
Capítulo 94
Me tornei a filha adotiva do protagonista masculino.
Erbanu?
Leonia hesitou, algumas uvas ainda presas em sua mão.
Erbanu era família de Varia.
Surpresa, ela engoliu rapidamente as uvas na boca.
Nunca esperava ouvir algo relacionado a Varia ali.
Por enquanto, Leonia fez uma pausa na indulgência na fruta deliciosa e se concentrou na conversa dos adultos.
"Erbanu..."
Então Ferio soltou um comentário que ela não esperava.
"A filha mais velha deles não foi a melhor concludente da Academia no ano passado?"
Ferio mencionou Varia.
Ele não parecia saber o nome dela, mas era claro que a figura de Varia tinha um lugar na memória dele.
Leonia tentou acalmar seu coração acelerado.
"Você a conhecia?"
Lupe perguntou.
"Não sei o nome dela."
Como esperado, Ferio não conhecia Varia pelo nome.
"Então, é a filha mais velha com quem estão noiva?"
Não pode ser!
Leonia gritou internamente.
"É a segunda filha."
Ufa. Leonia ⊛ Noctilux ⊛ (Leia a história completa) soltou um suspiro silencioso.
Ah, é verdade. Eu já sabia disso.
Ela se sentiu envergonhada por ter reagido exageradamente.
Ela tinha descoberto na história original que provavelmente não seria Varia, mas como sua presença no mundo tinha mudado as coisas, ela não podia ter tanta certeza.
No entanto, as expressões dos adultos rapidamente escureceram.
"...A segunda filha tem dezessete anos, não é?"
Finalmente, o Marquês Ortio expressou o que deixou todos desconfortáveis.
Leonia fez uma careta.
Que nojo! Que repugnância!
Era uma história que dava náusea.
No Império Bellius, homens e mulheres precisam ter pelo menos vinte anos para se casar legalmente.
Por isso, era comum na sociedade nobre marcar noivados entre famílias com crianças ainda não adultas.
Mesmo assim, era considerado adequado que o casal noivado fosse de idades próximas e já próximos da maioridade.
Um noivado para a menina Erbanu, de dezessete anos, não era o maior problema.
O problema era a idade do pretendente, filho do Visconde Olor.
"Nem sabia que vendiam as filhas também."
Ferio reprimiu seu nojo ao olhar para Leonia, que se agarrava firmemente à sua perna.
A criança não tentou esconder sua expressão de nojo — aquela que ela frequentemente usava ao amaldiçoar os adultos do orfanato.
Claramente, ela pensava a mesma coisa.
E era verdade — essas pessoas eram lixo, melhor nem do que aquelas outras.
"Parece que cabelo e fezes vêm do mesmo lugar."
O Marquês Ortio finalmente colocou a taça de vinho na mesa. Perdera completamente o apetite.
Nesse momento, um som de trombeta soou lá de cima.
Uma breve melodia de comando tocou ao mesmo tempo do balcão acima da sala de banquetes.
A sala barulhenta silenciou-se de repente, todos voltaram a atenção para cima.
Um atendente do tribunal apareceu.
"Aquele não é o mesmo de da última vez."
"Não dê importância."
Ferio e Lupe cochicharam discretamente.
Refiriam-se ao atendente que, uma vez, entregou informações falsas ao Imperador, levando a família Tabanus à ruína.
"Senhoras e senhores."
O atendente elevou a voz com força.
"Sua Majestade o Imperador e Sua Majestade a Imperatriz..."
O atendente fez uma breve pausa para respirar.
"...e Sua Alteza a Consorte chegaram."
Durou apenas um instante, mas Leonia percebeu que o rosto do Marquês Hesperi se retorceu de raiva.
***
O Império Bellius.
Também conhecido como Reino das Bestas.
Fiel à sua alcunha, a tradição de cada casa nobre portar um animal como brasão era comum.
Segundo uma teoria predominante, essa prática teve origem nas casas governantes de cada região.
Antes mesmo da fundação do império, esses clãs veneravam animais sagrados, e essas crenças foram transmitidas até a heráldica moderna.
O Leste — Casa Ortio: onça-pintada azul.
O Oeste — Casa Hesperi: tigre branco.
O Sul — Casa Meridio: baleia carmesim.
O Norte — Casa Voreoti: leão preto.
Se a Casa Aust fosse considerada a governante do sul, seu símbolo seria a baleia safira.
Por fim, a Casa Imperial central — Bello — era representada pelo águia dourada.
A águia dourada há muito tempo é vista como símbolo da família imperial.
No mito fundador, conta-se que o primeiro imperador, indeciso sobre onde estabelecer a capital, recebeu um sinal quando uma águia dourada surgiu no céu e lhe guiou o caminho.
Que bobagem.
Leonia secretamente coçou o dedo na tuberosidade do lábio.
A pequena cria de besta não sabia muito mais, mas certamente não acreditava no mito da fundação.
Cheirava a história fabricada para legitimar seu domínio e criar um ar de mistério.
De qualquer forma, a bandeira imperial com uma águia dourada estava pendurada no lugar mais alto da sala de banquetes.
Brilhava sob a luz do candeeiro de cristal.
Só depois de observar um pouco, Leonia percebeu que a águia na bandeira era toda bordada com pedras preciosas.
E abaixo daquela bandeira...
Havia assentos preparados para o Imperador e a Imperatriz sentarem lado a lado.
Um degrau abaixo, também havia um lugar reservado para a consorte imperial.
Leonia observava aquela plataforma elevada e murmurou entre dentes:
"Chegar atrasado e ainda fazer uma entrada triunfal."
"Porque ele é lixo."
Ferio falou suavemente, de modo instrutivo.
"Vamos esperar... por enquanto."
Lupe implorou desesperado, sussurrando que podiam insultá-lo à vontade quando voltassem para casa.
Ele odiava o Imperador tanto quanto ela, mas naquele momento, o Imperador ia fazer uma aparição.
E, infelizmente, tanto o chefe dele quanto a filha dele gostavam demais de provocar a família real, o que deixou Lupe com o coração congelado de ansiedade.
Ele implorou várias vezes para que tomassem cuidado com as palavras, só por um momento.
Logo, o Imperador apareceu.
...Hã?
Leonia piscou surpresa.
Na verdade, ele é até bem bonito?
Foi completamente inesperado.
Na história original, o Imperador não foi descrito com muitos detalhes.
Apenas Ferio, Varia e as pessoas do lado deles eram considerados bonitos. Outros personagens tinham traços vagos e mínimos.
O Imperador não era exceção.
Por ela saber a história, Leonia não tinha expectativas grandes dele.
Ela não ficaria surpresa se ele fosse um senhor idoso, com barriga grande e cara carrancuda.
Mas o Imperador que apareceu era surpreendentemente atraente.
Um tipo doce, de rapaz da igreja?
Ele tinha uma presença gentil e calorosa.
Esta tradução é de propriedade intelectual da Novelight.
O perfil do seu nariz era alto e orgulhoso, e seus olhos dourados brilhavam com luz própria.
Seu cabelo castanho-avermelhado, brilhante, estava preso num coque bem feito.
Mesmo de longe, sua estrutura robusta era evidente.
"Mas, na verdade, é mais o osso do que o músculo..."
O detector interno de Leonia para músculos se ativou rapidamente, confirmando que provavelmente sua aparência imponente vinha mais da estrutura óssea.
Porém, havia uma falha — seus olhos dourados, bonitos, carregavam uma tensão desconfortável.
Por causa disso, seus traços atraentes não eram totalmente harmoniosos.
"...Alguma coisa não bate."
Por um instante, ela ficou deslumbrada com o rosto dele, mas logo voltou à realidade.
Suo a boca.
Na história original, o imperador arrogante e sem caráter e Olor, seu rival, eram descritos com pouca preocupação. E agora, lá estavam — ambos incrivelmente bonitos na vida real.
E, de todas as coisas, o rosto do Imperador transmitia suavidade.
Só de imaginar quantas vítimas poderiam ser enganadas por esse rosto, o mundo parecia ainda mais injusto.
Enfastiada do Imperador, Leonia virou o olhar.
"Então é ela a Imperatriz."
Ela era deslumbrantemente linda.
Seu cabelo prateado, elegantemente preso, brilhava como se estivesse polvilhado com pedrinhas preciosas trituradas.
Quando ela inclinou o rosto para baixo, transmitia uma impressão de serenidade e distância.
"Nossa..."
Leonia já tinha visto muitas belas mulheres na vida.
Ferio era oficialmente descrito como o homem mais bonito do mundo, e Lupe também não ficava atrás.
Até os cavaleiros Gladiago e os funcionários de Voreoti eram bonitos.
Ela achava que era imune a rostos bonitos.
Porém, a Imperatriz era tão impressionante que até Leonia se assustou.
Ela parecia gotinhas de orvalho sobre uma folha—clara, pura, radiante de autoconfiança...
Porém, havia um sutil senso de perigo nela.
"Bom, ela mora com aquele cara, então..."
Fazia sentido que ela passasse essa impressão.
Na verdade, o casal nem olhara um para o outro uma única vez.
O Imperador às vezes desviava o olhar, mas a Imperatriz nunca o olhava sequer uma vez.
Pareciam ouro banhado na prata pura.
"E aquela em verde..."
A atenção de Leonia foi para a mulher sentada um nível abaixo do Imperador e da Imperatriz — a Consorte Imperial.
"...Isso é até legal?"
Leonia hesitou.
A Consorte Usia parecia surpreendentemente jovem.
Pela face, parecia nem mais velha que Lady Hieina.
Ela dava a impressão de uma fada da floresta cheia de caprichos.
Seus cabelos verdes, volumosos e vibrantes, tinham beadjades de jade entremeados como pétalas de flor.
Ela era adorável, charmosa, quase infantil.
Porém, na verdade, a Consorte Usia tinha mais de trinta anos e era mãe do primeiro príncipe — que tinha acabado de completar doze anos naquela primavera.
"Aquele é aquele pântano."
Que tipo de homem orgulhosamente leva a própria esposa e amante para um evento oficial?
"...Ele é pior que lixo."
Leonia não resistiu e murmurou alto.
"Eu pelo menos só flerto com músculos. E não agoo como aquele sujeito."
"...."
"...."
Ferio, que já suportou inúmeras situações de objetificação muscular, e Lupe, que testemunhou cada uma delas, ficaram sem palavras.
Nesse momento, o Imperador se levantou de sua cadeira.
Os nobres fizeram reverência.
Ferio inclinou a cabeça parcialmente. Leonia, após observar os adultos, imitou-os com uma postura um pouco desajeitada.
"Entendam mal, sigam em frente."
Deixem que pensem que sou uma menininha inocente.
Sua postura desajeitada fazia parte do plano cuidadosamente elaborado por Leonia para criar confusão.
E funcionou.
Ela sentiu um olhar pesado vindo de cima.
Sua intuição dizia exatamente de onde vinha.
Daquele assento alto.
"Peguei você!"
Leonia sorriu silenciosamente.
O Imperador estava de olho nela.
A presa tinha mordido a isca.
E ela não era a única a perceber o olhar descarado.
Bem ao seu lado, Ferio também sentiu.
Ele passou a língua suavemente, claramente incomodado pelo fato do Imperador estar olhando para sua filha.
Leonia se aproximou de Ferio.
Ferio envolveu seu braço em volta dela, protetivamente, puxando-a para o lado dele.
"Leo."
Ele murmurou baixinho.
"Esta é sua primeira caçada."
Eu estarei de olho.
"Divirta-se lá fora."
Repleto de emoções, a pequena cria de besta abraçou o Black Beast com força.
***
"Este banquete é uma ocasião muito importante."
O Imperador começou o discurso.
Para surpresa de todos, o discurso foi breve.
Agradeceu a presença de todos e declarou que aquele banquete, o primeiro desde a morte do falecido Imperador, era uma homenagem à sua memória — blá, blá, blá.
O tom parecia demasiado festivo para parecer luto, mas poucos pareciam se importar.
Seguiu-se um breve momento de silêncio.
Todos fecharam os olhos em respeito ao Imperador falecido.
Até Ferio tratou isso com seriedade — ele reconheceu o falecido Imperador como um verdadeiro soberano.
Leonia também abaixou a cabeça.
"Criar filhos deve ser difícil, né?"
Ela simpatizava com o falecido Imperador, que governou bem o país, mas não conseguiu criar um herdeiro decente.
O silêncio terminou e o banquete prosseguiu.
Suaves melodias preencheram novamente o salão. Os convidados começaram a se mover, conversar, sua energia retornando.
Alguns até se arriscaram a dançar no centro.
"Ah..."
O Marquês Ortio, quem vinha apreciando o vinho silenciosamente na parede, sorriu ao ver uma convidada muito especial vindo em sua direção.
"Lady Voreoti."
"Boa noite, Marquesa."
Leonia apareceu sozinha, fazendo uma breve e educada reverência.