Me tornei a filha adotiva do protagonista masculino.

Capítulo 96

Me tornei a filha adotiva do protagonista masculino.


Leonia passou pelos nomes que vieram à sua cabeça.


Mas ninguém realmente se destacou.


‘Tio Carnis está bem, já que a Lady Abipher está com ele... Pensei em entregar isso à Sua Majestade, a Imperatriz, mas...’


A Imperatriz Tigria não tinha vindo até onde o Marquês de Hesperi estava.


A mulher de cabelos prateados permanecia lá em cima, conversando com alguém que parecia ser sua dama de companhia.


‘Bem, também eu não desceria.’


Como ela poderia encarar o pai que a mandou para se casar com o Imperador? Leonia podia compreender completamente.


Enquanto ainda pensava, o Marquês de Hesperi percebeu o bilhete enrolado ao redor do doce.


No momento em que leu, sua expressão revelou um choque evidente.


Leonia, que estava relaxada nos braços dele, estremeceu ligeiramente.


Porém, o guerreiro experiente logo controlou sua reação, dando uma leve palmada na mão da criança.


E foi aí que aconteceu.


“Desculpe a interrupção.”


Um visitante não convidado entrou na pequena reunião amistosa.


“Lady Voreoti.”


O estranho chamou por Leonia.


“Que assunto tem com ela?”


O Marquês de Hesperi olhou para o intruso com evidente desaprovação.


Então seus olhos apertaram ao perceber a braçadeira no braço esquerdo do homem.


“Um guarda real?”


E não era qualquer guarda.


A braçadeira era única para os guardas de elite que serviam diretamente ao lado da família imperial.


Ela era bordada com a pena da águia dourada—símbolo da Casa Imperial.

“......Você serve ao Seu Majestade, o Imperador.”


Foi o Marquês Pardus quem falou primeiro, e o orgulho estampado no rosto do guarda confirmou isso.


Leonia quase conseguiu conter o sorriso de orelha a orelha.

‘Ele está aqui!’


Finalmente, a presa tinha entrado na sua armadilha.

A criaturinha lutava para manter a empolgação sob controle.

O momento tinha chegado—a presa idiota agora estava bem ali na sua frente. Ela tinha esperado por esse instante, escondida na multidão.


“O que aconteceu com o guarda anterior?”

“Ele foi dispensado por... motivos específicos.”


“Entendo...”

Marquês Pardus deu uma resposta vaga, lembrando do antigo guarda.

Esse homem passou informações falsas espalhadas por Ferio e Lupe ao Imperador, e depois as enviou rapidamente ao Conde Tabanus.

Como consequência, o Conde Tabanus morreu às mãos dos Cavaleiros Gladiago.

O Imperador ficou furioso ao descobrir a verdade e dispensou o guarda.

Se tudo que ele recebeu foi a dispensa, ainda assim tinha sorte.

Provavelmente, o corpo do homem já estava apodrecendo em algum bosque anônimo, com os olhos ainda arregalados.

“Seus Majestades querem falar com Lady Voreoti.”

O guarda transmitiu a mensagem com a completa fidelidade, sem desvios.


Naturalmente, todos protestaram.


“Primeiro, é preciso da permissão do Duque.”


“Desde quando é preciso permissão de um duque para se encontrar com o Imperador?”


“Lady Voreoti é uma criança!”


Carnis, que há tanto tempo se continha, explodiu de vez.


Sua raiva era mais do que justificada.

“Ela ainda é tão nova. Seu guardião deveria estar com ela! E se ela ofender inadvertidamente Sua Majestade?”


Mesmo fervendo de raiva, Carnis tentava argumentos viáveis: o Duque de Voreoti deveria estar presente.


Seu raciocínio era sólido, e o guarda hesitou.


Um passo em falso aqui poderia levar ao desastre.


Este era o Oeste—região amigável ao Norte. Seu comandante estava presente, assim como a família Rinne, proprietária do maior porto comercial do império.


O guarda precisava agir rapidamente.


Deveria chamar o Duque Voreoti ou seguir ordem do Imperador e levar a garota?


Por sorte, a decisão não demorou muito.


“Tio Carnis.”


Leonia segurou a mão de Carnis. Sua fúria era tamanha que quase surgiu a loucura em seus olhos. Ela o surpreendeu com seu toque.


Com um sorriso suave, Leonia acariciou sua mão.

“Tudo bem.”


Depois, olhou silenciosamente para Abipher. Percebendo sua intenção, Abipher colocou os braços ao redor do marido para acalmá-lo.


“Eu vou.”


Disse Leonia.


“Mas quero ir com o Marquês Pardus.”


“Quer mesmo?”

O marquês sorriu suavemente. “Seria uma honra.”

“Marquês, minhas pernas estão doendo.”

“Então eu vou te carregar—”

“Você, Marquês. Você me carrega.”


Ignorando o guarda que se aproximava, Leonia estendeu a mão ao Marquês Pardus.

Ele prontamente pegou a criaturinha com destreza treinada.

Leonia lhe lançou um olhar surpreso.

Ele era muito bom em carregar crianças—provavelmente porque tinha criado vários netos.

O guarda foi na frente, e Leonia seguiu atrás, nos braços do marquês.

Todos na grande sala de banquetes se viraram para observá-la.

Leonia já estava acostumada aos olhares que a atravessavam. Mas isso não significava que gostava de tê-los.

Normalmente, ela teria rosado: O que vocês estão olhando?

Mas não agora. Agora, ela precisava segurar a vontade de falar.

“Marquês.”

Leonia discretamente entregou o último doce que sobrava, pedindo para que o passasse para aquela pessoa.

Marquês Pardus não respondeu, mas entendeu perfeitamente a intenção da criaturinha.

Como alguém que respeitava força, ele nunca a interferiria na sua caçada.

Logo chegaram à grande escadaria.

Logo ali do lado estava o Imperador.

Marquês Pardus cuidadosamente colocou Leonia no chão e se voltou ao guarda.

“Vou subir e anunciar a chegada dela a Seu Majestade.”

“Esse é meu trabalho—”

“Tudo bem, tudo bem.”

O marquês subiu sozinho, deixando o guarda para trás com um sorriso gentil.

Agora só restavam Leonia e o guarda.

Leonia cambaleou um pouco, com os olhos focos no chão, enquanto o guarda a observava em silêncio.

Ele não sabia lidar com crianças.

“...Chato.”

Leonia murmurou.

“Estou com sono.”

Ela até bocejou alto, como se realmente estivesse com sono.

“Quero voltar para o papai.”

Depois, ela se virou de verdade. O guarda assustado deu um passo à frente para bloquear seu caminho.

“Você precisa se encontrar com Seu Majestade.”

“Não. Isso é chato.”

“Mas você disse que ia encontrá-lo.”

“Eu disse que ia, não que ia vê-lo.”

Leonia estreitou os olhos.

“Não me dê ordens.”

Você é apenas um cão do Imperador.

A repulsa em seu olhar e o tom frio na voz cortaram o guarda como se fosse uma lâmina.

Um gemido de medo e asfixia escapou dele enquanto lutava para falar.

Suas mãos trêmulas tremiam como as de um bêbado segurando uma garrafa.

A criança ingênua de um momento atrás tinha desaparecido.

No lugar dela, estava uma fera negra, agachada, com presas à mostra, pronta para saltar pela garganta a qualquer momento.

Leonia não precisava mais fingir.

Tudo estava em seu lugar.

“...Então é ela.”

Uma sombra grande logo se projetou sobre ela.

“Aquela criança.”

A repulsa instintiva em sua voz despertou algo profundamente desagradável na criaturinha.

O cheiro pesado de seu perfume forte só aumentava essa sensação.

“Então você é o bastardo.”

Leonia (apenas para Nоvеlіgһt) não conseguiu evitar franzir a testa. O tom calmo porém sutilmente desdenhoso lhe provocou irritação.


“Sua Majestade, Lady Voreoti.”

O marquês Pardus falou com respeito, usando o título completo dela.

Embora o Imperador ousasse desprezar Voreoti, ele não demonstrou nenhuma emoção.

Essa não era sua postura.

“......”

Leonia encarou os olhos dourados que a observavam de cima.

O Imperador do Império Bellius.

Subiteo Águia Bellius.

Minha presa.

A criaturinha rosnou.

Era hora de mostrar os dentes.

Esta tradução é de propriedade intelectual da Novelight.


***


“Seu Majestade, o Imperador, e Lady Voreoti.”


“Pensei que fosse impossível...”

“Ela parece estar em perigo. Está tudo bem?”

“Aliás, o Duque não está aqui.”

Os murmúrios entre os nobres estavam mais altos do que nunca.

Desde que a criança foi convidada para um banquete tão tarde, tudo parecia estranho—mas ninguém havia imaginado que Leonia acabaria frente a frente com o Imperador, sozinha.

Todos assumiam que o encontro aconteceria em um lugar mais reservado, como uma câmara de audiência, ou ao menos atrás de portas fechadas.

Até o próprio Imperador tinha planejado assim.

O que mudou o plano foi justamente o Marquês Pardus.

“Ficar sozinho com uma criança não será bem visto pelo público.”

“Você está insinuando algo indevido, Marquês?”

Naturalmente, o conselho deixou um sabor amargo na boca, e o Imperador Subiteo olhou com severidade para o marquês.

“De modo algum, Sua Majestade.”

O marquês fez uma reverência mais profunda, reforçando a humildade que se espera de um súdito. O humor do Imperador relaxou um pouco.

“O Duque pode usar isso contra você.”

O Duque de Voreoti agora era conhecido em todo o império como a definição de ‘tola de filha’.

Sua jovem filha era a coisa mais preciosa em sua vida—e também uma figura de escárnio que ninguém ousava tocar.

“Nenhum mínimo espaço deve ser permitido.”

......


Era um argumento válido.


“Seu Majestade, talvez seja melhor não encontrar a jovem de modo algum—”


“Então por que o Senhor não desce e vai encontrá-la?”

A Imperatriz Tigria tentou dissuadi-lo gentilmente. Mas a voz doce da Concubina Usia interrompeu sem hesitação.


“Mostrem a todos!”

Que ela fosse tão generosa, mesmo com a filha ilegítima de Voreoti.

Que tivesse misericórdia a ponto de descer as escadas para encontrar uma pobre bastardinha.

“Ficaria impressionante!”

A Concubina Usia cruzou as mãos e piscou com uma inocência fingida.

Parecia tão inocente e adorável que ninguém suspeitava que ela fosse mãe do príncipe imperial de doze anos de idade.

Era uma sugestão totalmente idiota.

Com certeza, ele não ia mesmo lhe dar ouvidos?

Tigria e o Marquês Pardus compartilhavam uma esperança silenciosa e desesperada.

Mas o Imperador acabou sendo mais decepcionante do que esperava.

Ele era tragicamente facilmente influenciável e adorava aqueles que o bajulavam.

“Inacreditável.”

Relembrando os acontecimentos há poucos momentos, o Marquês Pardus quase contorceu o rosto de nojo visível.

Quase deixou escapar suas emoções.

Ele olhou para o Imperador e pensou: ele é como um hospedeiro parasitado pela Concubina Usia.

Sempre houve histórias entre as nações de reis que trouxeram ruína às suas terras após serem enfeitiçados por concubinas, mas imaginar que tal homem fosse seu imperador—que decepcionante.

“...A Concubina Usia é realmente formidável.”

Uma concubina que governava acima do Imperador.

De qualquer modo, o marquês engoliu sua amargura e apresentou Leonia.

O Imperador Subiteo olhou para ela com um olhar de reprovação.

“Ela é a sua cara, Duque.”

Mesmo sendo uma filha bastarda de maternidade desconhecida, ela carregava claramente o sangue Voreoti.

Aquele cabelo preto profundo e olhos escuros, os olhos ligeiramente levantados, e os lábios pressionados de forma firme e reta.

E, além disso, a insolência de encará-lo sem medo—totalmente vergonhoso.

“Lady Voreoti, esta é Sua Majestade, o grande Imperador do Império.”

O Marquês Pardus interveio no momento perfeito. O Imperador Subiteo endireitou os ombros e olhou para a criança.

Para o marquês, ele parecia um pombinho inflando o peito. Sorriu de leve diante daquela cena ridícula.

“......”

Leonia e o Imperador Subiteo ficaram se encarando em silêncio por um bom tempo.

Ninguém falou primeiro.

A criança olhava para o Imperador com curiosidade inocente, enquanto o Imperador esperava—com atenção—que ela fosse a primeira a falar.

Se fosse um homem de maior magnanimidade, talvez ele tivesse iniciado a conversa.

Mas o Imperador Subiteo não era esse tipo de homem.

“...Você é o imperador, menino?”

Leonia finalmente abriu a boca.

A palavra ‘menino’ deixou vários nobres pálidos.

Alguém até gaguejou: “Hiiik!”

“Fui ensinada que o imperador devia ser uma pessoa maravilhosa.”

Leonia sorriu brilhantemente.

“É mesmo?”

Por fim, o Imperador reagiu pela primeira vez.

Mesmo sendo uma bastarda, ela ainda era uma Voreoti. Ele nunca esperava que ela dissesse algo parecendo uma elogio.

“Eu sou de fato o Imperador deste Império.”

Com uma voz satisfeita, ele se apresentou.

Comparado a lidar com Ferio, Leonia se sentiu bem mais fraca, mais dócil.

Ele achou que poderia brincar com ela à vontade e plantar nela o medo.

Ao mesmo tempo, deixaria os nobres com uma impressão de sua benevolência.

“Como você achou o banquete?”

O Imperador Subiteo perguntou, como se estivesse generosamente presenteando alguém.

“Foi chato.”

E, daquele jeito, a criaturinha arremessou um cocô na cara dele.

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