamente então, algo quente inundou seu corpo.
“Devagar.”
Recolha as Presas.
Voz mais confiável do mundo sussurrou em seu ouvido.
Ao mesmo tempo, Presas vermelhas começaram a envolver e suprimir as douradas que haviam se espalhado pelo salão.
“Você foi ótima.”
Ela não perdeu o controle. Passou no teste.
“Você é uma boa garota, não é?
Esta tradução é de propriedade intelectual da Novelight.
“Papaaai... ”
“Sim, foi assustador, não foi?”
Até então, as Presas tinham desaparecido, e Leonia tinha se jogado nos braços de Ferio.
“... Mas não foi tão assustador assim, não.”
Ela acrescentou, sussurrando só para seu pai ouvir.
Ferio a puxou suavemente mais para perto, pressionando sua cabeça pequena contra seu peito musculoso, e murmurou para que ela se acalmando.
“Ehehe~”
Sua boca se curvou em um sorriso largo, enquanto ela se espremia contra seu peito forte.
Ferio deu leves tapinhas na cabeça dela. Isso significava: já basta de brincadeiras.
Agora era hora do papai subir ao palco.
“Vossa Majestade, vocês estão bem?”
Ferio falou com o Imperador, que jazia no chão.
Ele só perguntou. Era tudo.
Ferio não estendeu a mão para ajudá-lo a levantar, nem se aproximou mais. Simplesmente ficou a uns passos de distância, por cortesia.
No final, foram os atendentes mais afastados que correram para ajudar o caído Subiteo.
Os outros, atingidos pelo poder das Presas, começaram a se recuperar lentamente do chão.
“O-Que diabos...!”
Apesar de conseguir se levantar com ajuda, o Imperador ainda não tinha se livrado do medo que tinha acabado de quase tirar sua vida.
Só a saliva escorria pelos cantos da boca dele.
Mesmo assim, ele se saiu melhor do que o atendente que tinha ficado lá ao seu lado—ele desmaiou de olhos bem abertos.
E também se mijou.
“A criança cometeu um erro.”
“Um... erro?!”
Subiteo gritou, com a língua travada e as palavras saindo emboladas.
“Ela poderia ter me matado!”
“Ela não faria isso.”
Ferio respondeu com calma. Ele tinha observado de longe. Leonia tinha deliberadamente puxado seu poder de volta, só para assustar, não para ferir.
“Mais importante—por que minha filha estava sozinha com Vossa Majestade?”
A questão de Ferio deixou o Imperador calado.
“Procurei por ela porque ela desapareceu, mas então senti a aura das Presas e me assustei. Nunca imaginei que ela estaria com Vossa Majestade...”
Ao terminar as palavras, Ferio olhou devagar para os nobres próximos.
“Por que ninguém me informou disso?”
Os nobres, que mal haviam se recompojado, tremularam e recuaram.
Ferio nem sequer tinha convocado as Presas, mas algo muito mais violento do que o ‘erro’ de Leonia, agora, envolvia seu corpo como uma fera prestes a atacar.
Qualquer um podia perceber que Leonia tinha cometido uma ofensa grave.
No entanto, o clima estava mudando—não culpando a criança, mas o Imperador e os nobres que permitiram tudo aquilo acontecer.
Tudo por causa de um só homem.
“Alguém poderia explicar...”
Ferio Voreoti, de pé, sozinho.
“Como minha filha, que tem apenas sete anos, terminou numa sala cheia de pessoas—sem mim? A menos que alguém me dê uma explicação satisfatória...”
Ele quase ia mostrar como um banquete ensanguentado de verdade se parecia—
“Duque Voreoti.”
Marquês Pardus intervenveu, surgindo do nada. Parecia completamente indiferente, como se as Presas nem tivessem tocado nele.
E, na verdade, não tinham.
O marquês primeiro verificou o estado do Imperador, depois virou-se para Ferio, dando um lembrete calmo.
“O senhor também não está sem culpa, Duque.”
Ele apontou que Ferio também tinha deixado a criança vagar sozinha no banquete.
“E Sua Majestade apenas quis agradecer à jovem por ter vindo hoje à noite. Se alguém é de verdade responsável, seria o atendente que elevou a voz para ela.”
Com um encolher de ombros, o marquês descarregou toda a culpa sobre o atendente agora inconsciente e todo molhado.
“Não seria melhor vocês dois saírem agora?”
O banquete já estava arruinado.
Mesmo se tentassem continuar, ninguém conseguiria aproveitar com a Voreoti ali ainda.
Eles não poderiam falar livremente.
E se não falarem abertamente, Pardus não conseguirá obter as informações que deseja.
“Parece que a jovem também está bem cansada.”
Ao ouvir isso, Leonia—ainda agarrada aos braços de Ferio—tremiliu.
A criança que vinha sorrindo para o peito do pai de repente mudou sua expressão para uma brincadeira de sono.
“...Muito bem.”
Ferio deu uma rápida despedida ao Imperador.
“Voltarei a visitá-lo outro dia.”
Era uma despedida simples. Mas o rosto de Subiteo ficou pálido como um fantasma.
Para ele, parecia uma ameaça: Vamos conversar direito—só nós dois.
E, na verdade, Ferio tinha essa intenção também.
O salão entrou em silêncio, e o único som era o clique constante das botas de Ferio no piso.
Na entrada do salão do banquete, Lupe já os esperava.
Quando os três se viraram para partir—
“Todos vocês.”
Uma voz clara soou no salão, radiante.
Leonia tinha descido dos braços de Ferio e agora segurava sua saia, fazendo uma reverência educada.
O movimento elegante que aprendeu com a Condessa Bosgruni fazia parecer impossível que ela tivesse acabado de fazer todos os adultos se ajoelharem chorando.
“Foi uma honra vê-los nesta noite tão significativa.”
Eu vim aqui hoje com a intenção de caçá-los.
“Como filha única do Duque Voreoti, única herdeira...”
E mesmo assim, vocês ousam espalhar boatos sobre minha origem humilde, me chamando de bastardos?
“Eu sou Leonia.”
Recordem bem esse nome.
“Espero reencontrá-los.”
Embora na próxima vez provavelmente seja o seu fim.
Com o sorriso mais encantador que já usou, Leonia virou as costas para o salão.
Ferio olhou para sua filha com um olhar que dizia que ela era a criatura mais admirável do mundo.